O guri já perdeu três dentes de leite da arcada inferior (a de baixo, para simplificar), mas ainda não havia perdido nenhum da superior. Os dois bem centrais começaram a ficar moles juntos, mas um se adiantou na corrida. Certa noite, para meu desespero, já que estava sozinha em casa, o guri decidiu que queria porque queria que eu tirasse o dente. Ele estava por um nada. E o pequeno com medo de engoli-lo...
Deixo tarefas mais complicadas como tirar espinho do pé com o pai, que tem muito mais jeito do que eu para isso. Mas naquele dia não teve jeito... E eu tinha de agir naturalmente, né? Engoli a seco o meu pavor, peguei uma gaze e comecei a missão com o guri perguntando: "Não vai doer, né, mãe?"."Nããããooooooo", tranquilizei.
Para um guri que tem três cirugias gerais já computadas e duas internações no hospital, não parecia nada assustador. Mas eu tremia por dentro. E disfarçava.
Peguei a gaze, girei o dente delicadamente para um lado e para o outro, me certificando que, realmente, estava bem frouxo. Então, dei o golpe derradeiro. Puxei, e o guri reclamou nos primeiros segundos... Nem sangrar, sangrou. Mas deixei que ele ficasse um tempo com água gelada na boca para garantir...
Lembrei que quando a tia Cris teve de extrair os dentes de baixo, já que os permanentes já surgiam e nada dos de leite ficarem moles, ela recomendou sorvete. Usei água gelada, e foi tudo muito tranquilo (só espero que tenha feito tudo direitinho...).
Deu uma semana, e o dente companheiro do primeiro também ficou mole ao extremo. Dessa vez, para meu alívio, o pai estava em casa.
E, agora, o pequeno está com a porteira totalmente aberta.
A fada do dente é que teve prejuízo... Em duas semanas, duas visitas e alguns reais e menos no bolso...










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