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Crise de limites na escola

09 de julho de 2012 3

Todos os posts de Ticiana FontanaNum passado nem tão remoto assim, professor era autoridade máxima imposta sem espaço para questionamentos. Num passado recente, a disciplina era conquistada por meio de um diálogo aberto e franco entre mestres e alunos. Agora, muitos docentes são alvos dos mais diferentes questionamentos. Na tentativa de retomar o pulso na sala de aula, alguns mestres exageram. Aonde foi parar o bom senso? Com certeza, longe das páginas de jornais e dos consultórios de especialistas.

_ Vivemos uma crise de limites, tanto em casa, quanto na escola. O mais impressionante é que o problema aparece desde a pré-escola _ comenta a educadora especial Cristine Leitão, que trabalha no colégio Antonio Alves Ramos, no bairro Patronato.

Nos discursos infantis surgem expressões recorrentes do tipo "tu não manda em mim, quem manda é meu pai", geralmente articulada pela própria família. Na contramão, famílias cobram apenas da escola a missão de impor limites aos seus pequenos.

Ninguém questiona que é preciso impor limites, mas isso não significa punições exageradas, constrangimentos e bullying.

_ Uma punição inadequada pode trazer traumas severos. O ideal é tentar entender o que o comportamento inadequado da criança está significando e agir a partir dessa especificidade _ afirma o psicólogo especialista em crianças Alexandre Streb.

Se prometeu alguma coisa,
não deixe de cumprir

Muitos professores são pais e reproduzem na sala de aula a falta de controle do ambiente de casa.

_ Vale tanto para o pai quanto para o professor: prometeu alguma coisa, tem de cumprir. Por exemplo, deu uma tarefa, no outro dia, tem de corrigir. A soma de detalhes resulta na falta de limites _ pondera Cristine.

Streb trata alguns casos que começaram na escola e pararam em seu consultório. Em um deles, os pais levaram um garoto de 5 anos que começou a apresentar comportamento depressivo e tinha um tique nervoso. Ao investigar o caso, descobriu que a origem era uma reprimenda incompatível com um gesto do menino em sala de aula. Ele havia abaixado as calças e foi tratado como se fosse um "tarado".

_ Alguns garotos são mais exibicionistas que outros e, obviamente, nesse caso, ele merecia uma reprimenda, mas algo compatível. Parece que quando acontece algo com conotação sexual, as pessoas esquecem o bom senso e entram em  histeria coletiva _ comenta Streb.

Antes de agir, o melhor
é  analisar caso a caso

Será que a melhor atitude é impedir um aluno de ir ao banheiro a ponto dele fazer cocô nas calças?
Será que é indicado deixar uma criança de castigo sentada em um banco durante o recreio no meio do local de recreação dos colegas?

Será que é indicado uma professora mandar um bilhete por escrito aos pais recomendando uma "cintada" como forma de obter um comportamento mais respeitoso?

O comportamento inadequado, a birra, a falta de educação devem ser coibidos, mas é preciso analisar caso por caso antes de optar qual a melhor maneira de impor limites.

Segundo Streb, o castigo escolar deve ser muito bem avaliado, cada criança tem uma história própria e necessidades diferentes.

Castigos que ameaçam a integridade física e moral das crianças tendem a reforçar o comportamento inadequado ou causar inibições patológicas.

_ Sempre digo que escola, família e crianças têm de andar sempre juntos _ conclui Cristiane. (Ticiana Fontana)

Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria desta segunda-feira

Comentários (3)

  • Priscila diz: 9 de julho de 2012

    Concordo com você em quase tudo, menos no castigo do recreio. Trabalho em um colégio mas não sou professora, e observo que deixar uma criança de castigo sentada em um banco durante o recreio no meio do local de recreação dos colegas não é NADA traumatizante. O professor pediu e a criança não fez ou não cumpriu. Mostre a ela o que os outros recebem por obedecer as regras da escola. É simples e não traumatizante.
    Quanto aos outros castigos escolares que você mencionou acho um absurdo e conflitante.
    Abraços,

  • Grazi diz: 9 de julho de 2012

    Concordo com a Priscila, não vejo nada demais em deixar sem recreio...
    Mas acho q o problema principal está em CASA! A escola só sofre a consequencia de crianças que são mal educadas "de berço"...
    Ah! E acho o cúmulo esses pais que mandam o filho dizer que "quem manda neles é o pai/mãe" já ouviram falar em respeito aos mais velhos? Claro que não...

  • Daniela 2 diz: 10 de julho de 2012

    Eu não gosto desse tipo de artigo. Acho que tem um "ranço" de antigamente era melhor. Tem que lembrar que antigamente a base da educação era o medo, então as crianças eram (?) mais comportadas por medo de apanhar, não por serem mais educadas (ou terem "mais limites").

    Além disso, os sem-limite são sempre os outros ou as crianças dos outros. A maioria dos pais (provavelmente eu também) vai achar que qualquer castigo colocado pelos professores vai ameaçar a "integridade moral" da minha filha.

    A criança que diz que quem manda nela é o pai e a mãe dela está repetindo o que ouviu em casa, ou seja, provavelmente a escola já foi desautorizada em casa. Claro que tem professor com comportamento abusivo, mas isso é exceção e não a regra. O caso da professora da cintada foi repetido a exaustão pela imprensa, quando é um caso pontual de alguém muito desqualificado para o cargo.

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