Hoje vou falar sobre uma das coisas mais difíceis da vida: escolher a profissão. A história começa com um menino que não acabou de completar 5 anos. Ele viu o caminhão do lixo e proferiu:
– Mamãe, quero ser lixeiro!
O encantamento com a profissão continuou. Alguns dias depois, o guri partiu orgulhoso por mais de uma quadra junto com os garis. O desejo de ser lixeiro permaneceu por alguns meses, depois ficou esquecido, assim como as opções posteriores de ser bombeiro, super-herói...
Com o passar do tempo, o habilidoso garoto continuava a sonhar. Na adolescência, desejou ser jogador de futebol e médico. Inteligente, passou num concorrido vestibular. No segundo ano de Medicina, a mãe percebeu que o filho estava entusiasmado com a futura profissão e, ao mesmo tempo, balançado com a ideia de seguir a carreira de jogador. Diante da indecisão do filho, a mãe tomou uma decisão ousada:
– Tranca o curso, meu filho, e vai ser jogador. Não quero te ver mais velho e frustrado por não ter seguido o teu sonho.
O jovem seguiu a orientação da mãe. A vida de jogador profissional foi curta, mas intensa. Hoje ele é um médico promissor.
Há uma semana, foram abertas as inscrições para um dos vestibulares mais concorridos do Estado, o da UFSM. Em muitos lares, esse deve ser um momento de indecisão tanto para os filhos quanto para os pais. A pressão sobre os adolescentes nem sempre é consciente.
– O importante nesse momento é não realizar os seus sonhos através do filho. Permita que ele tenha autonomia com responsabilidade – pondera o psicólogo Jaisso Vautero.
Para bem orientar o filho, os pais precisam saber o que ele pensa, entender o funcionamento dos processos seletivos e a realidade do mercado de trabalho. Se o filho está perdido, cobrar um rumo na vida, sem forçar uma escolha. Por mais paradoxal que possa parecer, permita que o filho erre. Cultura e educação nunca são demais. O especialista ainda lembra que um curso superior não é a única saída. Vautero lembra que as maiores fortunas mundiais foram herdadas ou estão nas mãos de pessoas sem diploma universitário, como Bill Gates, da Microsoft.
Faça o teste
Se o filho não tem ideia sobre o seu futuro, para ajudá-lo a ideia é olhar primeiro para dentro de si e, depois, para fora. Por isso, a lista de perguntas abaixo pode ser muito útil na tentativa de encontrar um caminho. Peça para o seu filho responder às seguintes perguntas:
Quem eu sou?
Quem eu quero ser?
Que habilidades eu tenho? Por exemplo, gosto de escrever, de falar em público, desenhar, lidar com números?
Me imagino trabalhando aonde, num ambiente fechado ou aberto?
O que eu fiz até agora que tive um bom desempenho e me deu prazer?
Quais as profissões da família? Alguma te agrada?
Quais os estilos de vida determinados pelas profissões? Trabalha fim de semana, feriado, em regime de plantão?
Que padrão de vida quero ter?
Dicas para os pais
Não realizar os seus sonhos através dos filhos
Saber o que o filho pensa
Entender os processos seletivos
Estar por dentro do mercado de trabalho
Permitir que o filho erre
A universidade não é a única saída
Cobre rumo na vida, mas não force uma escolha
(Ticiana Fontana)
Coluna Em Nome do Filho publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria.
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