Eu e a Tici falamos hoje sobre como foram os partos do Bruno e da Antonela na coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria desta segunda-feira. A coluna é uma espécie de complemento da reportagem que a editoria de Saúde do jornal traz sobre os tipos de parto. A reportagem é do Correio Braziliense. Confira abaixo a matéria e, ao final dela, a coluna onde falamos um pouco sobre nossas experiências
A REPORTAGEM
GESTAÇÃO Inovações como o nascimento humanizado devem ser analisadas na hora de ter filhos
O melhor parto do mundo
Em casa ou no hospital, normal ou por cesárea, parir um filho deve ser um momento sem medos
Muitos livros de obstetrícia se referem ao trabalho de parto de maneira peculiar: o útero é chamado de motor; o bebê, de objeto, e a vagina, de trajeto. Como se o nascimento de uma criança fosse um acontecimento mecânico, seja ele parto normal ou cesariana. É com essa base acadêmica que muitos obstetras se formam e ingressam no mercado de trabalho. Não faltam estudos ou pesquisas que comprovem a necessidade de repensar o momento do parto nem empecilhos para uma mudança em prol da chamada humanização do nascimento. Mas, se muitas mulheres e profissionais já entenderam o recado, a grande maioria continua à mercê do sistema.
Cada vez mais mães seguem tendo seus filhos com as mãos atadas às macas dos hospitais, algumas vezes dopadas, com os rostos encobertos e com a luz ofuscante da sala de cirurgia. Enquanto o médico lhe corta a carne, puxa papo com o pai que espera o nascimento do filho. Quantas mulheres sentem a dor das contrações sem nenhum apoio emocional, instruídas a parirem deitadas e obrigadas a receber práticas médicas que há mais de 14 anos são desaconselhadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)? Da manobra de Cristelér (empurra com o antebraço a barriga da mãe no momento expulsivo do parto) às lavagens intestinais.
_ O modelo atual tem procedimentos que são anti-humanizantes. Por exemplo, chega a uma maternidade uma grávida normal, saudável, em trabalho de parto espontâneo. A primeira coisa que a equipe faz é levá-la na cadeira de rodas para uma sala longe da família. Colocam um soro nessa mulher, deitam-na numa cama e a proíbem de comer ou beber. São rotinas sem evidências científicas e que produzem um dano muito grande _ observa o ginecologista e obstetra Marcos Leite, presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento.
Segundo o especialista, se a gestante chega ao hospital dessa forma, recebe a mensagem de que está doente, inválida e dependente daqueles profissionais.
_ Isso tira da mulher a capacidade de conceber o filho em plenas condições. Tira seu papel de protagonista e, muitas vezes, impede que o parto ocorra de forma saudável _ acredita.
Ao pensar no que passam diariamente tantas mães, é preciso considerar também o percurso da criança e a forma como ela é recebida.
_ Na hora em que o bebê nasce, ele está completamente alerta. É uma página em branco. E o que acontece a partir daquele momento é o que vai ser impresso nele. Suas primeiras impressões do que é o mundo _ analisa a pesquisadora, médica sanitarista e epidemiologista Daphne Rattner, da International Motherbaby Childbirth Organization.
Segundo Daphne, esse primeiro momento surge como uma ruptura. Em vez de ir para o colo materno, de reconhecer a mãe, de mamar e ser acalentado, o recém nascido vai, mesmo que perfeitamente saudável, para as mãos de médicos e enfermeiros que farão uma série de intervenções. A busca pelo melhor parto do mundo, seja ele qual for, está apenas começando.
Planeje o nascimento
Toda gestante pode ter um plano de parto, que é uma lista de desejos por escrito. No caso de um parto sem complicações, é possível que a equipe médica siga o plano, que pode ser feito com o obstetra e deve ser levado no dia do parto com indicações tanto para um trabalho de parto normal quanto para uma cesariana. Veja o que deve constar no plano de parto:
O local onde você deseja parir: em casa, na casa de parto ou no hospital
Quem serão seus acompanhantes
Desejos como liberdade de caminhar, uso da água no trabalho de parto, liberdade para ingestão de alimentos e bebidas, aparelho de som ligado no momento do parto, luz baixa
Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica
Clampeamento do cordão umbilical apenas depois que ele parar de pulsar, com o corte feito pelo pai da criança
Bebê amamentado assim que possível
Rompimento espontâneo da bolsa d'água
Bebê colocado imediatamente no colo da mãe
Tirar fotografias ou filmar o parto
Alguns tipos de partos
Na humanização, a regra é a redução das intervenções, o fim da pressa, o respeito ao momento que pertence aos pais e à criança. E isso não se restringe ao parto normal. A cesariana também pode se tornar menos traumática, com tempo para curtir carinhos com o filho imediatamente após o nascimento. Eles trocarão olhares, e a mãe poderá oferecer o peito no momento ideal para a primeira mamada. É na hora do nascimento que o bebê tem o maior instinto de sucção. O cordão umbilical deve permanecer intacto até que pare de pulsar, dando tempo para que a respiração se inicie com suavidade. O vérnix (camada branca que cobre o bebê) não é tirado com esfregões, uma vez que tem o papel de proteção, de regulação da temperatura e de hidratação da pele.
Normal, mas com assistência
Em grande parte dos hospitais, a mulher em trabalho de parto passa por uma série de intervenções desnecessárias e, muitas vezes, prejudiciais. Em 1996, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um novo protocolo de recomendações de assistência ao parto normal. A proposta é um parto sem intervenções _ espontâneo, no qual o bebê nasce em posição cefálica de vértice, entre a 37ª e a 42ª semana de gestação, com mãe e filho em boas condições.
O parto pode ser em casa ou no hospital. Quem optar por ter o filho na intimidade do lar deve criar condições favoráveis, como evitar barulho, medo, luz forte, falta de privacidade e dor na hora do parto. As sensações negativas ativam o neocortex, que libera a produção de adrenalina, que inibe a produção de ocitocina e endorfina _ hormônios essenciais para um trabalho de parto tranquilo e saudável. Segundo estudos do obstetra e pesquisador francês Michel Odent, a ocitocina é o maior elo de ligação entre a mãe e o filho. O obstetra explica que, onde há a ruptura dessa ligação primordial, a criança poderá ficar suscetível ao uso de substâncias aditivas (drogas, álcool) ou mesmo a comportamentos compulsivos mais tarde na vida, numa tentativa de recompensa.
Cesárea sem traumas
A cesariana, que corresponde a 84% de todos os nascimentos realizados em hospitais privados no país, é fonte de polêmicas no Brasil e no mundo. De um lado está a mulher, que tem o direito de ter o filho da forma que achar mais conveniente, e o obstetra, que não vê problema em realizar cesáreas pré-agendadas. Do outro, estão os riscos que o parto cirúrgico oferece para a mãe e para o bebê.
Polêmicas à parte, a cesárea pode ser tratada também com as práticas de humanização. O neonatalogista Carlos Zaconeta descreve que isso já é feito, ainda que raramente: abaixa-se ao máximo o pano que encobre o rosto da mãe, para que ela possa ver o momento do nascimento do filho. Diminui-se a intensidade da luz. O obstetra tira o bebê da barriga sem pressa, membro por membro, estimulando o choro ainda durante a sua retirada para que ele consiga expelir o líquido dos pulmões naturalmente. A criança, se estiver saudável, vai diretamente para o colo da mãe, onde deve ser amamentada.
Na medida em que vai fazer uma cesárea, pode optar por uma forma minimamente invasiva. A intenção é traumatizar e suturar menos tecidos no momento do corte. No fim da cirurgia, você sutura só quatro camadas, em vez de sete. Os riscos de sangramento e de lesão de artérias e de nervos é menor, a mulher precisa de menos analgésicos e se recupera mais rápido _ explica o obstetra e ginecologista Thomas Gollop, professor da faculdade de Medicina de Jundiaí.
Mesmo com contornos humanizados, a cesárea não pode ser encarada como a melhor opção para o bebê _ salvo em casos especiais, de real indicação médica. Para o obstreta Marcos Leite, o melhor ainda é o parto normal, pois na cesariana há riscos para a mãe e para o bebê. Leite explica que a mãe sangra mais, pode ter um órgão perfurado, machucar o bebê, pegar uma infecção. Também pode diminuir a fertilidade da mulher.
Com ou sem dor?
Um estudo realizado em 1994, pelo pesquisador sueco Ulla Waldenstrõm, questionou diversas mães, dois meses depois do parto normal, sobre quais eram as suas impressões em relação à dor. Muitas encaravam a dor do parto sob uma perspectiva positiva, de realização _ bem diferente da dor relacionada a uma doença ou a um traumatismo.
A psicóloga Isabela Crema diz que seu parto, feito na banheira de sua casa,foi bem assim. O nascimento de seu filho aconteceu em uma madrugada, dentro de uma banheira inflável, com música ambiente e apenas as luzes do abajur.
Segundo Isabela, foi um trabalho de parto absolutamente calmo. Ela diz que é necessário desligar a mente para o parto fluir de uma forma natural. A psicológa conta que as contrações são muito fortes, mas não tem como associá-las à palavra dor
A COLUNA EM NOME DO FILHO
A Antonela nasceu de cesariana

Desde o começo da gestação a intenção era fazer uma cesárea. Com o tempo passando fui pendendo para o parto normal. Porém, acabei sem escolha. A gestação foi se complicando. A pequena estava com pressa de vir ao mundo. Desde o sétimo mês, a Antonela ameaçava nascer. Na 35ª semana de gestação, contrações, dores abdominais e nas costas anteciparam o parto em um mês.
Após uma alteração nos batimentos da pequena, a sentença da médica:
_ É hoje. A Antonela quer nascer. Em uma hora vamos fazer uma cesariana.
Milhares de pensamentos passam pela cabeça. Bate uma insegurança e um temor pela saúde do bebê. O pai, que participou de todos os momentos da gestação, foi impedido pelo hospital de acompanhar o nascimento. Mesmo sem ele, graças ao apoio de uma grande amiga médica, da obstetra e sua equipe, fiquei extremamente tranquila durante todo o procedimento que durou em torno de 30 minutos. A melhor coisa que fiz na vida veio ao mundo às 10h46min de 3 de fevereiro de 2010. Como não tive escolha em relação ao parto, não sei avaliar qual é a melhor opção. Normal e cesárea têm fatores negativos e positivos. A recuperação da cesárea varia de mulher para mulher, particulamente, achei bastante dolorido. (Ticiana Fontana)
Nem sempre é como a mãe planeja

Como já sofri de crises causadas por cálculo renal, posso dizer que tenho uma ideia do quanto dói o parto normal. Afinal, os médicos dizem que a dor de uma pedra incomodando o rim é muito parecida com a do parto normal. Então, pensei eu, é esse que eu quero fazer. É bem dolorido, mas vale a pena porque não é uma doença, e, sim, um filho que virá ao mundo. As vantagens de um parto normal me parecem muito maiores do que a cesariana. E tenho os dois pés atrás com essa tendência generalizada de fazer partos com data marcada, uma opção que parece melhor mesmo para os obstetras.
Só que os planos das mamães nem sempre dão certo. O "porém", no meu caso, chamava-se hipertensão arterial. Não tive pressão alta, mas as medições sempre ameaçavam ultrapassar o índice considerado normal. Passei os últimos três meses da gravidez medindo a pressão três dias por semana. E, nas últimas semanas, tive outra complicação que foi a pequena quantidade de água na placenta. Resultado: após cinco dias no hospital para que tudo ficasse sob controle, o Bruno nasceu com 36 semanas, na manhã de 31 de maio de 2005, de uma mãe com a pressão absolutamente normal na hora do parto. Tive muita dor causada pela cirurgia, e isso continuou por mais de um mês, o que só reforça a minha defesa pelo parto normal nos casos em que não há nenhum "porém". (Fabiana Sparremberger)
EM TEMPO: estarei em férias até o dia 10 de janeiro (e o estava também do dia 13 de dezembro até antes do Natal). A correria é tanta que corro o risco de esquecer de avisar novamente.
Um ótimo fim de ano a todas e todos (e principalmente aos seus tesouros) e nos vemos novamente em 2011. Que o próximo ano seja cheio de saúde, paz e amor, principalmente a nossos pequenos.
Um grande abraço e até mais,
Fabi
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