
Qual a idade certa para ficar? Namorar? Transar? Essas perguntas são recorrentes entre especialistas no assunto, educadores e pais há muitas gerações. Em qualquer tempo, o grau de amadurecimento dos pais e o diálogo permanente fazem a diferença para encarar o assunto sem trauma e com naturalidade.
Desde o nascimento, os pequenos vão absorvendo internamente o ambiente em que estão inseridos. À medida que crescem, espelham-se muito no relacionamento dos pais e dos mais próximos.
Quando os contatos sociais são intensificados, geralmente na fase escolar, a tendência natural é de encantamento entre as crianças, que se escolhem ou pela aparência física ou pelo comportamento. Segundo o psicólogo César Bridi, essa seria a primeira paixão, obviamente ligada à afetividade e, não, à erotização.
– Os filhos observam, por exemplo, que os pais se beijam na boca, dormem juntos, mas não têm uma ideia concreta do que é o namoro – diz Bridi.
Não há uma regra de idade, mas geralmente com 8 ou 9 anos, a tendência da criança é falar mais abertamente sobre o assunto, sobre amor e relacionamentos. E, aos poucos, elas vão construindo a sexualidade. Em média, as primeiras experiências de relacionamentos acontecem a partir dos 11 anos e se aprimoram na adolescência.
São alguns passos, talvez anos, entre a hora de deixar de ser BV (boca virgem), BVL (boca virgem de beijo de língua), ficar (experimentar uns “amassos mais intensos” sem compromisso), namorar e transar... De acordo com Bridi, os meninos demoram mais para se relacionar, mas fazem sexo mais cedo e mais. As meninas começam a ficar e namorar mais cedo, porém transam menos.
Os filhos não se criam sozinhos. Se o relacionamento com os pais for mais aberto, com confiança, os filhos terão a liberdade para comentar sobre tudo e, principalmente, a respeito de seus relacionamentos afetivos. Os pais devem ter em mente que os filhos estão inseridos em ambientes de superexposição. Há influencia dos colegas, da mídia, da Internet, etc. Hoje, até mesmo quando pequenos, eles se relacionam em rede sociais, como Twitter, Faceboock, Orkut.
– Tudo isso pode colaborar para começar os relacionamentos e a vida sexual mais cedo. Hoje, muitos procuram novas experiências, como o bissexualismo – afima Bridi.
Em termos de educação, nada é certo nem errado. Os pais devem encarar todas as fases com naturalidade. Sempre devem escutar os filhos e questioná-los para entender o grau de envolvimento com a pessoa com que ele está se relacionando. Quando necessário, os pais devem explicar ao filho que ele ainda é muito novo. A repressão pode ser um passo para estimular a transgressão.
– Os filhos transam mais do que antes e se fala menos sobre isso, principalmente com os pais. O sexo ainda é velado. A minha indicação, seria conversar, conversar, conversar... – diz Bridi. (Ticiana Fontana com foto de Hermínio Nunes)
Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria deste 8 de novembro
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