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O que é (e o que não é) dar limites, na prática

06 de agosto de 2012 0

Reprodução de ilustração do livro Limites Sem TraumaJá tinha ouvido falar do livro Limites Sem Trauma, da filósofa e mestra em Educação Tania Jagury, e aproveitei as férias para avaliar pessoalmente a publicação. Tida como pioneira no debate do papel dos limites na educação, é uma das primeiras educadoras brasileiras _ se não, a pioneira _ a alertar sobre as consequências da falta de autoridade dos pais e da liberdade excessiva na educação dos filhos.

A expressão "geração peito de frango", criada por Tânia para caracterizar os pais de hoje que, no passado, não tinham o direito de se expressar e que, sem usar da autoridade, adotaram, com os filhos, uma postura que permite tudo, gerando "pequenos tiranos".

O que mais gostei na publicação é a forma simples como a autora aborda a questão dos limites, sempre trazendo exemplos para cada orientação, sempre adequada às faixas etárias (entre 1 e 4 anos, entre 5 e 7 e 8 e 11). Nada mais frustrante para um pai ler teorias e teorias, sem conseguir constatar como ele deve aplicá-las nas crises do dia a dia. Merece destaque, também, o capítulo sobre como agir com os adolescentes. Abaixo, alguns tópicos que a escritora considera sobre os limites.

Dar limites é...
...ensinar que os direitos são iguais para todos e que existem outras pessoas no mundo
...fazer a criança compreender que seus direitos acabam onde começam os direitos dos outros
...dizer "sim" sempre que possível e "não" sempre que necessário e quando houver razão concreta
...mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não podem ser feitas
...ensinar a tolerar pequenas frustrações para que, no futuro, os problemas possam ser superados com equilíbrio e maturidade (a criança que aprendeu a esperar sua vez de ser servida à mesa não considerará um insulto esperar a vez na fila do cinema ou aguardar quatro dias até que um chefe dê um parecer sobre sua promoção)
...desenvolver a capacidade de adiar satisfação (se não conseguiu emprego hoje, continuará a lutar sem desistir ou partir para o alcoolismo, a marginalidade)
...evitar que seu filho cresça achando que todos têm de satisfazê-loe, se isso não ocorrer, não conseguir lidar com a contrariedade, tornando-se frustrado, ou pior, desequilibrado emocionalmente
...saber discernir o que é um desejo e o que é uma necessidade do filho
...compreender que direito à privacidade não significa falta de cuidado, falta de acompanhamento e supervisão às atitudes e atividades dos filhos (no livro, há exemplos práticos de como fazer isso)
...dar o exemplo

Dar limites não é...
...bater nos filhos para que eles se comportem
...fazer só o que vocês _ pai ou mãe _ querem ou estão com vontade de fazer
...ser autoritário (dar ordens sem explicar o porquê, agir de acordo só com o próprio interesse, mesmo que, a cada dia, sua vontade seja inteiramente oposta à do outro dia)
...gritar com as crianças para ser atendido
...deixar de atender as necessidades reais do filho (fome, sede, segurança, afeto, interesse) dos filhos, porque você hoje está cansado
...invadir a privacidade a que todo ser humano tem direito
...provocar traumas emocionais (toda criança tem capacidade de compreender um "não" sem ficar com problemas, desde que, evidentemente, este "não" tenha razão de ser e não seja acompanhado de agressões físicas e morais). O que provoca traumas e problemas emocionais nos filhos é, em primeiro lugar, a falta de amor e carinho, seguida de injustiça, violência física, humilhações e desrespeito à criança

Coluna Em Nome do Filho publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria. Por Fabiana Sparremberger

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