Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "filhos adotivos"

O que é preciso saber antes de adotar (parte 2)

04 de julho de 2011 0

Podem adotar uma criança homens ou mulheres, com qualquer estado civil e maiores de 18 anos e com uma diferença mínima de 16 anos entre ela e os pais adotivos, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. Diferentemente do que muitos pensam, a condição financeira é um dos últimos requisitos observados.

-  É preciso o mínimo de estabilidade para poder criar um filho, como garantir comida e escola. Temos casos de pedreiros, de empregadas domésticas que adotaram crianças. Condição financeira não é empecilho - garante a juíza Lilian Paula Franzmann.

Os passos do processo
Os pais candidatos à adoção precisam preencher três formulários e uma declaração fornecidos pelo Juizado da Criança e da Juventude. São necessários para juntar ao pedido de adoção: cópia da certidão de nascimento ou casamento, cópia da carteira de identidade, comprovante de renda, alvará de folha corrida judicial estadual, atestado de saúde física e mental, fotografia atualizada, declaração de ter requerido ou não habilitação em outra comarca

Com os formulários preenchidos e os documentos entregues ao Juizado, terá início o processo de habilitação à adoção. A equipe multidisciplinar da Vara da Infância fará o estudo da habilitação por meio de entrevistas, visitas ou outros instrumentos de avaliação que entender necessários . Em Santa Maria, a juíza Lilian promove uma palestra de capacitação com os pais candidatos à adoção

Com a conclusão do estudo da equipe técnica, ele será encaminhado para apreciação do Ministério Público e do juiz da Infância, que vai homologar ou não a habilitação

Depois de aceita a habilitação, os candidatos ingressam no Cadastro Nacional de Adoção

Quando acontece a demora
Segundo a juíza Lilian, é um mito dizer que os abrigos de Santa Maria e até do Estado estão cheios de crianças e de adolescentes à espera de adoção:

_ Se eles estão lá é porque não atendem ao perfil desejado pelos candidatos a pais.

Em alguns casos, o processo demora porque a obrigação do Juizado é de esgotar todas as tentativas de que a criança que foi tirada dos pais retorne ao seio familiar _ aos pais, tios ou avós. É um direito da criança.

Quem pensa em adotar precisa ter em mente que o Juizado não tem uma loja de bebês e de crianças que possa atender aos seus desejos. É impossível saber quando uma família será negligente, e a Justiça terá de tirar a criança dos pais. Quando se faz muita questão de determinado perfil, é preciso estar disposto a esperar. Quando são poucas as exigências, o processo será mais rápido.

Saber é um direito da criança

As crianças adotadas trazem uma história que lhes pertence. Segundo a cartilha Conversando Sobre Adoção, o que pode trazer problemas numa adoção é o silêncio que a família pode fazer em torno do assunto.

Toda criança precisa saber da sua história, pois ela vai construí-la em função das explicações que recebe. Na falta de alguém que lhe diga sobre si, ela pode acabar achando que os pais não ficaram com ela por ser um "mau filho", culpando-se por isso. O mergulho no mundo das fantasias e a falta de uma explicação tranquilizadora para construir sua história podem trazer dificuldades à criança, como na aprendizagem.
Os juizados mantêm arquivos sobre as famílias biológicas para que os filhos adotivos possam consultá-lo quando maiores de 18 anos.    

Como contar
Conforme a cartilha, dizer à criança que ela foi adotada não precisa ser uma revelação. Os pais podem preparar o terreno, de modo que a informação ocorra da maneira mais natural possível, por meio de histórias, fotos, relatos de experiências. Quando a criança tem a sensação de sempre ter sabido, evita-se o trauma do desvendamento do segredo. (Fabiana Sparremberger)

Coluna Em Nome do Filho, publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria


"Adotamos um bebê com HIV"

27 de junho de 2011 19

Preparem-se para fortes emoções. O texto abaixo é de um casal que adotou um bebê recém-nascido com o vírus HIV. A pedido do blog, eles compartilham sua experiência aqui.

Os primeiros passos

Depois de sete anos tentando engravidar, entramos na fila de adoção. Levamos esse tempo pra tomar essa decisão porque precisávamos desse tempo para acomodar a informação de que não poderíamos ser pais biológicos e também porque queríamos estar numa condição financeira mais favorável (deixar de ser somente estudantes) para poder ter melhores condições de criar um filho.
Assim, em fevereiro de 2010, começamos o processo de adoção no Juizado da Infância e Juventude do Fórum de Santa Maria. O processo foi muito simples e tranquilo. Os profissionais, muito sérios e atenciosos.
Preenchemos fichas com referências nossas e outra com o perfil da criança (o que definiria em que fila nos encaixaríamos).
Depois, tivemos a visita de uma assistente social e uma entrevista com uma psicóloga. Após esses procedimentos, aguardamos o resultado de que estávamos aptos para entrar, realmente, na fila, o que aconteceu em abril do mesmo ano. Nesse dia, sentimos como se estivéssemos grávidos, mas de uma gravidez que não sabíamos quanto tempo levaria.
Em novembro nos convocaram, da parte do Fórum, para uma reunião com todos os pretendentes a pais para esclarecimentos sobre o processo de adoção. E lá fomos nós.
Não estávamos em muitos casais, menos do que imaginávamos. Ouvimos, então, esclarecimentos da juíza a respeito de como funcionava a questão das filas e do perfil das crianças entregues para adoção em Santa Maria.

A decisão de adotar uma criança com HIV

O que nos chamou a atenção foi um depoimento de uma mãe a respeito da adoção de uma menina portadora do vírus HIV.
A partir de sua fala, percebemos que, atualmente, os cuidados exigidos com uma criança portadora do vírus é menor do que de outras doenças, consideradas comuns. Entretanto, o preconceito e a falta de informação em relação a Aids formam um quadro irreal da situação dos portadores.
Hoje, com os avanços na área médica, os pacientes podem levar uma vida normal, bastando para isso o controle periódico da carga viral e o uso da medicação duas vezes ao dia.
Ficamos muito tocados e comovidos com tudo que havíamos visto e ouvido, e pensamos em mudar o perfil para o "aceita criança portadora do vírus HIV". Na época, ficamos um pouco receosos a respeito de nossas condições para lidar com a doença e com o preconceito ligado a ela, e decidimos pensar um pouco mais.

"A hora mais longa e intensa de nossas vidas"

Nosso pequeno chegou em casa 9 meses depois que havíamos entrado na fila de adoção, o tempo de uma gravidez, com dois meses de vida.
Foi um processo muito mais rápido do que supúnhamos. Isso, talvez, por nosso perfil ser bem aberto (com poucas restrições).
No dia 11 de janeiro, estávamos estacionando em frente ao clube Dores quando tocou o telefone. Era do fórum dizendo que havia um bebê de dois meses portador do vírus HIV. Nos deram uma hora para decidir. Foi um momento muito intenso e ímpar. Um misto de felicidade e medo.
Acho que foi a hora mais longa e intensa de nossas vidas, até hoje. Mas entendemos, naquele momento, que a vida estava trazendo nosso filho para casa, e então, ligamos para o fórum confirmando nosso interesse.
Após uma entrevista com a juíza, fomos ao abrigo encontrar nosso bebê. No "Lar" falaram que podíamos esperar uma semana para nos organizarmos e, depois, levá-lo pra casa... mas quem resistiria aquele olhar? Nosso filho não podia passar nem mais um minuto longe da gente. Afinal. nós o procurávamos já havia algum tempo.
Havíamos virado pais do dia para a noite, e não tínhamos nada pronto, A pessoa responsável por cuidar dele no abrigo nos presenteou com uma mochilinha com mamadeira, chupeta, fraldas e algumas roupinhas.

Os primeiros momentos

Chegando em casa, ficamos um pouco sem saber o que fazer, afinal era nosso primeiro filho, e não tínhamos experiência alguma com criança. Além de que, da "concepção" até o parto, haviam passado somente duas horas. Porém, graças aos amigos, nosso bebê teve um enxovalzinho básico já no primeiro dia.
Ao longo dos dias, fomos acomodando no coração aquela nova sensação. Não foi como um passe de mágica e, de repente, nos sentimos pais.
Fomos construindo e deixando ser construída nossa relação de amor, carinho e respeito. Levamos alguns meses para acomodar esse novo sentimento. Acreditamos que as dificuldades que tivemos foram as mesmas que qualquer mãe e pai de primeira viagem tem. Não sabíamos direito como lidar com ele... quando tinha fome, cólica, sono. Mas nosso bebê é tranquilo e saudável, e não tivemos noites em claro, nem corridas para o médico.

"Ganhamos nosso filho mais uma vez"

Um detalhe importante, que só viemos saber após a primeira consulta com a infectologista, é que o fato de nosso filho ter sido exposto ao vírus durante a gestação, não significava que ele estava infectado.
Hoje, a porcentagem de crianças que "negativam", ou seja, que tem o vírus eliminado de seu sangue durante os primeiros meses de vida, é acima de 90%, quando se faz o tratamento adequado.
Nosso pequeno é um desses casos, recebemos a confirmação de sua negativação quatro meses depois de ele voltar para casa. E nesse momento foi como se tivéssemos ganhado nosso filho mais uma vez.
Agradecemos, primeiramente, à vida e à força superior, que se manifestou na forma daquelas pessoas que cuidaram dele no abrigo em seus primeiros dois meses de vida, e que administraram o tratamento adequado, responsável pela negativação.
Somos imensamente gratos a eles, pois se eles não tivessem sido tão atenciosos, não teríamos recebido este segundo presente.

"Existem várias formas de nossos filhos voltarem
para casa, nem todas passam por nossa barriga"

A paternidade e a maternidade são experiências muito lindas, que estamos aproveitando ao máximo. Se fôssemos viver tudo de novo, a única coisa que mudaríamos é o perfil, que, desde o início, optaríamos por aceitar crianças com HIV. Aliás, isso é o que acontecerá, pois já fazemos planos para adotar nosso segundo filho.
Para o futuro, o que desejamos para nosso pequeno é felicidade, e que possamos cultivar nele os valores de honestidade, boa vontade e fraternidade. Devagar, vamos tomando consciência dessa missão de ser pai e mãe, reconhecendo em nossa criança a manifestação do amor.
De fato, a chegada de nosso filho foi como um sol, iluminando nossas vidas, e renovando tudo. As dificuldade e dúvidas existem, mas basta um sorriso, ou olhar para o rosto dele pela manhã, que tudo passa a ter um valor diferente.
Para aqueles que querem adotar, pensamos que o principal é não ver isso como um ato piedoso, ou como uma compensação. Existem diferentes formas de nossos filhos voltarem para casa, nem todas passam por nossa barriga.

"Adotar é tornar-se pai e mãe"

Se existe piedade envolvida, é a da vida, que nos envia esses anjos para iluminar nossas vidas. Também é bom pensar em não restringir demais o perfil da criança. Com um filho biológico, não escolhemos cor de olhos, cabelos, se ele é saudável ou não. Obviamente, cada pessoa tem a medida daquilo que pode lidar, mas nosso filho tem nos ensinado que, às vezes, subestimamos nossa medida.
Adoção é um ato de amor, da vida para conosco. É um ato de generosidade do divino, que se manifesta para nos ensinar o que é amor e doação. Mas acima de tudo isso, adotar é tornar-se pai e mãe.  
Pensamos que essa é a melhor motivação para entrar nesse processo: querer ter a experiência da maternidade e paternidade, que é a mais intensa, e mais linda, que alguém pode ter.

Sobre a adoção

16 de junho de 2011 9

Estou preparando a próxima coluna Em Nome do Filho sobre adoção de crianças, os chamados filhos do coração. Para isso, estou colhendo depoimentos de quem adotou um filho, para que nos fale sobre as principais dificuldades durante e depois do processo de adoção, e, claro, como foi a adaptação dos pais com a criança, e vice-versa.

E quem está pensando em adotar um filho também pode colaborar com a coluna, enviando suas principais dúvidas para que tentemos esclarecê-las com a juíza que cuida das adoções aqui em Santa Maria.

Desde já, agradeço a ajuda sempre atenciosa de vocês.

Abraço a todas e todos,
Fabi

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...