Convido você, pai ou mãe, a marcar as alternativas que condizem com suas ações:
( ) Lê sempre a agenda escolar do filho e, por isso, não costuma esquecer de enviar os presentes de aniversário, os materiais solicitados pela escola, etc
( ) Não costuma esquecer o filho na escola nem chega atrasado no fim da aula para buscá-lo
( ) Manda o pequeno sempre com uniforme exigido pela escola e não costuma receber puxões deorelha por não fazer isso
( ) Sabe dos dias em que o pequeno faz alguma atividade física e manda a roupa e os calçados adequados para isso
( ) Ajuda nos temas de aula e está sempre perguntando sobre como foi o dia do pequeno na escola
Se você, caro(a) leitor(a), assinalou todas as alternativas acima, parabéns! Não perca seu tempo lendo esta coluna. Se você não gabaritou, seguir a leitura talvez lhe seja útil.
Na semana passada, confessei para as leitoras do blog Meu Filho que tenho dificuldades de entender como, mais de um mês após o início do ano letivo, algumas escolas (e me arrisco a dizer que é a maioria) ainda têm de mandar recados na agenda ou realizar reuniões com os pais para cobrar o cumprimento de normas ou acordos já feitos, muitas vezes em mais de uma oportunidade. E são coisas muito simples e básicas, como as citadas nas alternativas acima.
Mas essa realidade _ de descaso, descomprometimento, omissão e negligência _ não parece ser uma exceção, e, sim, uma prática até comum. Leitoras do blog atestaram essa percepção:
Falta de tempo para ler uma agenda, essa desculpa realmente não serve. Quanto tempo leva pra isso? Uns dois minutos... E é mesmo bem fácil ter 3, 4, 5 filhos e fingir que eles não possuem inúmeras necessidades, sentimentos, e que somos os maiores responsáveis por eles. (Daniela)
Sei de pessoas de creches que faziam marcas nas fraldas dos pequenos, e, no outro dia, a criança voltava com a mesma fralda, um horror. (Renata)
Como professora, aprendi que quem vai na reunião, quem assina os bilhetes são justamente os pais que não precisariam fazer isso. Sei de pais que têm 3 filhos, mas esquecem de pegá-los na escola, de preparar a mochila do dia seguinte, não querem ajudar com os temas, realmente, levam os filhos na escola para se livrar. E dizem com orgulho que os filhos se criam sozinhos. (Lucia)
Para a psicopedagoga e educadora especial Vera Maria Saccol, perguntei qual será o futuro dessas crianças "abandonadas" pelos pais. Eis a resposta:
"O futuro delas é dentro dos consultórios. Tratamos as crianças e, principalmente os pais, tentando torná-los mais comprometidos. Essa criança tem problemas de autoestima e se torna um adolescente inseguro. Os pais precisam ler a agenda, conferir o que os filhos fizeram no dia e precisam estar mais presentes: buscá-los na hora certa no colégio, por exemplo. A criança que vê todos os coleguinhas indo embora com os pais e só ela ali, sozinha, tem uma sensação enorme de abandono. É uma agressão que os pais não fazem ideia da repercussão que tem. E eles precisam parar de transferir responsabilidades para a escola e para os profissionais quando o problema a ser resolvido está dentro de casa."
Coluna Em Nome do Filho publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria
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Convidadas pela colunista, Aline Bäumer (psicóloga especialista em avaliação psicológica) e Vera Maria Saccol (educadora especial e psicopedagoga) deram suas opiniões sobre o assunto no texto abaixo e responderam a alguns questionamentos.
Vale a pena conferir.
Os pontos cruciais
Embora não exista fórmula para ser um bom pai e uma boa mãe, existem pontos cruciais para o desenvolvimento adequado de crianças, como sentimento de afeto, vínculo, cuidado, carinho e atenção. Isso tudo é demonstrado diariamente por meio de atitudes e de coerência entre palavras e ações que temos com os pequenos. É a dita educação por meio do exemplo, da segurança dada e da forma de agir.
As agendas escolares
O chamamento das escolas para que pais observem as agendas dos filhos, em tese, sequer deveria ser necessário se levarmos em conta que cabe aos pais ou responsável matricular e garantir a frequência dos pequenos em escola. Não saber do que está acontecendo com a criança (ou adolescente!) nesse contexto é, no mínimo, um descomprometimento com parte importante da vida do filho, que pode ter reflexos não somente no aspecto escolar, mas também em outros, se pensarmos nos desdobramentos que a falta de atenção e/ou interesse para com um filho pode acarretar, como revolta, baixa autoestima, baixo rendimento escolar, independência precoce, e por aí vai... Tal fato, na maioria das vezes, não se dá de forma proposital por parte dos adultos.
Outras prioridades
Os prazos e responsabilidades do cotidiano parecem, não raras vezes, se tornar prioridade nas vidas dos pais. Contudo, eles não podem esquecer que, em determinado momento da vida, optaram por serem pais e devem assumir tal escolha como sua e fazer valer essa responsabilidade que deve ser demonstrada não somente com a garantia de itens materiais, mas muito mais com demonstrações reais de amor, carinho, dedicação e, também, de tempo.
Qualidade no tempo
Tempo esse que precisa, acima de tudo, ter qualidade, pois não basta estar junto sem estabelecer relação de vínculo e troca. O que para uma adulto pode parecer um pormenor sem nenhuma importância pode, para uma criança, ser algo de extrema relevância e que poderá ter reflexo (talvez negativo) no futuro.
Seu filho está em fase de desenvolvimento? Participe, se envolva, não espere que alguém lhe chame para saber do que está acontecendo na vida dele. Esses momentos não voltam e dirão muito sobre o adulto que ele será um dia. Você quer participar ou somente assistir a apresentações em dias especiais, como Dia das Mães ou Pais?
Ele está sendo formado agora. Todos os dias da vida do seu filho são importantes, afinal.
Fabiana - Vocês percebem uma mudança dos pais no sentido de passarem a priorizar realmente os filhos e evitar situações como as contadas no post acima? Ou o que se percebe é o contrário: pais dando cada vez menos atenção aos seus filhos, usando como argumento a falta de tempo? Ou essa situação sempre existiu e nós, como pais, ainda precisamos evoluir muito nesse quesito?
Aline e Vera - Pensamos que esse comportamento sempre existiu por parte de alguns pais, mas de fato tem estado em evidência em meio a uma sociedade capitalista e consumista que impõe o ter e não o ser, onde os pais saem em busca de condições materiais para prover a família e muitos acabam negligenciando a atenção no convívio e cuidado com os filhos em função disso e/ou também de certa dose de egoísmo ao não abrir mão de compromissos em nome do ser mãe ou pai.
Fabiana - Que efeitos podem ter ações de pais negligentes no futuro de um filho?
Aline e Vera - Os reflexos futuros podem ser diversos, como citado no pequeno texto acima, indo desde baixa autoestima, revolta, etc, até mesmo ao oposto, como uma atitude muito independente, pela consciência de não poder contar com os pais, o que, por mais que possa parecer "bom", também é um comportamento incitado pela falta de atenção dos adultos e que merece atenção e acompanhamento profissional. É preciso acampanhar não somente a criança, mas também a esses pais que estão com dificuldade de entender qual é seu papel na vida de um filho.
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