A Cátia é daquelas mães que sonham em ser mães muito antes de engravidar. Leitora do blog das mais tri, ela é muito grata ao seu filhote Guilherme ter vindo ao mundo, há exatamente dois anos.
Ontem ela nos mandou um texto muito, mas muito emocionado mesmo, falando diretamente ao seu bebê. Reproduzo aqui.
Boa leitura
Para Guilherme
Por Catia Guindani da Silva
Há exatamente dois anos era uma segunda-feira de carnaval. Relógio tocou às 6h30min e papai levantou-se para trabalhar. Mamãe já estava no sofá desde as 4h curtindo o corujão, pois você já tinha acordado e teimava em trancar o pé na minha costela. Depois que papai saiu, voltamos para a cama. Resolvi que não faria nada nesse dia. Apenas nos curtiríamos. Conversei bastante com você, afinal já não aguentava mais de vontade de te conhecer. Pedi para que você viesse logo ao meu encontro. Mas acho que você dormiu, ficou bem quietinho do lado direito, todo encolhidinho...
Se eu fechar meus olhos ainda posso sentir o carocinho que vc formava em minha barriga. Chovia. A internet não me oferecia mais nenhuma novidade... 40 semanas já estavam completas. Mas cadê vc??? Nada, dormindo....
Por volta das 16h, fiz uma pergunta no site do e-familynet, se mais alguém já estava de 40 semanas, esperando o parto normal e o bebê não se movia... Em pleno carnaval, as respostas não vieram. Resolvi descer e tomar um banho e colocar outro pijama...
Voltei do banho, olhei suas coisas caprichosamente arrumadas e vc continuava dormindo, pensei em comer algo, mas a preguiça não deixou. Por volta de 18h da tarde, papai chegou. Desci as escadas para abrir a porta pra ele e quando cheguei na porta, senti que umedeci minha roupa... Na hora pensei “PQP... só falta eu começar a me mijar agora”...
Papai já ficou todo ouriçado, eu o tranquilizei, pois não sentia absolutamente nada... Deve ser o peso da barriga, argumentei. Tomei outro banho, troquei de roupa e subi para o quarto.
Ele caminhava de um lado para outro, juntando coisas que “supostamente” levaríamos ao hospital... Disse a ele, “calma, não sinto nada... Deve ser escape de urina” e me sentei na cama.
Quando sentei, roupa molhada de novo... Ai que saco. Esse foi meu pensamento. Vai pro chuveiro de novo. Quando sai do chuveiro, ele já ligava para Dra. Kenya. Papai foi mais sensível do que eu, pois já estava prevendo o que estava acontecendo... Ele me passou o telefone enquanto eu ouvia ela dizer que deveríamos ir até o hospital em que ela fazia plantão, pois ela achava prudente me ver... Desci as escadas e dou de cara com teu pai e o nariz enfiado na garrafa de água sanitária, afinal ele sabia que o líquido tinha cheiro de água sanitária... Só teu pai mesmo...
Liguei pra vovó e disse que estávamos indo passear no hospital, pois a mamãe ainda não acreditava que estava na hora... Deveria ser perto das 7h30min da noite...
Chegamos ao hospital e a Dra. Kenya nos examinou e disse “bolsa rota”...
Que legal... agora virão as dores??? Não as dores não vieram... Conversamos, ponderamos as opções e perguntei a ela... Se fosse vc, Kenya?? O que faria???
Ela foi sincera e me disse que não queria me judiar a noite inteira e ter de fazer a cesárea na manhã seguinte, pois a dilatação era zero...
Então tá... fazer o que, vc não quis vir de parto normal... Você é quem manda... Ligamos pra vovó, passamos em casa para pegar tuas coisinhas e fomos rumo ao hospital Divina Providência, o qual mamãe e papai haviam escolhido a dedo...
Lembro da dinda entrando no carro histérica dizendo que não poderia amassar a almofadinha bordada que seria pendurada na sua porta. Por mais difícil que pareça acreditar, eu era um poço de tranquilidade entre pessoas a beira de um ataque de nervos. Tua chegada estava marcada para as 10h da noite. Hospital totalmente parado, quando entrei na porta, veio o guarda com uma cadeira de rodas... Lhe respondi que não precisava, eu iria andando, quem sabe ainda dava tempo de dilatar...
Chegamos ao 4º andar, vovó, dinda, eu e vc, pois papai ficou preenchendo os papeis da baixa. Preenchemos mais alguns e me lembrei da maquina fotográfica, pedi a enfermeira que fosse avisar a família do lado de fora... teu pai volta correndo pro carro pegar...
Será que só eu estou calma?? Parece que sim... A equipe já me esperava. Me colocaram na salinha de preparo, me deram a camisola “bonitinha”, uma sonda e o soro... veio a anestesista conversar comigo e me explicar como seria tudo. Nesse momento entra teu pai esbaforido na sala e de roupa trocada... Acho que ele estava muito nervoso... 9:45 da noite chegam a Dra. Kenya e o Dr. Marcelo... Agora não tínhamos mais como fugir... O maior Show da minha vida iria começar.
Pontualmente as 10 da noite nos levaram para a sala de parto. Conversei com vc, pois havia aprendido no curso de gestante, que no caso de uma cesárea é bom conversar com a criança a fim de que ela esteja acordada na hora do parto, para o susto ser menor, se é que isto é possível.
Na sala de parto, lembro de os médicos falando da loucura que deveria estar na praia, enquanto ali naquele hospital era um marasmo. A enfermeira chegou a dizer a mim, que bom que vc veio, pois sem pacientes a noite se torna muito longa...
De repente a Kenya diz apenas... “mas olha aqui”. Imediatamente levantei a cabeça e tentei olhar também... Mas fui impedida pela anestesista. Vi ela dizer ao Marcelo que havia duas voltas na cervical... E eu sabia o que isso significava... Significava que teu anjinho da guarda não havia deixado vc nascer de parto normal... Acho que era a mão dele que segurava minha dilatação com todas as forças...
Kenya pediu para a anestesista te empurrar, pois vc havia subido, senti tudo se amontoar na altura de meu peito... Mas continuava calma...
Então te desenrolaram e exatamente as 10:18 vc nascia... mas junto com vc nascia nossa família. A realização maior do nosso sonho... Uma coisa que teu pai e eu desejamos com todas as nossas forças e corremos atrás exaustivamente por dois anos... planejamos, sonhamos e naquele exato momento estava se realizando...
Não ouvi teu choro, mas teu pai continuava a fotografar e apesar da mascara, podia ver que ele estava sorrindo... Me assustei quando vi o Marcelo passar contigo nos braços, empurrei teu pai e disse: “vai atrás”. Mas não foi preciso. Quando chegaram a porta, Marcelo conseguiu te desengasgar e já te trouxe de volta para mim, eu ouvi teu choro...
Eu quase não conseguia te ver, tamanha quantidade de lágrimas que havia em meus olhos... Te segurei bem forte e vc parou de chorar. A anestesista pediu pro papai tirar a mascara, mas ninguém olhou para a foto que ela tentou tirar com a maior boa vontade... Estávamos vidrados admirando nosso bem mais precioso....
Logo papai te levou para tomar banho e vestir a roupa verde que eu escolhi, passei e dobrei com todo o carinho, por diversas vezes...
Eu fui para a sala de espera, e assim fiquei te esperando, enquanto te arrumavam e as vovós e a dinda te conheciam pela janelinha. Papai veio tirar uma foto da mamãe para mostrar a vovó que eu estava bem... E eu já não aguentava mais de saudades...
Vc veio e a enfermeira me disse que iriamos tentar que vc mamasse... Nem precisou tentar, pegou de primeira e já foi sugando tudo. Se acomodou e dormiu.
As 3:30 da manhã subíamos para o quarto. E ninguém quis dormir, todos ficavam olhando o quanto vc era lindo. A vovó queria te pegar no colo, mas eu não queria soltar. Nascia ali a mãe mais egoísta do mundo... Afinal eu queria vc todinho pra mim. E como vc era lindo.
Neste dia comecei a ver um mundo diferente. A dar importância as coisas que realmente importam e a amar uma criatura de um jeito que eu nunca imaginei que pudesse existir. E descobri que ter um filho é tentar dirigir uma locomotiva que tem outro maquinista todos os dias... Existem dias muito bons, existem dias não tão bons, mas um sentimento reina em meus dias desde o dia 15 de fevereiro de 2010. AMOR INCONDICIONAL.
Eu podia continuar aqui escrevendo o dia todo... ou quem sabe por vários dias, pois vc tem muitas histórias para a mamãe contar.... o primeiro sorriso, o primeiro dente, o primeiro tombo, a cirurgia, o primeiro aniversário....
Mas no momento sou obrigada a parar para enxugar as lágrimas que teimam em não me deixar escrever, exatamente igual ao momento que te colocaram em cima de mim pela primeira vez.
E antes de terminar o post de hoje, quero agradecer a DEUS por ter te posto na minha vida e ter dado SENTIDO aos meus dias, que há exatamente dois anos, passaram a ser TEUS.
TE AMO MEU FILHO GUILHERME.



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