
Foi assim que na quarta-feira, às 8h, começou a história de mais uma cirurgia do meu pequeno Bruno - a terceira com anestesia geral. A consulta, no dia anterior com a anestesista, transformou o episódio, que é uma verdadeira agonia para os pais, em uma historinha divertida para ele. A anestesista narrou o que aconteceria no dia seguinte, no hospital:
- Tu vais para o reino encantado das tartarugas ninjas. Elas todas estarão de verde, com uma máscara na boca... Serão várias delas... E a tia, que também vira uma tartaruga, vai fazer você dormir pra não doer nada, nada...
Risos e mais risos, e o guri saiu faceiro do consultório com o recorde: agora, teria 6 MÉDICOS (o pediatra, um otorrino - ele tirou a adenóide, um ortopedista pediátrico - por causa do pé torto congênito, uma cirurgiã pediátrica e uma anestesista e uma dentista, que entra na conta dele). Faceiro da vida com as duas novas médicas.
- Elas são muito queridas e legais, né, mãe?
É, Bruno. Mas vamos voltar ao reino das tartarugas ninjas... Quase meia hora depois de tomar o xarope pra "apagar" ou "ficar bem bobinho", o Bruno recomenda à mãe:
- Mãe, não vai esquecer da bolsa que ficou ali na cadeira - adverte, mostrando que o remédio só foi capaz mesmo de deixá-lo mais relaxado.
O pequeno tirou a roupa sem protestar, colocou o avental, a médica fez o "x" na virilha que seria operada, e duas tartarugas ninjas levaram o pequeno para o bloco... Pais e mães que já passaram por isso, sabem: "que vazio que nos toma nessa hora..."
Uma hora depois, o pai ficou com ele na sala de recuperação (como da última vez, a volta da anestesia foi bem complicada, o pai disse que o melhor era poupar a mãe da cena...)... Um chorinho pouco, e o guri adormeceu. Depois, aliviou a mãe, que esperava do lado de fora, pelo celular:
- Mãe, eu tô bem - disse, numa voz pastosa ainda.
A saída do reino das tartarugas foi por volta do meio-dia, quatro horas após o ingresso nesse mundo de magia. A tartaruga ninja que se despediu do pequeno elogiou o comportamento e pediu um beijo:
- Parabéns, Bruno, você foi muito corajoso...
E de volta ao doce lar, o pequeno está um comportamento só. Não sei se já está "calejado" de tanto hospital e não quer correr o risco de passar por isso de novo, mas ele está seguindo as regras à risca, sem reclamações ou qualquer outro protesto.
Só sai do sofá ou da cama dando a mão para o pai ou para a mãe (o nosso medo é que ele corra e caia, como vive acontecendo...) e nem falou em jogar bola, já que foi avisado que só poderá voltar a fazer isso (e a andar de bicicleta) em duas semanas.
Estou impressionada com a reação positiva dele à cirurgia, e com a impressão que ele está crescendo rápido demais... Parece um adulto, tranquilo e sereno, do início ao fim de mais esse desafio...
Somos pais de sorte e muito agradecidos ao Pai Maior do universo por nos proteger e abençoar em mais esse episódio. E muito obrigada a todas mães e todos pais (e pretendentes também) que nos envolveram em suas preces e pensamentos positivos nesses dias. Que todos eles voltem a vocês em forma de muitas bênçãos e alegrias com seus tesouros.
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