* Coluna publicada em Zero Hora de segunda-feira (caderno Meu Filho).
COMO É BOM TER UM AU-AU
Por Camila Saccomori
Muitas famílias recordam a primeira palavra pronunciada pelos filhos. “Papá” e “mamá” lideram o informal ranking de sílabas no delicioso processo de aprendizado da fala. Lá em casa foi diferente, mas não menos emocionante. O início do gugu-dadá representa a ligação da Pietra com sua pequena companheira canina: au-au.
Cuca, uma shih tzu de quatro anos, cumpriu com louvor o papel de “test drive” de maternidade (ao contrário de plantas e peixes que, no passado, não sobreviveram aos meus cuidados, por falta ou excesso de sol ou comida). Brincadeiras à parte, o fato de ter um mascote fortalece a noção de responsabilidade diária. Cuidados com alimentação, vacinas, higiene e carinho, muito carinho, já eram rotina. A chegada da bebê, há um ano e dois meses, foi bem planejada para que as duas se integrassem. O livro que consultei sobre o tema, a salve-salve bíblia “O que esperar quando você está esperando”, sugeria várias dicas, das quais adotei a seguinte: levar roupas do recém-nascido para casa, para o animalzinho cheirar e ir se acostumando, a fim de não causar estranheza quando a mãe retornasse do hospital com aquele pacotinho. O pacote-bebê, aliás, curiosamente nasceu até com o mesmo peso da amiga de quatro patas: 3 quilos.
Nas primeiras semanas de adaptação, esta mãe de primeira viagem pecou por excesso de neurose e deixou Cuca com a vovó materna, também fã de cachorros. Confesso que temia que latidos atrapalhassem as sonecas diurnas da Pietra e, por tabela, o meu próprio sono (vocês, mães, que já passaram noites em claro entendem que qualquer meia horinha a mais muda o ânimo).
Passada a fase inicial, nossa au-au retornou e, obviamente, notou que perdeu o posto de mimada. De birra, desaprendeu o lugar dos xixis. Nada que uma dose de paciência (e algumas broncas) não dessem conta. Hoje em dia, Pietra já ultrapassou em muito o peso e o comprimento da “irmã canina”. Estão sempre juntas, uma é sombra da outra. Não tenho dúvidas de que a pitoca começou a engatinhar supercedo imitando Cuca para lá e para cá no corredor, disparando acelerada atrás de uma bolinha jogada ou em busca de um brinquedinho sem dono. E não é só bichinho de pelúcia que uma gosta de roubar da outra: um dos hábitos recentes preferidos da Pietra é oferecer a própria comida para a esfomeada pet. Feliz dela que adora bolacha Maria.
Sei que muitos torcem o nariz para uma convivência tão próxima entre bebês e cachorros. Cada um tem seus motivos, e é preciso respeitá-los. De minha parte, porém, não consigo imaginar como teria sido esse primeiro ano de vida sem a parceria das duas. E, enquanto finalizo esse texto em casa, tarde da noite, espio uma das cenas que mais representam essa fofa relação: Pietra dorme no berço, enquanto Cuca (que antes ficava nos pés da cama de casal) agora zela pelo sono da bebê plantada na porta do quartinho. Tem como não amar muito tudo isso?







Camila, parabéns pelo texto!
Acho que fostes muito feliz no que escrevestes, e na forma como cria a Pietra perto da amiga canina!
Sempre achei o ó aquelas mães que querem criar os filhos,em uma bolha, longe de tudo o que possa gerar "anticorpos"... que neuróticas!heheheh... Obviamente higiene é algo fundamental, e como tudo na vida, tem os seus pesos e medidas.
Ainda não tenho filhos, mas quando tiver, já tenho duas "pestinhas" que vão acompanhar de perto o crescimento do novo membro da família, certamente.
Sempre achei que essa era a forma ideal de criar os filhos: próximos dos animais, da natureza. Penso que só assim criamos cidadãos responsáveis pelo meio em que vivem, conscientes de que suas ações influenciam aqueles que não podem falar por si: os animais!
Parabéns e a Pietra está uma fofa!
Obs.: faltou uma fotinho da boneca com o bichinho!hehehe
Concordo com essa relação pet/criança.Por experiencia própria vi no Jerri o censo de responsabilidade aflorar mais cedo por conta da nossa shinauzer, a Brigite.Mesmo ela tendo a casinha dela lá fora e não sendo tão próximo o contato ele se preocupa sempre quando chegamos em casa de primeiro dar comida, agua e claro levar biscoitos para ela, isso sem falar na fulia que os dois fazem correndo de um lado para o outro.Eu acredito que se o animalzinho é limpo,desverminado e sempre depois de brincar os pequenos fazem a higiene não tem problemas.Inclusive a pediatra dele me alertou para os beneficios desta relação, desde a resistencia maior a doenças até o desenvolvimento afetivo. Todos nós quando criança tínhamos um pet, são casos raros do contrário e estamos aí, firmes e fortes e mantendo sempre a mesma relação de carinho com eles, herança esta repassada aos nossos filhos.Bjs
Camila, lindo texto e concordo em tudo...
Qndo eu não tinha o Dudu, tinhamos uma poodle a "pretinha", criamos como filha mesmo, tudo era para ela... e assim foi até os quatro meses de vida do dudu, na gestação segui todas as recomendações do veterinario, comecei a trocar o lugar dela ( pois ela dormia nos pés do pai e da mãe.. risos.. Porém ela não aceitou a troca, se tornou agressiva, não deixava agente chegar perto do dudu, e já estava caindo todo o pelo dela... então começamos o tratamento e doi diagnosticado depressão canina " confesso que nem sabia que tinha isso" foi então que decidimos doa-lá para a tia do pet... doi muito sempre que penso e falo, pois hj fico imaginando como seria a ligação forte entre ela e o Eduardo.
Mas tbém seria egoismo eu querer ficar com ela e vendo ela sofre, e hj ela está bem feliz, mas afirmo que não tenho nem coragem de passar pelo pet...
Só estou esperando o dudu crescer mais um pouco para agente ter nosso mascote em casa.