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Posts na categoria "Nossos Filhos"

É fácil julgar a culpa dos outros

06 de novembro de 2012 12

Todos os posts de Camila Saccomori

Minha filha acaba de completar um ano e sete meses. Há exatamente um ano, voltei ao batente. Tive a feliz oportunidade de ficar sete meses de licença-maternidade (quatro da lei trabalhista, dois opcionais da empresa e um de férias). Não consigo imaginar como teria sido esse período inicial, onde se aprende a ser mãe na marra e nasce o incrível vínculo com aquele pequenino ser, caso tivesse que conciliar com as responsabilidades do trabalho diário.

Surge deste histórico meu estranhamento ao testemunhar o retorno de Marissa Mayer à presidência do Yahoo! apenas 15 dias após o parto. Depois de uma carreira brilhante na Google, a bela loira de olhos azuis foi para a concorrência e passou a gravidez toda dizendo que dispensaria a licença. Havia na comunidade de mães blogueiras (na qual me incluo), até o último minuto, uma torcida/esperança de que a workaholic amolecesse ao ver o rostinho do piá que carrega seus genes. Nada feito.

Tal qual uma Cláudia Leitte impecável, com sua silhueta instantaneamente enxuta e sem olheiras ou roupas babadas, a executiva de 37 anos e fortuna pessoal de US$ 300 milhões subiu no salto e baixou a cabeça para trabalhar.

Entre os recentes anúncios de novas aquisições ou estratégias da empresa, Marissa não sai da mídia e acaba sempre sendo questionada sobre esta decisão. Suas respostas são diretas, sem mimimi: bem que poderia ser garota-propaganda da campanha Culpa, Não, promovida pela revista Pais & Filhos aqui no Brasil. Em nenhum momento, a über executiva se “justifica”, como outras mortais costumam fazer. O discurso não é “eu trabalho porque preciso”, e sim “trabalho porque quero”.

Uma das teorias da toda poderosa, em entrevista à Exame deste mês de novembro, é esta: “Você não pode ter tudo o que quer, mas pode ter o que é mais importante para você. E pensar dessa maneira faz com que seja possível trabalhar por longas horas”. Optei por recorrer à opinião de outras mães para dar seguimento ao debate, já que há fartura de opiniões sobre o tema. Com vocês, a pluralidade da blogosfera e de suas leitoras:

“A única pessoa que pode julgá-la é o filho dela quando crescer.” (Laís)

“Ela vai perder momentos únicos que não voltam mais.” (Alessandra)

“Ela deve ter 500 babás e poderá levar seu filho ao trabalho.” (Claudiane)

“Enquanto umas lutam por uma licença maior, tem outras fazendo um desserviço desses.” (Maurícia)

“Acho desnaturada quem abandona no lixo, por exemplo. Cada qual sabe onde o sapato aperta.” (Rayane)

“Talvez um pouco mais de culpa fosse ideal para beneficiar o bebezinho dela.” (Mabi)

“Com o salário dela, duvido que alguém pensaria tanto em se culpar por voltar ao trabalho.” (Pollyanna)

“Ela vai mandar o leite materno por e-mail?” (Cláudia)

“Esse modelo de mãe não deveria servir de exemplo.” (Sabrina)

E você, o que pensa sobre o assunto? O espaço de comentários está aberto para a polêmica!

Brincar de fazer faxina?

09 de outubro de 2012 33

Todos os posts de Camila Saccomori


Coluna publicada em Zero Hora no caderno Meu Filho de 8 de outubro de 2012.

Camila Saccomori, 34 anos, editora do TV Show e mãe da Pietra, 1 ano e meio

Muito se questionou nas publicações de entretenimento a validade de se fazer um remake de Guerra dos Sexos em pleno ano de 2012. A nova novela das sete da TV Globo, originalmente exibida em 1983, estaria ultrapassada: afinal, hoje em dia, homens e mulheres já estão em posição de igualdade. Disputam os mesmos postos de trabalho, ganham os mesmos salários, até a presidente do Brasil é mulher, blablablá.
Não, você não errou de caderno: este é mesmo o Meu Filho, e não o TV Show. Trago o assunto à baila aqui porque, uma semana após a estreia da nova versão da novela de 1983, sem querer encontrei um baita motivo para justificar que a guerra dos sexos ainda precisa, sim, continuar sendo debatida. E que nós, mulheres, ainda estamos em desvantagem. Muita desvantagem.
Tudo começou quando caiu no meu colo um folheto publicitário para o Dia das Crianças. Entre bichinhos de pelúcia fofinhos e bonecas simpáticas, ele trazia a seguinte foto:
Choquei. Olhei de novo para ter certeza: sim, era uma lava-roupas infantil. Minha memória buscou outros brinquedos semelhantes que eu já havia visto de relance em sites e prateleiras de lojas sem dar maior importância. Lembrei do kit de pás de vassoura, do aspirador de pó em miniatura e do conjunto de ferro de passar e tábua.
Feito o bocó Tufão catando peças de um quebra-cabeça em Avenida Brasil, juntei lé com cré e morri: é tudo rosa. Tudo rosa e lilás. Tudo para menina. Somente para meninas. Em pleno ano de 2012. Como se os meninos não precisassem ser “treinados” para o serviço doméstico no futuro.
Sim, estes brinquedos são evoluções dos fogões e pias que eu mesma tinha quando era pequena. Ou seja, justamente à época da Guerra dos Sexos original, lá no início dos anos 1980. Nossos pais não tinham nenhuma obrigação de ajudar em casa, seja varrendo a casa ou aspirando o pó do chão e muito menos lavando roupa no tanque. Hoje os tempos são muito diferentes, mas a lavadora pink e outros itens de faxina seguem por aí como sugestão de presente para meninas.
Sim, a máquina é tão tão tão fofinha que dá vontade de montar uma área de serviço completa para nós, adultas. Mas que recado estamos passando para nossas crianças ao investir nisso? Acho óbvio: passa o recado de que serviços domésticos ainda são tarefas preferencialmente femininas.
No dia em que recebi o tal folheto de brinquedos, virei a noite lendo sobre o assunto. E acabei recorrendo ao premiado e polêmico Menino Brinca de Boneca?, do sexólogo Marcos Ribeiro, lançado em 1990. Ele explica em breves 56 páginas os conflitos do tema, mas o resumo é este aqui: não existe brincadeira de menina ou de menino. A diferenciação é apenas cultural.
Considerando que brincar é sinônimo de aprender, por que devemos perpetuar preconceitos e machismos desde cedo para as crianças? É a sociedade que limita os papéis de como guris e gurias devem se comportar.

Portanto, um alô aos fabricantes de brinquedos: que tal oferecer opções de cores neutras para os itens citados? Um fogãozinho azul, uma pia verde. Meu futuro genro, marido da Pietra lá em 2040, precisa ser prendado.

Sobre cães, filhos e espirros

06 de outubro de 2012 0

01 de outubro de 2012 | Coluna NOSSOS FILHOS | Zero Hora

Por Caroline Torma, editora de Interior de Zero Hora e da Agência RBS, 34 anos, e mãe da Marina, um ano

Minha filha mais velha tem três anos e chama-se Blanca. É uma lhasa apso faceira, que ainda come os sapatos das minhas visitas, dormia sobre a minha barriga enquanto nós duas esperávamos pela Marina e viaja conosco para todos os lugares. Um legítimo membro da família.

Em 2009, meu marido passaria um tempo trabalhando em Buenos Aires. Para minimizar minha solidão, ganhei a Blanca de presente no Dia dos Namorados. Confesso que nunca fui talibã dos animais. Na infância, sempre tive cachorro em casa, mas daqueles que ficavam no pátio. Mas com a Blanca foi amor à primeira vista.

Quando engravidei, veio a preocupação: acostumada a ser a rainha da casa, como a nossa filha peluda encararia a chegada da nova moradora? Li algumas coisas sobre o tema, mas acabei não fazendo nada do que os livros mandavam, tipo deixar o cachorro cheirar a roupinha do bebê, etc. e tal. O que fizemos foi agir sem frescura e com naturalidade, sem restringir a Blanca de circular pela casa, subir no sofá, na cama e até dividir o travesseiro comigo de vez em quando. Tudo às mil maravilhas.

Acontece que a Marina é alérgica. Não tem alergia a cachorro, mas está entre os 40% dos bebês que sofrem de alergia respiratória. Em seus 14 meses de vida, poucas foram as semanas em que o olho não lacrimejou, o nariz não escorreu ou a pele esteve livre de bolotas vermelhas. Como a Blanca também (sim, também!) é alérgica, o coça-coça lá em casa é constante. Além disso, voam pelos pela casa, se espalhando por cobertores e tapetes e irritando o pequeno nariz da Marina.

Mais de um amigo já sugeriu a doação da Blanca para outra família, hipótese fora de cogitação lá em casa (o máximo que já fizemos foi deixá-la uma temporada na casa da vovó, em Rio Grande). Mas o que fazer então?

A pediatra Ana Paula Moschione, especialista em alergia e imunologia, médica da Unidade de Alergia e Imunologia do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), dá algumas dicas que podem ajudar pais que, como nós, precisam conciliar cuidado com os filhos e apego aos animais de estimação.

– Os ácaros, e não os cães e os gatos, são os culpados pela maioria das alergias – revela Ana Paula.

Ela lembra, porém, que os animais domésticos transportam uma grande quantidade de ácaros, e é prudente que eles não frequentem o quarto do bebê, nem que seu filho durma naquele cantinho do sofá preferido pelo pet. Além de limitar os espaços de cada um, usar capas protetoras para travesseiros e colchões também pode ser uma boa solução.

– Porém, o mais importante é ter a avaliação do médico. Se a criança é alérgica ao gato ou ao cachorro, o que pode ocorrer, embora seja a minoria dos casos, será preciso arrumar um novo endereço para o animal de estimação, sim – reforça.

A boa notícia é que já existem vacinas, especialmente para os gatos, que ajudam a minimizar os efeitos da alergia nos humanos, tornando a convivência possível.

– Acho que o mais importante é não ser radical. Tirar o animal de casa pode deixar a criança triste e fazer com que o peito dela chie, como se fosse uma crise alérgica. Fora a fumaça do cigarro, que deve ser banida de todas as casas, especialmente daquelas onde moram crianças alérgicas, todo o resto é negociável – tranquiliza ela.

Espirros e coçadinhas à parte, presenciar o crescimento do seu bebê na companhia de um amigo peludo é uma delícia. Afagos e dengos de que eu não pretendo abrir mão.

O "não" que pode ser um "sim"

16 de setembro de 2012 3

Todos os posts de Camila SaccomoriO “não” que pode ser um “sim”
Texto publicado no caderno Meu Filho em 10 de setembro de 2012.
Por Camila Saccomori, mãe da Pietra, 1 ano e cinco meses

Meus últimos dias têm sido assim:
– Pietra, vamos escovar os dentes?
– Não-ô – responde a pitoca.
– Vamos colocar o tênis, filha?
– Nnnnnão.
– Vamos tomar banho? Quer ler um livro? Que tal um passeio? Troca um fusca por uma mercedes?
– Não, não, nãããããão – diz a baixinha, com uma expressão pra lá de arteira. Jesuscristinho, o que está acontecendo com a minha doce mocinha de 1 ano e cinco meses? Substituí a pergunta direcionada ao ocupado papai do céu para alguém que efetivamente pudesse respondê-la. Entrevistei a sempre solícita Aidê Knijnik Wainberg, psicóloga e psicopedagoga infantil, uma referência na área.
– Isso é muito comum, Camila. Tua filha já está na adolescência dos bebês, fase conhecida como os “terrible two”, os terríveis dois anos.
– Mas… mas… ela só tem 17 meses!
– É assim mesmo: a fase compreende o período entre 1 e 3 anos. É quando a criança vai se dando conta de que é um indivíduo, começa a se dar conta da separação da mãe. Esse “não” às vezes pode ser um “sim”. Não é uma negativa, e sim um “não” para buscar a própria autonomia. O “não” significa um “eu decido”. É a busca da independência – explicou a avó da Luíza, de dois anos, uma menina para lá de esperta e que também diz seus nãos de vez em quando.
Do outro lado da linha, eu continuo de queixo caído ouvindo a contextualização da Aidê. Muito eu já tinha lido sobre o TTT (não os “trending topics do twitter”, e sim The Terrible Two). Na minha cabeça, porém, o dito cujo viria pós o soprar das velinhas no dia 28 de março de 2013. Eu ainda tinha um tempo. Não tenho mais. Tic tac.
– Quer dizer que essas manhas que a Pietra faz de vez em quando já fazem parte do pacote TTT?
– Exato. O “não” vira birra facilmente. A criança precisa disso para provar que é independente. É como um adolescente de verdade, que às vezes quer ser adulto, às vezes quer colo. O bebê nesta fase ora quer ser grande, ora nenê. Alterna entre o colinho e a independência – responde a especialista.
– Confesso que ainda não estava preparada para isso tão cedo. E o que faço se a anjinha virar uma capetinha que se joga no chão do supermercado?
Sem plateia não tem show. Por mais óbvia que seja a frase, significa que elas fazem isso para chamar a atenção. Em vez de reforçar o show que a criança está dando, tentar mudar o enfoque é uma saída (distraí-la com outras coisas). Deixá-la sozinha até cansar e parar também vale. Mas é importante não ceder. No caso do supermercado, se a mãe não aguenta a birra pública, uma alternativa é tirá-la do ambiente.
Enquanto Aidê fala, revivo na memória as muitas cenas que já vi em lugares públicos (sempre achando que era falta de pulso firme alheio) e engulo em seco. Meu futuro está ali na esquina. Sigo o baile com algo que já vi em casa e na escolinha:
– O mesmo vale para tapas e mordidas? Já ouvi tantos conselhos sobre isso que estou perdida.
– Bater ou morder familiares ou colegas é a reação de muitas crianças quando estão chateadas com algo. Ela tem sentimentos, mas não sabe como lidar com isto – explica Aidê. – Conversar é sempre a saída. É bom para o desenvolvimento psíquico das crianças. Bater de volta na mãozinha não adianta, pois isso ensina que a situação se resolve devolvendo na mesma moeda – conclui.
Desligo o telefone e espero cair a ficha. Quem disse que educar era fácil?

Como seu bebê pega no sono?

14 de setembro de 2012 3

Todos os posts de Camila SaccomoriAs fórmulas do adormecer
Texto publicado no caderno Meu Filho em 13 de agosto de 2012.
Camila, editora do TV Show, 34 anos, mãe da Pietra, um ano e quatro meses

Como um bebê deve pegar no sono? Embalar no colo como vemos nos filmes? Dar uma volta de carro na quadra ou de carrinho em casa? Deixar sozinho no berço chorando até cansar? Entoar Nana Nenê e Boi da Cara Preta? Perdida, nunca me esqueço de três referências que li sobre o tema quando ainda estava grávida e, portanto, cheia de dúvidas e expectativas sobre como seria colocar um bebê a dormir. Cada uma apregoava métodos bem diferentes.
O famoso A Vida do Bebê (do médico Rinaldo de Lamare, que muito orientou gerações anteriores) é o mais light. Sugere que, se a situação for tensa, a criança durma no meio dos pais. Em casos menos complexos, recomenda os “hábitos dos avós”, tais como ninar ou embalar.
– Balançar suavemente em uma cadeira de balanço com o bebê ao colo e assistindo à TV altas horas da noite torna o sacrifício da mãe mais suportável, e o pai poderá também colaborar – diz a obra no capítulo sobre o segundo mês de vida do bebê.
Já a série de guias A Encantadora de Bebês é mais rigorosa. A autora, Tracy Hogg, propõe o método E.A.S.Y., no qual o “s” refere-se a dormir (sleep). Radical, afirma, por exemplo, que um bebê deve dormir a noite toda nas primeiras oito semanas de vida (se isso não ocorre, o problema é a amamentação diurna). A expert rejeita estímulos: a recomendação é deixar o bebê de pé no colo do adulto, no ombro, e dar tapinhas leves nas costas ou no bumbum. Se a criança chorar, fazer apenas “shhhhh” (barulho de torneira aberta). Não se deve colocar jamais o bebê dormindo no berço, e sim deixá-lo pegar no sono sozinho.
No meio-termo está o site Baby Center. A criação de um ritual é o mais indicado: cada família deve fazer o bebê se adequar ao ritmo da casa. Tomar banho, escovar os dentes e contar histórias pode ser uma opção, por exemplo. Outras sequências são sugeridas. Os consultores do site indicam uma tabela de horas de sono, mas orientam as mães a acordar os bebês ao passar de 10 horas contínuas. Isso serviria para “zerar o relógio biológico”.
Todas as dicas são válidas: não questiono a eficiência de nenhuma. Mas o que as fontes acima não mencionam (e que para mim é o mais importante) é a emoção desse momento único. Para mim, colocar um bebê a dormir é um dos eventos diários mais ternos da maternidade. Tudo conspira para um clima gostoso. É noite, o quarto está escuro: estamos sentadas em uma confortável poltrona. Minha filha está de pijama, tomou o mamá quentinho e ouvimos um CD relaxante. O celular e a TV estão desligados. O cheirinho de banho recém tomado é envolvente.
Sem embalo, um abraço no colinho é suficiente. Observo os olhinhos dela fechando aos poucos, a respiração acalmando. Ajudo o sono a chegar de mansinho para a pitoca. Um dia converso baixinho sobre tudo o que fizemos de bacana nas horas anteriores. No dia seguinte, conto como ela nasceu ou outras recordações. Em outra ocasião, invento histórias que poderiam estar em livros infantis, embora nunca as lembre depois. Há noites, porém, em que o bom mesmo é apenas ficarmos quietinhas ouvindo o barulho da chuva na janela.
Por isso, quando vejo em algum lugar referências a “ensine seu bebê a dormir sozinho”, penso: “Ok, obrigada, mas por enquanto estamos bem assim”.

Questionamentos sobre exposição dos filhos na internet

18 de julho de 2012 3

Todos os posts de Camila Saccomori

Espirrou, registrou

Por Camila Saccomori
Editora do TV Show, 34 anos, mãe da Pietra, um ano e três meses

1954 – Em um antigo álbum, minha mãe guarda as únicas 11 fotos da sua infância. O primeiro registro foi feito aos três anos de idade. O segundo clique foi quatro anos mais tarde. Nem é preciso dizer que as imagens, em preto e branco, hoje estão amareladas.

1978 – Salvas em uma pasta no computador, guardo as 524 fotos de quando eu era criança, desde o primeiro mês de vida até os 12 anos. Foram escaneadas recentemente para evitar a ação do tempo nos papéis já meio desbotados.

2011 – No dia em que a Pietra nasceu, em 28 de março do ano passado, a equipe do hospital produziu 578 imagens, desde a preparação do parto até a pesagem e o primeiro banho, tudo em altíssima resolução. Ou seja, em um intervalo de poucas horas, minha filha foi mais fotografada do que eu na minha infância inteira. E mais: muita coisa da vida da pitoca nos últimos 16 meses foi twittada, facebookada, youtubada, blogada.

2012 – Em uma escala de zero a 10 no fator “vício em redes sociais”, agora não passo de 5. Fico offline na boa um fim de semana inteiro, por exemplo. Mesmo assim, volta e meia batem certos questionamentos, que aqui divido com outras mães: qual o limite para a vida familiar não virar um Big Brother? O quanto estamos expondo nossos filhos? Até que ponto é legal compartilhar tudo o que esses pequenos seres estão fazendo? Não há respostas definitivas para essas perguntas.

Mães conectadas divulgando gracinhas infantis ou desgracinhas da maternidade não faltam: é fácil acompanhar quem está com insônia ou com virose, em quais parquinhos a turma andou, quais as últimas roupinhas adquiridas ou a que horas chegaram e saíram da creche (com direito a link para localização no mapa). Voltam os questionamentos: a pretexto de registrar tudo para a posteridade, será que precisamos mesmo narrar passo a passo a rotina das crianças? Dividir todas as conquistas com desconhecidos que nos seguem ou nos adicionam? Em vez de apenas curtir o passeio, é necessário passar o tempo todo de câmera na mão? E, por fim, qual a necessidade de se publicar fotos e vídeos de crianças tomando banho? O mundo virtual bomba de gente pervertida. Essa resposta eu tenho: não convém facilitar.

É óbvio que 11 fotos de uma infância inteira é muito pouco – a vó da Pietra bem que gostaria de mais recordações de quando era pequena. Mas certamente nem ela, nem eu ou você, nem nossos filhos gostariam de jogar nossos nomes no Google e ver uma vida toda registrada minuto a minuto para o mundo inteiro.

Coluna publicada no caderno Meu Filho (Zero Hora) em 16 de julho de 2012.

Umas verdades sobre a maternidade

13 de junho de 2012 7


A colega de ZH Caroline Torma, 34 anos, escreveu no caderno Meu Filho desta semana um “alerta” às futuras mamães.
A gente compartilha aqui com as leitoras  do blog agora o texto na íntegra.
UMAS VERDADES
Por Caroline Torma
Editora de Interior de Zero Hora e mãe da Marina, 10 meses

Há segredos sobre a maternidade que só as iniciadas no tema (leia-se, quem já tem filhos) sabem.
Acho injusto. Então, decidi aproveitar esse espaço aqui e contar umas verdades sobre os 10 primeiros meses após o nascimento de um bebê. Atenção: se você está grávida e prefere não saber, pare por aqui. Esse texto contêm spoilers.
Por muito tempo, lá em casa, fomos uma família só de adultos. Faz três anos que os bebês começaram a fazer parte da nossa vida. E vieram quatro quase de uma vez só.
Em junho de 2009 nasceu a minha afilhada Helena. Em julho seguinte, o irmão dela, meu sobrinho Benjamin. Em 2011, vieram em fevereiro o Gonçalo (mais um sobrinho) e em agosto, a Marina. Eu aproveitei os dois anos que antecederam o nascimento da minha filha, e especialmente os nove meses da gravidez, para aprender sobre a maternidade. Na prática e na teoria. Minhas colegas Francini , Fabíola e Patrícia, principalmente, que o digam. E aconselho. Acho melhor a gente estar preparada do que ser surpreendida no calor dos fatos que seguem a seguir.
No primeiro dia, o leite demora a descer, ou desce e os seis endurecem e ficam parecendo pedras de granizo. Dói para burro. A gente vai para o chuveiro tentar amenizar a coisa, mas tem que sair rapidinho porque o bebê precisa mamar e só você pode fazer isso. Daí ele encosta pertinho de você, se aninha. E você esquece a dor (por alguns minutos).
Passa um mês e você ainda vai precisar acordar de madrugada de três em três horas para amamentar (porque ninguém pode fazer isso pela mamãe), a barriga não terá voltado ao normal (a calça jeans terá de esperar mais uns três meses para entrar), você provavelmente usará conchas para proteger os seios (ajuda bastante mas fica bem esquisito na roupa. Eu me sentia a Madonna num clipe famoso que você vai lembrar quando passar por isso). Mas, no meio do caos, o bebê esboçará um sorriso no cantinho do lábio. Sim, será involuntário, provavelmente, mas valerá todo o esforço, noites insones assistindo a repetição da programação do GNT e peitos tamanho XG.
Três meses de licença-maternidade e ainda não terá dado tempo de ler aqueles romances que você separou durante a gravidez para quando o bebê estivesse dormindo. As visitas já serão menos frequentes, a sua mãe terá voltado para casa (no meu caso, a 320 quilômetros de distância) e o pai da criança já terá retomado há tempos a rotina de trabalho, o futebol com os amigos. Você não. Acostume-se com a ideia de que agora e para todo o sempre você será duas pessoas. E nessa fase terá ainda como acessórios um carrinho gigante para colocar no porta-malas, uma bolsa a tiracolo, fraldas, mamadeiras, mantas… E então você passeará pelo shopping e todos olharão para seu filho com admiração. E você se sentirá orgulhosa de ser a criadora daquela criaturinha tão apreciada por todos aqueles desconhecidos.
É tempo de voltar ao trabalho e depois de cinco ou seis meses de dedicação exclusiva, você terá de deixar a cria. Seu coração e sua mente entrarão em conflito (e ele não se resolverá tão cedo. Ou nunca mais?). Você deixa o bebê na escolinha, com fraldas, bolsa, mamadeiras, e voltará a ser uma única pessoa (em parte do dia). Simplesmente aquela você de antes. Médica, advogada, jornalista. Sim e não. Bom e ruim. Durante o trabalho, você não conseguirá esquecer por um segundo daquela pessoinha que estende os braços quando, no final do expediente, você dará início a segunda jornada de trabalho do dia: a de ser mãe.
E apesar do cansaço, da vontade de tomar um banho prolongado, de ficar jogada no sofá assistindo à novela das nove, você vai brincar no chão, vai cozinhar com seu filho no colo, vai deixar a roupa acumular ao lado da máquina. Porque ser mãe não é fácil, exige tempo, dedicação e paciência. Mas é a experiência mais louca e recompensadora que você viverá. Especialmente quando aos nove meses a primeira coisa que seu filho disser for:
- Ma, ma, ma, ma…


Como é bom ter um au-au

22 de maio de 2012 3

Todos os posts de Camila Saccomori

* Coluna publicada em Zero Hora de segunda-feira (caderno Meu Filho).

COMO É BOM TER UM AU-AU

Por Camila Saccomori

Muitas famílias recordam a primeira palavra pronunciada pelos filhos. “Papá” e “mamá” lideram o informal ranking de sílabas no delicioso processo de aprendizado da fala. Lá em casa foi diferente, mas não menos emocionante. O início do gugu-dadá representa a ligação da Pietra com sua pequena companheira canina: au-au.
Cuca, uma shih tzu de quatro anos, cumpriu com louvor o papel de “test drive” de maternidade (ao contrário de plantas e peixes que, no passado, não sobreviveram aos meus cuidados, por falta ou excesso de sol ou comida). Brincadeiras à parte, o fato de ter um mascote fortalece a noção de responsabilidade diária. Cuidados com alimentação, vacinas, higiene e carinho, muito carinho, já eram rotina. A chegada da bebê, há um ano e dois meses, foi bem planejada para que as duas se integrassem. O livro que consultei sobre o tema, a salve-salve bíblia “O que esperar quando você está esperando”, sugeria várias dicas, das quais adotei a seguinte: levar roupas do recém-nascido para casa, para o animalzinho cheirar e ir se acostumando, a fim de não causar estranheza quando a mãe retornasse do hospital com aquele pacotinho. O pacote-bebê, aliás, curiosamente nasceu até com o mesmo peso da amiga de quatro patas: 3 quilos.
Nas primeiras semanas de adaptação, esta mãe de primeira viagem pecou por excesso de neurose e deixou Cuca com a vovó materna, também fã de cachorros. Confesso que temia que latidos atrapalhassem as sonecas diurnas da Pietra e, por tabela, o meu próprio sono (vocês, mães, que já passaram noites em claro entendem que qualquer meia horinha a mais muda o ânimo).
Passada a fase inicial, nossa au-au retornou e, obviamente, notou que perdeu o posto de mimada. De birra, desaprendeu o lugar dos xixis. Nada que uma dose de paciência (e algumas broncas) não dessem conta. Hoje em dia, Pietra já ultrapassou em muito o peso e o comprimento da “irmã canina”. Estão sempre juntas, uma é sombra da outra. Não tenho dúvidas de que a pitoca começou a engatinhar supercedo imitando Cuca para lá e para cá no corredor, disparando acelerada atrás de uma bolinha jogada ou em busca de um brinquedinho sem dono. E não é só bichinho de pelúcia que uma gosta de roubar da outra: um dos hábitos recentes preferidos da Pietra é oferecer a própria comida para a esfomeada pet. Feliz dela que adora bolacha Maria.
Sei que muitos torcem o nariz para uma convivência tão próxima entre bebês e cachorros. Cada um tem seus motivos, e é preciso respeitá-los. De minha parte, porém, não consigo imaginar como teria sido esse primeiro ano de vida sem a parceria das duas. E, enquanto finalizo esse texto em casa, tarde da noite, espio uma das cenas que mais representam essa fofa relação: Pietra dorme no berço, enquanto Cuca (que antes ficava nos pés da cama de casal) agora zela pelo sono da bebê plantada na porta do quartinho. Tem como não amar muito tudo isso?

O fenômeno da Galinha Pintadinha

17 de abril de 2012 8

Todos os posts de Camila Saccomori

O caderno Meu Filho de ZH ontem publicou reportagem do colega Guilherme Mazui e uma coluna minha sobre o boom da Galinha Pintadinha. Quem tem filho pequeno conhece – e curte – os DVDs dessa mania nacional. Mas qual o segredo da Galinha? Leia e descubra mais sobre o fenômeno.


 

HIT INFANTIL
Essa galinha é um fenômeno
Por Guilherme Mazui
O desenho de uma galinha azul e seus amigos que cantam antigas músicas populares, como Marcha Soldado e Atirei o Pau no Gato, transformou-se em fenômeno infantil. Lançada na internet, a Galinha Pintadinha e sua turma monopolizam a atenção de legiões de crianças. São quase 500 milhões de acessos no YouTube, mais de 650 mil DVDs vendidos, musicais e 200 produtos licenciados, num sucesso tão estrondoso que deixa a pergunta: qual é o segredo para tanta empatia?
Nem os criadores da atração, os amigos Marcos Luporini, 41 anos, e Juliano Prado, 40 anos, sabem responder com precisão. Moradores de Campinas, no interior de São Paulo, os dois foram surpreendidos pelo boom da galinha, capaz de deixar bebês sem piscar em frente a TVs e computadores.
– É difícil explicar o que chama tanta atenção. Nós cuidamos bem da qualidade das músicas, divertidas, apostamos em um visual bonito e colorido, mas jamais esperávamos tanto sucesso – diz Luporini, que também credita parte da empatia ao fato de as músicas serem clássicos das cantigas infantis.
Doutora em Educação e professora da PUCRS, Maria Conceição Pillon Christofoli concorda com a ideia.
– São músicas cantadas em rodas há gerações, que já deram certo. Só ganharam uma nova roupagem e foram relembradas com a ajuda da internet – afirma.
Outro ponto indicado pela professora é a baixa produção cultural no país de musicais voltados para crianças de zero a quatro anos, público que costuma ficar mais fascinado com o personagem.
Parte da surpresa de Marcos e Juliano está nas dificuldades enfrentadas para produzir o DVD. O projeto criado na metade dos anos 2000 chegou a ser abandonado por falta de verba. Em 2006, por não poder participar de uma reunião em busca de investidores, eles colocaram o primeiro vídeo no YouTube. A negociação fracassou, e o desenho ficou na rede, chegando em poucos meses a 500 mil visualizações, logo superando a marca de 1 milhão.
Os números encorajaram a dupla a buscar parceiros e finalizar o primeiro DVD, lançado em 2008. O segundo saiu dois anos depois e o terceiro está programado para julho, com 14 músicas, sendo três inéditas e 11 regravações.

Assista ao clipe mais famoso da Galinha Pintadinha:


COLUNA NOSSOS FILHOS

Um ano de muito pó-pó-pó
Por Camila Saccomori, editora do TV Show, 33 anos, mãe da Pietra, um ano

Meu lanchinho, meu lanchinho/vou comer/pra ficar fortinho/e crescer” embala a hora da janta. “O sapo não lava o pé, mas que chulé” é o tema da hora do banho. Para dançar, basta dizer a frase “meu pintinho amarelinho cabe aqui na minha mão”, e a Pietra já começa a fazer a coreografia. A Galinha Pintadinha e suas músicas de letras fáceis e desenhos coloridos são uma constante lá em casa – e em milhares de casas brasileiras com crianças pequenas na família.

Conheci a bendita Galinha quando estava grávida. Por indicação de outras mães, tratei de adquirir os dois DVDs antes até do nascimento da pitoca. Como adoro cantar, assisti a ambos para refrescar a memória das cantigas da época da minha infância. Não deu outra: viciei à primeira vista. E antes que digam que isso é exagero de mulher, informo que o papai da nenê também ficou hipnotizado pelos clipes. Ou melhor, “popo-tizado”.

O “pó-pó-pó” (refrão do tema principal da Galinha Pintadinha) é tão envolvente que extrapola o limite da TV. A festinha de um aninho da moça foi decorada com a amiga galinácea e sua turma, como Mariana (a que conta um, dois, até 10) e a borboletinha (a que está na cozinha fazendo chocolate para a madrinha). Bichos de pelúcia que fazem alusão aos personagens também povoam nossa sala e fazem companhia nos passeios mais longos de carro. É uma febre.

Essa criatura azul cheia de pintinhas, perna amarelinha e crista vermelhinha não tem concorrência (ainda) na faixa em que a Pietra se encontra. Sei que daqui a alguns poucos meses ela já irá curtir outras opções a que assistimos juntas. No farto menu de DVDs infantis educativos, fazem sucesso nesta idade os clipes de Palavra Cantada, Patati-Patatá e, claro, Xuxa Só Para Baixinhos (minha primeira “babá eletrônica”, quem diria, resistiu a mais uma geração!).

Desenhos de canais por assinatura também chamam a atenção dos pitocos de até um ano: Dora, Kai-Lan e Peixonauta até conseguiram uns mínimos momentos de glória na nossa TV. Mas nada se compara à Galinha. Louvo a tentativa de explicar o fenômeno da pó-pó, mas cá entre nós, mães: assim como na nossa época (década de 1980) se dizia que música da Xuxa continha “mensagem subliminar” para hipnotizar as criancinhas, me surpreende que ainda não existam teorias da conspiração semelhantes falando mal da amada Pintadinha.


Quero ouvir "mamãe" (falta pouco!)

22 de março de 2012 3

Todos os posts de Camila Saccomori

Na segunda-feira, publiquei esta coluna (reproduzida abaixo) no caderno Meu Filho de Zero Hora. Havia escrito uns dias antes, afinal os cadernos são feitos com certa antecedência, e não na véspera. Pois justamente na véspera da publicação (no domingo), a minha Pietra aprendeu a sílaba MA. Rolaram alguns “ma-ma-ma-ma” lá em casa!

Ainda pensei: “que danadinha, vai ver ela adivinhou o tema do texto que vai sair no jornal!”

CONFIRAM!

Quero ouvir “mamãe”
Por Camila Saccomori
Editora do caderno TV Show, 33 anos, mãe da Pietra, 11 meses

As avós têm fama de falar pelos cotovelos. Os avôs são descendentes de italianos. E esta mãe que vos escreve não escolheu Comunicação Social à toa. Minha Pietra tem muito a quem puxar no quesito tagarela. Neste mês em que a pitoca completa um ano de vida, as primeiras palavras já foram pronunciadas.

A estreia foi com “papá”, para orgulho do papai que já ouve diariamente o quanto a nenê é a cara dele. A segunda foi “au-au”, para surpresa da Cuca, nossa mascote, que já atende quando é chamada de tal forma. E a terceira palavra, que eu esperava que fosse um “mamãe”, foi “esse”. É usada especialmente para reforçar o que o dedinho aponta (geralmente livros ou brinquedos da prateleira).

Amigas com filhos me consolam: “é sempre assim, a gente carrega por nove meses, engorda, fica toda despencada e eles puxam ao pai e dizem ‘papai’ antes de mamãe”. Brincadeiras à parte, essa deliciosa fase de aprendizado da fala motivou uma conversa com o fonoaudiólogo Márcio Pezzini França, especialista em linguagem e doutor em pediatria. Além das credenciais e de ser professor da UFRGS, tem (muita) experiência pessoal no assunto: é pai da Laura (12 anos), Antônia (seis anos) e Bento (oito meses). Tanto eu, que sou mãe de primeira viagem, quanto ele, que trabalha com o tema, curtimos essa incrível etapa que é acompanhar o “gugu-dadá” dos pitocos.

– Esta é uma fase preciosa, que define o uso do corpo e da linguagem como ferramenta de comunicação. Para tanto, necessita de cuidadores que estimulem a linguagem de forma adequada, nada muito complexo: conversar com o bebê, narrar o que está acontecendo, nomear objetos e pessoas, por exemplo. Fazer aquela festa quando a criança emite sons, repetindo-os e dando significado a eles, é muito importante – explica França.

O processo todo de aprendizado das crianças, dos sons simples até as frases completas com argumentação coerente, demora cerca de quatro a cinco anos. Ou seja, ainda teremos muito assunto aqui nesta coluna além das três palavrinhas que são faladas lá em casa. Enquanto isso, eu continuo controlando a expectativa de esperar o “mamã” ser pronunciado, é claro.

Passinho à frente, por favor

21 de fevereiro de 2012 1

Todos os posts de Camila SaccomoriCOLUNA PUBLICADA NO CADERNO MEU FILHO DE ZH DE 20 DE FEVEREIRO DE 2012.

Passinho à frente, por favor

Um fenômeno ocorre nos guarda-roupas lá de casa. Desde que a Pietra nasceu, há quase 11 meses, não compro nenhum sapato para mim. Em compensação, começaram a surgir todo tipo de chinelinhos, tênis, sandalinhas, papetes e botinhas. Multiplicam-se como Gremlins pelas gavetas. O problema é que sapatinhos de nenê são irresistíveis na mesma proporção em que são desnecessários. Enquanto os pitocos não caminham, aquele par mimoso irá atrair “ohs” e “ahs” em ocasiões sociais e, em seguida, será guardado com um suspiro de lamento na mala-das-roupas-que-não-servem-mais.

Tudo isso muda com a atual fase da Pi: já ensaia os primeiros passinhos com e sem apoio! Em casa, até por causa do calor, deixo as “bisnaguinhas” descalças. Mas na mochila que vai todo dia para a escolinha, os sapatos são enviados para evitar escorregões. Fácil notar, porém, que a bonita fica bem mais equilibrada sem nada nos pés. Mais fácil ainda observar nas lojas como há toda sorte de calçados infantis inadequados para essa importante etapa.

Para orientar sobre o tema, consultei o ortopedista infantil Marcos Fridman, professor e chefe do grupo de ortopedia infantil do Hospital da PUCRS. O especialista compartilhou dicas bacanas para as mães:

– Sempre que possível, a criança deve ficar descalça, utilizando sapatos apenas como proteção térmica e mecânica. E se o fator térmico é o problema (para andar em piso frio, por exemplo), o uso de meias com solado antiderrapante basta.

Na hora das compras, Fridman alerta para a questão do conforto. Quando eu era pequena, era popular as crianças usarem calçados ortopédicos (aquelas botinhas altas e duras, lembram?). Hoje em dia, após diversas pesquisas, esse conceito não existe mais – ainda bem!

– Procure por sapatos fisiológicos, que não interferem no desenvolvimento. Devem ser flexíveis, deixando o pé à vontade e com a totalidade dos movimentos – indica.

Aproveitando o momento revival da infância nos anos 1980, questionei o ortopedista sobre o finado andador, recurso comum para preservar um pouco da lombar dos adultos, que sofrem curvados dando as mãos aos bebês para ensinar a marcha. O brinquedo segue vetado.

– Além do risco de virar se houver obstáculos no chão, ele impede a aproximação dos objetos que estão ao redor do bebê. Esse toque é importante para a atividade cerebral.

É, mães, vale então investir a grana do andador e dos sapatinhos frufrus em massagens para dor nas costas. Nossos filhos agradecem!

Como você estimula seu bebê?

03 de fevereiro de 2012 5

Todos os posts de Camila Saccomori

O verbo é estimular
Camila Saccomori, 33 anos, mãe da Pietra, 10 meses
Coluna publicada em 23 de janeiro no caderno Meu Filho (Zero Hora)

Livrinhos de pano, de borracha, de fantoches e de papel. DVDs de músicas, de contos de fadas, filmes e desenhos animados. Peça de teatro infantil, sessões especiais de cinema e até uma noite de autógrafos. Esse é o currículo cultural da Pietra acumulado nos últimos 10 meses. Incluo ainda na bagagem da pitoca algumas visitas a eventos de beleza, moda e decoração em finais de tarde, reflexo de convites de trabalho que procuro volta e meia participar.

Parece agenda de adulto ler, ir ao teatro e ao cinema? Pois este mês, ao catar novos passeios para as férias de verão, me peguei justamente questionando esse tema. Desde que a baixinha nasceu, sempre tentamos inclui-la nas inúmeras opções de cultura e entretenimento que nos cercam, seja em casa ou fora. O que pretendemos com isso, sem muitas grandes pretensões além de diversão, é acostumá-la com programas que fazem parte da rotina familiar.

Agora que a Pietra começa a mostrar suas preferências (desde novas posições para dormir, curtição de novos sabores até escolher qual brinquedo da caixa pegar), fiquei curiosa para observar suas reações diante de tanta novidade. O quanto estará entendendo das coisas que lê, vê e ouve?

– Ao contrário do que já se pensou (os bebês já foram muito subestimados), as crianças pequenas têm um grande potencial de aprendizagem. Por isso, quanto mais estímulos, mais facilidade a criança terá em se adaptar ao ambiente e às diferentes situações que irão se apresentar ao longo do desenvolvimento – afirma a psicóloga Gabriela Seben, mestre em Psicologia Social pela PUCRS.

Gabriela reforça que a estimulação infantil, que vem da interação com os pais e o ambiente, é mesmo a base para o desenvolvimento futuro, mas salienta que isso não se resume a proporcionar atividades como aulas de línguas ou idas a exposições de arte:

– Importa muito a qualidade do cuidado e afeto transmitido pelos pais.

Oba, estamos no caminho certo! Mas durante a conversa com a psicóloga, me peguei pensando em como é fácil exagerar em relação aos estímulos infantis. Na ânsia de acertar e proporcionar o melhor aos nossos filhos, às vezes podemos pecar por excesso sem perceber. Eu mesma já notei que depois de um dia cheio, é difícil para a filhota conciliar o sono, então a solução é diminuir o ritmo nos dias seguintes.

– Cada criança se desenvolve no próprio ritmo, por isso não adianta mesmo forçar. Os pais devem avaliar o que consideram importante para o filho, evitando também uma possível situação geradora de estresse à criança quando envolvida em muitas atividades – conclui a psicóloga.

E você, o que curte fazer com seus filhos? Conte nos comentários!

O maior de todos os clichês

27 de dezembro de 2011 5

Na minha coluna publicada ontem no caderno Meu Filho, falo sobre o desenvolvimento dos bebês. O papo com a pediatra e professora universitária Lina Zardo foi tão bacana que aproveito para compartilhar com vocês o material que ela me enviou. Está logo abaixo do texto. Não esqueça de comentar depois!

26 de dezembro de 2011 | N° 16928
COLUNA NOSSOS FILHOS

O maior clichê | CAMILA SACCOMORI
Editora do site Donna, 33 anos, mãe da Pietra, nove meses

Tem conversa de elevador mais corriqueira do que a frase “o ano passou voando”, dita antes ou depois de um suspirinho? Se há uma unanimidade no mundo é essa: a rapidez do correr dos dias. Piscamos e dezembro acabou. Pois esse calendário acelerado é ainda mais tirano com mães de bebês. Parece que foi ontem que voltei da maternidade com aquele meio metro de gente aninhado no colo! A molenguinha enrolada nos cueiros, cujos únicos desejos eram dormir e mamar, hoje briga por menos tempo no berço e mais tempo no chão.

Às vésperas de completar nove meses, Pietra já passou por todas as etapas típicas de desenvolvimento do período. Comeu, rolou, sentou, engatinhou, aprendeu a dar tchau, bater palmas, estalar beijos. Já tem dentes (seis!) e agora fica em pé ensaiando os primeiros passos apoiada em móveis ou nos adultos. Tudo numa velocidade tão incrível que mal dá tempo de registrar e lá vem outra novidade!

Tanto ponto de exclamação reflete a surpresa desta mãe que agora deixa de lado a corujice para entender melhor o assunto conversando com uma especialista na área. A grande dúvida é essa: as crianças de hoje em dia estão mesmo se desenvolvendo mais rápido que as de antigamente?

– A geração atual é realmente mais precoce – atesta a pediatra e hebiatra Lina Aparecida Zardo, professora universitária aposentada, dona de extensa experiência acadêmica e prática. – Nos últimos anos, tenho observado em consultório mudanças principalmente na primeira infância, que vai do nascimento aos dois anos. Os bebês estão mais atentos nos primeiros meses e também nas etapas seguintes. Penso que em breve teremos novos estudos e novos parâmetros do desenvolvimento infantil.

Aos oito meses, etapa vivenciada lá em casa, há um amadurecimento especial do cérebro, explica a pediatra. A mielina, estrutura que protege os neurônios, atingiu seu ápice e é um momento importante no nível de compreensão do bebê. Talvez por isso eu fique embasbacada quando no meio de um papo com adultos solto um “não” no meio da frase, olho para baixo e lá está aquele serzinho balançando a cabeça de um lado para o outro.

– Tenho visto muitos bebês iniciando a linguagem compreendida, não falada, mais cedo. E, no segundo ano, tenho visto as duas linguagens iniciarem mais cedo. Têm ocorrido situações nas quais fico perplexa com a compreensão da criança e, se não presenciasse, não acreditaria – conta Lina.

É, mamães, aquele conselho clichezento recebido no chá-de-fralda é absurdamente verdadeiro: aproveitemos cada minuto porque o tempo passa em um clique. E a recém-nascida amassadinha vira bebê que anda e fala e vira criança indo para o colégio e vira mocinha e… Ops, me antecipo. Feliz 2012!

****


O DESENVOLVIMENTO DO BEBÊ MÊS A MÊS
Por Lina Aparecida Zardo

O primeiro ano de vida é uma etapa importantíssima na evolução do ser humano. O cérebro cresce muito: ao nascer o perímetro cefálico mede em média 34cm e aos 12 meses é de 46cm. O corpo também triplica seu peso no período. Em nenhum outro momento da vida haverá uma tão grande evolução. Todos os tecidos e órgãos evoluem, porém no cérebro a evolução é maior em qualidade e intensidade.
Resumidamente podemos observar:
Ao fim do 1º trimestre o bebê firma a cabeça, fixa o olhar, gorgeia, sorri, responde aos estímulos sorrindo, gorgeando, movimentando braços e pernas, mostra bem contentamento ou desagrado.
Ao fim do 2º trimestre (6 meses) o bebê pega objetos, leva-os à boca, levanta os ombros, vira-se no berço, sorri com mais atenção, mantém o tórax ereto, inicia a silabação, observa seu entorno.
Ao fim do 3º trimestre (9 meses) o bebê senta bem sozinho, pega e joga objetos ao seu redor, conhece bem seus familiares, inicia sílabas com significado, começa a engatinhar, põe-se de pé e agarra-se em móveis, segura o copo e a mamadeira, gosta de alimentos sólidos.
Importante: Aos 8 meses há um amadurecimento especial do cérebro porque a mielina que protege os neurônios atingiu seu ápice e é um momento importante no nível de compreensão do bebê.
Aos 12 meses o bebê gosta de ficar ereto, caminha com apoio, caminha só, diz duas ou três palavras com significado, compreende ordens simples, aprecia jogos de tirar e botar, aprecia as brincadeiras dos adultos, alegra-se com seus familiares.

Dra. Lina lembroaque a atual Caderneta de Saúde da Criança, editada em 2011 pelo Ministério da saúde, está de excelente qualidade. Contém quase tudo aquilo que os pais devem conhecer e fazer em busca da saúde plena de seus filhos. É usar, ler e praticar todos os ensinamentos ali contidos!


Seu filho não obedece?

13 de setembro de 2011 3

Mamães, depois de me estressar muitos dias por conta do meu Gabriel, de um ano e seis meses, fui atrás de alternativas, pois ele é teimoso e a palavra NÃO está sendo bem difícil.

Ele tem certeza de que tudo o que ele quer tem de acontecer. Por exemplo, todo dia tenho de fechar a porta da área de serviço porque senão ele vai lá chutar a água e até comer a comida da cachorra. Já fiz de tudo, vou lá, explico tudo a ele, inclusive, tentei deixar a porta aberta para fazer de conta que nada está acontecendo, mas ele vai da mesma forma.

Sábado fui na casa de uns amigos e uma delas me disse que ouviu uma vez o seguinte: a cabecinha da criança funciona de maneira que quando ouvimos, por exemplo, “não pense em um elefante cor de rosa” e a gente pensa na hora, a deles é igual quando ouvem um “não”, daí é que querem ir mexer.

Se a criança tem até sete anos de idade, especialistas garantem que é possível estimulá-la com mais facilidade a obedecer.

Ilustração Fraga

Como eu, muitas mães sentem dificuldade em fazer com que os filhos obedeçam. Com ajuda de especialistas em educação e psicologia infantil, selecionei algumas dicas que vão acabar com essa tormenta e permitir um desenvolvimento mais tranquilo e saudável para o seu filho – e menos cansaço para você.

1. Eduque sem culpa

Entender que existem regras faz parte de um importante processo de aprendizagem da criança. Por isso, os especialistas são unânimes em afirmar: nada de tentar compensar a ausência por meio da superproteção ou de permissividade. “Ao perceber que os pais se sentem culpados, a criança pode adotar comportamentos manipuladores”, alerta a psicanalista Patrícia Nakagawa.

2. Crie um bom vínculo afetivo

Demonstre carinho, converse e brinque. Assim, você cria uma maior cumplicidade com a criança. Segura de que tem a atenção dos pais, ela aprende que não precisa recorrer à desobediência para chamar a atenção. Dessa maneira, quando você precisar impor uma regra, a criança compreenderá mais facilmente que há momentos em que ela deve obedecer. “Para criar um bom vínculo com uma criança não é preciso dar presentes ou mimar demais, mas brincar com ela”, afirma a psicóloga Suzy Camacho, autora do livro “Guia Prático dos Pais”. Ao chegar do trabalho, dedique pelo menos 15 minutos para brincar.

3. Valorize o papel da criança

Seu filho precisa conhecer a importância dele na família. Para isso, é bom que ele tenha o seu lugar reservado na mesa de jantar e seja ouvido pelos pais.

4. Crie uma rotina

Utilize o bom senso e estabeleça uma rotina para o seu filho. Uma rotina bem adaptada ao ritmo da criança reduz a ansiedade, faz com que ela se lembre de algumas tarefas cotidianas, como escovar os dentes após as refeições, e tenha um sono de qualidade.

5. Dê ordens claras

Dialogue sempre, use linguagem adequada à faixa etária da criança e tom firme. Ao dar uma ordem, olhe nos seus olhos da criança. É preciso persistência, mas psicólogos garantem que funciona: “Diga o que ela deve fazer uma única vez. Aguarde alguns minutos e verifique se ela já fez o que você pediu. Se não, pegue-a pela mão e a acompanhe na execução. Repita até que ela se condicione a atendê-lo”, diz Suzy Camacho.

6. Esteja preparado para lidar com a desobediência

Ao desobedecer, a criança busca uma satisfação momentânea, nem sempre o seu objetivo é afrontar o adulto. Por isso, aja com calma e firmeza. “Não se pode dizer não aleatoriamente, mas é fundamental sustentá-lo quando for preciso, pois a criança tem de saber que ela não pode pular uma janela ou não deve agredir o coleguinha”, ressalta Isabel Kahn.

7. Diante da birra, fique firme

Quando a criança começar a fazer birra, mantenha a calma. Reforce que você não poderá atendê-la naquela hora e seja objetiva. “Se estiver em público, não se preocupe com os comentários ou olhares das pessoas. Também não faça discursos ou ameaças enquanto a criança estiver chorando. Apenas tente desviar a atenção dela para outra coisa, mas não ceda”, afirma Suzy Camacho.

8. Oriente a babá

Combine com quem cuida da criança sobre as diretrizes da educação do seu filho.”Esse diálogo é imprescindível para que não se estabeleça um relacionamento conflitante e a criança fique confusa”, explica a psicanalista Patrícia Nakagawa.

9. Educa-se o tempo todo

Lembre-se: educar é uma atividade contínua e você precisa dar o exemplo. “A educação é um processo que não ocorre apenas em situações de desobediência. A criança aprende muito por meio do que observa em seu cotidiano”, diz Patrícia Nakagawa. Por isso, seja verdadeiro.”Se enganamos ou mentimos uma vez, as crianças podem perder a confiança nos pais”, completa Adriana Tanasovici.

Ser pai é...

14 de agosto de 2011 0

Este poema foi enviado pela leitora Patricia Menezes. Gostei muito e gostaria de dividi-lo com vocês.


Ser pai é…

Ser pai é mais do que somente cumprir um papel dentro da família e da sociedade.

Ser pai é acima de tudo ser o amigo de todas as horas… é estar sempre próximo, acessível, buscando sempre estar presente na vida do filho.

Ser pai é uma missão divina, que coloca o ser humano próximo de seu criador, pois assim como o Ser Supremo que nos guia, o pai deve ser o farol dentro da vida de seus filhos, encaminhando-os no difícil trilhar dessa existência.

Ser pai é aceitar as responsabilidades que ultrapassem o limite de suas forças, mas mesmo arquejado pelo peso que o sufoca se ergue empedernido e supera, sempre lutando e alcança a vitória.

Ser pai é além de educar estar constantemente ao lado de seus filhos, abdicando muitas vezes de responsabilidades para desfrutar um jogo de bola, brincar de carrinhos, empinar pipas, andar de mãos dadas…

Ser pai é vencer o cansaço de um dia de trabalho e com o coração em festa sentar com o filho para ver um desenho animado, uma prosinha maneira, ouví-lo falar de seus aprendizados de vida, tal como eu ouvi meu filho dizendo a muitos anos atrás, como: “Pai, a “tia” nos ensinou hoje que primeiro deve estar sempre a obrigação depois a diversão”.

Ser pai é vivenciar os gatinhar de seu filho, recordar-se de suas primeiras palavras e muitas vezes gargalhar quanto a palavra dita lhe causa um sobressalto, como : “Pai vamos na putaria”, quanto o seu desejo era dizer : ” Pai vamos na portaria “… sorrisos.

Ah… O tempo passa os primeiros passinhos transformam-se em largas passadas e o garoto que um dia era um pirralho hoje lhe ultrapassa a altura.

Sim a missão é pesada e difícil, mas a recompensa virá no êxito do filho amado, no despertar e ver o homem que você criou.

(Ailton Carlos)

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