
Estou escrevendo porque gostaria de dividir, como mãe adotiva, a minha experiência com candidatos a pais adotivos.
Meu filho já tem 3 anos e quando o adotei tinha 2 meses. Quando preenchi o formulário para informar o perfil da criança que eu queria, procurei ser o mais abrangente possível. Pois numa gravidez natural, também não há como preencher requisitos. Deus manda o que acha que nós devemos receber. E me guiando por isso, que preenchi aquelas lacunas:
- Branco, preto, pardo, oriental?
- Saudável?
Como estava fazendo a candidatura sozinha, o "pai imaginário" poderia ser de qualquer raça. Então, meu filho poderia ser de que qualquer "mistura". E assim o fiz.
Da mesma forma saudável. Rezamos para que seja, mas Deus não dá garantias. Então, também não as pedi.
Assim, 8 meses depois da minha primeira ida ao Fórum, me telefonam perguntando se eu queria conhecer um bebezinho que estava no hospital.
Mulato, soropositivo e com hepatice C.
Eu fui. Visitei-o por 2 semanas. E, então, decidi ficar com ele.
A decisão foi fácil?
Não.
Eu fiquei morrendo de medo?
Sim.
Mas, tive a certeza que Deus tinha me enviado ele. E eu não podia recusar. Então, formalizei a adoção 9 meses depois (uma gestação!). Pulei da 28º posição para a primeira (ninguém mais queria).
Nos dois meses seguintes, tratamentos, exames e muitas, mas muitas orações. Sem falar nas promessas! E Deus me atendeu. Meu guri negativou tanto o HIV quanto a hepatite C. Hoje, é um menino forte e saudável. E eu, uma mãe agradecida e realizada.
Com esse depoimento, eu queria estimular os canditados a pais adotivos a se informarem mais sobre essa possibilidade de adotar bebês soropositvos. Com perguntas básicas, é possível saber a probabildiade de eles negativarem. Pois se a mãe biológica teve tratamento, se o parto foi cesárea e se ela não amamentou, esta probabilidade é muito grande.
É garantido??
Não! Como tudo nessa vida....
Um dado que eu acho importante divulgar é sobre os testes que detectam o vírus HIV e vírus de outras doenças também. Eu conheço 2 tipos de testes:
1) contagem dos anticorpos. Ou seja, verifica se o paciente tem anticorpos da doença. No caso de bebês, pode ser que detecte os anticorpos da mãe, pois ele leva de 1 a 2 anos para produzir os próprios. Por isso, que se diz que a criança negativa. Na verdade, ela nunca teve o vírus. Apenas os anticorpos. Esse é o exame que o SUS paga e é baseado nele que se encaminaha as crianças para o tratamento adequado
2) PCR. Ele verifica o DNA da célula e pode detectar diretamente a presença do vírus (não só o anticorpo) em 1 ou 2 meses
Ou seja, fazendo esse segundo exame, não é necessário esperar e fazer tratamento até a criança negativar. E não é um exame caro, na época eu paguei R$ 250. Mas, o SUS não paga. Mas, paga todo o tratamento, que pode durar 1 ou 2 anos no caso de negativar. Ou seja, o investimento é muito maior. Fora o desgaste. É uma incoerência, mas infelizmente é assim.
Graças a Deus, eu tive uma pediatra que me alertou da existência desse segundo exame. Se os abrigos e os canditados a pais também souberem, talvez possam fazer esse exame logo e acabar com a dúvida. Muitas crianças podem ser beneficiadas com isso.
Eu não tenho nenhum conhecimento clínico sobre o assunto, só do que eu vivi mesmo. Mas, espero que ajude.
Obrigada pela atenção
Meu perfil:
- mulher, 42 anos, branca, formada, moradora de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul.
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