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Posts com a tag "Educação"

Como falar com seu filho sobre violência

19 de novembro de 2012 0

Todos os posts de Ticiana Fontana

Nem precisa falar, basta observar para ter a certeza de que os pais são os espelhos dos filhos. Na Antonela, me reconheço em frases, gestos e olhares. Sustento a tese de que os pais precisam ter como certeza de que eles são a fonte de segurança dos filhos.

Portanto, se perder o controle de suas emoções, transparecendo sentimentos como medo e ansiedade, certamente, o filho vai se sentir desamparado, ficará confuso e assustado. Toda essa introdução é para falar de um assunto que, infelizmente, está cada vez mais presente no cotidiano das grandes, médias e pequenas cidades: a violência.

Na última pesquisa realizada pelo Ibope em Santa Maria, em setembro, a segurança pública foi a quarta principal preocupação dos 600 entrevistados.

A violência ocupa grande destaque em rodas de conversa e noticiários. Outro dia, ouvi um menino, que não tinha mais do que 6 anos, contar detalhadamente um caso de assassinato, com interpretações alarmantes e dizendo que os pais tinha contado para ele. Obviamente, o garoto tinha exagerado, mas o fato me fez repensar como abordar o tema violência em casa.

Especialistas afirmam que a violência não precisa fazer parte da rotina das crianças. Outras fontes de medos, como escuro, bicho-papão, monstros e bruxas já fazem parte do imaginário infantil, portanto, é preciso ter muito cuidado ao falar sobre a criminalidade com os pequenos.

É recomendável evitar comentários sobre crimes ou assistir a noticiários com conteúdo pesado na presença dos pequenos. A ideia de contar histórias trágicas como maneira de ensinar seu filho a enfrentar a violência não tem eficácia e está totalmente fora de propósito. Isso não significa que a criança precisa ser criada em uma redoma de vidro, ela deve saber sobre situações de risco e como preveni-las. Se o filho questionar por que precisa fazer isto ou aquilo, não entre em detalhes, mas seja objetivo e explique que a medida tem como finalidade o bem dela (abaixo, dicas de segurança). (Ticiana Fontana)

RELEMBRANDO

Atitudes repetidas por pais há várias gerações e com pequenas adaptações devem ser relembradas:

1) Ensine a criança a não passar informações sobre ela ou outro membro da família para pessoas estranhas

2) Ande com o carro com os vidros fechados e portas travadas

3) Evite deixar o filho andando sozinho. Se isso não for possível, oriente a não conversar com estranhos. Se perceber alguma movimentação estranha, entre em algum lugar público e peça ajuda

4) Tenha certeza de que o filho entrou no local onde foi deixado

5) É importante cuidar e vigiar o que o filho anda falando nas redes sociais, principalmente vale um alerta para os casos de pedofilia cada vez mais recorrentes na internet

6) Em caso de assalto, oriente a criança a não reagir, a manter a calma e a entregar tudo o que o bandido pedir

Violência familiar

30 de outubro de 2012 0

Todos os posts de Ticiana Fontana

Um caso impressionante de violência familiar foi registrado pela polícia civil de Rondonópolis, no Mato Grosso, na semana passada.

Uma adolescente de 15 anos teria sido agredida pelo pai, que inclusive teria raspado a cabeça da filha. Ele teria feito isso por que a menina estava tirando notas baixas no colégio. Independente da motivação, é chocante a imagem da “careca” da menina, veicula pela internet.

Uma amiga comentou de caso semelhante ocorrido há pelo menos duas décadas. De uma colega de escola que aprontava e o pai batia com uma cinta. Depois de dar o corretivo, ainda a obrigava a ir de saia para deixar as marcas evidentes. 

O tempo passou e a violência continua sendo usada como ferramenta para ”educar” os filhos. 

Impossível não se revoltar com casos como esses.

Vagas para estudantes de escola pública

30 de agosto de 2012 7

Todos os posts de Ticiana Fontana

Nesta quarta-feira, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que reserva 50% das vagas em universidades públicas federais e institutos técnicos federais para alunos que estudaram em escolas públicas.

Dentro desse percentual, as vagas serão distribuídas a partir de um recorte racial proporcional à composição da população de negros, pardos ou indígenas em cada estado.

A presidenta vetou o segundo artigo da lei que previa a distribuição das vagas a partir das notas obtidas pelo aluno durante o ensino médio. O critério de seleção que será adotado é o Enem. A lei prevê que a política de cotas terá o prazo de duração 10 anos. Após esse período, será feita uma avaliação dos resultados, com possibilidade de revisão das regras.

Sou a favor de democratizar cada vez mais o acesso ao Ensino Superior, mas com ações com a ampliação da oferta de vagas, valorização do professor da escola pública, etc e tal.

Sem desmerecer a escola pública, existem muitas - talvez a maioria – que são de excelente qualidade. Testes feitos em nível nacional geralmente são vencidos por estudantes de colégios militares – escolas públicas vinculadas ao Exército.

Porém, será que a medida é justa com os pais que se esforçam – muitas vezes comprometendo muito do orçamento familiar – para colocar o filho em escolas pagas, com o objetivo de dar a melhor formação possível, de proporcionar um ensino de qualidade e, até então, fazendo um investimento para no futuro resultar em uma vaga em uma instituição pública de Ensino Superior?

Como é difícil impor limites

28 de junho de 2012 6

Todos os posts de Ticiana Fontana

No começo, a gente acha engraçada a birra.

Interpreta as reações dos pequenos como resultado de uma personalidade forte, até sentimos uma pontinha de orgulho de seu comportamento intempestivo.

Com o passar do tempo, o engraçadinho começa a ficar incoveniente.

Primeiro, a birra é direcionada a estranhos.

Depois, a conhecidos ou pessoas de convivência próxima.

Por último, ao pais e cuidadores.

Somente nessa última fase é que nos damos conta que fomos muito frouxos ou não percebemos, como deveríamos, a hora certa de impor limites.

Resultado disso tudo é que a rotina começa a ser constantemente marcada por brigas e castigos.

Por outro lado, é mais uma fase dentro de um contexto de formação e temos de, como pais, ser seguros e positivos na atitute de impor limites.

Essa luta de hoje é fundamental para, no futuro, a criança saber que o mundo não foi feito para ela, que a gente vive em sociedade e a vida tem muitas frustrações.


Mãe, posso matar a aula?

14 de junho de 2012 2

Todos os posts de Ticiana Fontana

Ele tinha pouco mais de 7 anos e demonstrava uma certa preguiça ao levantar pela manhã para ir à escola. Em um desses dias chuvosos, o pequeno levanta e avisa:

- Mamãe estou com dor de barriga, posso ficar em casa?

A mãe concorda com a não ida ao colégio, mas fica desconfiada. Não deu meia hora e o pequeno corria lépido e saltitante pela casa.

No outro dia, tentou repetir a história. A mãe pacientemente explicou que ele não precisava inventar doenças para não ir ao colégio, mas a escola era um local de convivência com os colegas, de jogar futebol, de aprender coisas novas e, portanto, um ambiente ideal para o desenvolvimento das crianças.

- Tá bom mamãe, eu vou para a escola. Mas, outro dia, posso “matar” a aula?

A mãe ficou alguns segundos em silêncio e consentiu com a cabeça. O menino despediu-se e partiu sorridente em direção ao colégio.

Após a saída do filho, ela fez um esforço para relembrar de algum dia em que tivesse cabulado a aula, nem sequer um dia emergiu em sua memória. Ao contrário, relembrou das vezes que saiu de casa extremamente contrariada.

A partir daquele dia até o fim do período escolar do filho, ela levou consigo os mesmos discurso e prática. E aplicou aos outros dois filhos que vieram. Eles sabiam que tinham a responsabilidade de estudar, mas a educação seguia a cartilha da liberdade com responsabilidade.

- Não precisam ter 100% de frequência nas aulas, podem faltar eventualmente, desde que isso não atrapalhe o aprendizado.

 E segui seu conhecido discurso:

- A única obrigação da vida de vocês é estudar. Se tiverem dificuldades em aprender, é só falar que a gente procura ajuda. Além disso, não pensem que trocarão uma nota 10 por presente ou outro tipo de vantagem (essa última parte do discurso era usada porque os pequenos viviam reclamando que os colegas ganhavam presentes quando tiravam nota máxima, mas a mãe tinha o hábito de presentear sem ter motivo algum).

 E assim transcorreu 10, 12 anos de vida escolar dos rebentos sem grandes turbulências. Os três filhos nunca pegavam exame e passavam tranquilamente pelos desafios de cada série.

Um detalhe, a frequência era controlada dentro dos limites permitidos de faltas e a permissão para ficar em casa não incluía dias de prova ou exames.

- O dia do nosso aniversário é feriado, né mamãe?

Hoje os filhos viraram pais e tentam reproduzir os sábios ensinamentos em relação ao estudo e escola.

Eventualmente, a Antonela não vai à escolinha. Algumas vezes, ela pede para ficar em casa ou passear em outro lugar, geralmente o pedido é acatado. Obviamente que se não tivesse outra opção, ela iria à escola mesmo diante da recusa. Também se os pedidos forem muito constantes são sinais de que há algum problema no ambiente escolar.

Porém, ainda terá muito tempo para frequentar o colégio.

Quem nunca desejou ou cabulou a aula que atire a primeira pedra.

Escola, profissão, avós e medos

07 de maio de 2012 1

‘Pais são a primeira autoridade a recuperar’

O futuro profissional dos filhos, que atualmente não estão mais parando em empresa alguma, e a formação de “uma geração de analfabetos funcionais” foram alguns dos assuntos tratados na palestra de Içami Tiba em Santa Maria, na última quinta-feira. A colunista conversou com o psiquiatra e educador e traz, aqui, alguns bons momentos da conferência e da entrevista realizada no hotel Itaimbé.

O futuro profissional
A educação hoje é um trem muito comprido, as novidades demoram anos para chegar. Os estudos não correspondem às necessidades dos alunos para eles começarem a trabalhar. E quando o jovem, formado e com diploma, chega na empresa, ele se pergunta: “Como é que essa empresa pode contribuir com a minha carreira?” Ele não pergunta: “Como é que eu posso contribuir e melhorar a empresa?”. Os jovens não param nas empresas, e os desempregados da meia idade estão sendo chamados de volta. (…) A escola não consegue preparar o profissional.

Parceria escola/família
A escola precisa ajudar a orientar os pais a serem parceiros e, nessa parceria, formar os filhos que desandaram porque a mãe falava vinho, e o pai, água; a família, vinho, e a escola, água. É preciso começar a reagir usando a parceria escola e família. É nela que a escola tem condições de formar, de ajudar a ensinar o caminho para os “desandados”.

A geração de analfabetos funcionais
Os pais culpam a escola porque o filho não vai bem. “Como é que não viram isso antes?”. Foi reprovado? Há lei que permite fazer reclassificação em outra escola. E você passa. Não se reprova mais aluno. E assim se estraga uma geração, formando os analfabetos funcionais. Cerca de 20% da população não sabe fazer relatório, não sabe conta de divisão. Isso depois de 11 anos na escola.

A necessidade de mudança
(…) Temos de mudar a geração que está chegando. E a primeira autoridade a ser recuperada são os pais. Eles têm de agir com as crianças, dar segurança a elas. A criança não é livre, não tem conhecimento sobre a liberdade. A escola pediu uma mochila e especificou qual. Mas os pais vão na loja e pensam que podem comprar uma melhor. Não limitam a escolha daqui até ali. Então, o filho vai escolher uma mochila maior, inadequada, que ele nem consegue carregar. E quem leva a mochila da criança? O pai.

Professor também tem de evoluir
(…) Há professores que estão dando a mesma aula há 30 anos. Temos de enterrar esse método. O professor que não consegue inserir o conteúdo no dia a dia do aluno está obsoleto. O aluno só consegue enxergar e aprender aquilo que conhece, que vivencia.

Os medos das crianças
Medo é insegurança. Falta de confiança em que a protege. São pais que não estão formando os filhos como educadores, e sim como protetores.

A criação dos filhos por avós
Os avós estão hoje mais sustentando os netos do que ajudando na educação. É muito amor e pouca competência.

Fabiana Sparremberger

(Coluna Em Nome do Filho publicada no Diário de Santa Maria na edição de segunda-feira)

"É muito amor e pouca competência"

06 de maio de 2012 3

Todos os posts de Fabiana SparrembergerAbaixo, a reportagem feita por mim e publicada no Diário de Santa Maria edição de fim de semana sobre a palestra de Içami Tiba em Santa Maria.

Psiquiatra e educador Içami Tiba orienta pais e professores de Santa Maria sobre a necessidade de assumir a educação dos filhos e alunos

Quem assiste a uma palestra do educador e psiquiatra Içami Tiba logo entende o porquê da junção de pais e professores em torno dele, tentando um autógrafo ou um registro fotográfico para eternizar o momento. O escritor é quase um popstar entre o público que está atrás de bússolas para orientar a difícil e desafiadora tarefa de educar um filho ou um aluno. Autor de 28 livros com 4 milhões de exemplares vendidos, Tiba esteve em Santa Maria, na noite de quinta-feira, para a palestra Quem Ama, Educa _ Formando Cidadãos Éticos, baseada no maior best-seller de educação no país. As orientações repassadas ao ávido público por informações constam também no livro Família de Alta Performance e no recém-lançado Pais e Educadores de Alta Performance.
Na conferência, o educador preferido de muitos pais faz rir, diverte a plateia, e ninguém vê o tempo passar. O riso funciona como uma espécie de anestesia para o “soco no rim” que vem logo em seguida, quando os pais percebem os muitos enganos que praticam no dia a dia.
_ É muito amor e pouca competência educativa _ prega o conferencista, sobre a educação que os filhos recebem hoje em dia.
Ao ler os principais momentos da palestra (nestas páginas), pais e educadores concluirão que cada um tem uma tarefa intransferível nessa missão, e que ela é bem difícil. E quem, algum dia, prometeu que seria fácil?

A estação da infância

As estações do ano são como as estações da vida. (…) E nós entortamos a estação da infância. Não soubemos educar as crianças. E a falta de conhecimento dos pais gera crianças agressivas, inseguras e instáveis. A criança não se sente segura. É muito amor e falta de conhecimento. Ninguém pode sentar num avião e pilotar sem nenhum curso. E por que uma criança pode pilotar uma família? Ela não tem experiência de vida e manda no adulto. Quem tem cachorro? O cachorro é uma espécie animal, e a gente trata como se fosse gente. E o cachorro tem de responder como gente. Se o cachorro está com semblante triste, “ele está deprimido”. Se fez xixi na poltrona, “está nos agredindo”. O cachorro precisa de um líder, e se o dono é líder, ele manda no cachorro. Se não é líder, o cachorro vai brigar, vai rosnar, vai fazer xixi na poltrona. Leve isso para a criança. Ela não pensa, não tem experiência nem conhecimento. Fica com muito poder, fica insegura e quer mandar.

Guardar os brinquedos, sim

Os pais devem se preparar para ser educadores. Mas não, eles dizem: “eu pago a escola”. A criança cresce, vira adolescente, agride o professor, vai para a balada e não atende o celular, não volta na hora combinada. E o destino dela pode ser três: o pronto-socorro, a delegacia e o necrotério. E não vai ser a escola que vai ser chamada. Vão ser chamados os pais. E como abrir mão de algo tão importante como educar?
Os filhos são diferentes uns dos outros. Mas as crianças estão fazendo só o que têm vontade, não têm noção de responsabilidade. Vocês conhecem crianças que não guardam brinquedos? Não, né? Só a dos vizinhos. Por quê? A ideia é simples. Alguém guarda para ela e não ensina que tem de guardar. Ah, mas ele brincou tanto, está cansado, o coitadinho. Isso é trabalho infantil, pensa a mãe, é explorar o moleque. Isso é, sim, falta de educação. Tem de guardar o brinquedo porque ele tem de ter sentimento de posse para cuidar das coisas. Ele não vai aprender sozinho. (…) Os pais têm de explicar que a brincadeira só acaba quando o brinquedo voltar para o lugar.

A escada não é feia

Com 6 anos, tem criança dizendo na escola “não faço porque eu estou pagando”. Em algum lugar, ele ouviu isso. E o professor, que não tem preparo, pensa: “é verdade, eu sou miserável mesmo”. Mas ele tem de dizer: “Ô, garoto, que bom o seu pai tem dinheiro, mas você não tem educação. E nós estamos falando em educação. Então, vá fazer”. E o professor deve virar as costas e ir fazer outra coisa. Deu a ordem, vira as costas. Isso é ser líder. A criança tem de guardar brinquedos. Por que não está guardando? Porque ela é o resultado da educação que recebe. Antes, o pai só olhava para a gente, e a gente já obedecia por causa de três coisas que o pai jurássico tinha: paciência curta, voz grossa e mão pesada. (…) Hoje, a mãe diz “Você não acha que seria melhor para todos você guardar o brinquedo?”. No passado, a mãe também era mandona e dizia: “Bem feito, apanhou porque não obedeceu”. Hoje, o filho cai da escada e ela diz “escada feia” e bate na escada. A criança precisa aprender a olhar a escada. Porque escadas existem. Mas ela prefere colocar rampas pela casa.

Geração asa e pescoço

Domingo de macarrão e galinha. O pai jurássico comia o peito e a coxa. A asa e o pescoço ficavam para as crianças. “Isso é para quando ela crescer, para quando ela conseguir se virar. Eu cresci comendo asa e pescoço. Tive de trabalhar muito, estudar muito, namorar muito, casar e ter filhos”. Aí, esses filhos que só comeram asa e pescoço começam a crescer. Nunca comeram peito e coxa. Mas pensam e fazem: “Meus filhos vão comer peito e coxa e só de frango, porque galinha é muito velha”. A pessoa começa a vida comendo só peito e coxa (a geração Y). Fazendo só o que quer. Não estuda muito, não trabalha quase nada, namora todas, casa ou é forçado a casar e tem filhos, muitas vezes ainda quando adolescentes. E os avós, que são da geração asa e pescoço (a geração X) vão ter de cuidar dos netos, porque seus filhos não cuidam dos próprios filhos. (…)
Aí, a mãe do Joãozinho, 6 anos, vem à palestra. Ele nunca guardou os brinquedos. A mãe sentencia: “De hoje, não passa”. Ela chega em casa, 11 da noite, o marido “em coma” e o filho brincando. O marido na poltrona, estirado, com o controle da TV na mão. E o cérebro pensando em nada. Homens são capazes de pensar em nada, “entram em coma”. E ele está lá, junto com o filho menino, num ambiente sem nenhuma conversa por horas. Só sendo homem. A mãe chega e fala “Joãozinho, o Tiba disse que você tem de guardar brinquedos”. Onze da noite, o cérebro do marido em coma, como se resolve isso? Porque qualquer mudança não dá para fazer sozinho. Então, o pai diz: “Quem sustenta a casa sou eu, eu é que mando. O Tiba é uma besta”. E queima o filme do Tiba.

Palavra é arma

Os homens são fracos em palavras. Usam de
2 mil a 4 mil por dia. Quando acabam, eles entram em coma. E, imaginem o casal jantando. Acabaram as palavras do homem, e a mulher quer discutir a relação… Ela quer é falar.
A mulher usa de 4 mil a 8 mil palavras por dia. A mulher que menos fala, fala mais que o homem que fala menos. É uma injustiça. O dom da palavra vira arma. A ausência da palavra mata um homem. (…) E por que a mulher fala tanto? Quando está entusiasmada, precisa falar. E quando fica brava, acelera de vez, aumenta a velocidades das palavras, esquece a pontuação e vira uma metralhadora… E frita o cérebro do homem. Gente, é preciso aprender a comunicar. Quer parceria? Comunica, mas não esparrama as palavras. Tudo está na maneira de falar, depende de como se fala. O filho não vai obedecer a mãe que quer dar todos os conselhos do mundo enquanto os amigos esperam no carro, do lado de fora da casa, para ir na balada. Ele não vai escutar nada. Mas a mãe tá com a consciência tranquila porque disse tudo que tinha de dizer. Quer irritar o filho? Use esse recurso.
É preciso falar, virar as costas e ir embora. Não espere seu filho agradecer. O filho está brincando, fica com sono, diz que está cansado e quer dormir. A mãe: “Deixa eu te ajudar”. Mas a gente só ajuda quando a pessoa está fazendo algo. A mãe faz no lugar. Ajudar é um pegar de um lado, e outro, do outro. Quem não cuida do brinquedo não cuida do que é seu. Não atende celular na balada, usa toda a mesada e, quando vai levar os pais para tomar sol, esquece eles lá. É muito amor e pouca competência educativa.

Quando o filho desanda

Patrão e chefe dão a ordem e, se você não obedecer, sofre as consequências. Mãe pensa “Amanhã, ele guarda o brinquedo”. Ou então, furiosa, diz que vai contar até três, dá prazo para o filho não perder o brinquedo e diz que vai dar tudo para crianças pobres. E nunca cumpre. E, quando faz isso que nunca fez na vida, acha que foi radical demais. E começa um monólogo para gastar as palavras do dia. “Ficou louca”, pensa o filho. E aí ela fica querendo agradar no meio da bronca. Fica com pena do filho. Ser mãe não é sofrer no paraíso porque isso não é paraíso, é um inferno. Aí a mãe pensa “Custava eu guardar pela milionésima vez?”. Agora que tomou uma atitude, se critica porque fez isso. E o homem em coma, no sofá, vê a mulher chorar e diz: “O quê? Na minha casa, ninguém faz isso com a minha mulher, nem meu filho”. E diz que vai resolver. E o filho entra em pânico e vai obedecer por causa das três coisas: paciência curta, voz grossa e mão pesada. (…) O filho começa a chorar porque apanhou. E a mãe diz “Filho chorando na minha casa? Ninguém faz isso na minha casa com o meu filho…”. Dá para ficar confuso, né? Pai que fala vinho, mãe que fala água, e filho que desanda. É preciso ter coerência educativa.

A cidadania familiar

O filho aos 6 anos pergunta “Por que eu tenho de guardar o brinquedo, por que sempre eu?”. Como se ele tivesse o direito de não guardar. Nós os formamos para que ele não guardasse. Nós assumimos no lugar dos filhos o que eles têm de fazer. A criança cresce incompetente porque nós deixamos. O líder precisa instigar o filho a fazer. E ele volta da escola e fala: “Na escola, eu não guardo”. E os pais calam a boca. As escolas recebem filhos desandados, que agridem professores. Voltam para casa contando a versão deles. Os pais vão para a escola reclamar do professor. Querem que a escola mude as regras por causa do seu filho. Desandado em casa, vai desandar na escola. Família que diz vinho, escola que diz água, e o estudante desanda. Os pais precisam ser coerentes em casa. Hora do atrito é hora educativa. Os pais não combinam, e um desautoriza o outro. E o filho não tem uma regra fundamental que é a cidadania familiar.

Cada filho é único

Não sei por que esse filho deu bandido, pensam os pais. O outro filho é mocinho. E eles carregam a cruz por ignorância, falta de conhecimento. O cachorro que obedece o líder, defende-o e fica perto dele. O gato vai morrer bem longe da casa. Se bem que hoje já há gatos morrendo em casa, acachorrados, tipo Garfield. Tira o instinto de independência… Solta o gato e esquece dele dentro de casa. Ele vai comer o peixe do aquário, o tecido do sofá. Vai se virar e não vai morrer. O cachorro morre de fome com o saco de ração ao lado. Instintos de cachorro e de gato são diferentes. Assim como os filhos são diferentes. E não dá para tratar os filhos diferentes do mesmo jeito. O segundo filho vai lembrar do primeiro filho enchendo a sua paciência. O primeiro filho nasce com todos da família em volta do berço. O segundo nasce com um dedo entrando no olho. E a gente quer que os dois tenham uma visão de mundo igual? Filhos são únicos. E a igualdade de tratamento só deve existir na meritocracia. Mereceu, leva. Mas, não. Quando um está de aniversário, os pais compram presentes para todos. Tentam pagar o sofrimento com lucros e correção monetária.

Estação adolescência

É a fase em que eles questionam muito a autoridade, que enfrentam os pais. Quer ver se é criança ou adolescente? É simples. Com três pessoas em casa, de noite, não faça janta e avise que vocês vão jantar fora. E o filho vai ficar sozinho. “E quem fica comigo?”, se ele perguntar isso, é criança. O adolescente dá graças a Deus.
O adolescente quer ser adulto mas sem o mínimo de responsabilidade. Garante que não vai ficar viciado em droga, que vai passar de ano… Mas isso não acontece, e, quando a família viaja nas férias, ele vai junto.
Como ficam os avós

Chamar a mãe de avó é uma sacanagem. “Vó, quer brincar com o seu neto?”, pergunta. E a vó sai correndo, larga tudo. E o vô? Ah, ele quer ficar em casa, vendo TV, porque não aguenta mais dobrar a coluna. A avó não prepara mais macarrão e galinha. Pergunta o que eles querem comer. “Nuggets”, dizem os netos. “Hã?”, pergunta a avó. E eles ficam rindo e não explicam.
A geração asa e pescoço está sustentando também os netos. E, embaixo de um folgado, sempre há um sufocado. Ou você identifica o folgado ou estraga a empresa. (…) Mesmo após velhos, eles estão sendo explorados. Falta conhecimento educativo. Muito amor e pouca competência.

Educar para enfrentar

O pai deve educar não só para o trabalho e para a vida. Também deve educar o filho para se defender do que surgir. Tem muito adolescente com 16 anos já alcoólatra. Por quê? Porque começa a beber com 12 anos. Bebe antes de ir para a festa, faz o que eles chamam de “esquenta”. E aí há ambulâncias nas festas. (…) Se chegou na festa e “fez esquenta”, tem de chamar os pais e levar embora.
Sobre as drogas, os filhos dão sinais em casa antes de ficarem comprometidos. São 30 sinais, que eu descrevo em livro. Mas os pais só descobrem quando ele roda na escola, quando vai parar na polícia.
Imagine que a mente é uma casa. O álcool quebra as janelas da casa, e casa com janela quebrada significa descuido. É a que mais vai ser assaltada porque o dono é descuidado. E os assaltantes querem pegar os descuidados. E casa com vidros quebrados tem banheiro sujo. Ninguém entra e limpa. Entra e vai usar do jeito que conseguir. (…) O álcool tira o controle do que é inadequado. Aquele fortão da turma, o brigão, quando bebe, fica macio, parece até apaixonado. Não é o álcool que o transformou. Ele é um enrustido, que saiu do armário. (…) O álcool quebra a censura, e ele fica exposto à vontade.
A maconha obriga o seu usuário a esquecer a porta aberta. Ele fica esquecido, desanimado para cuidar da casa. Entram as pessoas que ele permite. A maconha não tem amigos, tem colegas de uso.
A cocaína é quando um carro bate na parede da casa e cria um rombo. E por esse rombo, entram outras drogas indesejadas e que viciam rápido, como o crack, o óxi e as drogas sintéticas. Se o adolescente não sabe se defender dos primeiros vícios, abre um rombo. É preciso preparar o filho para o que pode atrapalhar a vida dele e a nossa.

Pais e educadores
de alta performance

Para chegar a ela (alta performance), é preciso ser ético, estar no caminho do bem. Se vai prejudicar alguém, não é ético. É preciso também fazer o melhor possível sempre. E não se deixar levar pela emoção porque, se fizer isso, não cumpre o plano educativo. O melhor é falar sempre. Se o aluno está cheirando mal, a professora não pode ir para o outro lado da sala. Ela tem de dizer: “Sinto o seu cheiro daqui” e tem de dar um sabonete, se ele não tiver um em casa.
E se eu faço bem, eu publico, eu exponho. O diretor da série mais premiada no Oscar (O Senhor dos Anéis) repassou sua técnica após os primeiros três filmes, quando ainda estava pensando no quarto. Alguém disse: “Está louco dando o caminho?”. “Não”, disse ele. “Enquanto eles ficam entretidos no caminho que eu já trilhei, eu estou atrás de outro”.

Quem é ele

Em pesquisa feita em março de 2004 pelo Ibope, a pedido do Conselho Federal de Psicologia, Içami Tiba foi o terceiro profissional mais admirado e tido como referência pelos psicólogos brasileiros, sendo Sigmund Freud o primeiro, e Gustav Jung o segundo

Métodos para educar

04 de maio de 2012 11

Todos os posts de Ticiana FontanaComo é àrdua e difícil a missão de educar. É um teste diário.

É normal acertar e errar, mas para criar bem um filho esse cálculo deve alcançar um resultado positivo.

Será que sempre foi assim, ou hoje está mais difícil?

Os pais atuais são mais inseguros?

Sei que a insegurança é sentida pelo filho, mas quem não ficou em dúvida sobre como agir, que atire a primeira pedra.

A Antonela, como a maioria das crianças, está na fase da rebeldia - (eu que pensava que era só na adolescência), vive aprontando e provocando.

A gente passa o dia fora trabalhando e quando chega em casa, buscando paz e sossego, os desafios são ainda maiores.

A minha teoria de educação não inclui tapas e tento não gritar, as vezes, é muiiito difícil seguir os ideais.

Sou adepta do castigo e de decisões firmes, ou seja, sem voltar atrás.

Explicos as coisas sem diálogos longos e faço ela olhar nos meus olhos.

Já deixei a pequena sem DVD, tirei brinquedos das mãos, deixei chorando sozinha. Explico as coi

Enfim, às vezes, mesmo sabendo que estamos no caminho certo, sempre acho que poderia ter feito diferente ou melhor…

Gostaria de saber de outros pais quais os meios utilizados para auxiliar nessa difícil missão de educar…

Você é uma delas?

01 de maio de 2012 5

A Claudia, uma leitora assídua do blog, mãe do Jerri, 3 anos e 10 meses, mandou um texto que ela recebeu da irmã Silvia, e que a fez recordar da infância.

Com o título de Mães Más, a autoria seria do psiquiatra Carlos Roberto Hecktheuer. Fui para a Internet, descobri os contatos do médico e confirmei a autenticidade do texto, que é do psiquiatra gaúcho de Passo Fundo.

Depois de lê-lo, reflita e responda: Você é uma mãe má?

MÃES MÁS
De Carlos Hecktheuer , médico psiquiatra

Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: “Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar”.

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes “não”, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso e em momentos até odiaram.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… porque no final vocês venceram também!

E, em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: “Sim, nossa mãe era má.

Era a mãe mais má do mundo…

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.

As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

Ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.

Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e “fuçava” nos nossos e-mails). Era quase uma prisão.

Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela “violava as leis do trabalho infantil”. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis.

Eu acho que ela nem dormia à noite pensando em coisas para nos mandar fazer. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade e, quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.

A nossa vida era mesmo chata.

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos. Eles tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar tarde à noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16, para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

Foi tudo por causa dela.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.

Eu acho que este é um dos maiores males do mundo de hoje: não há mães más suficientes!

Rebeldia na escola...

14 de março de 2012 7

Recebemos essa mensagem de uma leitora do blog. Alguém dá uma luz para a Maura?

Olá, meu nome é Maura. Estou escrevendo pelo seguinte motivo, tenho um filho de 10 anos e está dando muito trabalho na escola, e não é por falta de medidas/providências adotadas pelos pais. Gostaria de saber o que posso fazer para que meu filho dê menos trabalho na escola.

A diretora do colégio sempre me liga, e eu não sei mas o que faço. Gostaria de um conselho, o que pode ser feito para que ele pare com essa rebeldia.



Pais de adolescentes temem violência e drogas

12 de março de 2012 0

Todos os posts de Ticiana Fontana

“Filho a gente cria para o mundo”. Uma das frases mais corriqueiras no exercício da maternidade ou paternidade começa a sair do papel e vira realidade principalmente a partir da adolescência. Durante essa fase, geralmente ocorre o fim da idealização dos genitores, o filho sai em busca de mais autonomia e da construção de sua própria identidade. Isso significa que, mesmo não sendo uma regra, é natural a preferência pela companhia de colegas ou ter como referência um grupo de amigos.

De acordo com a psicóloga clínica Luciane Beltrami, a adolescência tem seus desafios, como ocorre em qualquer outra fase do desenvolvimento dos filhos. Apesar de estereotipada e temida, a dita fase da rebeldia pode ser encarada com mais tranquilidade pelos genitores. A literatura especializada tradicional considera que a adolescência é o período entre 12 e 18 anos, apesar de estudos recentes avaliarem que o prazo possa ser relativizado entre 11 e 20 anos, com diferentes níveis de amadurecimento.

Segundo a psicóloga, as maiores preocupações dos genitores nessa fase envolvem violência urbana e drogas. Tanto em relação à violência quanto às drogas, o diálogo é a principal ferramenta para ficar mais próximo de seu filho e entender como ele age e pensa. Os pais precisam ter uma rede de conhecidos como os outros adolescentes amigos do filho e também os pais deles. É fundamental saber com quem ele anda e para onde vai. Na balada, deve ficar bem claro quem será o motorista, será um pai, um taxista, e se for um jovem, cobrar que o condutor não ingira bebidas alcóolicas. Enfim, ter uma relação aberta com o filho, o que significa também impor limites.

– O importante é que os pais deixem claro que o filho é o responsável por seus atos e tudo o que fizer tem consequência na vida dele e dos outros, ou seja, a vida é feita de escolhas, e a gente responde por elas – pondera a psicóloga, acrescentando que é preciso relativizar alguns comportamentos e não ser moralista demais.

Como atualmente os jovens têm muito acesso à informação, os pais precisam estar abertos a indagações e a negociações.

(Ticiana Fontana)

Coluna Em Nome do Filho publicada toda segunda-feira no jornal Diário de Santa Maria

Menos é mais

06 de março de 2012 2


Descobri tempos atrás que pertenço a um movimento que sequer sabia existir. Eu, que chamava o modo como acredito que uma criança deva ser educada de um tosco “sem estresse”, deparei com a terminologia Slow Parenting, uma variável do Slow Movement, que a grosso modo prega que devemos desacelerar em diversos aspectos da vida (você já deve ter ouvido falar do Slow Food, o oposto do fast food). A grosso modo, o Slow Movement e seus derivados propõem uma diminuição do ritmo diário em nome de uma vida mais simples, com mais tempo livre.
Pois esse paradoxo do mundo contemporâneo também pode ser aplicado à educação, ao modo como criamos os nossos filhos, e é aí que entra o Slow Parenting. Algo como não colocar tanta expectativa nos filhos, libertando-os de tantas atividades, correria, pressa, eletrônicos, pressão, barulho, estresse e expectativa. Em troca, propor mais passeios ao ar livre, mais silêncio, mais calmaria. A hipótese é que mais tempo para crescer e descobrir o mundo fará as crianças mais felizes. Afinal são apenas crianças, não é mesmo?
A psicóloga Luciana Suarez Grzybowski explica que os estímulos numa criança na chamada primeira infância, que vai até os sete anos, não precisam ser complexos. Basta brincar, interagir, questionar o mundo, conviver, viver o lúdico e, principalmente, ter os pais por perto.
_ É uma fase em que andar com o filho pela rua, mostrar uma flor, uma árvore, estar junto sem compromisso de regras, de ter que aprender isso ou aquilo, basta _ comenta Luciana, lembrando que é preciso que os pais disponham de tempo para a educação e o acompanhamento da vida doméstica e escolar, renunciando mais e terceirizando menos o convívio com os filhos, pois nada substitui o interesse e a companhia de quem se ama.
Um dos gurus do Slow Parenting é o jornalista Carl Honoré, autor de Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting (Sob Pressão: Como Salvar as Crianças da Cultura dos Hiper-Pais, em tradução livre). Entre os conselhos do autor estão deixar as coisas acontecerem em vez de programá-las, tentar não controlar tudo, dar tempo livre às crianças para que possam desenvolver a sua criatividade, recusar a pressão de ter de oferecer aos filhos uma infância perfeita, dar aos filhos espaço e tempo para explorar o mundo à sua maneira, pois é assim que as crianças aprendem a pensar, a inventar e a socializar.
Em tempos de Roger Waters em Porto Alegre, não custa lembrar: deixe as crianças em paz.

Como é? Sem frescura

10 de fevereiro de 2012 2

Todos os posts de Livia Meimes


Fui visitar uma pessoa que eu não via desde o nascimento do pequeno pôney (essa eu me puxei). Curiosa, essa pessoa me metralhou com vááárias perguntas, como era a nossa rotina, como eu me virava, como era a logística (palavra mais usada dos últimos tempos),  se era puxado, se doia e patati patatá.
Céus, pensei, era muita coisa pra responder e eu não estava com saco. Resolvi largar a primeira coisa que me veio à cabeça:
_ É sem frescura. A gente vasculha liquidação, reaproveita coisas dos parentes, compra brinquedo em brechó. A gente se vira. Mas com escolinha eu gasto uma fortuna, sabe como é, classe média economiza em tudo, menos em educação.
PLIM!! Sem querer eu acabava definindo a maneira como eu acho que uma criança deve ser criada: sem frescura.

Mas o que é educar sem frescura, pensei. Fui pras tenéti e descobri esse livro que, juro para vocês, não fui eu que escrevi:

“50 Maneiras de Criar seu Bebê sem Frescura”, com conselhos elaborados pela autoria Jenny Rosén. Descobri que o ela faz é desmistificar assuntos da maternidade, aquela coisa que a gente vive falando aqui. Não é bem o que eu queria, por isso prometo desenvolver a minha teoria sobre como criar um bebê sem frescura logo, logo. Enquanto isso, reproduzo abaixo algumas ideias de Jenny:

“O bebê está lindo. Só precisa engordar um pouquinho. Está muito magrinho”
Gordura não é sinônimo de saúde, nem para bebês. O importante é a criança estar dentro da linha de desenvolvimento, crescimento e ganho de peso proporcional ao seu tamanho no momento do nascimento. Um bebê que nasceu com 2,9 kg, por exemplo, não terá o mesmo peso ou aparência de outro cujo peso beirou os 4kg no nascimento.

“O filho do fulano já segura tudo com as mãozinhas e sempre ri quando me vê e o outro andou com 10 meses”
“Existe um receio de nossos filhos estarem em desvantagem. Cada criança tem seu tempo que deve ser respeitado. De forma alguma torne a comparação uma cobrança para seu filho. O estímulo tem de ser como uma brincadeira , uma diversão que leve o bebê a superar naturalmente os seus limites”, diz Jenny Rosén. É importante apenas manter o desenvolvimento acompanhado por um profissional que possa detectar possíveis problemas.

“Se não deixar o bebê chorando, ele nunca vai aprender a ficar ou a dormir sozinho”
“A maneira de o bebê se comunicar nos primeiros meses é com o choro; portanto não significa sempre um problema ou dor. A função dos pais não é de nenhuma maneira fazer cessar o choro, e sim de tentar entender o que acontece”, diz Augusto Pisati. Aos poucos, os pais vão entendendo o que significa cada um dos choros do bebê. Até isso acontecer, não tente impor técnicas e regras ao pequeno. “Pegar seu filho recém-nascido no colo quando ele chora não vai mimá-lo. Também acredito que não se deve deixar o bebê chorando desnecessariamente nos primeiros meses. Nessa fase, ainda não existe a manha. Se eles choram é porque algo está errado. Não acredite que deixá-los chorar por horas durante a madrugada fará com que não despertem na noite seguinte”, diz Jenny Rosén.

“Você não poderá sair de casa até o bebê ter seis meses. Viagens, então, pode esquecer”
“O importante é a estimulação a que a criança é exposta e não o fato de sair de casa”, diz Jenny Rosén. Mas isso não impede que o bebê saia de casa. Até os dois meses de idade, apenas evite lugares aglomerados. “Uma dica é levar o bebê no carrinho, pois inibe que as pessoas a manipulem e peguem muito no colo”, diz o pediatra Augusto Pisati. O especialista da a medida: a época ideal é quando os pais sentirem necessidade. “Uma voltinha no parque ou uma visita rápida aos amigos são ótimos programas”, diz Rosén, que saiu pela primeira vez com sua filha Lorena quando ela tinha apenas 8 dias – antes dos 3 meses a bebê ia a todos os lugares. Lorena foi à praia pela primeira vez com 2 meses.

“Você deixa esse bebê muito descoberto. Ele não pode tomar friagem”

A dica é não exagerar. O bebê deve estar apenas um pouco mais agasalhado do que você. “Saiba que um dos principais motivos de choro sem razão aparente é o calor. Experimente tirar uma peça do vestuário do seu filho e veja se ele não se acalma imediatamente”, diz a autora. Uma dica é perceber a sensação térmica do bebê por meio da temperatura dos pés e mãos, que devem sempre estar mornos e nunca suados ou quentes.


Mãe pedagogicamente correta. Você é?

25 de janeiro de 2012 4


Você é daquelas que só oferece ao seu filho livros com mensagens educativas?
Xuxa está vetada do seu vocabulário – e do seu aparelho de som?
Proíbe de ver Big Brother Brasil, mesmo que o piá não entenda bulhufas?
É fã de Vila Sésamo, Cocoricó e Palavra Cantada?
Ensina seu filho a reciclar lixo, a não comer gordura trans e como salvar o planeta?
Só mostra cantigas de roda e musiquinhas inocentes para o seu filho como “Cai Cai Balão” e “Brilha Brilha Estrelinha” e surta só de imaginar ele cantando “Ai se eu te pego, ai, ai”?

Parabéns! Você é uma mãe pedagogicamente correta.
O que isso significa? Que talvez você seja um pouco chata, mas está correta nas suas atitudes. Nunca é demais ser chata quando se trata de educação dos filhos. Por mais que você reme, reme, parece que sempre vai ser derrotada pelos inimigos maus hábitos, doces fora de hora, manhas persistentes e patatipatatá. É bom ter uma gordurinha, nesses casos.

E para isso, nada melhor do que sempre optar sempre pelo lado certinho da força. Não abusar muito da sorte, saca? Mas cada um tem seu limite, claro. Eu, por exemplo, posso levar o Leonardo para jantar e chegar em casa às 23h, mas quando ele chega, vai dormir na cama dele.  Também deixo tomar Coca-Cola e comer doce em festas, mas em casa, necas.

Uma coisa “flexível, mas não tanto”.

beijos



Mães provocam "tsunami" infantil

06 de janeiro de 2012 7

Por que será que as mães sempre escutam a mesma frase:

- Ela estava um anjinho até você chegar…

A colocação aconteceu após uma sucessão de acontecimentos matinais. Saiu e voltei para casa no meio da manhã. Quando cheguei, a pequena se trancou dentro de um armário. Depois, ela correu e caiu pela casa usando um sapato de salto alto meu. Quando o tirei, explicando que era para não fazer “dodoí”, ela saiu gritando e pulando pelo sofá. 

Por que será que a gente provoca efeito “tsunami” nos filhos?

Ontem, a situação foi quase igual, mas um pouco pior. Ela começou a se “exibir” no meio de um restaurante. Tentei ignorar, depois tive de agir.  A coloquei no colo e aguentei a rebeldia por um tempo. Quando ela acalmou-se, pedi a conta.

Será que essas reações são de alegria por nos ver?

Excesso de energia acumulada?

Falta de pulso das mães?

A conclusão que sempre imaginei que isso só acontecia em casa alheia….

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