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Ainda sobre alfabetização...

16 de julho de 2012 2

Todos os posts de Fabiana SparrembergerEstou impressionada com a velocidade com que ele começou a juntar as letrinhas. A evolução parece ter ocorrido da noite para o dia. E eu que achei que isso só ocorreria lá para o fim do ano.
Claro que algumas palavras mais longas exigem um esforço maior e vão se formando mais lentamente, mas as pecorruchas saem da boca quase num passe de mágica. De vez em quando, sai uma palavra inédita na língua portuguesa. O guri não entende nada, mas vai logo perguntando:

- Mãe, o que é vasso?

- É vaso, filho. Esse "s" aí tem o som de "z", como o Zulu (traduzindo: é o nome do cãozinho de estimação do pequeno).

A letra bastão (toda em caixa alta) é dominada há tempos com precisão. E aí uma nova visitante surge no caderno do pequeno. E tenho de confessar que a receptividade não foi assim muito cordial no início.

- Mãe, eu gostava tanto da letra grande. Agora, vem essa tal de cursiva, e que é bem difícil de fazer.

Mas o guri capricha - às vezes, acho que ele tem "letra de menina". Sim, porque, no meu tempo, lembro que as meninas desenhavam as letrinhas de forma bem mais harmônica do que os guris. Não sei se isso segue assim hoje, mas o pequeno (sempre me surpreendendo) faz questão de apagar cada letrinha que não saiu bem. Às vezes, ele me pergunta:

- Ficou bom assim?

- Você é quem sabe, meu filho. Se acha que está bom, então, está bem assim.

E ele sempre emenda na sequência:

- Acho que eu consigo fazer melhor.

E faz.

Não reclama quando o tema é demorado, e, quando tento demonstrar algo escrevendo, ele adverte:

- Pode até mostrar, mas quem tem de fazer é o filho, não a mãe.

Às vezes, a confusão se instala:

- Mãe, posso levar figurinhas para a aula?

- Mas, Bruno, é para levar objetos que comecem com a letra "v", e não com "f". Figurinha é com "f".

Acho mágica essa fase da alfabetização, e para quem ainda não tem filho no primeiro ano, já vou avisando. O Ensino Fundamental é um novo mundo. Exige mais acompanhamento dos pais, maior dedicação às tarefas, ainda mais tempo para eles. E quem tem filho no segundo ano, garante que o envolvimento dos pais vai ficando maior.

Eu posso dizer que as minhas manhãs ficaram ainda mais curtas. Mas, apesar da correria ter se intensificado (como se isso fosse possível), eu faço questão de acompanhar cada passo, cada descoberta, cada evolução. E como é gratificante presenciar cada vitória. Vendo o guri evoluir, fico imaginando a satisfação de um professor alfabetizador. Deve ser incrível a recompensa.

Do meu tempo de alfabetização, tenho uma marca no corpo. Herdei um calo no dedo "pai de todos" - ele já tem mais de 30 anos. Era de tanto apertar o lápis. A letra marcava tanto o caderno que, muitas vezes, furava a folha. Se as folhas fossem tão fininhas como os cadernos de hoje, acho que não ia dar ponto...

Comentários (2)

  • Carol diz: 16 de julho de 2012

    Oi Fabiana! Essa fase é muito legal mesmo, a minha guria está no segundo ano e está sendo muito tranquilo, deve ser porque ela teve uma excelente professora no primeiro ano. Ela sempre faz os temas e eu reviso, quase sempre está tudo certo. A atual professora geralmente dá trabalhinhos para os pais fazerem juntos, acho que é porque muitos não participam das atividades dos filhos. Comigo nunca aconteceu isso, tenho dois e sempre participei , meu filho está com 14 anos e está no 1º ano do ensino médio e ela tem sete e está no segundo ano. Parabéns pelo filho e que ele continue sempre assim...bjos

  • Geciane diz: 17 de julho de 2012

    Olá Fabiana.... Eu também tenho o calinho no "pai de todos", hoje não entendo porque tínhamos que apertar taaaaanto o lápis para escrever rsrsrsrs....

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