Num passado nem tão remoto assim, professor era autoridade máxima imposta sem espaço para questionamentos. Num passado recente, a disciplina era conquistada por meio de um diálogo aberto e franco entre mestres e alunos. Agora, muitos docentes são alvos dos mais diferentes questionamentos. Na tentativa de retomar o pulso na sala de aula, alguns mestres exageram. Aonde foi parar o bom senso? Com certeza, longe das páginas de jornais e dos consultórios de especialistas.
_ Vivemos uma crise de limites, tanto em casa, quanto na escola. O mais impressionante é que o problema aparece desde a pré-escola _ comenta a educadora especial Cristine Leitão, que trabalha no colégio Antonio Alves Ramos, no bairro Patronato.
Nos discursos infantis surgem expressões recorrentes do tipo "tu não manda em mim, quem manda é meu pai", geralmente articulada pela própria família. Na contramão, famílias cobram apenas da escola a missão de impor limites aos seus pequenos.
Ninguém questiona que é preciso impor limites, mas isso não significa punições exageradas, constrangimentos e bullying.
_ Uma punição inadequada pode trazer traumas severos. O ideal é tentar entender o que o comportamento inadequado da criança está significando e agir a partir dessa especificidade _ afirma o psicólogo especialista em crianças Alexandre Streb.
Se prometeu alguma coisa,
não deixe de cumprir
Muitos professores são pais e reproduzem na sala de aula a falta de controle do ambiente de casa.
_ Vale tanto para o pai quanto para o professor: prometeu alguma coisa, tem de cumprir. Por exemplo, deu uma tarefa, no outro dia, tem de corrigir. A soma de detalhes resulta na falta de limites _ pondera Cristine.
Streb trata alguns casos que começaram na escola e pararam em seu consultório. Em um deles, os pais levaram um garoto de 5 anos que começou a apresentar comportamento depressivo e tinha um tique nervoso. Ao investigar o caso, descobriu que a origem era uma reprimenda incompatível com um gesto do menino em sala de aula. Ele havia abaixado as calças e foi tratado como se fosse um "tarado".
_ Alguns garotos são mais exibicionistas que outros e, obviamente, nesse caso, ele merecia uma reprimenda, mas algo compatível. Parece que quando acontece algo com conotação sexual, as pessoas esquecem o bom senso e entram em histeria coletiva _ comenta Streb.
Antes de agir, o melhor
é analisar caso a caso
Será que a melhor atitude é impedir um aluno de ir ao banheiro a ponto dele fazer cocô nas calças?
Será que é indicado deixar uma criança de castigo sentada em um banco durante o recreio no meio do local de recreação dos colegas?
Será que é indicado uma professora mandar um bilhete por escrito aos pais recomendando uma "cintada" como forma de obter um comportamento mais respeitoso?
O comportamento inadequado, a birra, a falta de educação devem ser coibidos, mas é preciso analisar caso por caso antes de optar qual a melhor maneira de impor limites.
Segundo Streb, o castigo escolar deve ser muito bem avaliado, cada criança tem uma história própria e necessidades diferentes.
Castigos que ameaçam a integridade física e moral das crianças tendem a reforçar o comportamento inadequado ou causar inibições patológicas.
_ Sempre digo que escola, família e crianças têm de andar sempre juntos _ conclui Cristiane. (Ticiana Fontana)
Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria desta segunda-feira







Concordo com você em quase tudo, menos no castigo do recreio. Trabalho em um colégio mas não sou professora, e observo que deixar uma criança de castigo sentada em um banco durante o recreio no meio do local de recreação dos colegas não é NADA traumatizante. O professor pediu e a criança não fez ou não cumpriu. Mostre a ela o que os outros recebem por obedecer as regras da escola. É simples e não traumatizante.
Quanto aos outros castigos escolares que você mencionou acho um absurdo e conflitante.
Abraços,
Concordo com a Priscila, não vejo nada demais em deixar sem recreio...
Mas acho q o problema principal está em CASA! A escola só sofre a consequencia de crianças que são mal educadas "de berço"...
Ah! E acho o cúmulo esses pais que mandam o filho dizer que "quem manda neles é o pai/mãe" já ouviram falar em respeito aos mais velhos? Claro que não...
Eu não gosto desse tipo de artigo. Acho que tem um "ranço" de antigamente era melhor. Tem que lembrar que antigamente a base da educação era o medo, então as crianças eram (?) mais comportadas por medo de apanhar, não por serem mais educadas (ou terem "mais limites").
Além disso, os sem-limite são sempre os outros ou as crianças dos outros. A maioria dos pais (provavelmente eu também) vai achar que qualquer castigo colocado pelos professores vai ameaçar a "integridade moral" da minha filha.
A criança que diz que quem manda nela é o pai e a mãe dela está repetindo o que ouviu em casa, ou seja, provavelmente a escola já foi desautorizada em casa. Claro que tem professor com comportamento abusivo, mas isso é exceção e não a regra. O caso da professora da cintada foi repetido a exaustão pela imprensa, quando é um caso pontual de alguém muito desqualificado para o cargo.