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Posts na categoria "Em Nome do Filho"

A reestreia do Em Nome do Filho

01 de abril de 2013 0

Amigas e amigos, é só um recadinho rápido.

Eu, Ticiana e Bruna já estamos no blog Em Nome do Filho, que entrou no ar neste 1º de abril, no site do Diário de Santa Maria (e não é mentira!!!!).

Por lá, além de nós três, que já compartilhamos nossas experiências com vocês, temos ainda mais uma mamãe e um papai.

Se quiser seguir nos acompanhando, é só clicar aqui.

Um abraço,

Fabiana



De volta ao começo (ou dia de despedida)

20 de fevereiro de 2013 2

Todos os posts de Fabiana SparrembergerQueridas e queridos,

O post abaixo era para ir ao ar no último dia de fevereiro, mas decidimos antecipá-lo porque não estamos conseguindo – e não vamos conseguir – postar nada em virtude do envolvimento imenso que eu e a Tici estamos tendo na cobertura da tragédia da boate Kiss.

Eu e a Tici estamos aqui no blog Meu Filho desde o início de janeiro de 2010, e lá se foram 3 anos. Deixamos o nosso blog de então, o Em Nome do Filho, hospedado no Diário de Santa Maria, para dar mais fôlego ao Meu Filho, a convite do comando da Redação da Zero Hora.

Hoje, o post é de despedida. Ou bem melhor do que isso, é apenas um aviso de transferência – e um convite para que sigam nos acompanhando no nosso novo endereço, provavelmente a partir de abril, no site do Diário de Santa Maria (www.diariosm.com.br).

Estaremos voltando para o nosso blog original, o Em Nome do Filho, cujo nome é também da nossa coluna, publicada no Diário de Santa Maria todas as segundas-feiras, cujos textos reproduzíamos aqui também, no blog.

O blog Meu Filho está se reestruturando para atender melhor as demandas do caderno Meu Filho, de Zero Hora (os novos blogueiros vão explicar melhor para vocês aqui, em breve).
E eu e a Tici estamos voltando para casa, no caso o Em Nome do Filho, para, também, integrarmos a coluna e o blog batizados com o nome que tanto adoramos. Devemos ir acompanhadas da Bruna Porciúncula, editora assistente de Zero Hora e mãe da Eulália, que recentemente começou a escrever aqui, e também ganharemos o reforço do editor de Esportes do Diário de Santa Maria, Rogério Giaretta Júnior, pai do Renzo.

Mas o blog Meu Filho segue e com uma proposta superbacana que, tenho certeza, vocês vão adorar.

Então, como viram, a notícia é muito boa, duplamente boa.

Vocês seguem acompanhando o Meu Filho e tem um encontro marcado comigo e com a Tici (e também com a Bruna e o Giaretta) no Em Nome do Filho, a partir de abril. Agradecemos todo o carinho e atenção nesses anos todos e esperamos vocês no nosso ninho original.

Atividades para as férias

14 de janeiro de 2013 0

A pedido da Em Nome do Filho, o psicólogo clínico especialista em infância Alexandre Streb compilou uma série de atividades que os pais podem fazer com os filhos. Além de divertidas e quase sem custo, ajudam a exercitar o cérebro dos pequenos durante as férias. Uma criança que foi estimulada no período de descanso estará mais ágil para as atividades escolares e terá também a chance de um rendimento maior. Confira abaixo a atividades que podem ser realizadas nas férias para divertir e estimular o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de seu filho. (Ticiana Fontana)

Faça programas culturais com seu filho

Leve seu filho em exposições, igrejas e lugares históricos. Leia um pouco sobre o local e crie formas divertidas de explicar o que é

Na cozinha com as crianças

Pegue receitas (veja sites) voltadas a crianças e cozinhe com as meninas e até os meninos. Podem até chamar os coleguinhas

Sessão cinema em casa

Monte uma sessão cinema em casa com filmes que prendam a atenção da criança, com direito a pipoca e suco

Incentive a leitura, mesmo nas férias

A leitura precisa ser algo comum. Leve seu pequeno para comprar um livro que ele escolha em uma livraria

Receba os coleguinhas ou familiares na sua casa

Crianças adoram visitas. Se os amigos forem ver televisão, vídeos e jogos eletrônicos, não os deixe mais que três horas

Faça um piquenique

Descubra um local que ela esteja em contato com a natureza e pode até brincar de adivinhar o sabor dos alimentos

Leve a criança para visitar os parentes

Avôs, avós, tios, tias (entre outros) irão adorar a sua visita e para ela poderá ser superdivertido, especialmente se tiver outras crianças

Resgatando as brincadeiras
Jogue jogos bacanas

Há diversos jogos inteligentes e voltados para as crianças. Jogo de tabuleiro, de mímica, entre outros, mas não incentive a competição por si só. Mostre que o que importa é competir e não ganhar

Caça ao tesouro: Organizar uma busca por um tesouro que valha a pena (guloseimas podem ser ótimas pedidas!) dentro de casa ou no quintal do prédio estimula a criança a pensar e é ótimo entretenimento para as férias. Com pistas inteligentes e lógicas, a brincadeira desenvolve o raciocínio sem se torna uma tarefa chata

Corrida de saco: Também chamada de corrida de canguru, ganha quem chegar mais rápido com os sacos nas pernas. É uma ótima ideia para reunir os amigos e faz todos se exercitarem bastante

Cabra-cega: Em um pátio ou um ambiente sem obstáculos, pode-se brincar de cabra-cega. Enquanto quem está vendado aprimora a audição, os outros se espalham em volta do pegador, que, por meio da voz, tenta encontrá-los

Stop: Faça uma tabela com várias categorias, tipo nome, filme, novela e cidade. Elege uma letra e comece a preencher a tabela. O primeiro que acabar, grita “stop”. Para cada item preenchido, a pontuação é 10. Se tiver algum nome repetido, vale 5. Além de estimular a memória e a rapidez, é um ótimo divertimento em grupo

Coluna Em Nome do Filho, publicada todas as segundas no Diário de Santa Maria

Só mãe pode entrar

31 de dezembro de 2012 1

Todos os posts de Ticiana Fontana

Quem não gosta de papo de mãe, pode parar a leitura por aqui. Um grupo de mulheres de Santa Maria resolveu fugir do olhar repressor que era desferido quando tocava no assunto em festas tradicionais, como churrascos e aniversários. Dispostas a escancarar a empolgação com a nova fase da vida, montaram upo que se chama mommy’s (palavra inglesa que significada mamãe). A cada 15 dias, as mamães de primeira viagem reúnem-se para falar à vontade – e sem parar – sobre seus pequenos tudo o que envolve a rotina de maternidade.

Nove mulheres e seus nove bebês

O grupo de mulheres santa-marienses é formado por nove mães e seus bebês, que têm entre 5 e 8 meses. Quem assiste ao encontro, às vezes, não compreende a lógica da turma. O troca-troca de filhos e confidências é tão grande que, em alguns momentos, fica impossível acompanhar a dinâmica do grupo. Em outros momentos, o diálogo é tão intenso que fica a impressão que todo mundo fala e ninguém escuta. Porém, em meio à muvuca, é possível perceber que sobram compreensão e solidariedade entre as mamães.

Durante uma tarde, observei um encontro. Era dia de amigo secreto de fim de ano. Nas descrições de suas “amigas”, apareceu uma frase recorrente:

– Ela é uma excelente mãe.

Não duvidei, afinal, reunidas naquele calor infernal para falar de filhos, realmente eram mães dedicadas.

Fazer ou não fazer festa de 1 ano?

Um dos temas em debate foi fazer ou não fazer festas de aniversário. Pensei que me sentiria um tanto deslocada, pois optei por não fazer aniversário de 1 ano para a pequena. Doce engano, o tema dividiu opiniões e parte também não queria fazer a festa pela convicção que o filho ou filha não aproveitaria. Outra corrente era de que a ideia de uma big festa era justamente para celebrar o maior presente que a vida tinha lhe dado.

Amamentação e volta ao trabalho

Amamentação, volta ao trabalho e até sexo entraram na roda de conversa. A maioria segue amamentando e conseguiu graças à troca de experiências entre o grupo. Na realidade, comprovam a minha teoria de que amamentar não é tão fácil como se imagina. É um árduo exercício de paciência e persistência. Um dos temas mais angustiantes no papo das mamães é a volta ao trabalho. Algumas foram muito radicais, pediram demissão, mudaram de emprego e até viraram empresárias em função da maternidade.

É proibido fofocar fora do grupo

Tudo é debatido de uma forma descontraída e divertida, mas o assunto não segue adiante. É proibido fofocar sobre as conversas realizadas durante o encontro. Além do contato presencial, a cada 15 dias, elas trocam ideias e ajudas por meio das redes sociais e até mesmo por telefone. O grupo funciona como se fosse uma grande família, as mães tratam os filhos das outras como se fosse seus. Ao fim do encontro terapêutico, todas saem com a barriga cheia e a mente vazia, prontas para lidar com as alegrias e angústias da maternidade. Saí convicta de que “mãe é tudo igual, só muda de endereço”.

(Ticiana Fontana)


Coluna Em Nome do Filho, publicada todas as segundas no jornal Diário de Santa Maria

É o dia da família

24 de dezembro de 2012 0

Todos os posts de Fabiana SparrembergerEsta coluna nasceu quando lancei no blog o desafio de que pais e mães contassem um natal inesquecível vivenciado quando crianças. E uma linda mensagem veio ao mundo.

A Eliane Mota, 33 anos, secretária, mãe do Alan de 3 anos e esperando o Lucas, escreveu:

Meu Natal inesquecível foi quando tinha 7 anos. Lembro-me como se fosse hoje. Foi um ano difícil para meus pais. Ele estava desempregado e tínhamos mudado de cidade há pouco tempo.
E como toda criança de 7 anos, eu estava alheia ao que acontecia, e só pensava nos brinquedos que tinha pedido ao Papai Noel.
Eis que a grande noite chega, fui dormir pensando na manhã seguinte. Ao acordar uma decepção: tinha ganhado apenas alguns doces e uma muda de roupa. Onde estava a tão sonhada boneca? Será que Papai Noel não recebera a minha cartinha? Será que eu não havia me comportado direito? Ele sempre atendia meus pedidos e por que agora não?
Minha mãe me chamou e começou a me explicar. Já que meu pai não estava trabalhando, o Papai Noel achou mais importante me dar uma roupa nova do que uma boneca. No ano seguinte, o Bom Velhinho me recompensaria, pois meu pai tinha pedido para ele um bom emprego e, com certeza, Papai Noel lhe atenderia.
Aquelas palavras não me deixaram menos triste, mas me encheram de esperança. Coloquei minha roupa nova e fui mostrar às amigas. Entendi que nem sempre ganhamos tudo o que queremos, e que o mais importante é não deixarmos de sonhar. Apesar de ter boneca nova, brinquei feliz com as que tinha. Meu coração de criança estava cheio de esperança, pois sabia que, no ano seguinte, Papai Noel me atenderia.

Os natais da Ticiana
Não lembro de um Natal, mas de vários inesquecíveis, em Cachoeira do Sul, com toda a família Engel reunida no pátio da casa confortável. Recordo do Papai Noel, em pessoa, nos visitando até a adolescência, levando de volta o saco com vara de marmelo, pois todos haviam se comportado muito bem. Lembro da árvore que ia até o teto. Recordo das canções: Noite Feliz, Oração Pela Família (na época achava meio brega, mas hoje tem um tom de saudade), do parabéns ao aniversariante: menino Jesus. Não recordo de brigas ou rancores entre os cinco irmãos, só havia espaço para comemoração e harmonia. E foi assim até os meus 30 anos. A morte dos anciões encerrou um ciclo da família. Agora, começou outro, com novas crianças, mas com os mesmos princípios.

Os natais da Fabiana

No Fusca azul ou na Brasília creme, rumávamos, eu e o meu irmão, junto com a mãe, para o meio do mato, atrás de “enfeites naturais” que pudessem ser usados na montagem do presépio. O pinheiro de Natal, daqueles bem espinhosos, ia para o meio da sala apenas no dia 24, e sempre era incrementado por um presépio que deveria ter uns 30 anos e que virava atração turística entre a vizinhança. O encanto era tamanho que lembro que, mesmo criança, ficávamos horas e horas admirando aquela cena imóvel e portadora de tamanho significado.
Se o aniversariante do dia perdeu um tanto o foco, direcionado cada vez mais ao velhinho de barba branca, isso não é o que mais importa. O que importa mesmo é que esta noite que se aproxima segue sendo sinônimo de família reunida, de abraços calorosos, de reencontros, de celebração do verdadeiro amor. Se não tivesse o nome de Natal seria o Dia da Família.
Então, aproveite a sua família, beije, abrace, diga o quanto ama cada um, perdoe, esqueça mágoas e ressentimentos (você é o maior prejudicado em não perdoar, e não queira mais nenhum mal a você mesmo). Encha seu coração só de bons sentimentos, não espere por 2013.
Um feliz e abençoado dia da família a todos os nossos leitores, especialmente aos pequenos. E que Papai Noel traga a certeza de que nenhum presente vale mais do que a família unida e reunida em volta da ceia.

Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria desta segunda-feira


O que fazer quando o filho leva ‘bomba’ na escola

17 de dezembro de 2012 3

Todos os posts de Ticiana Fontana

O filho não passa de ano na escola e o pai foi pego de surpresa? Tem alguma coisa errada nessa situação. E o problema também é o pai. Faz parte da função dos pais fazer esse acompanhamento escolar constante desde a Educação Infantil até o fim do Ensino Médio (veja dicas abaixo). Porém, se a pergunta for meu filho levou “bomba” no colégio e o que devo fazer? São vários caminhos para responder a questão.

De acordo com o psicólogo Jaisso Vautero, a postura dos pais em relação ao estudo nunca deve ser no sentido de premiar (boas notas) nem de castigar (notas baixas e reprovações). O primeiro passo é tentar entender o que aconteceu? Não estudou? Só namorou? Cabulou aula? Teve dificuldades no aprendizado e não procurou ajuda? Enfim, é preciso ter um diálogo franco:

– O pai tem que ir de coração aberto, pronto para escutar as explicações do filho e não reagir de forma com que faça o filho se fechar – diz Vautero.

A partir dessa conversa, começa a fase da motivação do filho. Entenda em quais disciplinas ele vai mal e evite rótulos como “burro” e outras expressões do tipo. É hora do acordo, ou seja, de construir um projeto de futuro. Ele foi reprovado e é “leite derramado”, o foco é em 2013. Façam planos sobre o ano seguinte e, por último, o pai precisa demonstrar confiança.

– São basicamente quatro etapas: escutar, motivar, fazer acordos e dar um voto de confiança – comenta o psicólogo.

Vautero ainda explica que um dos maiores erros dos pais é colocar a culpa da reprovação na escola ou nos professores, desviando o foco do problema. Além disso, trocar de colégio geralmente não é a melhor solução, pois vai exigir uma readaptação, que, às vezes, pode ser ainda mais danoso. (Ticiana Fontana)

O que fazer em caso de reprovação

1) Escute o filho de coração aberto para entender o que aconteceu

2) Não rotule e o motive

3) Faça acordos para o ano futuro

4) Dê um voto de confiança nele

Acompanhar o filho na escola

Da Educação Infantil até a 4ª série do Ensino Fundamental

- Pais geralmente sabem tudo o que acontece e têm uma relação próxima com o professor

Do 5º até o fim do Ensino Fundamental

- É quando o conhecimento se torna mais amplo, e o pai pode identificar as fragilidades do filho

- O próprio pai pode dar conta do recado, ajudando o filho a estudar em casa ou buscar outros meios: um professor particular ou algum programa de reforço da própria escola

Ensino Médio

- Pais já sabem como são se filho e devem ficar atentos a qualquer alteração de comportamento. A regra é sempre questionar o que está acontecendo

Coluna Em Nome do Filho, publicada todas as segundas no jornal Diário de Santa Maria

"E que venha ao mundo como tiver de vir"

10 de dezembro de 2012 7

Arte Chagas

No dia em que recebi o diagnóstico de que o bebê que carregava no ventre, meu primeiro (e único) filho, teria uma deformidade congênita complexa nos pés, que aparecia em um a cada mil nascidos, senti algo que é difícil de explicar e reviver.

Todos os posts de Fabiana Sparremberger

Quando perguntam a uma grávida, se ela prefere menino ou menina, em 99% das vezes, a resposta é a mesma: “tanto faz, o que eu quero é que venha com saúde, com tudo no lugar”.

Só não caí em desespero ali, durante o ultrassom mesmo, porque a médica foi sensacional e, do jeito que recebemos a notícia de que o guri teria pé torto congênito (PTC), nem pareceu tão grave assim. Mas não deu tempo de alcançar a rua, e as lágrimas já caíam fartamente. No mesmo dia em que descobri que seria mãe de um menino (só confirmando o meu palpite), recebi a notícia de que ele teria os dois pés para dentro e rodados para cima, e que o tratamento mais avançado e menos invasivo era o gesso colocado a partir da coxa, feito já no 7º dia de vida.

A cada semana, no banho, mãe e pai retiravam o gesso, e um novo era recolocado pelo ortopedista.Depois de três meses, o pequeno colocaria uma espécie de sapato que posiciona os pés para fora, unidos por uma barra. E foi assim que tudo ocorreu.

_ Fabi, fica tranquila, que é só um defeito na lataria. Coisa que se conserta _ tentava ajudar um colega, na tarde daquela notícia.

Na noite do mesmo dia, e lá se vão quase oito anos, a tristeza já dava lugar ao agradecimento. Em uma daquelas coisas que a gente sente, mas não sabe explicar muito bem, me peguei agradecendo ao Grande Mestre do Universo por ter sido escolhida (ou por escolher) ser mãe daqueles dois pezinhos tortos.

Agradecia a Ele por ter condições financeiras e psicológicas para dar conta de tudo, e pedi desculpas ao pequeno se, em alguns poucos momentos daquele dia, não senti a mesma alegria que me acompanha desde o primeiro segundo em que descobri que o receberia como filho.

Os meses e anos se passaram, e mesmo tendo a certeza absoluta (aquela que move os fiéis) de que o guri ficaria bem, não me ocorreu, em nenhum momento, que aqueles pés com dois números menores do que uma criança da mesma idade (é normal para quem teve PTC) nos dessem tamanha alegria. Pois no dia 30 de novembro, o pequeno recebeu a sua primeira medalha: campeão sub-7 do 7º Campeonato Dores/Pampeiro/Constinta de categorias de base.

E não é uma simples medalha, não, ela assume um significado gigantesco em nossas vidas. Para nós, é a certeza de que, ainda hoje, temos de agradecer, todos os dias, por esse pequeno desafio que cruzou nossas vidas. Se decidisse ter mais um filho, não diria mais “que venha com saúde e perfeito”.  “Que venha ao mundo como tiver de vir”, seria, hoje, meu pedido. E que eu nunca esmoreça e sempre tenha forças diante dos desafios que envolvam o guri. Porque obstáculo nenhum na vida pode ter outro objetivo que não a nossa própria evolução. E a primeira medalha sempre vai me lembrar disso. (Fabiana Sparremberger)

Coluna Em Nome do Filho, publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria

Filho único, dúvidas mil

26 de novembro de 2012 5

Assinale abaixo as características que você acredita serem de um filho único:

(      ) É sinônimo de criança mimada, egoísta, o reizinho da casa

(      ) É pouco sociável, tem dificuldades de interação com crianças da mesma idade

(      ) É um desajustado, muitas vezes irremediável, que dá muito trabalho aos pais

(      ) Como reina soberano, acaba concentrando os investimentos de pai e mãe, tem melhor desempenho escolar e, por isso, torna-se um adulto bem-sucedido na profissão, mais do que as crianças criadas em famílias grandes

(      ) É mais exigente consigo mesmo, pois, além de ser cobrado pelos pais, tem como referência os adultos ao redor

(      ) É mais feliz do que crianças com irmãos

Quem marcou as primeiras três alternativas, está precisando rever os seus conceitos.

E quem assinalou as três últimas está conectado com o que mostram as pesquisas recentes e as opiniões de especialistas no assunto.


Pois é, quem lê sobre o assunto filho único, acaba forçado a concluir que o sapo virou príncipe. O filho único, que era tido como problemático, mimado, com dificuldade de interação social, graças ao psicólogo americano Granville Stanley Hall, que, em 1896, pregou essa tese em um livro, virou, na fase adulta, um ser tão ou até mais saudável e feliz do que aqueles que cresceram criados com irmãos, segundo trabalhos publicados recentemente. Conforme essas pesquisas, não haveria diferença significativa no desenvolvimento dos filhos criados sozinhos em relação aos que foram educados junto com irmãos.

E essa mudança de concepção sobre o filho que cresce sem irmãos é um alento (e até um alívio) para a atual família brasileira, que encolhe cada vez mais e tem optado por gerar um só herdeiro.
Sempre fico com um pé atrás em relação a pesquisas que enquadram as pessoas como se todas agissem da mesma forma. Por isso, nem patinho feio nem cisne. Acho que pais podem criar um filho superprotegido e mimado ele tendo ou não outros irmãos. Você mesmo não conhece crianças problemáticas e mimadas que têm irmãos?

Também vamos combinar que, hoje em dia, os filhos únicos não têm mais os pais somente para si.

Muito cedo, eles aprendem a dividir atenções de pai e mãe com o trabalho, com as tarefas domésticas e com tantas outras coisas. Aquela figura de reizinho da casa é praticamente impossível numa família em que geralmente pai e mãe trabalham fora. E o filho único geralmente é até mais cobrado.

A decisão dos pais sobre ter ou não um segundo filho não deve estar baseada só no pedido do filho, que quer ter um irmãozinho, nem na vontade de pais que, já pensando na velhice, querem ter dois herdeiros para dividir os cuidados. Pais que estão tranquilos quanto a sua decisão precisam abandonar a culpa (e sofrer menos) por ter optado por um único filho e, sim, pensar nas oportunidades que ele pode ter em virtude dessa decisão. (Fabiana Sparremberger, mãe de filho único)

Especialistas recomendam cuidados, que não são só para filhos únicos, mas servem para quem decidiu ter mais de um:

Não faça todas as vontades de seu filho. O efeito de não dizer “não” nunca é prejudicial para quem deve aprender desde cedo a lidar com os limites

Incentive que seu filho tenha contato com outras crianças da mesma idade, pode ser na escolinha, com vizinhos, primos

Estimule e crie situações em que ele tenha de dividir os brinquedos, o lanche, a sua atenção com outras pessoas e crianças

Não é porque seu filho não convive em casa com outras crianças que ele precisa ser cobrado como adulto. Cuidado para não esquecer que ele é uma criança e não o sobrecarregue de cobranças e tarefas

Coluna Em Nome do Filho, publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria

Como falar com seu filho sobre violência

19 de novembro de 2012 0

Todos os posts de Ticiana Fontana

Nem precisa falar, basta observar para ter a certeza de que os pais são os espelhos dos filhos. Na Antonela, me reconheço em frases, gestos e olhares. Sustento a tese de que os pais precisam ter como certeza de que eles são a fonte de segurança dos filhos.

Portanto, se perder o controle de suas emoções, transparecendo sentimentos como medo e ansiedade, certamente, o filho vai se sentir desamparado, ficará confuso e assustado. Toda essa introdução é para falar de um assunto que, infelizmente, está cada vez mais presente no cotidiano das grandes, médias e pequenas cidades: a violência.

Na última pesquisa realizada pelo Ibope em Santa Maria, em setembro, a segurança pública foi a quarta principal preocupação dos 600 entrevistados.

A violência ocupa grande destaque em rodas de conversa e noticiários. Outro dia, ouvi um menino, que não tinha mais do que 6 anos, contar detalhadamente um caso de assassinato, com interpretações alarmantes e dizendo que os pais tinha contado para ele. Obviamente, o garoto tinha exagerado, mas o fato me fez repensar como abordar o tema violência em casa.

Especialistas afirmam que a violência não precisa fazer parte da rotina das crianças. Outras fontes de medos, como escuro, bicho-papão, monstros e bruxas já fazem parte do imaginário infantil, portanto, é preciso ter muito cuidado ao falar sobre a criminalidade com os pequenos.

É recomendável evitar comentários sobre crimes ou assistir a noticiários com conteúdo pesado na presença dos pequenos. A ideia de contar histórias trágicas como maneira de ensinar seu filho a enfrentar a violência não tem eficácia e está totalmente fora de propósito. Isso não significa que a criança precisa ser criada em uma redoma de vidro, ela deve saber sobre situações de risco e como preveni-las. Se o filho questionar por que precisa fazer isto ou aquilo, não entre em detalhes, mas seja objetivo e explique que a medida tem como finalidade o bem dela (abaixo, dicas de segurança). (Ticiana Fontana)

RELEMBRANDO

Atitudes repetidas por pais há várias gerações e com pequenas adaptações devem ser relembradas:

1) Ensine a criança a não passar informações sobre ela ou outro membro da família para pessoas estranhas

2) Ande com o carro com os vidros fechados e portas travadas

3) Evite deixar o filho andando sozinho. Se isso não for possível, oriente a não conversar com estranhos. Se perceber alguma movimentação estranha, entre em algum lugar público e peça ajuda

4) Tenha certeza de que o filho entrou no local onde foi deixado

5) É importante cuidar e vigiar o que o filho anda falando nas redes sociais, principalmente vale um alerta para os casos de pedofilia cada vez mais recorrentes na internet

6) Em caso de assalto, oriente a criança a não reagir, a manter a calma e a entregar tudo o que o bandido pedir

Pai divide tarefa com a mãe, sim...

12 de novembro de 2012 0

A maior parte das tarefas da casa e da educação dos filhos ainda recai sobre a mãe, mesmo aquela que trabalha fora. Correto ou falso? Verdadeiro. Mas cada vez mais com exceções (e ainda bem que as coisas estão mudando!).

É inegável que há uma maior participação do pai nos cuidados com os pequenos. Muitos levam os filhos aos consultórios médicos, muitas vezes sem a mãe, vão sozinhos às reuniões da escola e até (e por que não?) faltam ao trabalho quando os pequenos adoecem. Mas quem estuda o tema diz que há diferença entre ajudar nas tarefas de casa e nos cuidados do filho e dividir as responsabilidades.

E, segundo acreditam os pesquisadores, ainda estamos na fase “pai que ajuda”, em que os progenitores dão uma mão na casa, levam o filho na escola, mas ainda não alternam, com a mãe, todas as tarefas, como presença em reuniões, consultas e outros compromissos como as lidas domésticas.

Para mim, já estamos na era “pai que divide” e começa a diminuir consideravelmente o desequilíbrio entre as tarefas. A mãe segue desempenhando múltiplos papéis e jornadas, e o pai também. A divisão de responsabilidades se colocou como necessária até pela boa saúde do relacionamento.

E se tem alguém que ganha ainda mais com nisso é o filho, que cresce tendo como exemplo que não há função que só o pai ou só a mãe podem exercer, e que ambos são igualmente responsáveis pela sua educação, numa parceria imbatível. No blog, pedi que as mães (e pais) contassem suas experiências, e a maioria dos depoimentos indica que há, sim, divisão de responsabilidades. E a Liana Merladete Koltermann (foto e relato abaixo) chamou a atenção (Fabiana Sparremberger)

arquivo pessoal

Quando o André, nosso filho de 1 ano e 4 meses nasceu, eu que nunca tive qualquer experiência com crianças, me vi sem a ajuda física da minha mãe e com uma infecção pós-parto. Minha mãe se quebrou e não pode me ajudar. Para somar, eu e meu marido somos sócios, temos uma agência e a nossa vida depende do nosso trabalho. Ele não só segurou a onda, como foi além. Participou e participa de todos os detalhes. Somos uma equipe em casa, e o amor é a mola propulsora. Ele troca fralda como ninguém, cozinha um milhão de vezes melhor do que eu, levamos e buscamos juntos, todos os dias, o pequeno da creche, ele sabe cada detalhe do dia do André. E, se precisar ficar só os dois em casa, não passarão aperto.

Pela manhã, sou eu quem toca a alvorada. O papai vai para o banho e, enquanto isso, arrumo o pequeno, cuido dos itens da mochila, mama e etc. Ele sai do banho, fica brincando e, muitas vezes, arrumando o pequeno, e eu dou um tapa no visual. Se eu limpo a casa, ele cuida das atividades do pequeno ou ao contrário. E ele é o responsável pela roupa da casa. Coloca para lavar, organiza.
O resultado disso é o nosso pequeno lindo, saudável e com ambos, pai e mãe, muito presentes. Quando paro e vejo que não estou sozinha e que, em cada consulta ao pediatra, cada dor, cada conquista, uma mão segurou a minha, o meu único pedido a Deus é que ele permita que meu filho seja com a esposa dele do mesmo jeito que meu marido, Andrewes, é para mim.

Seu companheiro ajuda ou divide as tarefas de casa e os cuidados com o filho com você?

07 de novembro de 2012 20

Todos os posts de Fabiana SparrembergerGurias (e guris), cá estou eu novamente pedindo a ajuda de vocês para fazer uma coluna Em Nome do Filho muito interativa e cheia de contribuições relevantes.

Estou fazendo uma coluna que vai abordar a participação dos pais (que eles se manifestem também aqui!) nas tarefas da casa e nos cuidados do filho.

O que eu quero saber de vocês?

Como é na sua casa? Como vocês dividem as tarefas da casa e os cuidados com a prole (quem faz o quê)?

Seu companheiro ajuda nas tarefas ou vocês dividem, de igual para igual, o que há para fazer?

Aguardo muitas e ricas contribuições, hein?

Conto com vocês!!!




Se a culpa é sempre do outro, como formar cidadãos?

29 de outubro de 2012 1

Todos os posts de Fabiana Sparremberger

Se o bebê começa a ter um comportamento mais agressivo em casa, depois de ingressar na escolinha, pai e mãe logo concluem “ele não era assim, sempre foi tão calminho, vai ver que são as más influências dos coleguinhas que não têm limites”. E lá vão eles falar com a professora para ver o que está ocorrendo.

Se a criança não sai da frente da televisão, e passa a adotar atitudes um tanto violentas, como o menino que usa a arminha imaginária para matar, sem dó nem piedade, todos que aparecem pela frente, ou então o guri que passa a lutar nos corredores da escola com o coleguinha imitando os heróis da telinha, o veredicto logo chega: “A mídia está exibindo programas muito violentos, e até os desenhos animados não escapam mais”.

Se a criança vira adolescente e começa a “responder” para os pais, adotando uma postura até então desconhecida entre os integrantes do círculo familiar, não há dúvida dos genitores: “A culpa é dos amigos com os quais ele está brincando na rua, filhos de pais ausentes, e ele está sendo contaminado por essas más tendências”.

Ah, mas chega a hora em que o adolescente ingressa na vida adulta. Entra no mercado de trabalho e tem dificuldades de se desenvolver na carreira e seguir por muito tempo em algum emprego. Os pais seguem não tendo dúvidas: “Os chefes de hoje em dia não sabem reconhecer um profissional talentoso e, ameaçados por tamanho brilho, acabam dispensando quem lhes oferece algum tipo de perigo.”

Não é mera coincidência

Já descobriu o que todos esses comportamentos têm em comum? Podem até ser de pais de faixas etárias diferentes, de classes sociais distintas, mas todos direcionam a responsabilidade/culpa pelo que acontece aos filhos a um fator externo. Ou é o coleguinha,. Ou a mídia. Ou o vizinho. Ou o chefe.

A culpa é sempre do outro. De algum fator externo que foge ao controle dos pais. E ponto final.

Não vou dizer que não coloquei (e ainda coloco) muitos pontos finais nesses sete anos e pouco de maternidade. Mas, com o tempo, descobri que a vírgula tem efeito mais educativo (e autoeducativo). E só não mais eficiente do que o ponto de interrogação. Como desenvolver um cidadão ético e justo se não estimulamos que nossos filhos exercitem sua parcela de participação em cada episódio vivenciado? A responsabilidade é só da mídia, que exibe tanta violência, ou dos pais que permitem os filhos em frente à televisão? Será que a má influência é do vizinho, ou você é que não conhece suficientemente seu filho?

Exercitar essas respostas, sem transferir responsabilidades, é um bom começo para formar cidadãos de bem. Os pais devem ensinar aos filhos que não é justo, certo nem ético achar que a culpa é sempre do outro, enfatiza Içami Tiba em seu best-seller Quem ama, educa!.

Educar um filho é uma missão e tanto. Só não é mais difícil nem desafiador do que educarmos a nós mesmos. (Fabiana Sparremberger)

Coluna Em Nome do Filho publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria

E o ninho se esvaziou

22 de outubro de 2012 1

Todos os posts de Ticiana Fontana

– Não costumo ler as tuas colunas, pois meus filhos já cresceram, mas queria que você falasse sobre a síndrome do ninho vazio – o comentário daquele pai que passou dos 60 anos me surpreendeu.

Junto com a introdução do assunto, ele disse que foi pego de surpresa com a saída dos filhos de casa “de uma hora para outra” e hoje divide o ambiente espaçoso com a mulher.

– É um vazio muito grande, ela fica vendo TV, e eu no computador. Não nos preparamos para isso.

Naquela mesma noite, outro senhor, um pouco mais novo, fez um comentário semelhante.

– As minhas duas filhas saíram de casa, e ficou tão vazia que chego a ligar para o celular da minha mulher para ver aonde ela está – respondeu.

Pensei: não era coincidência. Era um aviso que hoje o assunto da coluna deveria ser uma situação ainda distante da minha atual realidade, mas comum na vida de quase todos os pais e mães: a independência dos filhos. A saída dos filhos de casa é um momento natural, uma crise que faz parte da vida, assim como o nascimento, a adolescência, a maternidade, a menopausa e o envelhecimento. Como tudo na vida, é preciso buscar equilíbrio para sobreviver a essa crise e, mesmo com a tristeza e a sensação de perdas naturais, também desfrutar da alegria de ver seus filhos independentes. (Ticiana Fontana)

Quais os sintomas da síndrome?

- Pais apreensivos, tristes ou solitários, com crises depressivas e problemas psicossomáticos antes inexistentes. Se algum desses sintomas interferirem muito na rua rotina, o primeiro passo é reconhecer a situação e procurar ajuda especializada. Ignorar faz mal à saúde.

Entendendo a mudança e a separação

- Os especialistas apontam que a separação é uma mudança que inicia ainda na adolescência, quando o filho começa a se organizar para construir sua identidade adulta até a independência, efetivada por meio da saída de casa. Esse afastamento natural obriga os pais (mãe e pai) a rever sua identidade, seu trabalho (atividades) e suas metas.

Como encarar?

- A literatura especializada afirma que é preciso aceitar a dor, a tristeza e a saudade e identificar novos desejos. Na verdade, nada poderá substituir a saída dos filhos. O importante é entender que é uma nova fase da vida e esse ambiente de crise não é necessariamente ruim, mas apenas uma mudança que deve ser vivida com equilíbrio.

E como fica o casal?

- Se a relação do casal está alicerçada na presença dos filhos, a fase poderá revelar uma situação ainda mais grave. Ou seja, o desgaste aflora e percebe-se que o casamento está sem sentido. Por outro lado, pode ser uma oportunidade de aproximação ainda maior, o casal voltará a ter tempo para si e poderá redescobrir os prazeres a dois.

A parte boa?

- Desfrutar de um dos maiores prazeres da vida: o tempo livre. É uma excelente oportunidade para os pais, que vivem como casal ou não, redescobrirem outras fontes de prazer e se dedicarem a novos projetos. Que tal voltar a estudar, a trabalhar, praticar atividades físicas, refazer o círculo de amizades, viajar mais, curtir os futuros netos, etc.

Coluna Em Nome do Filho, publicada todas as segundas no jornal Diário de Santa Maria

Autismo: do luto à luta

01 de outubro de 2012 3

Os autistas, seus pais e amigos ganharam uma parceria e tanto em Santa Maria. Recentemente, a Associação de Pais e Amigos do Autista de Santa Maria, o Quirón, Centro de Excelência em Desenvolvimento Humano, ganhou uma sede, que funciona na Rua 19 de Novembro, 287, junto à clínica Interage. A entidade civil existe juridicamente desde 2008, mas surgiu antes disso, a partir da angústia e sofrimento de pais e mães de autistas que buscavam um atendimento adequado para seus filhos. Com uma sede definida, a associação dá um passo adiante na luta por oferecer uma vida melhor aos autistas e seus familiares. A presidente da associação, Lígia Beatriz Bozzi Tonetto, e Thaís Marchi, educadora especial e pós-graduada em autismo, trazem informações importantes aos pais.

Como funciona o Quirón
Em primeiro lugar, é feito um cadastro, baseado na observação de pelo menos três profissionais. A partir daí, o grupo define que tipo de atendimento será necessário. A associação tem fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador especial e fisioterapeuta. As famílias sem condições econômicas para pagar o atendimento serão atendidas, e a associação buscará ajuda para custear esses gastos. Para quem tem condições de pagar, é feito um pacote que prevê atendimento dos profissionais que a criança precisa. Atualmente, são cerca de 20 famílias atendidas, mas já há fila de espera. Além de atender o autista em suas necessidades, a associação fará o acompanhamento e a inserção dele em sala de aula.

A necessidade do diagnóstico precoce

Pais e pediatras devem estar atentos a bebês que não param de chorar mesmo após alimentados. Quando há dificuldade de interpretar o choro também é um sinal, assim como quando há problemas na interação com a mãe e o pai. O bebê não se sente confortável no colo, e não há motivo aparente para isso. Também costuma haver atraso na marcha, o autista demora mais para caminhar. A ajuda deve ser buscada o mais rápido possível porque o autismo, assim como os demais transtornos globais do desenvolvimento, enquadra-se no campo da linguagem e, quanto mais cedo for buscada ajuda, mais será possível avançar em relação ao desenvolvimento da criança.

Os diferentes tipos

Há autistas com grau leve, moderado e grave. Nos três casos, há 10 itens/características que são comuns. Em alguma estância da vida, eles serão dependentes, seja intelectual ou fisicamente. A maior angústia de um pai ou mãe é “O que vai ser do meu filho quando eu morrer?”. O que os pais têm de fazer com o filho autista é torná-lo, o máximo possível, uma pessoa que possa viver em sociedade. Em primeiro lugar, dentro da família. Ele deve ter autonomia, em primeiro lugar na questão da higiene. É fundamental porque há hoje adolescentes autistas com 14 ou 15 anos que ainda usam fraldas.

A principal dificuldade

O que mais choca a sociedade, o que mais dificulta é que os autistas são normais fisicamente. E normalmente as pessoas querem ver uma deficiência física, que apareça, e os pais também têm essa dificuldade quando o filho é bebê, porque ele é “perfeito”. Um dos principais benefícios da associação é a troca de experiências. Pais de filhos mais velhos ajudam os que ainda estão de luto, que não aceitam ou que negam que o filho seja autista. O autista tem uma percepção muito forte em relação à aceitação. É bem difícil de trabalhar com ele quando existe aquela negação. E se o autista for bem orientado por profissionais qualificados desde cedo, ele pode chegar a uma faculdade.

Um recado aos pais

Da presidente da associação, uma mensagem aos pais e familiares de autistas:
Eu encontrei uma mãe do Rio de Janeiro, ela transformou o porão da casa dela em uma moradia para ela e para o filho e disse para a família: “Vocês não aceitam o meu filho? Então eu vou abrir mão de todos vocês e vou viver no mundo dele.” Mas isso não é certo, ela vai deixar a pessoa como no dia em que ela se for? A gente tem de pensar que, infelizmente, é doloroso, mas é preciso preparar o autista para viver dentro da sociedade: em primeiro lugar, a família. E, depois, ir estendendo a todo o resto da sociedade. Todos têm uma capacidade enorme. Sou muito positiva, eu não acredito na desistência.

Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria desta segunda-feira

O que faria diferente? E igual?

25 de setembro de 2012 1

Todos os posts de Fabiana SparrembergerConversando recentemente com uma amiga que está grávida me peguei falando sobre o que faria diferente em relação aos primeiros dias, meses e anos de vida do guri.

O que não faria mais:

- Nos primeiros cinco meses do pequeno, que é o período que correspondeu à licença, tentei ser uma supermãe (hoje, eu interpreto assim, mas, na época, isso nem me passava pela cabeça). Não pedi ajuda nem me permiti ajuda de ninguém. Eu e meu marido daríamos conta de tudo… E fui dura demais. Noites incontáveis sem dormir com o pequeno que sofria de cólicas terríveis de noite e de dia… Pergunto: por quê? Para quem poderia ser bom esse orgulho besta? Só não me arrependo mais porque tenho convicção de que aprendi muito com isso.

O que eu faria igual:

- Ter a mesma serenidade e força que tirei não sei da onde quando o pequeno foi submetido às três cirurgias e também quando ele teve de se tratar, com gesso no sétimo dia de vida, do pé torto congênito. Analisando o passado e a minha tranquilidade e confiança ao entregar o guri aos médicos (na realidade, para Deus), gostaria de manter esse sentimento em absolutamente todas as dificuldades que ainda terei com o piá e também em situações que não terão o seu envolvimento direto. Vou procurar me lembrar disso quando estiver em apuros.

E você, diga aí com toda a sabedoria que a maternidade confere a uma mulher:

- O que você faria diferente no segundo ou terceiro filho?

- E que atitudes e posturas que teve repetiria?


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