
Assinale abaixo as características que você acredita serem de um filho único:
( ) É sinônimo de criança mimada, egoísta, o reizinho da casa
( ) É pouco sociável, tem dificuldades de interação com crianças da mesma idade
( ) É um desajustado, muitas vezes irremediável, que dá muito trabalho aos pais
( ) Como reina soberano, acaba concentrando os investimentos de pai e mãe, tem melhor desempenho escolar e, por isso, torna-se um adulto bem-sucedido na profissão, mais do que as crianças criadas em famílias grandes
( ) É mais exigente consigo mesmo, pois, além de ser cobrado pelos pais, tem como referência os adultos ao redor
( ) É mais feliz do que crianças com irmãos
Quem marcou as primeiras três alternativas, está precisando rever os seus conceitos.
E quem assinalou as três últimas está conectado com o que mostram as pesquisas recentes e as opiniões de especialistas no assunto.
Pois é, quem lê sobre o assunto filho único, acaba forçado a concluir que o sapo virou príncipe. O filho único, que era tido como problemático, mimado, com dificuldade de interação social, graças ao psicólogo americano Granville Stanley Hall, que, em 1896, pregou essa tese em um livro, virou, na fase adulta, um ser tão ou até mais saudável e feliz do que aqueles que cresceram criados com irmãos, segundo trabalhos publicados recentemente. Conforme essas pesquisas, não haveria diferença significativa no desenvolvimento dos filhos criados sozinhos em relação aos que foram educados junto com irmãos.
E essa mudança de concepção sobre o filho que cresce sem irmãos é um alento (e até um alívio) para a atual família brasileira, que encolhe cada vez mais e tem optado por gerar um só herdeiro.
Sempre fico com um pé atrás em relação a pesquisas que enquadram as pessoas como se todas agissem da mesma forma. Por isso, nem patinho feio nem cisne. Acho que pais podem criar um filho superprotegido e mimado ele tendo ou não outros irmãos. Você mesmo não conhece crianças problemáticas e mimadas que têm irmãos?
Também vamos combinar que, hoje em dia, os filhos únicos não têm mais os pais somente para si.
Muito cedo, eles aprendem a dividir atenções de pai e mãe com o trabalho, com as tarefas domésticas e com tantas outras coisas. Aquela figura de reizinho da casa é praticamente impossível numa família em que geralmente pai e mãe trabalham fora. E o filho único geralmente é até mais cobrado.
A decisão dos pais sobre ter ou não um segundo filho não deve estar baseada só no pedido do filho, que quer ter um irmãozinho, nem na vontade de pais que, já pensando na velhice, querem ter dois herdeiros para dividir os cuidados. Pais que estão tranquilos quanto a sua decisão precisam abandonar a culpa (e sofrer menos) por ter optado por um único filho e, sim, pensar nas oportunidades que ele pode ter em virtude dessa decisão. (Fabiana Sparremberger, mãe de filho único)
Especialistas recomendam cuidados, que não são só para filhos únicos, mas servem para quem decidiu ter mais de um:
Não faça todas as vontades de seu filho. O efeito de não dizer "não" nunca é prejudicial para quem deve aprender desde cedo a lidar com os limites
Incentive que seu filho tenha contato com outras crianças da mesma idade, pode ser na escolinha, com vizinhos, primos
Estimule e crie situações em que ele tenha de dividir os brinquedos, o lanche, a sua atenção com outras pessoas e crianças
Não é porque seu filho não convive em casa com outras crianças que ele precisa ser cobrado como adulto. Cuidado para não esquecer que ele é uma criança e não o sobrecarregue de cobranças e tarefas
Coluna Em Nome do Filho, publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria
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