Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

O Estranho em Mim

31 de agosto de 2010 2

Eu ainda não vi o filme, mas o Roger Lerina já disse que é pesadíssimo. Pudera. Falar de depressão pós-parto (confesso que nunca tinha ouvido falar de um filme que abordasse o tema tão explicitamente) requer estômago. E como ainda sou puérpere – parece que o período dura oito meses – acho que vou esperar um pouquinho mais. Anyway, para quem quiser se aventurar, está em cartaz

O Estranho em Mim (2008), filme alemão dirigido por Emily Atef, sobre a indigesta – mas supercomum – depressão pós-parto.

A produção (…) conta a história de Rebecca (Susanne Wolff) e Julian (Johann von Buelow), um casal apaixonado que está esperando o primeiro filho. No filme, a depressão se inicia no momento em que Rebecca olha o filho, Lukas, pela primeira vez e não consegue reconhece-lo como parte de si. Ele é um estranho, como o próprio título diz. Ao contrário do que acontece na vida real, já que esses sentimentos de tristeza profunda e confusão geralmente se iniciam no último trimestre da gravidez.

Digo supercomum porque as estatísticas dessa doença são assustadoras. Cerca de 50% a 60% das mulheres passam por ela – até aquelas que nunca apresentaram sintomas na vida. O mais curioso é que a depressão pós-parto quase nunca chega no hospital, nem na primeira semana de vida do bebê, quando a mamãe está rodeada de familiares, sendo mimada e cheia de gente babando em volta da cria.

O bicho pega mesmo quando a família volta para a casa e o bebê deixa de ser novidade. É quando “a ficha cai”. E o nenê começa a chorar sem parar. E você está completamente esgotada, sem experiência, etc e etc. O bom é que depois passa.

Apesar de não ter visto o filme, fico feliz do tema não ter sido esquecido. Quando estava grávida, ficava preocupada com a maneira como alguns assuntos eram tratados – ou não eram tratados. Quase tudo que eu lia sobre gravidez – até eu encher de ler sempre as mesmas coisas – criava um imaginário perfeito em torno dessa fase da mulher, que ela ficava mais bonita e etc, etc. Ok, ficamos mais lindas, os cabelos crescem, as unhas se fortalecem e rola aquela história da mulher se sentir poderosa – e é oras – por estar gerando uma vida. E a depressão pós-parto seria uma simples melancolia passageira. Será?

Pena que na prática não é assim que acontece. Por isso a importância da mãe estar MUITO preparada para receber o filhote.

Se eu pudesse dar um conselho a uma grávida hoje, diria que mais importante do que se preocupar com a decoração do quarto é poder contar com alguém de confiança nesse início – vale desde a vó da criança até o melhor amigo gay. Garante que a paz reine no seu lar e ajuda a evitar que a melancolia vire uma internação.

Estou sendo trágica demais? Pode até ser.

Mas funciona.

Até.

Comentários (2)

  • Andrea diz: 31 de agosto de 2010

    Oi Livia, eu sou mãe do Pietro que fez 05 anos dia 25 e da Sofia que fará 08 meses dia 07 de setembro. Eu tenho depressão pós parto. Começou com uma tristeza infinita, um medo enorme de não saber cuidar da Sofia e um medo sem medidas que acontecesse algo a ela. Só chorava. Eu nunca a rejeitei. Amo ela com toda a força de meu ser. Mas estou com depressão. Estou tratando, inicialmente foi com o terapeuta, mas ela foi se agigantando de tal forma que antes que cometesse alguma besteira (eu só pensava em dar um fim na minha vida, nunca aos meus tesouros), comecei a tomar remédio. Não é fácil, ainda bem que tenho um companheiro maravilhoso que tem me ajudado muito com os filhos e me aguentado nesses dias sombrios. É algo que a gente não consegue controlar, mas como em primeiro lugar temos que aceitar que temos algo errado, temos que tratar. Posso garantir, não é fácil tocar a vida com depressão. Ainda bem que eu não tenho rejeição à minha filha, que é linda, pois cuido dos dois. Eu acho que não vou ver o filme.

  • Jurema Rodrigues diz: 31 de agosto de 2010

    Não acho que esteja sendo trágica demais. Concordo plenamente que falta uma maior atenção e esclarecimento sobre o tema. Há um senso comum sobre a maternidade, que é tratado como algo “místico” ou até mesmo “santificado”, como se o fato de gerar uma vida torna-se a mulher uma pessoa melhor que as outras, que está em um nível elevado. Gerar um filho é um milagre da natureza, algo abençoado, com certeza! Mas criá-lo são outros 500! Requer muito mais do que amor, dedicação e paciência. É preciso consciência, saúde emocional e apoio, pois um filho não se cria sozinho.

Envie seu Comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...