Minha mãe sempre disse que independente da idade, os filhos estão sempre na cabeça e obviamente no coração dos pais que sentem falta, preocupam-se, etc.
Parecia uma eternidade as duas semanas de férias tiradas longe da Antonela. A difícil decisão de sair, pela primeira vez, sem a pequena foi comprovada na prática.
Logo na saída, ao virar as costas, não contive as lágrimas. Depois, dezenas de emoções a cada rosto e imagem infantil durante o percurso.
Lembranças constantes e uma saudade que fazia o coração apertar foram companheiros de viagem.
Obviamente, que em vários momentos a cabeça se distrai e é possível curtir a viagem e as merecidas férias. Desde que a Antonela nasceu, foi a primeira vez que fiquei sozinha com o pai dela e foi muito bom.
A reação dela foi impressionante. Meses antes da viagem falamos que sairíamos e ela ficaria com a babá, a tia e os avós. Passou por um processo de adaptação dormindo alguns dias nos avós. Enfim, a minha ideia sempre foi não mentir, mas não forçar muito a compreensão das coisas.
Nos primeiros dias de separação, ela teve uma pequena indisposição (soubemos só na volta), que a pediatra acredita ter sido de fundo emocional. Além disso, ficou um pouco arredia com a tia e os avós. Falávamos quase diariamente com eles pela internet e com imagens da câmera do computador. Por orientação da pediatra, preferimos não falar com ela para evitar problemas maiores. Em uma dessas conversas entre o pai e a tia pela internet, ela viu de relance a imagem dele na tela. Disfarçou que estava concentrada no "Sítio do Picapau Amarelo".
Quando a tia saiu do computador, veio a indagação.
- Tia Má, Antonela também quer ver o papai.
A partir desse dia, ela nos via, beijava o computador e, segundo relatos da família, mudou da água para o vinho. Ficou feliz e sem problemas durante todo o resto da viagem. Fez algumas tiradas que são típicas da pequena. Eu falavam que a mãe estava morrendo de saudades e ia levar presentes. Ela pedia boneca e algumas vezes repetia a frase.
- Mamãe morrendo de saudades, vou colocar ela de castigo.
Ela contava nos dedinhos quantos dias faltavam para a gente chegar. Obviamente tudo isso ficamos sabendo na volta, porque senão a choradeira seria ainda maior.
Chegamos, morrendo de saudades, com a mala cheia de presentes e coração aliviado. A recepção foi maravilhosa, brincamos até tarde. E quando ela dormiu, olhamos para ela e o diálogo foi o seguinte:
- Na próxima vamos levar ela junto, né?
PS: Tão cedo, não desgrudo dela. Ontem, depois de muito beijar e abraçar, ela virou e falou:
- Mamãe chega de "afofar"
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