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Posts com a tag "Apressadinhos"

Desafio com os apressadinhos

08 de setembro de 2011 7

Porthus Junior

Os quilos perdem a importância, o que importa agora é o aumento diário dos gramas. Os imprevistos reforçam o medo dos pais, a esperança vai e vem, a tristeza mistura-se com a alegria. Quem tem filhos prematuros conhece bem o drama de deixar os pequenos em um incubadora rodeada de aparelhos. O bebê costuma ter alta do hospital somente após atingir os dois quilos. Confira abaixo exemplos de famílias que superaram essa luta:

Uma luta diária

Foto reprodução (E) e Porthus Junior (D)

Valentina nem parece aquele bebê que nasceu com apenas 590 gramas. Hoje, aos dois anos, a menina está com nove quilos. Segundo a mãe Fabiana Maria Restelatto Tadiello, é uma maravilha conviver com ela, pois está sempre de bom humor.

_ Ela continua a nossa ratinha. Somos cautelosos com o inverno, mas a vida é normal. Ela foi estimulada e não possui atrasos motores e cogntivos. Emocionalmente, nos surpreendemos com sua segurança e capacidade afetiva _ diz.

_ Todos os dias encarávamos como a luta do dia. Escrevia uma prece antes de sair de casa e cedinho esgotava a mama, depois passava o dia olhando para a minha filha, rezando e me fortalecendo. Ao seu lado eu ficava mais forte, não fraquejava, tinha bons pensamentos. Como poderia não pensar bem de quem estava lutando tanto para viver? _ explica.

O coração da mãe de primeira viagem disparou, de entusiasmo e insegurança, quando lhe deram permissão para pegar a filha ao colo pela primeira vez. Valentina tinha, então, um mês de vida.

_ A informação que eu tinha é que só poderia pegá-la quando atingisse um quilo. Porém, ao passar dos setecentos gramas, o médico deixou a Valentina ganhar seu primeiro colinho. Instantaneamente, ela se aninhou no meu peito e ficou bem calma. No colo eu tinha mais noção de como ela era miúda, pois a minha mão acolhia aquele corpinho quente_ conta.

_ Eu não tinha o direito de duvidar de que ela conseguiria _completa.

‘Estarmos vivos hoje é um milagre’

Foto reprodução (E) e Daniela Xu (D)

Já com a dona de casa Bárbara Frubel Schaurich, 35 anos, além de se preocupar com o pequeno Emanuel, também precisou de ajuda, pois  passou por maus momentos ao ganhar o menino. O histórico de hipertensão da mãe fizeram com que o menino nascesse aos cinco meses e 20 dias de gestação pesando apenas 880 gramas.

Bárbara lembra que só conseguiu ver o filho após sete dias. Pegou-o no colo somente com um mês de vida, pois passou muito mal após o parto. Em função de convulsões, a mãe acabou indo para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

_ Estarmos vivos hoje é um milagre _ desabafa.

A mãe completa que o pulmão de Emanuel precisou ser amadurecido com uma injeção de corticóide, pois é o último órgão a se desenvolver.

_Também tive depressão pós-parto durante oito meses. Após um ano e seis meses do nascimento, ainda faço terapia _ conta.

45 dias UTI até chegar aos dois quilos

15 de outubro de 2010 1

“A apressadinha Giordana Andreazza de Oliveira nasceu com 31 semanas de gestação e 1,195 kg. Os primeiros momentos foram bem difíceis para a família. Vê-la tão pequena e frágil, com a respiração rápida e vários tubos e caninhos ao seu redor dentro da incubadora deixou a todos apreensivos e preocupados.

Cada dia era uma vitória. O aumento de peso e a superação dos problemas respiratórios eram comemorados por todos.

Após 45 dias de muita dedicação dos pais, Márcia Andreazza e Alex de Oliveira, e da equipe da UTI Neonatal do Hospital Ernesto Dornelles, ela foi para casa ao atingir 2 kg. No dia 10 de outubro, a Giordana completou seu primeiro aninho de vida, bastante festejado pela família e por ela que é uma criança saudável, alegre e esperta. E como diz a vovô Jussara, um “anjo bento” para todos nós!”

Dinda Danessa Schardong Boligon

Dois lados da vida na CTI neonatal

14 de outubro de 2010 2

“Meu nome é Ednara e adorei a nova sessão Apressadinhos. Trabalho na CTI neonatal do HCAA e, no ano passado, com 27 semanas de gestação, meu filho Bruno, nasceu com 1,075kg e apenas 36cm de comprimento.

Foi um tremendo susto. Como todas as mães e pais, fiquei apavorada. Posso dizer que, pra mim, a sensação de desespero foi um pouco maior, pois trabalhando há quatro anos na CTI sei de todas as complicações que um prematuro extremo pode ter. Foram dois meses de muitos sustos e também de muitas vitórias. A cada dia que passava uma novidade.

Nunca me imaginei do outro lado, agora sei o quanto as mãmães e papais sofrem todos os dias até o momento tão esperado da alta.

Hoje meu filho já está com 1 ano e 4 meses, já balbucia algumas palavras e começou a caminhar sozinho. Com a graça de Deus e os cuidados de toda a equipe médica e das minhas queridas colegas ele está lindo e saudável, sem nenhuma sequela. Tive muita sorte, pois nem sempre um prematuro na idade gestacional que meu filho nasceu consegue tamanha vitória.

Bom esse é o resumo da minha história, digo que é um ponto de vista diferente por eu trabalhar naquele setor e vivenciar na pele o sofrimento que é ter um filho prematuro. “

Ednara, mãe do Bruno

Princesinha de Montenegro

13 de outubro de 2010 3

“No dia 26 de abril de 2010, com 32 semanas de gestação, às 17h27min, nasceu a Isabela, pesando 1,695 kg, medindo 40 centímetros.

O nascimento da minha filha foi um momento indescritível. Quando fecho os olhos, vejo aquele pequeno ser que foi colocado junto a mim por alguns segundos para receber um beijo antes de seguir para a CTI neonatal.

Aquela noite foi muito longa, praticamente não dormi, estava muito ansiosa para ficar perto da minha menina. No dia seguinte, mesmo com sonda e soro, segui para a CTI, precisava ver a Isabela. Eu ainda não tinha noção do tamanho e da fragilidade quando a vi naquele leito aquecido, com todos aqueles equipamentos da CTI: soro, sonda e respirador artificial. Fiquei em pânico.

Uma mistura de sentimentos surgiu naquele instante, uma sensação de impotência tomou conta de mim e o choro foi incontrolável. É muito triste você não poder pegar o seu bebê no colo, beijar, enfim, fazer tudo o que você esperou durante toda a gestação. Quando saí do hospital, três dias depois do nascimento, um novo drama, ir embora e deixá-la, entrar em casa e ver seu berço, suas roupinhas e saber que não havia previsão de alta.

A Isabela ficou internada durante 29 dias. Nesse período, eu ficava várias horas por dia ao seu lado, sentada em uma cadeira, observando suas reações e o monitor de sinais. Meu marido ficava no hospital nos momentos em que não estava trabalhando. Durante essas horas era hora de rezar e conversar com a “Belinha”, pedindo para que ela continuasse progredindo e que fosse logo para casa.

Todos os dias comemorávamos o seu aumento de peso. Mas a tensão de permanecer longo período no hospital era muito grande, mesmo quando saía do hospital, tinha impressão de escutar o som dos monitores da CTI. Cada dia era uma etapa vencida e cada progresso uma vitória que nos fazia ganhar forças para suportar. No dia 24 de maio, tivemos a felicidade de, enfim, levar nossa guerreira para casa, ela pesava então 2,290 kg  e já não fazia apneias.

Desde aquele dia, a vida passou a fazer mais sentido, e nossa felicidade ficou completa, pois temos nossa princesinha conosco. Hoje, ela está com pouco mais de cinco meses e quase 7 kg. É muito sorridente, esperta, se desenvolve normalmente e nem parece aquele bebê que nasceu prematuramente. Somos muitos felizes e temos certeza de que a saúde e o desenvolvimento de nossa filha é um estímulo aos pais que passam pela delicada situação de ter um filho prematuro. Esses bebês são muito corajosos e  nos dão uma belíssima lição de vida!”

Cristina Morari, mãe de Isabela Morari Fagundes

O desafio de ficar em casa

11 de outubro de 2010 0

Até os 43 dias de vida, Joana não sabia o que era a luz do sol, não teve contato com tios, primos ou avós. Depois que deixou a UTI neonatal, com 47 centímetros e dois quilos e meio, passou a ser, de fato, o bebê recém-nascido da família Oliboni, de Farroupilha.

Por conta da atenção exigida, a mãe, Cláudia, decidiu dedicar-se integralmente aos cuidados da filha. Terminou a licença maternidade de quatro meses, tirou férias e pediu demissão.

_ Cheguei em casa pela primeira vez e percebi que não tinha mais as enfermeiras. Fiquei sem saber o que fazer. Depois, aos poucos, fui me adaptando à rotina e decidi me dedicar a ela. Afinal, demoramos muito para tê-la em casa _ explica Cláudia.

A trajetória de mãe e filha e os percalços de uma família que recebe a visita antecipada de um bebê foram os temas que conduziram a série Apressadinhos. Veja abaixo o vídeo da menina em casa, aos quatro meses de vida.

Depois de perder um prematuro, veio a Mikaela

10 de outubro de 2010 4

“Eu e meu marido, Miguel, tivemos em 27 de março de 2009, o Mikael (foto acima), que nasceu com 24 semanas de gestação (por causa de uma pré-eclâmpsia grave). Ele tinha 660 gramas, 30,5 cm e viveu apenas oito. Meu filho faleceu devido a um pneumotórax que evoluiu para falência multipla dos órgãos.

Foi muito difícil, tantos sonhos e planos que se acabaram naquele momento.

Ficamos muito tristes. Dentro de mim, decidi que assim que possível, sanaria a minha vontade de ser mãe.
Quatro meses e meio depois, engravidei novamente de uma menina e a gestação foi bem tensa. Com quatro meses descobrimos numa ecografia que ela estava com baixo peso e eu tive de fazer repouso absoluto e tomar injeções diárias de heparina, além de todo o tratamento de prevenção que eu já fazia com a obstetra especialista em gestação de alto risco.

Com seis meses, comecei com os sinais de uma nova pré eclampsia e fui internada. Depois de 16 dias o líquido amniótico diminuiu e tiveram que fazer a cesárea no dia 2 de março de 2010.

A Mikaela nasceu com 1.305 gramas e 39 centímetros. Fiquei muito feliz de vê-la chorar e logo foi levada a UTI neonatal. Colocou o cpap, a sonda gástrica na boca, o soro no bracinho, o oxímetro no pezinho e toda a parafernália da UTI.

Lutou muito pela vida e nós, pais, ficávamos 20 horas por dia ao lado dela, valorizamos cada colinho e afago. Foi muito difícil ver nosso anjinho ali, naquela caixa de vidro. Depois de 38 dias de muita luta, ela veio para casa conosco, saudável e sem sequelas.

A verdade é que depois de todo o nosso sofrimento com a perda do Mikael, Deus nos deu a dádiva de ter a nossa Mikaela (foto abaixo)!

Hoje ela está com sete meses e pesa 6.330 gramas e mede 64 cm, o que já está na curva normal de crescimento infantil. Estamos muito felizes e realizados e nossa filha é a nossa razão de viver.”

Liliane, mãe da Mikaela

Enfim, chegou o dia de ir para casa

07 de outubro de 2010 4

(foto: Fernando Gomes, ZH)

Anelise Zanoni

As horas pareciam se arrastar na UTI neonatal. A sequência de mamadas, banho e consultas médicas deixavam Cláudia Oliboni muitas vezes cansada, pensativa. Mãe prematura, ela ouvia com frequência que, em breve, deixaria o hospital com a filha nos braços. Só que o dia parecia não chegar.

Em meio à rotina de Joana, a menina entrou para o calendário de vacinas dos recém-nascidos. Cada vez que o procedimento era iniciado em algum bebê, o burburinho habitava as dependências do hospital.

_ É sinal de que ela está quase preparada para ir embora _ especulava uma das mães.
_ Desse jeito, ela sairá em uma semana. Só estão esperando ela ficar mais forte para sair  _ dizia outra.
Aos poucos, Cláudia ganhava ânimo, alimentado cada vez que olhava para a pequena deitada no berço. Joana tinha sinais de saúde: se espreguiçava, tinha as bochechas coradas, sugava para se alimentar, ganhava peso.

De vez em quando, conseguia roubar um sorriso do pai e da mãe quando olhava fixamente para eles.

_ Vocês estão de parabéns. Segunda-feira ela estará liberada. Entretanto, na quinta, o bebê deve fazer um exame nos olhos. Sugiro que vocês fiquem mais dois dias aqui _ disse a enfermeira.

Imagens de Joana recém saída do ventre da mãe, com seus minguados 38 centímetros, surgiram na mente de Cláudia. A emoção de vê-la nascer, respirar e comer sozinha e a informação de que as semanas de clausura na UTI estavam no fim trouxeram de volta o brilho no olhar da mamãe. Ela acreditava nas palavras ouvidas, mas tinha medo de que tudo não passasse de mais um sonho postergado.

_ É, sim… Podemos ficar mais dois dias. Mas é verdade mesmo?
Quando o marido, Ademir, entrou na sala para buscá-la, a mulher tinha um sorriso largo. Aquele dia era, sem dúvida, o mais feliz de todos vividos dentro da UTI.

_ Estamos indo esta semana. Mas vamos manter segredo, porque ainda tenho medo _ confessou ao pai de Joana.

Naquele noite, o casal voltou para Farroupilha fazendo planos. Precisavam instalar um ar condicionado em casa, organizar as roupas da menina e improvisar um lugar para ela dormir. A mãe, insone, zanzava pela casa sem rumo. Abria as portas dos armários, conferia o número de fraldas, pijamas, sapatinhos. Fez uma pequena lista de compras: mais pacotes de fraldas tamanho pequeno e latas de leite em pó.

Agarrou um tip-top vermelho e um casaco de tricô da mesma cor, para evitar o mau olhado e dar sorte à pequena. Por segurança, separou também um vestido amarelo _ a filha poderia ficar mais bonita com as perninhas à mostra.

Quarenta e três dias depois de nascer prematuramente, Joana alcançava os 47 centímetros e dois quilos e meio. Estava liberada para ultrapassar a fronteira que separava o hospital do mundo real. Daquele momento em diante, sairia do ambiente com cuidadores de plantão para viver sob o zelo da mãe de primeira viagem.

_ Preciso agradecer a todos. É um momento único em minha vida _ falava Cláudia enquanto tentava conter as lágrimas que insistiam em derramar por trás dos óculos de grau.

Com a bebê nos braços, vestida de vermelho (para dar sorte), a mãe abraçou um por um dos funcionários da UTI. Deixou palavras de incentivo àquelas que iniciavam o caminho que acabara de concluir. Visitou bebês em situações extremas, com menos de um quilo, tirou fotos e foi embora.

Do lado de fora do prédio, o vento típico do inverno ultrapassava os fios da roupa. Cláudia enrolou Joana em uma coberta e entrou no carro. Primeiro, pararam em Bom Princípio, onde ficaram poucos minutos para apresentar a filha à avó paterna.

Em Farroupilha, ao estacionarem em frente à casa da família, Ademir foi o primeiro a descer do carro. Precisava ligar o ar condicionado para aquecer o quarto do casal, onde a pequena ficaria.

Quinze minutos depois, Joana estava lá, pela primeira vez, deitada na cama da mãe e do pai. Cláudia e Ademir olhavam para a filha orgulhosos. Sabiam que o trajeto para chegar até ali fora cheio de percalços e acabavam de ter a certeza de que, para serem pais de uma apressadinha, precisavam apenas de um ingrediente: amor.

anelise.zanoni@zerohora.com.br

Menor bebê prematuro do país sai amanhã do hospital

06 de outubro de 2010 5

Ana Júlia é uma apressadinha de sorte, uma verdadeira guerreira. Nasceu com 24 semanas, com apenas 365 gramas e medindo 27 centímetros. Hoje, tem quase cinco meses, pesa dois quilos 250 gramas e, pela primeira vez, deixará o hospital.

Acredita-se que Ana Júlia é o menor bebê prematuro do país que saiu com vida da UTI neonatal.
Durante o tempo em que esteve internada, a pequena ficou mais de um mês respirando com ajuda de aparelhos e recebendo nutrientes com soro. Bebia leite em poucas gotas, de seis em seis horas.

- Em nenhum momento ela nos deu indício de que não viveria _ conta a enfermeira Caroline Matioli Moraes em reportagem ao Jornal Hoje.

A saída da UTI, prevista para amanhã, significa que a menina poderá ter uma vida normal, com acompanhamento pediátrico, vacinas e alimentação especial para bebês, como se ela estivesse nascendo hoje.

- Depois daquela sensação horrível de sair da maternidade sem poder carregar o filho nos braços, que é um dos piores momentos que a gente passa neste processo todo, é ótimo sair com ela bem, com saúde, sem seqüelas. É uma emoção que não tem como descrever _ disse Leila de Oliveira Horácio, mãe da Ana Júlia.

Irmãs na luta pela vida

05 de outubro de 2010 5

Sou Claudete, mãe de duas filhas maravilhosas. A Fernanda, hoje com 11 anos, e a nossa apressadinha Gabriela Amanda, com um ano e quatro meses.

Tive uma gravidez normal até o dia 4 de maio de 2009, quando entrei em trabalho de parto e tive de fazer casaria às pressas. Tive deslocamento pré-maturo da placenta com 34 semanas, pré-eclâmpsia, hemorragia.

Fiquei seis dias internada e passei por transfusões de sangue. A Gabriela nasceu com 2,430 kg e 45 cm. Assim que ela nasceu foi para a incubadora pois tinha dificuldade de respirar.

Na quinta-feira dia 7 ela foi transferida para a UTI neonatal de Estrela, cidade vizinha de Teutônia onde moramos, pesando 2,105 kg. Quando ela chegou na UTI, suspeitaram que ela tivesse cardiomegalia, foi tentado mantê-la no CPAP nasal, mas sem sucesso, quando optaram por entubá-la, colocaram cateter umbilical e venoso, ela foi puncionada, colocaram sonda presa no lábio superior…

Eu fui ver ela somente no sábado, quando tive alta do hospital. Era o fim de semana do dia das mães. Quando entrei na UTI, tive uma crise de choro, pois nunca havia imaginado que um dia fosse entrar numa UTI. Fiquei apavorada em vê-la naquele estado, muito pálida, havia emagrecido muito, se não fosse o cabelinho raspado nos dois lados, diria que não era minha GABI. Segurei a mãozinha dela, que parecia ser tão frágil, foi quando ela segurou o meu dedo, foi maravilhoso essa sensação…

Assim fora se passando os dias, eu tirando o leite de 3 em 3 horas. Ela continuava não reagindo bem à medicação, mas vários problemas foram surgindo, inclusive, com onze dias de vida, foi diagnosticado uma meningite, um dia após o 1º canguru que fizemos.
Ficamos apavorados, pois a situação dela era grave. Sabíamos que ela poderia não sobreviver ou ficar com seqüelas, mas não desistimos.

A mana em casa também sofreu bastante, pois imaginava em sair do hospital com a irmã no colo, e ainda não tinha dado colo para ela. Mas a Fe foi forte, nos consolava, nos dava força. Ela fazia suas orações onde ela pedia pela saúde da irmã e para eu manter meu leite. Assim foram se passando os dias.

Eu passava o dia inteiro do lado da incubadora, segurando a mãozinha da Gabi e conversando com ela. Ela, a cada dia, nos surpreendia com sua melhora. Os médicos e enfermeiros nos diziam que ela era uma guerreira e uma vencedora, pois lutou pela vida e conseguiu.

Depois de 31 dias de UTI ela teve alta. Fomos para o quarto no hospital por um dia e no dia 9 de junho ela teve alta. Com 35 dias de vida, pesando 2,725 kg. Durante os dias de UTI tivemos autorização de levar-mos a Fernanda para ver a mana.

Colocava a Gabi para mamar no seio, mas ela cansava logo e era preciso dar o complemento, dando leite materno na mamadeira. Até hoje continuo dando leite materno de mamadeira.

Em casa passamos dias com muito medo, pois havia o surto da gripe A, mas usávamos máscara, álcool gel e todos os cuidados exagerados de pais preocupados.

Fizemos acompanhamento com cardiologista (o sopro desapareceu), fizemos o teste da orelinha, do olhinho, acompanhamento com neurologista e tudo está bem, ela passou por tudo e reagiu bem, sem seqüela alguma.

Para vocês, Gabriela Amanda Fritzen e Fernanda Caroline Fritzen

beijos de seus pais Cleo e Claudete.

Enfim, chegou o dia de ir para casa

04 de outubro de 2010 0

Anelise Zanoni

Joana nasceu mirrada, com 29 semanas de vida, um quilo e 270 gramas e apenas 38 centímetros. Passou por apneias, infecções e teve de aprender, aos poucos, a lutar pela vida como milhares de bebês prematuros que nascem todos os anos no mundo.

Guerreira como todo o bebê apressadinho, a menina passou 43 dias na UTI neonatal, recebendo o cuidado de médicos e dos pais, Cláudia Oliboni e Ademir Machado. Hoje, a série especial do caderno Meu Filho conta o último capítulo dessa história de perseverança e de descobertas da maternidade prematura.

No vídeo abaixo você assistirá a emocionante despedida de mãe e filha, que deixaram o hospital para um desafio maior ainda: descobrir o mundo de uma nova família, que agora estará toda reunida. Em casa, na serra gaúcha.

** Se você é pai ou mãe de uma criança que nasceu prematura, envie seu relato com uma foto da criança (antes e depois do nascimento) para o e-mail meufilho@zerohora.com.br

Amanhã você lê a reportagem completa no blog e, no dia 11, publicaremos em Zero Hora alguns relatos e fotos de mães que ajudaram a dividir experiências com outras famílias de bebês prematuros.
Agradeço a todos a colaboração e os e-mails emocionantes enviados.

Anelise Zanoni
Editora do caderno Meu Filho
meufilho@zerohora.com.br

Dois apressadinhos em casa

02 de outubro de 2010 0

“A ansiedade durante a gravidez foi grande, quem sabe desta vez teria o nenê comigo no quarto, recebendo as visitas e mamando no meu peito desde o nascimento.

Diferentemente da gravidez anterior, nessa tudo ia bem até que, com 34 semanas, entrei em trabalho de parto. No dia 6 de abril de 2010, nasceu de cesárea a pequena Isadora, medindo 46 cm e pesando 2.450 gramas.

Logo após o nascimento, precisou ir para a CTI neonatal para ficar na incubadora.

Como o mano de oito anos também nasceu prematuro, de 32 semanas, só que bem grandão, com 50cm e 3.155 gramas (e ficou na CTI), já éstávamos um pouquinho mais preparados para essa jornada. Ficamos mais otimistas.

Sabíamos que ela ficaria bem e que todos os procedimentos realizados, mesmo atrasando a sua volta para casa, seriam para o seu bem. Após oito dias de vitórias, tristezas, angústias, choro, alegrias e expectativas, tivemos um segundo nascimento: a nossa pequena ganhou alta e veio finalmente para casa.
Foi uma grande emoção, impossível de explicar!

Hoje, a Isadora tem cinco meses, e o Arthur, oito anos. Eles são os apressadinhos mais amados desse mundo!!

Anamaria Voglino

Ajudinha da irmã para amamentar apressadinha

30 de setembro de 2010 0

“Minha filha nasceu com 700 gramas. Dias depois, pesava 500 gramas. Nasceu com 24 semanas de gestação. Tudo isso ocorreu em 1977. Ficou dois meses na incubadora e outros dois meses no berçário.

Eu só podia pegá-la e niná-la, para depois colocá-la de volta no berço do hospital. Foi muito complicado. Só me entregaram a Juliana quando ela já pesava dois quilos.

Hoje a situação já é diferente. Mas, na época, o que os médicos consideraram um milagre, foi o fato de, durante esse período de espera, eu levava, três vezes por dia, uma certa quantidade de leite materno (tenho uma prima que estava amamentando na época e se dispôs a dar o leite para Juliana ). Com isso, ela foi adquirindo anticorpos,tanto é que ela não ficou com nenhuma sequela.

Hoje Juliana é uma mulher feliz, de bem com a vida, com muita força para viver.”

Maria Luísa Straatmann

Gêmeos prematuros deram mais vida à maternidade

29 de setembro de 2010 3

“Toda vez que leio o caderno Meu Filho me emociono muito, pois me recordo de uma etapa da minha vida, na qual nenhuma mãe quer passar ou relembrar. Pensei várias vezes em escrever para documentar ou fazer um livro, de como é ser mãe de apressadinhos. Escrevo assim mesmo, “…inhos”, pois tive gêmeos, de geração natural e prematuros de 29 semanas.

É claro que cada experiência é única, mas acredito que o amor dos pais e das famílias foi tanto, que em nenhum momento cogitamos que eles não iriam vencer a luta de viver, verdadeiros guerreiros.
Passamos por todas as etapas. Primeiro, o aspecto de vê-los com sondas. Depois, a cada dia, poderiam surgir novos eventos, que para nós eram eternos descobrimentos sobre o inesperado.

Mas não são só de coisas apavoradoras que me lembro. Lembro das primeiras gotas de leite e, depois, das sucessivas retiradas mecânicas, cheia de leite. Do primeiro colo, dos banhos de bacia (sim, eles eram tão pequenos que o primeiro banho fora da incubadora foi em uma bacia pequena!), dos progressos de peso, de tamanho e também da saída do hospital.

Como mãe, ficou registrado para mim quando os vi pela primeira vez na incubadora, o primeiro colo, dar de mamar. E o mais marcante e, ao mesmo tempo, mais difícil foi a alta hospitalar. Ir para casa com um barrigão e sem os filhos! Nossa ! !

Chorei sem parar, não conseguia relaxar e queria voltar imediatamente para o hospital. Tanto é que foram 51 dias de internação, chegava para as mamadas às 8h e saia às 20h! Chegava em casa, descansava um pouco e já queria voltar, com o pai. Lá ficávamos até uma ou duas da madrugada, ou seja, a parte mais difícil sem sobre de dúvidas foi ficar longe dos guris!

Me surpreendi! Sou uma supermãe! Hoje os meninos estão lindos, saudáveis, são amados, queridos por todos com quem convivem e nestes cinco anos de vida com noites mal dormidas, preocupações com a saúde, alimentação e bem-estar. Vale lembrar que tem de cuidar do relacionamento dos pais.

A vida da mãe muda, e as emoções são inicialmente mais intensas. Depois, o pai passa a ser requerido em tempo integral, claro que dentro das disponibilidades.

Para terminar, nunca desista, o medo do inesperado, do inevitável, é enorme, mas as recompensas vêm e muito mais rápido do que se imagina. A tradução desta passagem é AMOR INCONDICIONAL. Surpreendem a cada minuto da vida e fazem valer cada esforço para mantê-los amáveis.Agradecimentos sempre para a equipe de técnicos, enfermeiros e médicos. Sem eles, os avanços da medicina não seriam tão importantes para a humanidade.

E um abraço bem apertado a todas as mães e futuras mamães que se sentem da mesma forma relatadas nas reportagens deste caderno.”

Karla Benares Mansilha Grupe

Lições de mãe de um pequeno príncipe que se foi

29 de setembro de 2010 6


“Chovia muito naquele fim de tarde quando o avião da emergência médica chegou em Porto Alegre, vindo de Santana do Livramento.  Eu, em trabalho de parto prematuro, chegava no hospital para tentar adiar um pouco a vinda do meu bebê.

Um dia depois, em 27 de junho de 2010, nasceu o Allan, com 26 semanas, pesando 1,225 quilos. No momento do parto, ele foi rapidamente levado para cuidados médicos, então considero que o nosso primeiro encontro (ou melhor, nosso reencontro)  foi na UTI Neonatal.

Ver meu filho tão frágil e com tantos aparelhos e tubos foi difícil, mas, ao mesmo tempo, a emoção da maternidade foi instantânea, e o meu amor por ele também.  Após 15 dias de vida, ele faleceu devido à prematuridade extrema, uma dor que faltam palavras para poder expressar.

O que me conforta agora foram os dias vividos intensamente com Allan na UTI, quando brincava com ele, cantava, fazia carinho e desajeitadamente (típica mamãe de 1ª viagem) ajudava as tias da neo a trocar a mini fralda que ele usava.

Através do vínculo construído naqueles dias em que estivemos juntos aprendi a ser mãe, ainda que uma mãe prematura. Adorava colocar meias nele, cada dia trazia uma diferente. Lembro de cada olhar que ele me dirigiu, cada toque.

Ninguém imagina ou está preparado para uma situação assim, mas o que meu filho me ensinou é que o nosso amor é muito maior que as limitações do nosso encontro.”

Giovana Rotta

Mais de dois meses no hospital

28 de setembro de 2010 2

‘Tive uma gravidez tranquila até a manhã do dia 1º de janeiro de 2010. Passamos o Ano-Novo com a família e os amigos. Fomos dormir e já era madrugada. Ao acordar no dia seguinte senti fortes dores nas costas. Parecia que estava me abrindo ao meio, mas achei que era uma simples dor nas costas.

Fomos almoçar, e a dor começou a aumentar. Liguei para o médico, que me disse para ir até o hospital. Ao chegar lá, a dor era tanta que eu chegava a chorar. Depois dos exames descobri que a Valentina queria nascer e que precisávamos urgente de uma UTI Neonatal. Não acreditei.

Eu estava com 31 semanas e ainda não estava preparada. Começamos a corrida para encontrar um hospital com UTI para quando a Valentina nascesse com segurança. Encontramos uma vaga no Hospital Bruno Born, de Lajeado. Aislan arrumou minhas roupas e de Valentina. Embarcamos na ambulância e fomos a Lajeado.

Às 17h35min, a Valentina nasceu para a felicidades de todos, com 1.490 gramas e 41cm de parto normal. Com a bebê na UTI e nós morando em Triunfo começamos a pensar onde ficaríamos, quais seriam os gastos com alimentação, transporte…

No dia 2 de janeiro de 2010 fui para um quarto sedido pelo hospital para mães de fora da cidade, e o Aislan conseguiu ficar na casa de um amigo. Somente os pais podiam ficar na UTI com o bebê, então ficávamos manhã, tarde e noite. Só saia para fazer as refeições. Valentina estava entubada dentro da incubadora, ligada a vários aparelhos, se alimentando com vitaminas por sonda. Teve infecção no intestino, perdeu peso e começou tratamentos com antibióticos.

Ao final de cada sete dias era aquela angústia para levá-la pra casa de uma vez. Mas ela não tinha muita reação e um novo tratamento se iniciava por mais sete dias. Um dia, começaram a dar leite pra ela via sonda, uma vitória quando ela tomava 8 ml. Depois, quando faltou acesso para os remédios, as gurias da UTI tiveram de raspar o cabelo da Valentina. Eu perguntava todos os dias quando a gente poderia ir pra casa. Os médicos sempre diziam que ela estava melhorando, mas não podia ir pra casa.

No final do segundo mês pegamos o bebê no colo, foi aquela felicidade. Então, ao completar dois meses de internação, os médicos já começavam a dizer que a Valentina estava quase podendo ir para casa. Eu não aguentava mais os 60 dias no quarto sem poder pegar ela no colo. No dia 9 de março pela manhã, o Dr. João Paulo disse que a Valentina iria para o quarto. Liguei para casa para contar a notícia. À tarde, o Aislan foi para o hospital.

Ficamos até o dia 13 de março no quarto, e no dia anterior ela furou as orelhas para colocar brinco. Ela já estava muito esperta, rindo bastante, mamando bastante sozinha sem a sonda. A noite do dia 12 para o dia 13 foi uma eternidade. Nem dormi só pensando na manhã que o Aislan viria nos buscar em Lajeado. Fomos para casa e todos estavam torcendo pela saúde da Valentina e pela vinda dela logo pra casa.

Hoje minha filha está com sete meses, muita saúde e disposição. Se alimenta bastante e dá muita alegria aos  pais, família e amigos.

Um agradecimento aos profissionais do Hospital Bruno Born, de Lajeado, pelo carinho e atenção que deram à Valentina nesses 73 dias de internação.”

Aislan e Cristiane, pais da Valentina, que nasceu com 1.490 gramas e 41cm

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