
Autora do livro E Enfim... Sou Mãe!, Erivane de Alencar Moreno sugere que tratemos aqui no blog da chamada insuficiência istmo cervical/IIC (útero flácido que não suporta peso), que seria responsável por cerca de 25% dos abortos espontâneos tardios.
Veja o que diz Erivane no e-mail que mandou ao blog e também no site em que divulga a sua trajetória para superá-lo. Prepare-se para se emocionar e reflita sobre as lições que Erivane nos traz:
O e-mail enviado ao blog
Olá, meninas do blog. A IIC não é divulgada, como a diabetes gestacional e a pressão alta, nem muito menos informada às gestantes e mulheres em geral. Primeiro, temos que perder pelo menos um bebê (entre 5 a 6 meses de gestação) para, somente depois disso, esta anomalia uterina ser detectada.
Após perder quatro bebês, hoje eu divulgo a IIC e dou apoio para as mulheres portadoras desta anomalia. Faço um trabalho em conjunto com dois médicos da Unicamp, em São Paulo. Escrevi um livro sobre a minha trajetória para ser mãe "E Enfim... Sou Mãe!"
(...) Tenho uma comunidade no Orkut com quase 900 mulheres portadoras de IIC. Se vocês tratarem do assunto estarão prestando um grande serviço à população e cooperando para que muitas mulheres não precisem passar pelo que eu passei e consigam realizar o sonho da maternidade.
A história de Erivane
No site www.cerclagem.com.br, Erivane relata a sua trajetória de luta até conseguir ser mãe:
A primeira gravidez
Quando engravidei do meu primeiro bebê (um menino), em dezembro de 2002, eu o perdi com 19 semanas e meia de gestação devido a uma forte infecção urinária, e pela prematuridade extrema, obviamente, o bebê não sobreviveu.
Choramos muito, pois eu tenho Síndrome dos Ovários Policísticos-SOP, e meu marido, uma baixa contagem de espermatozóides. Tivemos que fazer tratamento para engravidar com um médico especializado em reprodução humana, e, depois de finalmente estar grávida, eu perdi o meu bebê.
A segunda tentativa
Após um tempo, iniciamos o tratamento para engravidar novamente. E, em novembro de 2003, engravidei. Porém, com dois meses de gestação tive um sangramento e perdi o meu segundo bebê.
A terceira gravidez
Em 15 de outubro de 2004, eu peguei o meu terceiro resultado de gravidez. Desta vez, com um bom obstetra, ele me explicou que faria uma circlagem uterina (sutura no colo do útero), pois provavelmente eu sofria de Insuficiência Istmo Cervical (IIC).
Na época, eu pesquisei na Internet e não achei nada que falasse sobre IIC nem circlagem uterina.
Com 12 semanas de gestação, eu fiz a cirurgia, fiquei 20 dias de repouso em casa e, depois, voltei a trabalhar. Durante a gestação, eu evitei apenas pegar peso, além da abstinência sexual. No demais, eu dirigia, fazia compras em supermercado e todas as atividades de dona de casa.
Com 22 semanas de gestação, marcamos o ultrassom morfológico, onde fui com tamanha esperança de conseguir ver o sexo do meu bebê. Era outro menino e se mexia bastante. Era perfeito e não tinha nenhuma má formação. No entanto, logo após saber o sexo, eu e meu marido fomos surpreendidos pela notícia de que um dos pontos da circlagem havia esgarçado.
Entrei em pânico! Fui internada na mesma hora, e meu obstetra realizou outra circlagem, onde eu já havia sido informada pelo meu médico que, durante o procedimento, a bolsa poderia romper, e eu poderia perder o meu bebê, pois a gestação já estava avançada. Mas deu tudo certo.
Após a cirurgia, eu fiquei internada com as pernas para cima. As enfermeiras me davam banho na cama, e eu não poderia levantar nem para fazer as minhas necessidades fisiológicas. Segundo o meu médico, eu ficaria internada até o final da gestação.
Eu estava esperançosa de que tudo daria certo. Mas quatro dias depois, eu entrei em trabalho de parto e com 23 semanas e meia (seis meses de gestação), o meu bebê (outro menino) nasceu. Ele nasceu vivo, olhou para o lado, deu um suspiro e morreu. Fiquei desolada!
Ainda no quarto do hospital, quando fui tomar meu banho, enquanto a água lavava o meu corpo, as minhas lágrimas lavavam a minha alma! Eu me sentia derrotada, insegura e frustrada como mulher.Porém, quando me sinto desafiada por qualquer coisa, eu me determino e encontro forças do nada para lutar. E eu estava decidida: iria pesquisar tudo o que pudesse sobre a IIC, me preparar e engravidar novamente. O meu médico disse que, numa futura gestação, eu teria que fazer repouso absoluto.
A quarta tentativa
Em agosto de 2006, engravidei novamente. Eram gêmeas, mas com dois meses de gestação, um dos embriões não foi para frente. Fiquei nervosa, apreensiva, com medo de perder o outro também. Fiz circlagem com 12 semanas de gestação e, desde então, repouso absoluto.
Me afastei do trabalho e fiquei 172 dias deitada com as pernas para cima, noite e dia. Comia recostada à cama e tomava um banho de 4 minutos sentada. Os meus cabelos, a minha empregada lavava na cama. Com 22 semanas de gestação, o colo do meu útero estava muito curto (característica da IIC), e os médicos disseram que eu ganharia no máximo mais um mês de gestação. E que não havia mais o que fazer. Decidi que iria vencer e desafiar a medicina.
Aumentei o meu repouso por conta própria, passei a tomar banho na cama, comer deitada, tomei água de canudinho e cri em DEUS acima de tudo. Eu não ria, não espirrava, não espreguiçava. Limitei os movimentos do corpo tamanho era o medo de fazer qualquer tipo de força e esgarçar os pontos da cerclagem.
Resultado: a minha filha nasceu com 37 semanas de gestação, pesando 3.170 gramas e 48 cm.
Para quem não era capaz de carregar um bebê de meio quilo porque o útero não suportava peso, Deus provou que eu pude carregar uma bebê linda, perfeita e saudável que nasceu com mais de três quilos.
Durante a minha gestação, criei uma comunidade no Orkut com o nome de Cerclagem e fiz um diário da minha gestação. Ao verem a minha história, muitas mães que já haviam perdido seus bebês devido a IIC e estavam desesperançosas em ser mães, se motivaram, procuraram um bom médico, se informaram, engravidaram novamente, fizeram o mesmo repouso que eu e hoje também são mães.
Depois que voltei ao trabalho acabei demitida e com tempo livre escrevi um livro sobre a minha trajetória para ser mãe com esclarecimentos de dúvidas sobre a Insuficiência Cervical e Circlagem dadas pelo Dr. Ricardo Barini - renomado Prof. Livre Docente da Unicamp e Dr. Marcelo Luís Nomura, médico assistente e especialista em circlagem na Unicamp.
O que posso dizer é que faria tudo novamente para ter a minha doce e amável filha!
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