As fórmulas do adormecer
Texto publicado no caderno Meu Filho em 13 de agosto de 2012.
Camila, editora do TV Show, 34 anos, mãe da Pietra, um ano e quatro meses
Como um bebê deve pegar no sono? Embalar no colo como vemos nos filmes? Dar uma volta de carro na quadra ou de carrinho em casa? Deixar sozinho no berço chorando até cansar? Entoar Nana Nenê e Boi da Cara Preta? Perdida, nunca me esqueço de três referências que li sobre o tema quando ainda estava grávida e, portanto, cheia de dúvidas e expectativas sobre como seria colocar um bebê a dormir. Cada uma apregoava métodos bem diferentes.
O famoso A Vida do Bebê (do médico Rinaldo de Lamare, que muito orientou gerações anteriores) é o mais light. Sugere que, se a situação for tensa, a criança durma no meio dos pais. Em casos menos complexos, recomenda os “hábitos dos avós”, tais como ninar ou embalar.
– Balançar suavemente em uma cadeira de balanço com o bebê ao colo e assistindo à TV altas horas da noite torna o sacrifício da mãe mais suportável, e o pai poderá também colaborar – diz a obra no capítulo sobre o segundo mês de vida do bebê.
Já a série de guias A Encantadora de Bebês é mais rigorosa. A autora, Tracy Hogg, propõe o método E.A.S.Y., no qual o “s” refere-se a dormir (sleep). Radical, afirma, por exemplo, que um bebê deve dormir a noite toda nas primeiras oito semanas de vida (se isso não ocorre, o problema é a amamentação diurna). A expert rejeita estímulos: a recomendação é deixar o bebê de pé no colo do adulto, no ombro, e dar tapinhas leves nas costas ou no bumbum. Se a criança chorar, fazer apenas “shhhhh” (barulho de torneira aberta). Não se deve colocar jamais o bebê dormindo no berço, e sim deixá-lo pegar no sono sozinho.
No meio-termo está o site Baby Center. A criação de um ritual é o mais indicado: cada família deve fazer o bebê se adequar ao ritmo da casa. Tomar banho, escovar os dentes e contar histórias pode ser uma opção, por exemplo. Outras sequências são sugeridas. Os consultores do site indicam uma tabela de horas de sono, mas orientam as mães a acordar os bebês ao passar de 10 horas contínuas. Isso serviria para “zerar o relógio biológico”.
Todas as dicas são válidas: não questiono a eficiência de nenhuma. Mas o que as fontes acima não mencionam (e que para mim é o mais importante) é a emoção desse momento único. Para mim, colocar um bebê a dormir é um dos eventos diários mais ternos da maternidade. Tudo conspira para um clima gostoso. É noite, o quarto está escuro: estamos sentadas em uma confortável poltrona. Minha filha está de pijama, tomou o mamá quentinho e ouvimos um CD relaxante. O celular e a TV estão desligados. O cheirinho de banho recém tomado é envolvente.
Sem embalo, um abraço no colinho é suficiente. Observo os olhinhos dela fechando aos poucos, a respiração acalmando. Ajudo o sono a chegar de mansinho para a pitoca. Um dia converso baixinho sobre tudo o que fizemos de bacana nas horas anteriores. No dia seguinte, conto como ela nasceu ou outras recordações. Em outra ocasião, invento histórias que poderiam estar em livros infantis, embora nunca as lembre depois. Há noites, porém, em que o bom mesmo é apenas ficarmos quietinhas ouvindo o barulho da chuva na janela.
Por isso, quando vejo em algum lugar referências a “ensine seu bebê a dormir sozinho”, penso: “Ok, obrigada, mas por enquanto estamos bem assim”.
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