Mãe. Jornalista. Dona de casa. Esposa. Como diz a minha colega de profissão e de blog, a Livia Meimes, "mulher não se divide, se multiplica". É difícil, dá trabalho, mas, com organização e muito pique, a gente dá conta do recado razoavelmente bem (assim, eu espero).
Mas, mesmo conseguindo me multiplicar e sendo muito feliz na profissão, tenho de confessar que queria mesmo ter sido uma "mãe integral". Se tivesse condições financeiras, tinha largado o trabalho pelo menos até o Bruno completar 3 anos. Queria ter ficado em casa, acompanhando seu desenvolvimento, e curtido, 24 horas por dia, o que de melhor pode acontecer na vida de uma mulher: ser mãe. Mas a vida não quis assim, e fui tentando ser a melhor mãe possível no tempo que fico junto com o guri.
Dia desses, uma leitora do nosso blog, a Kathleen Dias, escreveu que "essa escolha deveria ser melhor aceita e valorizada pela sociedade. Ainda hoje, mesmo no século 21, essa escolha tem motivações muito fortes, como participar totalmente dos eventos na vida da criança. (...) Posso curtir cada segundo, estimular da maneira que acho mais adequada, preparar cada refeição e saber tudo o que se passa com ela (...). Nunca pensei em maternidade de um modo diferente".
A Kathleen está coberta de razão quando diz que ser mãe integral "não é uma questão de pensamento ultrapassado ou contemporâneo, apenas uma questão pessoal, já que cada um oferece uma criação a seus filhos, da maneira que acha mais adequada".
Cada um assume a missão da maternidade seguindo seus princípios, seus valores, suas convicções. A mulher que optou por ser mãe 24 horas perto do filho não é melhor nem pior do que aquela que voltou ao mercado de trabalho, após a licença-maternidade. Respeitemos as diferenças, abandonemos preconceitos. Julguemos menos quem não fez a mesma opção que a nossa e gastemos mais nossas energias com o que consideramos importante para a nossa e a felicidade dos nossos filhos.
Eu, particularmente, acho que a mãe que cuida dos filhos e da casa passa muito mais trabalho pela escolha que fez. Até brinco, quando chego à Redação, após uma manhã para lá de corrida, em que sou mãe e dona de casa...
– Agora, começa o turno do descanso.
As leitoras do blog que são "mães integrais" deixaram mensagens sobre os prós e contras da escolha. Veja duas delas:
"Foi muito bom estar disponível para minha filha no seu primeiro ano e meio. Mas nem tudo foram flores, não tive ajuda diária de parentes, meu marido trabalha fora o dia todo, e eu não tenho empregada, ou seja, não tinha com quem deixar a Joana para tomar um banho decente. (...) Foi bom ficar com a minha filha, não me arrependo, mas parece que a sociedade cobra que a mulher tem que ser mãe-profissional-esposa-gostosa-festeira. (...)" (Lore Zorzi)
Tenho duas filhas, de 4 e 11 anos, e fazem 10 anos que parei de trabalhar; as duas foram para escola com 3 anos, e antes disso ficavam comigo. O lado positivo é que não preciso me preocupar se comeram bem, se estão doentes, sendo maltradas. (...). O lado negativo é que me preocupo com o meu futuro, já que hoje minha vida gira em torno delas, da casa e do marido, mas sei (e quero, é claro), que elas vão se tornar independentes, e tenho muito medo de quando este dia chegar (...) e terei de decidir o que fazer. (Stela Basso)
(Coluna Em Nome do Filho, publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria por Fabiana Sparremberger)













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