O lindo depoimento é da Ju Rodrigues
O João Pedro nasceu em 14 de maio de 2010. Não, ele não foi planejado. Mas foi muito bem-vindo, muito esperado e é a razão da minha vida.
Eu e o Rogério estávamos juntos há 4 anos, mas em maio de 2009 nos distanciamos: eu fui morar em São Paulo e ele ficou em Porto Alegre. Apesar de amar Porto Alegre, eu estava muito feliz com a mudança, afinal eu tinha sido selecionada para um programa de trainee de uma multinacional.
Passamos a nos ver uma vez por mês e a nossa relação seguiu firme e forte! Eu trabalha muito, não tinha tempo pra quase nada além do trabalho e volta e meia “esquecia” a pílula.... Em novembro de 2009, eu comecei a sentir umas coisas estranhas: enjôos, dor de cabeça, muuuuito sono... Pimba! Eu estava grávida.
O Rogério amou a notícia, as nossas famílias também, mas não tinha a menor condição de eu tocar uma gravidez sozinha em São Paulo. Namorar a distância até vai. Gerar um filho a distância, era impossível pra mim.
Pedi demissão da empresa e voltei pra Porto Alegre. Meu tempo livre, que foi ocupado com os preparativos do casamento e com as aulas de um cursinho preparatório para concursos públicos. Em fevereiro, passei em 4º lugar no concurso de uma empresa pública federal. Em março me casei. O João Pedro, que estava previsto para junho, chegou um mês antes. Tive pré-eclampsia e a pressão foi nas alturas!
Ele chegou lindo, perfeito... um pitoco, mas muito forte!
Uma semana após o JP nascer, recebo uma ligação: as duas vagas do concurso se transformaram em quatro e eles estavam me chamando para assumir o cargo. Este foi o momento mais difícil desde o momento que eu soube da gravidez até então: ou eu assumia a vaga ou perdia a oportunidade de trabalho. Chorei muito, conversei muito com a minha mãe, com o Rogério, com a minha sogra e decidimos que eu ia assumir o cargo. Afinal, só com a renda do Rogério ficava complicado de mantermos a nossa casa e proporcionarmos tudo que queríamos ao JP. Minha mãe e minha sogra se revezariam cuidando do pequeno na minha casa. Logo que fui admitida, entrei com um pedido de licença maternidade, mas a empresa negou. Me concederam a licença amamentação, que era de 2h por dia. Aumentei em 1h meu horário de almoço e saía 1h mais cedo. Trabalhava das 8h às 12h e das 14h às 16h. Ia em casa amamentar sempre na hora do almoço.
E assim foi. Desgastante. Corrido. Exaustivo. E o JP teve refluxo, teve alergia à proteína do leite de vaca, apnéias do sono, laringomalácia, passou até por uma cirurgia... Minha sorte eram as duas vovós, que eram dois anjos da guarda para o meu pequeno! Depois de 3 meses nessa rotina louca, recebo a notícia que a empresa iria me conceder a licença maternidade! Iria ficar 6 meses em casa, cuidando da minha cria!
Esses 6 meses foram fundamentais para eu me ver realmente como mãe e tomar consciência de uma série de coisas. Tudo tinha acontecido tão na correria, tantas mudanças, que eu não tinha nem noção de como a minha vida, a minha forma de ver o mundo e as pessoas tinha mudado.
Não me arrependo de ter ido trabalhar quando o JP tinha só 15 dias. Mas não faria novamente. Sei que muitos me condenam, mas eu acho que, naquele momento, me fez bem esta escolha. Foi bom financeiramente, foi bom pra minha auto-estima como mulher, como profissional, ouso dizer que ter ido trabalhar me salvou de uma Depressão Pós-Parto, porque não sei se teria maturidade suficiente para cuidar sozinha de um bebê 24h por dia e entender todos os sentimentos envolvidos nesta sagrada tarefa.
Hoje, eu estou separada do Rogério. A decisão foi minha e realmente acho que fiz a coisa certa. Estou mais feliz, e estando mais feliz sou uma mãe melhor. Já voltei a trabalhar e sigo estudando para passar em um concurso ainda melhor. Já comprei a minha casa e estou esperando arrumar algumas coisas para me mudar pra lá com o meu filho. Sei que tenho força pra realizar tudo que eu sonho. E essa força se chama João Pedro!!
Assim como a trajetória de vocês, a minha não é simples nem fácil. Mas poder acessar o blog todos os dias, compartilhar opiniões, dicas, saber de histórias tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas com a minha, me ajuda muito a seguir a diante e a acreditar que estou no caminho certo da maternidade.









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