Um lindíssimo e emocionante comercial da rede de farmácias gaúcha Panvel traz a História do Lilinho. Quando os pais da menina encontram o peixinho prestes a morrer, decidem adiar o sofrimento/frustração de perda, trocando por outro. Coloquei o vídeo do comercial no blog Meu Filho, pedindo a opinião das leitoras. Confira algumas:
Eu não trocaria o Lilinho. Aliás, não troquei. Tínhamos o Nemo, e ele morreu dia desses. Conversamos com ela (que tem 4 anos) e dissemos o que tinha ocorrido. Que todos os seres vivos um dia morrem, que é da natureza (Patricia Santos de Lima)
Eu realmente não sei se trocaria o Lilinho. Embora racionalmente acredite ser nossa obrigação, como pais, ensinar nossos filhos a lidar com as frustações, acho que postergar algumas delas não faz tanto mal assim… (Kisie)
Não trocaria. As crianças têm que aprender a lidar com as frustações que aparecem no decorrer da vida desde cedo. (Taty)
Sim, eu trocaria tantos quantos Lilinhos a vida me permitisse trocar. (Jamile)

Convidamos a psicóloga Luciana Barreto Comes, especialista em Psicologia Clínica Infantil, para dar sua opinião sobre a repercussão da decisão de trocar (ou não) o Lilinho. É só um exemplo de tantas situações em que os pais se deparam e que têm vontade de evitar ou, ao menos, postergar o sofrimento dos pequenos. Veja o que ela disse:
Realmente, trata-se de um comercial lindo e emocionante, mas a partir dele podemos levantar algumas questões importantes: Contar a verdade ou driblar o destino? Nada precisa ser como é? Devemos adiar o sentimento de perda nas crianças? É compreensível que os pais queiram preservar seus filhos de sofrimentos, perdas ou frustrações, no entanto, é preciso entender que tais dificuldades surgirão, independentemente da vontade dos pais, e seus filhos precisarão aprender a lidar com elas.
A morte, provavelmente uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode sofrer, talvez seja um dos temas mais difíceis de serem abordados com as crianças e, desse modo, muitos pais acabam mentindo ou escondendo fatos que seriam importantes para que elas pudessem adquirir um conceito sobre a morte. As perdas (ou a morte) estão presentes no desenvolvimento do ser humano e precisam ser vividas, para que também possam ser elaboradas e superadas de forma adequada e saudável. Escondê-las ou disfarçá-las, muitas vezes, pode gerar na criança fantasias (de culpa ou rejeição) prejudiciais para a resolução do luto.
O processo de resolução do luto dependerá da idade da criança, da etapa do desenvolvimento em que ela se encontra, de sua estabilidade psicológica e emocional e da intensidade dos laços afetivos que mantinha com quem se foi.
Portanto, mais do que preservar, é importante permitir! Permitir que nossos filhos possam vivenciar para, então, superarem suas perdas, pois a expressão de sentimentos numa situação de perda facilita sua elaboração.
A criança impedida de expressar suas dores ou frustrações poderá não conhecer nem aceitar a perda, mas, talvez, venha a viver numa angustiante ausência.
Em tempo, eu não trocaria o Lilinho. Aliás, por essa situação, o meu pequeno já passou. E reagiu muito tranquilamente (os pais esperavam grande sofrimento, que acabou não ocorrendo). (Fabiana Sparremberger)
Luciana M. Barreto Comes
CRP _ 07/15660
Psicóloga / Especialista em Psicologia Clínica Intantil
lumb.psi@gmail.com
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