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Você é uma delas?

01 de maio de 2012 5

A Claudia, uma leitora assídua do blog, mãe do Jerri, 3 anos e 10 meses, mandou um texto que ela recebeu da irmã Silvia, e que a fez recordar da infância.

Com o título de Mães Más, a autoria seria do psiquiatra Carlos Roberto Hecktheuer. Fui para a Internet, descobri os contatos do médico e confirmei a autenticidade do texto, que é do psiquiatra gaúcho de Passo Fundo.

Depois de lê-lo, reflita e responda: Você é uma mãe má?

MÃES MÁS
De Carlos Hecktheuer , médico psiquiatra

Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: “Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar”.

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes “não”, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso e em momentos até odiaram.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… porque no final vocês venceram também!

E, em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: “Sim, nossa mãe era má.

Era a mãe mais má do mundo…

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.

As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

Ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.

Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e “fuçava” nos nossos e-mails). Era quase uma prisão.

Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela “violava as leis do trabalho infantil”. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis.

Eu acho que ela nem dormia à noite pensando em coisas para nos mandar fazer. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade e, quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.

A nossa vida era mesmo chata.

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos. Eles tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar tarde à noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16, para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

Foi tudo por causa dela.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.

Eu acho que este é um dos maiores males do mundo de hoje: não há mães más suficientes!

Comentários (5)

  • Suellen Medeiros diz: 2 de maio de 2012

    Minha mãe foi e é uma MÃE má, nos mostrando que neste mundo temos acertos e erros. Assim eu aprendi que a educação e respeito ao próximo é o que levo de precioso nesta vida. Assim passo para a Malú tudo que minha mãe me passou e passa até hj. Obrigada mãe por ter sido uma mãe má…

  • Melissa Siebem diz: 2 de maio de 2012

    A minha mãe também foi uma mãe má, mas sabe eu agradeço muito por isso, pois tive uma infancia e uma adolecencia segura,segura de quem eu era, pra onde eu ia e com quem eu ia,pois aprendi a ter educação e respeito ao proximo,tudo q sei hoje é por ter tido uma mãe má.E hoje passo a Larissa e ao Victor Hugo, o que aprendi c/ ela.

  • Eliane, mãe do Alan diz: 2 de maio de 2012

    Eu sou uma mãe má. Dias atrás, estavamos eu e o Alan dando uma passeada no centro, quando ele viu um vendedor de rua com vários bichinhos infláveis, cataventos, luzinhas…quinquilharia, e queria de todo custo uma espada que acendia uma luz. E como sou totalmente contra dar qualquer brinquedo que pareça com arma, não comprei. O menino fez manha, mas logo se acalmou, pois disse que não tinha “real” pra comprar nenhum dos briquedos, o vendedor que achou de me chamar de mãe má…me disse na maior cara de pau ” a senhora é uma mãe má, o que custa deixar a criança feliz e me ajudar!” neste caso custariam 10 reais e um filho que tudo o que vê quer. Nem pensar!!!

  • Alessandra diz: 2 de maio de 2012

    Lindo texto. Adorei!
    No meu primeiro dia das mães, há 11 anos, escrevi em um cartão para minha mãe, mais ou menos o seguinte:” Perdão por não compreender que tudo o que fez de “ruim” pra mim foi por amor. Hoje entendo cada gesto seu…Te amo!” Após me tornar mãe, percebi que ao contrário do que diz a moda, menos nunca é mais. É preciso sempre ter mais atenção, mais cuidado, mais carinho, mais amor, mais paciência, mais coragem… Hoje devemos nos preocupar primeiramente em sermos pais e depois em sermos amigos de nossos filhos. Não é facil ouvir um “TE ODEIO!”, mas penso da seguinte forma para amenizar a situação: O amor e o ódio andam juntos, então…
    Hoje tenho a certeza de que ser “Má” é a melhor opção, esse é o caminho!

  • Daniela diz: 3 de maio de 2012

    O texto é bonitinho, sim.
    Mas eu não sou mãe má nem boa mãe nem menas mainnn dispenso qualquer rótulo.
    Sou eu e basta.
    As vz a gente janta uma pizza ou um xis, uma torrada, atirados no sofá, outras, na sua maioria, juntos na mesa, comemos um bife com salada. As vz ele come besteira junto comigo. Outras não. Ficamos com o equilíbrio.
    E não vou querer que meu filho se sinta numa prisão, eu espero que a gente jamais perca a confiança mútua. Ah! como eu quero isso! Com tudo o que eu puder ensinar, espero que ele saiba onde vá, e me conte. Depois, se ele quiser me rotular, paciência rsrsrs

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