Atenção, pais de adolescentes e também de crianças que, logo ali, chegam lá. Recebi uma pesquisa feita pelo professor de Educação Física Felipe Vogt Cureau, e orientada pelo professor doutor Felipe Fossati Reichert, cujos dados são assustadores. Em sua dissertação de mestrado, o professor realizou o trabalho com o objetivo de avaliar a presença, entre adolescentes, de sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, tabagismo, consumo excessivo de álcool, excesso de peso e pressão arterial elevada.
Foram entrevistados 1.142 adolescentes, entre 14 e 19 anos, de 20 escolas de Ensino Médio de Santa Maria, entre abril e agosto do ano passado. Entre os resultados mais importantes:

53,5% dos adolescentes são sedentários
85,8% têm hábitos alimentares inadequados (ou pelo consumo excessivo de gordura ou pela baixa ingestão de fibras)
8,6% dizem ter fumado cigarro no último mês
22,3% afirmam ter consumido álcool em excesso
23,9% apresentam excesso de peso (expresso por um IMC acima do recomendado)
31,3% têm pressão arterial elevada para sua idade
Outro ponto que preocupa - e muito - é que 97,3% dos adolescentes entrevistados apresentaram pelo menos um dos fatores de risco pesquisados. E, nesse estudo, 75,6% dos alunos apresentaram dois ou mais fatores de risco simultâneos.
E como nós, pais de crianças, podemos evitar que essas estatísticas sejam evidenciadas também pelos nossos filhos? E os pais de adolescentes que já apresentam essa realidade, devem fazer o quê?
E mais uma vez aparece a necessidade dos pais serem o exemplo. Eles precisam ter um estilo de vida saudável, e os filhos tendem a imitar esse comportamento.
- Filhos de pais que praticam alguma atividade física são mais ativos que filhos de pais sedentários - avisa o professor.
Os pais das crianças precisam, segundo Felipe, atuar de forma preventiva, conversando sobre a importância de um estilo de vida adequado e incentivando a adoção de hábitos saudáveis desde cedo.
Aos pais de adolescentes, o convite é que incentivem os filhos, que vivem grudados no computador, no videogame e na TV, a praticar atividades físicas prazerosas, sem exagerar na cobrança. E pais de adolescentes sabem bem disso: se não for legal para eles, não vai rolar. (Fabiana Sparremberger)
(Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria desta segunda-feira)
DETALHANDO OS DADOS
Na pesquisa, 11,5% dos adolescentes entrevistados apresentaram quatro ou mais fatores de risco. Por exemplo, 22,4% dos adolescentes pesquisados mostraram-se, ao mesmo tempo, sedentários e com hábitos alimentares inadequados.
A pesquisa ainda identificou à existência de subgrupos de adolescentes expostos a presença de dois ou mais fatores de risco simultâneos. Nesse sentido, destacam-se os adolescentes de mais idade e menor condição econômica.
Os adolescentes de ensino médio da cidade de Santa Maria devem ser incentivados, de diversas formas, a adotar um estilo de vida mais saudável. Ao mesmo tempo, sabe-se que a mudança de hábitos não é algo fácil, principalmente se não houver apoio da família, da escola e da sociedade. Porém, os benefícios de um estilo de vida saudável, desde a juventude, são bem maiores que essas dificuldades.
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