No começo, a gente acha engraçada a birra.
Interpreta as reações dos pequenos como resultado de uma personalidade forte, até sentimos uma pontinha de orgulho de seu comportamento intempestivo.
Com o passar do tempo, o engraçadinho começa a ficar incoveniente.
Primeiro, a birra é direcionada a estranhos.
Depois, a conhecidos ou pessoas de convivência próxima.
Por último, ao pais e cuidadores.
Somente nessa última fase é que nos damos conta que fomos muito frouxos ou não percebemos, como deveríamos, a hora certa de impor limites.
Resultado disso tudo é que a rotina começa a ser constantemente marcada por brigas e castigos.
Por outro lado, é mais uma fase dentro de um contexto de formação e temos de, como pais, ser seguros e positivos na atitute de impor limites.
Essa luta de hoje é fundamental para, no futuro, a criança saber que o mundo não foi feito para ela, que a gente vive em sociedade e a vida tem muitas frustrações.







Na minha experiência, é o contrário. As "vítimas" da birra normalmente são as pessoas mais próximas (veja a expressão "mãe é manha"). Eu nunca acho engraçado, acho bem inconveniente. Procuro falar bem calmamente, não gritar, mas tem situações que precisa fechar o tempo e deixar bem claro que o comportamento é inaceitável.
Artigo capenga, Falou do óbvio: muitas crianças se comportam como pequenos tiranos e os pais ficam paralisados, o que contribui para que a intensidade e tipologia das tiranias aumentem. Narro um fato: num desses dias que choveu, eu vinha numa lotação quando entrou uma mãe com um garoto de uns 2 anos.Ele foi posto no colo e resolveu sentar atravessado, agitando as pernas, o que faria com que o calçado molhado e sujo atingisse minhas calças e a jaqueta. Olhei para a mãe e ela tentou reacomodar o reizinho tirano que aumentou a intensidade e alcance do esperneio. Já com a roupa suja, mostrei à mãe e perguntei: a senhora não vai fazer nada para que esse garoto se acomode? Resposta: "Ele é uma criança difícil de lidar". Eu disse: "Entendo... Quem sabe o que lhe aguarda se continuar permitindo esses pits do filhote". E troquei de lugar. O tiraninho, sem limites então ficou em pé no banco para olhar pela janela. Alguém sentaria depois na poltrona emporcalhada.
Os filhos terão limites na medida em que os pais terão limites. Limites não se impõem, os pais tendo, os filhos terão. O problema é que os pais vivem no faça o que digo, mas não faço o que faço. 65% de tudo o que sabemos, vemos o outros fazer. Daí, simples.
Acredito que é sempre mais cômodo aos pais dizer sim depois de um dia exaustivo de trabalho do que mostrar o que é certo ou errado. Através dessa atitude vamos fortalecendo a imagem que a criança tem de que tudo pode, pois se posso em casa como não poderei na rua ou com estranhos. Como pedagoga e como mãe sei que não é fácil ensinar, mostrar a uma criança o que pode ou não pode. É muito fácil desculparmos nossas falhas como pais dizendo que a criança tem gênio dificil é que assim ou assado. Educar dá trabalho, exige paciência e acima de tudo um comprometimento com tudo aquilo que falamos e prometemos não fazer para a criança. É mais fácil sempre cedermos do que ficarmos ouvindo choros e manhas por não fazermos o que elas querem. mas o que devemos sempre pensar é que não criamos filhos para ficarem dentro de casa e isolados do mundo. Criamos filhos para a vida e se não ensinarmos a eles a serem cidadãos, lidarem com as gfrustrações e respeitarem o que podem ou não, quando nossos filhos se depararem com isso na vida lá fora e não souberem lidar com isso , talvez o único consolo que eles achem sejam as drogras.
É sempre fácil dar a receita de como os outros devem lidar com as birras dos filhos deles. É só ver o comportamento das pessoas quando tem uma criança pequena chorando porque os pais impediram ela de fazer alguma coisa. Só falta dizer, ei, não tem como desligar isso aí?
Então é assim, se não fazemos nada, somos uns frouxos, se dizemos não, todos sofrem as consequências, tendo que ouvir o berreiro, e daí somos uns inconvenientes. O melhor seria se as crianças pudessem crescem escondidas e só começassem a conviver com estranhos quando ficassem civilizadas (isso é para ser ironia, não entendam mal).
Eu só sei que educar filho dá trabalho, muito trabalho, e quem dá opinião sem nunca ter acompanhado isso de perto, nos seus ou nos dos outros, não sabe do que está falando.
Não gosto de usar a palavra "limite" nos assuntos que envolvem a educação de uma criança. Ora limites! O que vocês entendem disso? Como imaginam uma criança limitada? Qual liberdade ela vai ter de ser o que é? De optar pelo certo ou errado a que a ela é mostrado, com exemplos, explicações,diálogos, correções. Como um ser limitado consegue desenvolver qualquer tipo de raciocínio ao que lhe é mostrado?
Dicas de como lidar com as birras dos pequenos? Abram qualquer livro pedagócio, terão inúmeras. Inclusive dicas para todo tipo de birra de acordo com a idade (Mas acredito que não irão achar como lidar com as birras de um adulto. Sim, porque a criança mal educada será um adulto birrento.)
É díficil ensinar? Acredito que sim, mas é muito mais difícil aceitarmos que uma criança é um ser novo, um ignorante de regras atuais. E a inclusão depende de todos.