
O verbo é estimular
Camila Saccomori, 33 anos, mãe da Pietra, 10 meses
Coluna publicada em 23 de janeiro no caderno Meu Filho (Zero Hora)
Livrinhos de pano, de borracha, de fantoches e de papel. DVDs de músicas, de contos de fadas, filmes e desenhos animados. Peça de teatro infantil, sessões especiais de cinema e até uma noite de autógrafos. Esse é o currículo cultural da Pietra acumulado nos últimos 10 meses. Incluo ainda na bagagem da pitoca algumas visitas a eventos de beleza, moda e decoração em finais de tarde, reflexo de convites de trabalho que procuro volta e meia participar.
Parece agenda de adulto ler, ir ao teatro e ao cinema? Pois este mês, ao catar novos passeios para as férias de verão, me peguei justamente questionando esse tema. Desde que a baixinha nasceu, sempre tentamos inclui-la nas inúmeras opções de cultura e entretenimento que nos cercam, seja em casa ou fora. O que pretendemos com isso, sem muitas grandes pretensões além de diversão, é acostumá-la com programas que fazem parte da rotina familiar.
Agora que a Pietra começa a mostrar suas preferências (desde novas posições para dormir, curtição de novos sabores até escolher qual brinquedo da caixa pegar), fiquei curiosa para observar suas reações diante de tanta novidade. O quanto estará entendendo das coisas que lê, vê e ouve?
– Ao contrário do que já se pensou (os bebês já foram muito subestimados), as crianças pequenas têm um grande potencial de aprendizagem. Por isso, quanto mais estímulos, mais facilidade a criança terá em se adaptar ao ambiente e às diferentes situações que irão se apresentar ao longo do desenvolvimento – afirma a psicóloga Gabriela Seben, mestre em Psicologia Social pela PUCRS.
Gabriela reforça que a estimulação infantil, que vem da interação com os pais e o ambiente, é mesmo a base para o desenvolvimento futuro, mas salienta que isso não se resume a proporcionar atividades como aulas de línguas ou idas a exposições de arte:
– Importa muito a qualidade do cuidado e afeto transmitido pelos pais.
Oba, estamos no caminho certo! Mas durante a conversa com a psicóloga, me peguei pensando em como é fácil exagerar em relação aos estímulos infantis. Na ânsia de acertar e proporcionar o melhor aos nossos filhos, às vezes podemos pecar por excesso sem perceber. Eu mesma já notei que depois de um dia cheio, é difícil para a filhota conciliar o sono, então a solução é diminuir o ritmo nos dias seguintes.
– Cada criança se desenvolve no próprio ritmo, por isso não adianta mesmo forçar. Os pais devem avaliar o que consideram importante para o filho, evitando também uma possível situação geradora de estresse à criança quando envolvida em muitas atividades – conclui a psicóloga.
E você, o que curte fazer com seus filhos? Conte nos comentários!
Comentários