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Posts na categoria "artigo"

Meu filho é gay e eu estou bem!

20 de novembro de 2012 7

O título acima é de um artigo publicado na Zero Hora no último fim de semana. É da jornalista Nereida Vergara. Para quem não teve a oportunidade de lê-lo, reproduzo-o abaixo.

Se ficou na dúvida se seguirá a leitura ou não, veja o que ela diz sobre o fato de o filho ser gay.

Sempre vi a natureza dele, e amei essa natureza. (…) E eu nunca vi anormalidade em mim ao aceitar isso dentro do meu coração, porque pais aceitam filhos portadores de deficiências, aceitam filhos dependentes químicos, filhos mulherengos, alcoólatras, porque, enfim, são filhos, nasceram de nós.



arquivo pessoalA frase do título faz parte de uma brincadeira entre mim e o meu filho de 18 anos, que é gay. Ele sempre diz que vai mandar fazer uma camiseta com essa mensagem, para eu andar por aí, mostrando que se pode ter um filho gay e não ser infeliz. Chegamos a essa conversa depois de fazer uma generalização de que há um grupo grande de pessoas que sempre olha pra mim, a mãe, como alguém que deu à luz uma coisa de outro mundo. Não posso sair de braço com o meu filho, ou ir com ele ao shopping, ou sair para jantar sem que alguém observe e pense: bah, coitada, que esforço está fazendo. Pois aqui, sem nenhuma pretensão de pregar moral a quem quer que seja, digo, posso dizer: eu estou bem.

Há motivos, é claro, para eu ter essa visão. Como não sou cega, sempre vi no meu menino características que não eram comuns nos outros. Desde antes dos três anos, mostrava interesse pelos brinquedos da irmã, por roupas e coisas de menina. Sempre foi sorridente, faceiro e amigo.

Na escolinha, fez aulas de balé junto com as meninas (o que me rendeu uma porção de caras feias de pais de outros meninos que achavam que o gosto dele podia “contaminar”). E eu fui assim desafiando a ordem, colocando meu filho em aulas de balé, de patinação artística, de desenho.

Nunca proibi que brincasse de Barbie, da mesma forma que não proibi que a irmã brincasse de Power Rangers ou gostasse de álbuns de figurinhas de futebol.

Teve uma época, na pré-adolescência, que meu menino fez o papel do conquistador! Me contava de meninas que havia beijado, teve um grupo de amigos só de meninos (a maioria ainda amigos dele até hoje, e todos héteros, salvo alguma surpresa de que eu não tenha sido informada). Eu ouvia o que ele dizia, me divertia até, mas os meus olhos não me enganavam. Sempre vi a natureza dele, e amei essa natureza. Assim como amo a irmã dele, hétero, linda, rebelde, tatuada, de cabelo raspado, colorido. E eu nunca vi anormalidade em mim ao aceitar isso dentro do meu coração, porque pais aceitam filhos portadores de deficiências, aceitam filhos dependentes químicos, filhos mulherengos, alcoólatras, porque, enfim, são filhos, nasceram de nós.

Estar bem com o meu filho gay é saber que criei um ser saudável, que tem um bom coração, que vai ter respeito por quem amar, pelos filhos que tiver.

Acho que se a gente se preocupasse apenas em enxergar o que está na frente dos nossos olhos já seria um grande passo para que um filho homossexual fosse encarado como qualquer filho. Pois é o que ele é. Nasce assim. Como eu nasci cabeçuda e baixinha e sou muito grata por meu pai e minha mãe terem me amado mesmo assim. Enganar-se a respeito dos outros é uma escolha que a gente faz e a frustração decorrente disso atormenta muitos pais de homossexuais. Não adianta esperar o que não vai acontecer, nem querer que seu filho que gosta de menino case com uma linda moça para fazer a infelicidade de ambos e a sua felicidade.

Quem chegou até aqui na leitura deste texto pode estar pensando: o que essa mulher está pretendendo ao se expor assim e ao expor seu filho? Explico. Sou partidária da ideia de que dizer a verdade em voz alta nos liberta. Sempre tive a certeza de estar protegendo o meu menino, de estar dando a ele o direito de crescer e se desenvolver como a pessoa que ele nasceu. Seria hipócrita da minha parte dizer que o aceito da porta para dentro e ensinar que da porta pra fora deveria ser outro, com base naquilo que a sociedade convencionou como aceitável. Acredito que antes de a gente discutir as camadas de aceitação das pessoas ditas normais às pessoas gays (se são discretos, travestis ou transformistas) ou o direto das pessoas gays (a união homoafetiva, a adoção de crianças, a criminalização da homofobia) em relação aos nossos, os ditos normais, nós, os pais de gays, devemos, enfim, abandonar o tal do armário (estereótipo social dos mais revoltantes).

Quero muito que um dia essa minha visão predomine, que os meus filhos possam ser admirados pelo caráter, inteligência e originalidade, e que os filhos deles, os lindos netos que eu ainda vou ter, vivam num mundo em que a homossexualidade, entre outras milhares de diferenças que nós, humanos, temos, não precise ser uma causa.

Os direitos de nossas crianças

10 de outubro de 2012 0

Todos os posts de Fabiana SparrembergerEntre as mais de duas centenas de e-mails recebidas diariamente, este abaixo me chamou a atenção pela beleza/criatividade do texto e pela profundidade da reflexão.

Muito adequado para a Semana da Criança.


O DIREITO DE SER CRIANÇA

* Erika de Souza Bueno

Criança tem direito de sonhar com castelos, príncipes e princesas.

Tem direito de sorrir, de correr descalça pela rua sem precisar temer o “Velho do Saco” que rouba as desobedientes.

Não deveria temer os dragões e as bruxas malvadas que interferem na história sem pedir licença.

A criança deveria acreditar no “final feliz” dos contos infantis e reinventar uma “Bela Adormecida” diferente, que, mesmo não sendo bela, consegue acesso igualitário à felicidade.

Toda criança tem direito de crescer num mundo que não precisaria ser encantado para ser do bem e da paz.

Não deveria desejar a companhia de um super-herói invencível, com forças suficientes para vencer qualquer barreira, pois, nesse mundo feliz em que ela vive, este super-herói seria dispensável.

A criança deveria ter assegurado o direito de fazer criancice sem ser mal-interpretada, não se preocupando tanto assim com os bons modos impostos por uma sociedade que, infelizmente, perdeu sua conexão com a própria infância.

Criança deveria ter direito a conhecimentos de vida, não sendo incentivada a desrespeitar os mais velhos como os adolescentes e jovens de programas televisivos.

Direitos respeitados no hoje fazem um amanhã melhor, no qual não haverá a menor necessidade de uma “Fada Azul” para dar vida a um tipo de Pinóquio capaz de afastar a solidão.

Aquele “Lobo feroz e faminto que derruba casas apenas com o sopro” não precisará ser temido por aqueles que habitam seguramente em corações que aprenderam a amar.

Criança tem direito a viver em companhia de outras crianças, diferente da Branca de Neve que, isolada no castelo, só descobriu os 7 Anões depois de passar por apertos e dificuldades.

Criança tem direito a ser criança, tem direito de sonhar e realizar, de viver e ser feliz, de aprender a ler o seu mundo e a escrever as páginas de sua vida de um modo muito melhor.

Tem direito de saber que, mesmo que se viva 100 anos, a vida é um breve conto.

Então, que o conto de vida de uma criança não seja limitado a apenas um final feliz, mas que o início e toda a sua vivência também sejam repletos de amor, alegria e paz.

Assim, qualquer outro direito de criança já estará contemplado, pois nossas crianças estarão vivendo num mundo real, tendo asseguradas as melhores características do mais bondoso imaginário.

Feliz Dia da Criança!

* Erika de Souza Bueno é Coordenadora Pedagógica da Planeta Educação e Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família.

"Ocupe-se do seu filho"

02 de fevereiro de 2012 1

A Lisandra Pioner, pedagoga e psicopedagoga clínica e institucional, enviou este texto ao blog, fazendo um pedido especial a todas as mães. Vale a pena conferir:

Não é surpresa para ninguém, o quanto a relação entre filhos – independentemente do sexo – e mães ocupam a mente, a ciência e o inconsciente de todos. É uma relação tão decisiva, que por vezes define o futuro de um ser.

Relacionamentos amorosos são definidos por esse vínculo, profissões são escolhidas em função desse laço – ou nó -, situações de perpetuam eternamente como resultados desse passado, tão presente.

Existem linhas que colocam a mãe como importante, porém, totalmente substituível por um cuidador que faça seu papel. Outras, porém, escravizam as mães a um lugar tão definitivo que, independentemente do que fizerem, sempre serão as responsáveis por todo e qualquer acontecimento na vida do rebento.

Pessoalmente, não sou tão fatalista assim. Até porque, acredito que até certa altura da nossa vida, podemos responsabilizar quem nos cuidou – ou deixou de cuidar -, mas chega um determinado momento em que é imprescindível tomarmos as rédeas e sermos protagonistas da nossa própria história. E essa decisão é difícil. E faz voltarmos lá pra trás, onde a forma que fomos criados, influencia bastante. Ou seja, está tudo interligado!

Por qual motivo a novela A Vida da Gente tem feito tanto sucesso, mesmo sendo exibida em um horário pouco vantajoso? Porque fala sobre as sutilezas determinantes da nossa vida. Toca o dedo nas feridas que todos temos – sejamos ricos ou pobres, velhos ou novos, felizes ou não. Mostra a vulnerabilidade das relações e da própria vida! E não deixa a relação mãe e filho de lado. Pelo contrário: a coloca no centro!

Independentemente das linhas de estudo, da novela, do histórico social, mãe é sim, importante, e nossa relação com ela, muitas vezes, determinante. Mas o que tenho visto cada vez mais são mães que abrem mão de seu papel com a maior naturalidade. Que optam por serem coadjuvantes, espectadoras, meras testemunhas da vida que colocaram no mundo.

Também vejo mães que se colocam em total igualdade com o filho. Que mais competem, que auxiliam. Que mais criticam, que refletem sobre seus próprios atos. Lidar com criança e adolescente é difícil? Não! Lidar com outro ser é difícil! Mas também é sublime!

Lido diariamente com isso… Mas lidar com seres humanos que foram simplesmente assistidos por aquela que deveria lhe estender as mãos e convidar pra andar junto, podem ter certeza, será muito pior!

Tenho certeza de que é um assunto complicado e polêmico. Mas se eu pudesse fazer um pedido a todas as mães – como mulher, mãe e profissional da área da educação que sou, com muito orgulho! – seria: ocupe-se do seu filho! Ajudas são sempre bem-vindas, mas não esqueça de quem o colocou no mundo.

O texto que emocionou

30 de janeiro de 2012 2

A coluna do Fabrício Carpinejar do dia 17 de janeiro, em Zero Hora, emocionou muita gente. O escritor recebeu mais de cem mensagens de felicitações pelo texto, muitas delas com depoimentos de gente que passou ou está passando pela mesma coisa.

Publicamos uma reportagem na central do Meu Filho de hoje sobre como lidar com essa situação, quando os filhos têm dificuldades como a que enfrentou Fabrício. Publicamos também alguns dos depoimentos dos leitores sobre o texto. Não percam.

Se você ainda não leu a coluna do Fabrício, pode conferir neste post da Lívia.


TDAH: "Em muitos casos, quem precisa de terapia é a mãe, o pai", diz psicólogo

16 de dezembro de 2011 4

Na segunda-feira, falamos aqui sobre a banalização do diagnóstico de déficit de atenção. O Joel Elói Franz, psicólogo em Santa Maria, complementa o assunto trazendo mais uma reflexão (ou provocação, como ele escreve) a nós, pais e mães.

Muito se fala das crianças que realmente precisam do tratamento farmacológico para controle da TDAH. OK. Não vou falar das que precisam do tratamento, eficientemente ministrado pelos nossos colegas, os psiquiatras.
Quero falar das que NÃO precisariam de remédio. Só a psicoterapia já resolveria muitos casos, sem as contra-indicações conhecidas que as drogas apresentam. Reflita comigo:

O diagnóstico de TDAH é um dos mais difíceis. Por si só, é interessante os pais refletirem que o filho deve passar por um acompanhamento profissional criterioso antes de começar a tomar qualquer medicação. Lembrando que tomar o remédio não vai resolver os problemas que levaram a criança a ter certos comportamentos: o fármaco não resolve tudo. Estes problemas continuarão lá, à espera do momento do enfrentamento. Agora ou no futuro. E faço uma provocação.

Às vezes, o que os pais buscam no fármaco é deixar o filho mais dócil. Será mesmo a melhor solução? Aí entra a psicoterapia, os serviços de psicologia: ao invés de “anestesiar” a criança, que tal procurarmos as causas dos problemas que ela enfrenta e procurar soluções, em primeiro lugar, que não passem apenas ao uso farmacológico, e sim, só em último lugar, utilizarmos drogas? Porque elas têm efeitos colaterais, não podemos nos esquecer disso.

Quando os pais procuram atendimento a uma criança que eles pensam ter TDAH (sim, é frequente já virem com o diagnóstico), passei a adotar seguidamente (sempre analisando cada caso) um procedimento que está dando um resultado interessante: por um tempo, quem vai fazer terapia são os pais.

Praticamente não atendo mais somente o menor. Por que isso? Porque em muitos casos, a criança é apenas um reflexo afetivo que reproduz, sintomatiza, o ambiente familiar. Os sintomas são apresentados por ela, mesmo que o problema não esteja nela. Em muitos destes casos, quem precisa de terapia é a mãe, é o pai. E é com eles que começo, agora. Diminuiu muito a necessidade de filhos prosseguirem com psicoterapia. Nestes casos específicos, são os adultos que precisam mudar as atitudes com os filhos.

Pensemos sobre isso: Não estou sabendo lidar com a situação e, ao invés de eu enfrentar o problema, sem me dar conta, prefiro que meu filho (quem manifesta o sintoma, ou é bode expiatório) seja “dopado”.

Assim eu “lido” melhor com ele. Será esse o tempo em que é melhor não sentir, não enfrentar, não resolver? Essa geração de crianças, que não precisariam desses remédios, cobrará o preço.
Lembrem que não estou generalizando. Há casos e casos. Mas pensemos nesta provocação que fiz…

Joel Elói Franz, psicólogo (CRP 07/19312), Joel-franz@hotmail.com,
Psicologia Clínica e Consultoria Organizacional

Cada criança é uma arma em potencial, diz professor

23 de novembro de 2011 6

O título deste texto é de um artigo publicado nesta quarta-feira, na página de Opinião do Diário de Santa Maria.

É de Cézar Abade, professor e escritor.

Para aqueles que acreditavam que as crianças eram inocentes, agora já estão mudando os conceitos. Estudos revelam que as crianças, cujos pais puxam pela inteligência desde cedo, mostram-se dotadas de um aprendizado extraordinário. Sabe-se, hoje, que as crianças dos zero aos 6 anos têm um aprendizado maior que um adulto em total ignorância. Acredita-se, também, que tudo isso é devido à cabecinha das crianças estarem desprotegidas do senso de defesa que o adulto tem após grandes aprendizados, o que realmente as tornam inocentes, porém, sábias.

Outro dia, passei por uma experiência familiar que me coloca entre as pessoas que acreditam que uma criança é uma arma em potencial e que deve ser manuseada, digo, ensinada por pessoas adultas preparadas e com um grau elevado de bons interesses, o que muitos pais deixam a desejar. Passeava no centro de Santa Maria, com minhas filhas e minha netinha de, percebam a precocidade, 1 ano e 5 meses.

Minha neta corria por uma loja quando deparou com outra criança, mais crescida, que eu disse ser sua nova amiguinha. Ela, após analisá-la, ofereceu os lábios para beijá-la, como ensinada. Para surpresa, a menininha solitária enveredou-se para um manequim, que se estatelou ao chão. Logo o pai correu para socorrê-la, assim como fez um funcionário dizendo que repararia o acontecido. Na sequência, vendo que eu explicava à netinha que não se deve mexer nas coisas, olhou para ela a me confirmar, e disse: “Isso não se faz!”, balançando o dedo em reprovação.

Tamanha foi a indignação de Fernandinha que, feita adulto, começou a chorar aos prantos. O funcionário tentou consolá-la dizendo que sabia que não fora ela, que o desculpasse. A loja inteira foi ao delírio ao ver uma reação de justiça partir de uma criança. A mãe que estava no caixa a levou para fora, comprando-lhe um sorvete, insuficiente. Tive o pedido de desculpas por várias pessoas da direção e funcionários, e temo pelo futuro do fiel trabalhador que fez o certo, porém, seu infeliz comentário soou como reprovação externa, e ela não se sentia culpada.

Precisamos de pais mais enérgicos e preparados que ensinem valores, que não descuidem dos seus rebentos em favor da moral e dos bons costumes. Alerto aos pais de ocasião que seus filhos estão nascendo no século 21, na era da informática, na era do continuar ensinando. Somos nós os responsáveis pelo futuro da nação e do planeta. Ninguém pode se furtar de fazer a sua parte. Ou daqui a pouco veremos as crianças nos ensinando em casa como já acontece por aí. Não fiquem surpresos com o aprontar das crianças de hoje e acompanhemos dia a dia a sua evolução, ou as perderemos para o primeiro espertinho e mal-intencionado que aparecer. É o prêmio pela evolução que caminha a passos galopantes. Não sejamos nós a amarelar.


Psicoterapia para bebês: isso existe?

11 de outubro de 2011 0

A resposta para a pergunta acima é “sim” e vem das psicólogas Karina Recktenvald, Cíntia Schmitt Dipp e Daniela Bergesch D’Incao. Elas fazem parte do Departamento de Intervenção Precoce do Contemporâneo Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade de Porto Alegre e fizeram um artigo especialmente para o blog.  
Vale a pena conferir!

Para algumas pessoas é difícil compreender que uma criança necessite de psicoterapia. Imaginem quando isto ocorre com um bebê. Afinal, cuidar de um bebê parece simples: basta amamentar a cada três horas, esperar quinze minutos para arrotar e colocar para dormir. Mas, atenção! Não faça isso no colo para não acostumá-lo mal. Quisera fosse tão fácil… Cuidar de um bebê não é apenas um trabalho instrumental, pelo menos não deveria ser. Causa tanta ansiedade que os livros de instruções, para pais de recém-nascidos, costumam ser sucesso e bater recordes de vendas.

O que observamos, na realidade do dia a dia dos pais com a chegada de um novo membro na família, especialmente quando se trata do primeiro filho, é uma rotina repleta de desafios. O recém-nascido não é o único que se depara com um mundo novo, a família toda experimenta descobertas.

Cada bebê é único: carrega consigo sua carga genética, seu temperamento e as influências do ambiente no qual está se desenvolvendo. Pai e mãe portam ansiedades pertinentes a esse novo momento. E também trazem na bagagem lembranças, conscientes e inconscientes, sobre suas infâncias, as crianças que foram e os pais que tiveram, neste momento, re-presentificado. A junção de todos estes fatores não poderia resultar em algo simples, muito pelo contrário, é uma situação bastante complexa.

Tudo o que envolve o cuidado (alimentação, higiene e etc.) deve vir acompanhado da troca afetiva para caracterizar um verdadeiro encontro _ um pilar importante para a saúde mental do sujeito em formação. A fim de facilitá-lo, desde o nascimento, o bebê já comunica suas necessidades por meio de manifestações singulares e aguarda ser atendido e/ou correspondido. Os vários tipos de choro são um exemplo dessa comunicação.

Quando as coisas não vão bem os pequenos mostram-se astutos o suficiente para indicar seu desconforto através de outros sinais. Bebês que não querem se alimentar, têm graves dificuldades de sono, ou ainda choram demasiadamente sem motivo aparente, ilustram tais casos. Nestes contextos pode-se ouvir os pais angustiados, sem saber como agir. Eis que surgem perguntas como: O que eu faço com o meu bebê? Por que isto está acontecendo? Será que não somos bons pais? Existe psicoterapia para bebês?

Sim. Existem inúmeros estudos científicos voltados às intervenções precoces nas relações pais-bebê. Hoje, é possível ajudar os pais a refletir sobre as causas dos sintomas e as demandas dos bebês para que ajustem a sintonia afetiva entre eles, o que promove o bem estar emocional da família. Na psicoterapia pais-bebê, trabalha-se em nível preventivo _ pois nada está pré-determinado, mas, sim, em construção _ com a perspectiva de ampliação do potencial de saúde.

E se você, pai ou mãe, de primeira ou de quinta viagem se sentir inseguro em relação a alguma disfunção ou comportamento que seu filho apresente, procure um profissional. O que está acontecendo com você, certamente está acontecendo com outras centenas de milhares de famílias. Procurar ajuda e tentar melhorar também é uma forma de demonstrar amor e afeto.

O e-mail das psicólogas é o ensino@contemporaneo.org.br e o site,
www.contemporaneo.org.br. Informações no (051) 3019-5340

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