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Posts com a tag "pai"

O pai conta história da filha

06 de dezembro de 2012 1

O depoimento abaixo é do pai da garota Nicole que recuperou-se espantosamente de um grave acidente sofrido no começo de novembro e mostrada na Coluna Em Nome do Filho desta segunda-feira:

"Um Mundo Melhor

Agora são 07:34, manhã do dia 20 de novembro de 2012, daqui a algumas horas completam-se 2 semanas, nas quais as horas e os dias arrastaram-se e sinto-me anestesiado, confinado num tempo que não conheço e num espaço que não me pertence, desde o acidente com minha filha. Quando ela foi atropelada no início da tarde do dia 06 de novembro, uma terça-feira calorenta e abafada.

Lembro-me dela jogada no asfalto, que parecia derreter e ela gritando, gritando e querendo se levantar; parecia um animalzinho ferido, ensanguentado, sem forças para reagir, ou quem sabe, um pássaro ferido, cuja as asas foram cortadas abruptamente e já não conseguia alçar voo.

A partir daquele momento, coloquei minhas energias e minha fé direcionadas somente para aquela que faz meus dias e minhas noites terem um significado mais belo e mais profundo.  Pela espontaneidade e alegria, características das crianças nessa idade. A Nicole tem 8 aninhos.

Jamais esmoreci na fé e na certeza que vem da esperança e do amor. Em nenhum momento, achei que perderia minha filha para a fatalidade, essa desconhecida imprevisível que surge do nada e nos arrasta para o sofrimento inesperado.

Eu acredito em Deus, não em padrões deterministas e atávicos, que sob uma pseudo-hereditariedade psíquica que supostamente trazemos de nossos antepassados, de gerações mais antigas, cujas as influências culturais, morais e, principalmente, espirituais ( karmas para os espíritas kardecistas ou transmigração de almas para os budistas e algumas vertentes do hinduísmo ) teriam o poder de alterar nossos destinos, fazendo-nos aceitar passivamente sofrimentos e misérias, anulando o nosso livre arbítrio, nosso direito de escolha, tornando-nos marionetes nas mãos do imponderável e um mata-borrão humano, sem vontade e capacidade para mudar a nossa realidade.

Alguns preferem acreditar nesses princípios espirituais e não questionam seus dogmas e preceitos e seguem arrastando vida a fora um trilho pesado de tristezas e infelicidades; outros ainda sentem o cheiro do ópio, do qual Karl Marx falava e estão entorpecidos nas religiões e em nome delas, matam, discriminam, isolam, ferem e maltratam seus semelhantes, e nos seus extremos estão os fanáticos e radicais e também os conformistas e alienados.

Eu sempre procurei extrair dos meus dramas pessoais e das tragédias pelas quais passei, um aroma agradável que pudesse minimizar as perdas, apaziguar o coração e seguir em frente, num comportamento meio polliana mesmo.

Porém, desta vez, ao ver o sofrimento da minha caçula, não consegui encontrar justificativas aparentes e todas as respostas conclusivas do jogo me pareciam superficiais e destituídas de significados para dizer:

- estou contente por minha filha ter sofrido esse acidente por quê? Por quÊ? e não consegui completar o jogo.

Enquanto buscava e não encontrava respostas para esse contentamento um tanto quanto paradoxal, meus passos tomaram outro rumo e me levaram todos os dias e algumas noites para aquele prédio espelhado da Avenida Presidente Vargas, onde se misturam o novo e o velho, o pobre ( leia-se SUS ) e o rico ( chame-o particular ), onde a doença e o sofrimento andam de mãos dadas com a saúde e a alegria; alguns chegam e outros partem numa viagem sem bagagem e sem o bilhete de volta. Alguns riem no retorno para o aconchego do lar e outros choram, porque na mesa do jantar há uma cadeira sobrando; alguns comemoram a plenitude da vida enquanto outros lamentam a alma vazia.

Esse que agora gasta a tinta da caneta numa folha branca de papel, voltará em breve acompanhado da amada filha, sorrindo e confiante em dias melhores. Quero esquecer que chorei quase todas as madrugadas, sozinho no meu quarto, e as vezes, andando na rua e não me envergonho disso, porque aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvidas, com alegria, trazendo consigo os seus molhos ( Salmo 126:6).

Porém, minhas lágrimas não eram de desespero, e sim, porque eu próprio sentia as dores que minha filha sentiu e ainda vai sentir, dores física e psicológica, traduzidas no seu silêncio profundo e nas pequenas gotas de lágrimas que as vezes rolavam do canto dos seus olhinhos, quando ainda estava no coma e isso me angustiava muito, pois nada, absolutamente nada podia fazer, a não ser orar e confiar em Deus, sem questionar seus desígnios e propósitos nas nossas vidas, apenas tendo uma fé inabalável que tudo isso não passaria de um grande susto e nada mais.

Eu acredito em Deus, como já me referi antes, e, acredito no potencial do ser humano para um mundo melhor.

Minhas orações foram ouvidas e depois de vinte dias, dos quais nove no coma induzido, minha filha voltou para casa como sempre visualizei na mente e no espírito, como se tudo não tivesse passado de um grande susto. Sabe aquele mundo melhor ? Ele está dentro de você!

Francisco de Vargas Ilha"

Não basta ser pai...

21 de setembro de 2012 0

Todos os posts de Fabiana SparrembergerOs pais estão cada vez mais participando da educação dos pequenos e das responsabilidades/tarefas do dia a dia. O que algumas mães se perguntam é se, algum dia, a lista das tarefas será igualmente dividida. Eu acho que, como tantas outras coisas, é uma questão cultural.

Os pais estão ocupando cada vez mais espaços na criação dos filhos e talvez chegue o dia em que essa divisão de tarefas ocorrerá naturalmente, sem estresse ou cobranças.

Enquanto isso não ocorre, tem mãe que reclama  que o pai deveria participar muito mais.

No site da revista Crescer, tem uma interessante reportagem de como o pai pode participar da vida dos primeiros meses do bebê. Com dicas bem práticas, principalmente para inspirar as gestantes que já estão se preparando para a vida nova. Confere .


Pai que é pai tem de... usar saia?

01 de setembro de 2012 2

Todos os posts de Fabiana SparrembergerEsta notícia (bárbara) saiu numa revista alemã (veja abaixo a reprodução) e circulou em muitos sites pelo Brasil nesta semana. O episódio envolve um pai alemão, que mora num vilarejo do sul do país, e resolveu começar a usar saias porque o filho de 5 anos gosta de usar vestidos. Niels Pickert não quis que o filho fosse ridicularizado na escolinha e, para apoiá-lo, resolveu também usar saia.

Em uma carta, ele explicou: "Sim, eu sou um daqueles pais que tentam criar seus filhos de maneira igual. Eu não sou um daqueles pais acadêmicos que divagam sobre a igualdade de gênero durante os seus estudos e, depois, assim que a criança está em casa, se volta para o seu papel convencional: ele está se realizando na carreira profissional enquanto sua mulher cuida do resto".

O pai justifica que não poderia abondonar o guri ao preconceito. "É absurdo esperar que uma criança de cinco anos consiga se defender sozinha, sem um modelo para guiá-la. Então eu decidi ser esse modelo", disse ele.

Pai e filho decidiram então sair pelo vilarejo com suas saias vermelhas. O pequeno não parou por aí, resolveu, então, começar a pintar suas unhas. E faz o mesmo com as do pai.

E o que achei mais sensacional foi a resposta do piá para outros meninos que caçoam dele:

-  Vocês só não usam saias porque os pais de vocês não usam.

E a pergunta é: você faria isso para apoiar seu filho?

Reflexões sobre a paternidade

29 de setembro de 2011 2

Pois é, colega. Se você, malu, mulher, rendeira, acha que sofre, saiba que o seu marido, mais conhecido como pai da criança, também. : p

Em primeiro lugar, o pai é sempre o Plano B quando tudo vai bem, mas o Plano A, se faltar alguma coisa, ou em caso de emergência. Do nascimento, a lembrança que fica é a da mãe convalescente, do bebê chorão e da sogra intrometida. Fica na memória, também, alguns números. Da conta da maternidade à matrícula na universidade particular, o tempo passa rápido.

O filho mama alguns meses na mãe e muitos anos no pai: a mesada é uma remuneração com muitos nomes.

Ser pai é o resultado do ninho que foi construído após as primeiras promessas de amor. Na vida social, os horários mudam, a liberdade é uma propaganda de fraldas: dura 30 segundos.

Os amigos solteiros ou separados sempre têm conselhos sobre paternidade, assim como os casados. Porém, brincadeiras à parte, a moral da história é que ser pai é algo independente de qualquer estado social, econômico, civil ou militar (quando o relacionamento é uma guerra permanente).

Na vida de um homem, pode ser o diamante que finalmente completa aquela aliança de ouro que foi comprada em várias prestações para simbolizar a universalidade particular e intransferível do amor.


Uma homenagem ao pai do meu filho.



Um belo presente

16 de agosto de 2011 1


Este Dia dos Pais foi um dia muito especial, pois passei o meu dia com as pessoas que mais amo na vida. Como era "o meu dia", resolvi que tiraria o final de semana para me divertir com meus pequenos.

Quando convidei eles para sairmos, notei que as figurinhas lá de casa estavam planejando uma surpresa para mim. Tinham se trancado no quarto e me falaram que eu estava proibido de entrar. Sabia que alguma coisa eles estavam aprontando.

No domingo pela manhã, meus filhos me surpreenderam com beijos e abraços e com dois belos desenhos, que guardarei para sempre, junto com os tantos que a Melissa já fez e me presenteou, e agora com o primeiro feito pelo Davi, com a ajuda da irmã, que teve de driblar as tentativas do pequeno em riscar absolutamente todos os desenhos que ela tentava fazer.

Não tem coisa melhor na vida do quer receber um presente destes, feito com amor.

Para mim não importa o valor do presente, mas que seja feito de coração, como os que recebi dos meus filhos neste último domingo.


Melissa


Davi

Imitando o papai

07 de agosto de 2011 4

Izaur Monteiro


Ando reparando que o pequeno Davi anda com a mania de me imitar em tudo o que faço. Parece um daqueles sombras, que anda atrás de você, imitando seus gestos.
Não consigo fazer nada sem que ele vá junto. Tenho de ficar me cuidando para não acabar esbarrando nele. E, além disso, o grude está até causando ciúmes lá em casa. A mãe do pequeno fala que ela passa o dia com ele, e fica grudado nela, mas que, quando estou em casa, ele não desgruda é de mim. A gente brinca que é o chiclete do papai.
Outra coisa que ultimamente ele anda fazendo e é muito divertido de se ver é que ele adora pegar minhas coisas. Se deixar algum calçado dando sopa, lá está ele colocando nos pés e andando pela casa. O curioso é que ele não gosta de andar com os dele, mas os meus, ele não larga. Ele adora, também, pegar o meu crachá. Se eu deixar, daqui a algum tempo, o guri vai no meu lugar para o jornal.
Casaco, então, não posso deixar perto dele. Quer de todos os jeitos colocá-lo. Fica aquele casacão, arrastando pelo chão. Mas ele acha que serve direitinho e fica andando como se estivesse vestido como o pai, uma graça de se ver.
Quando vamos passear de carro, o Davi adora ficar brincando que está dirigindo também. Fica fazendo os movimentos como se tivesse trocando as marchas, mexendo no rádio e tudo mais.
Mas o mais engraçado é quando vou fazer a barba. Notei que, quando ele me vê fazendo isso, fica esfregando as mãozinhas no rosto com se estivesse fazendo a dele também. Uma graça!
Esses dias, coloquei creme no rosto dele, e ele queria era passar o aparelho de barbear no rosto. Enquanto não fingi que passava, ele não parou. Aí, depois, me apontou dizendo que era minha vez.
Como é bom ser pai e ter um pequeno te seguindo em todos os cantos. Às vezes, até fico atucanado, por não conseguir fazer as coisas sem que esteja ali grudado em mim. Mas, em seguida, vejo aquela carinha tentando me imitar e não tem como não ficar feliz com isso.

"Meu Pai, Meu Campeão" está entrando em campo

03 de agosto de 2011 1



O convite é que os leitores do Diário de Santa Maria e do blog Meu Filho coloquem toda a sua criatividade em campo e garantam um presente inesquecível para os pais neste segundo domingo de agosto. O concurso cultural Meu Pai, Meu Campeão vai premiar as duas melhores respostas para a pergunta "Por que meu pai é um campeão?" com uma camisa oficial do time do coração do pai (Internacional ou Grêmio) e um abrigo esportivo da Praxis Active Sports. As inscrições podem ser feitas a partir desta quinta-feira, aqui no blog, ou por meio do cupom encartado no jornal a partir de amanhã. Serão dois pais premiados: um gremista e um colorado.

 Para se inscrever aqui no blog, será preciso preencher um formulário que estará disponível a partir das 8h desta quinta-feira até as 18h do dia 9 de agosto. Os cupons serão publicados no jornal no mesmo período e podem ser entregues, também até o dia 9, na loja da Praxis, na Rua Orlando Fração, 89, bairro Medianeira. A entrega da premiação será no dia 12 de agosto.

Os interessados - podem participar leitores que moram nas 36 cidades de cobertura do Diário - têm a oportunidade de inscrever quantas frases quiserem, e elas precisam ter no máximo 160 caracteres. O regulamento do concurso será publicado aqui no blog nesta quinta-feira, dia 4 de agosto.  Capriche porque o seu pai, com certeza, merece.


'Ela só quer saber do pai'

04 de julho de 2011 23

A Renata manda esta mensagem abaixo, sugerindo que tratássemos do assunto no blog e também pedindo a nossa ajuda...

Bom dia, pessoal!

Meu nome é Renata, tenho 28 anos e uma filha linda chamada Isadora que vai fazer 3 aninhos dia 23 deste mês...
Há tempos estou para sugerir uma matéria e pedir ajuda ao mesmo tempo.
Minha filha está numa fase que está difícil de eu saber lidar e compreender: Ela SÓ quer saber do pai! Pra tudo!
No início eu fui deixando, achei que já ia passar, ele também tenta "cortar" algumas manhas, incentiva a vir comigo, mas nã, nã, nã!
Quando eu chamo a atenção dela por alguma coisa, ela solta: "eu só amo o papai, a mamãe, não!"
Uma vez ela chegou a dizer que o pai tinha comprado ela no supermercado só pra não dizer que veio da minha barriga...
Pode parecer frescura minha, mas tenho andado chateada com esse comportamento dela.
Li sobre "Complexo de Édipo", "Complexo de Electra", mas não sei em qual desses ela se encaixa e nem sei como fazer pra melhorar a situação.
Sou uma mãe super amorosa, dedicada... as pessoas dizem que é normal esse comportamento na idade dela, mas... quando passa?
O que fazer com esses ataques de só querer o pai?
Agradeço a ajuda de vocês!
Beijos

Mãe é muito diferente de pai (parte 3)

17 de maio de 2011 6

A discussão/reflexão está boa nos comentários deixados nos posts sobre "Mãe é muito diferente de pai". Publico agora uma opinião do Juliano Lanius, 25 anos, estudante de Santa Maria. Um rico depoimento de filho, que não quer errar no momento em que for pai... Obrigada, Juliano, pela colaboração.

A respeito do que foi dito na Coluna Meu Filho, desta segunda-feira (16/05), acho sim que mãe e pai têm diferentes papéis na educação dos filhos, mas também são igualmente responsáveis por tal educação. E penso que é assim que deve ser.

Como já tratado por Fabiana e Ticiana, aconteceram mudanças significativas para que os pais pudessem um assumir os afazeres do outro. Enquanto ao pai cabia a missão de prover financeiramente o lar, à mãe restava o papel que o próprio nome implica. Porém, este trabalho (sim, trabalho mesmo, e que deveria ser muito bem remunerado) não engloba somente o de cuidar e de alimentar as crianças, mas, sim, de manter a organização da casa, as roupas – de toda a família – lavadas e passadas, comida na mesa, compras no supermercado, arrumação da louça após as refeições, e por aí vai.

Ah, e não esqueçamos de que ainda tem o papel de esposa, que deve estar sempre disposta a dar carinho e atenção ao seu “macho trabalhador”. E se uma imprevisível dor de cabeça aparece, milhões de idéias maldosas e errôneas surgem à mente masculina.

À mãe coube o papel de geradora de vida, pois somente ela sabe o real valor de dar à luz. Se Deus quis que fosse assim é por que tinha a certeza de que a mulher daria conta do recado, e sem reclamar. Ao pai, o simples fato de depositar seus espermatozóides no óvulo feminino já o deixa cheio de razão para se intitular o pai do ano.

Pais são mais relapsos, desatentos. Às vezes, pensam que um presente ou uma grana de vez em quando suprirão as conversas que não acontecem, os conselhos que não são dados, aos NÃOS que são necessários, aos telefonemas que não são feitos. Mas não generalizemos, sempre temos exceções, graças a Deus! Existem aqueles que se esmeram e desempenham muito bem suas atribuições de pais.Mesmo assim, a grande maioria coloca nos ombros da mãe toda a responsabilidade pelos atos dos filhos ou o que acontece com eles. E, advinha? A mãe assume esta responsabilidade, sem medo algum de tentar fazer com que sua cria seja uma pessoa boa e cresça feliz.

Espero ser um pai diferente do meu. Como meus pais se separaram muito cedo (eu devia ter uns 3 anos), sei bem como é acordar esperando uma ligação no dia do aniversário e adormecer, ainda esperando. E com certeza, consigo colocar nos dedos de minhas mãos o número de vezes em que o telefone tocou nesta data. E nem por isso, cresci frustrado ou com raiva do mundo. Claro, não vou negar que as mágoas não se foram completamente, mas o esforço e dedicação com que minha mãe me fez um homem foram o alicerce em que construí meu caráter.

Às mães, um parabéns pela coragem e determinação com que abdicam de boa parte de suas vidas para que seus filhos sejam contentes e realizados e sintam orgulho delas. E, tenham a certeza, nós sentimos. Aos pais, um pedido: um pouco mais de atenção aos detalhes, pois muitas vezes, um olhar pode querer dizer “me dá um abraço?”. E isso não custará nem uma hora extra a mais no trabalho. É de graça.

Mãe é muito diferente de pai (parte 2)

16 de maio de 2011 5

Muito boa a reflexão da nossa leitora Bárbara. Ela tem um filho e uma enteada, ambos com 9 anos, e nos ajuda a pensar mais sobre o assunto.

Oi, Fabiana. Muito bom esse assunto. O que eu entendo é que cada um, pai e mãe, tem um papel definido e diferente na criação dos filhos. Claro que ambos devem educar, formar a índole, mas por serem diferentes homem e mulher é impossível que os dois consigam desempenhar as mesmas funções de modo igual.  Isso não quer dizer que concordo que os pais saiam por aí esquecendo os filhos nos carros ou seja onde for...

Na verdade, entendi este episódio como total descaso, me impressiona que alguém pode ter um esquecimento deste tamanho, do tamanho de um bebê de sete meses...  Acho que o principal problema que os pais tem enfrentado na nossa era de globalização e modernidade é que antigamente as mães ficavam em casa cuidando dos filhos, não tinha aquela pressão em cima da mulher.

O homem era o provedor da casa e cumpria sua função trabalhando. A mulher era a senhora da casa e mantinha tudo em ordem (casa, roupa, comida, filhos) quando o marido chegava. Mas hoje a ideia que a sociedade tem da mulher é que se ela não trabalha fora é preguiçosa, desinteressada por uma vida melhor, e todos se esquecem que a mulher que trabalha fora chega em casa e tem roupa para lavar, casa para limpar, filhos, tema deles para ver, o marido com fome (isso quando ela não estuda também).

Então, trocando em miúdos, toda essa pressão que a mulher precisa aguentar para não ficar com aquela fama de mulher relapsa, preguiçosa que não quer trabalhar (mas já trabalha mais em casa do que fora), ela divide suas 24 horas do dia com diversas tarefas, entre elas educar e cuidar dos filhos, enquanto a maioria - eu digo a maioria porque há bons pais educadores e responsáveis - dos homens trabalha fora e chega em casa sem tocar a mão em nada.

A mulher moderna está se desvinculando um pouco de sua função primordial: a maternidade. O homem está precisando absorver parte desta função pelo fato de que estas mulheres precisam fazer mais coisas para provar à sociedade seu valor. Só que muitas funções são de mães, enquanto outras são de pais, é como uma equipe, cada um tem seu papel distinto, e juntos integram um sistema.  Os filhos precisam tanto de pai como de mãe. São duas metades que se completam formando uma.

Não sei se consegui colocar bem meu pensamento. Acho que a correria destes dias anda bagunçando muito paternidade, maternidade e o lado das crianças também. Cada qual quer ter mais razão, mas pais e mães são todos responsáveis, cada qual em sua dose.

Abraços,

Bárbara Mazim

Mãe é muito diferente de pai

16 de maio de 2011 10

O título acima está no livro Quem Ama, Educa!, do escritor, psiquiatra e conferencista Içami Tiba. Lembrei dele depois que li sobre a bebê de sete meses que foi achada morta em um carro, em Novo Hamburgo, esquecida pelo pai no banco de trás do veículo. "Pais perdem os filhos em shoppings, praias, festas juninas. Mães não desgrudam os olhos dos pimpolhos", era um destaque de uma página de livro.

Há 300 mil anos, a mulher é mãe
Tiba defende que são enormes as diferenças entre ser mãe e ser pai, e elas  teriam "bases biopsicossocioantropológicas distintas". O autor lembra que a mulher é mãe há mais de 300 mil anos, quando o encontro sexual era quase um estupro. Já o homem passou a conhecer a paternidade só há cerca de 12 mil anos, quando a mulher inventou a agricultura, e os seres humanos fixaram-se mais na terra. Desse modo, defende Tiba, é até natural que a mulher seja muito mais apta que o homem para cuidar das crianças. "Do jeito como os homens de hoje estão, se fosse função deles historicamente olhar os filhos, o mundo não chegaria a acabar, mas talvez diminuísse bastante, pois até hoje ainda há pais que, literalmente, perdem seus filhos. Ou se tivesse sido o homem o encarregado de olhar as crianças, como sempre foi a mulher, talvez hoje os pais não estivessem perdendo seus filhos pelo caminho...".

Mãe sobrecarregada, pai folgado...
É claro que a antiga divisão de papéis sofreu muitas mudanças, mas ainda, segundo Tiba, ela insiste em se manter. O pai trabalha e, por isso, acredita que não precisa participar da educação das crianças, que segue sendo uma responsabilidade da mãe. Mesmo que a mãe trabalhe fora, ainda resiste em abandonar o que fez durante tanto tempo, e tem, em casa, o seu segundo emprego. Concluindo: os dois têm participação na manutenção desse cenário.
A mãe se sobrecarrega, o pai segue folgado. Uma pista para mudar isso, o escritor também dá: a mulher não precisa ser 100% mãe, poderia ser só 50% se a outra metade fosse complementada pelo pai ao assumir seu lugar na educação, já que ela também trabalha fora e traz fundamental ajuda econômica para a família. O homem tem muito a se desenvolver como pai, e a mulher que trabalha fora, também. Ela deve exercer outro tipo de papel como mãe e administrar a casa de um modo diferente. Mas como? Conto na próxima coluna.       
E você, o que pensa disso?
Importante registrar que há também mães que já esqueceram os filhos no carro, que muito pai assume mais responsabilidade na educação do filho do que a mãe, mas não estamos falando do que, hoje, ainda é uma exceção. Estamos tratando de um cenário em que (ainda) se enquadra a maioria dos pais e mães. E para você, quais as principais diferenças entre os papéis de mãe e de pai hoje? O que já mudou e o que ainda precisa avançar para que melhoremos a educação de nossos filhos e a vida em família?
Mandem suas opiniões para o meu e-mail (no topo da coluna), que a discussão é boa, e a reflexão, necessária. (Fabiana Sparremberger)
Coluna Em Nome do Filho, publicada nesta segunda-feira no Diário de Santa Maria


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Convido as leitoras (e aos leitores) do blog para, também, deixarem sua opinião sobre o assunto. Para você, quais as principais diferenças entre os papéis de mãe e de pai hoje? O que já mudou e o que ainda precisa avançar? Deixe seu comentário e colabore com a discussão.

Ana pede ajuda

24 de fevereiro de 2011 19

"Meu nome é Ana e tenho um filho de dois anos chamado Gabriel, estou com problemas sérios de opiniões diferentes de educação entre eu e meu marido.

Eu sempre faço o possível para conversar com o Gabriel quando ele faz algo errado, ou fica fazendo beicinho quando quer algo que eu não deixo ele pegar, e quando está na rua fico louca com a gritaria q ele faz ou o choro e acabo cedendo.

Bom, mas meu marido é diferente, fala uma vez, grita a segunda vez e, na terceira, bate na bunda ou nas pernas com força. Meu filho chega a soluçar de tanto que chora.

Eu fico superdividida porque não sei que atitude tomar. Muitas vezes, choro junto sem que meu esposo veja. Em outras, abraço meu filho como se fosse o último abraço do mundo para ele se sentir protegido.

Sempre que passa essa tensão, eu sento com o Gabriel e explico o que aconteceu, falando que ele estava errado e tal, ele ouve (quando quer), só que meu marido acha que minha atitude de proteção é errada. E que ele não aprendeu muita coisa quando era pequeno porque o pai não batia.
Me sinto muito mal com essa situação.

O que vocês e tuas amigas me aconselham nesse caso? Já pensei até em separar por causa do meu filho, afinal, ele é tudo pra mim no momento, e não quero ver ele sofrendo assim."

Abraços,
Ana.

Situação difícil, Ana. Não há um manual que diga o que fazer, porque, para cada relacionamento e situação, há uma melhor solução. Ainda acho que aquele velho conselho de sentar e conversar é o melhor caminho, o mais sensato. Pai e mãe vivem discordando da melhor forma de educar o filho, isso é normal. Muito casal só começa a discutir e brigar depois que chega um filho. Não é fácil mesmo, mas é preciso chegar a um denominador comum e não ter atitudes diferentes ou brigar diante do filho. É preciso tentar o melhor para o casal e, claro, para o filho.

Outras leitores poderão, com certeza, te ajudar nessa hora. E nós, do blog, vamos procurar um profissional que possa trazer algumas dicas para situações do tipo.

Abraço,

Fabi

Os 'intrusos' na relação entre pais e filhos

14 de fevereiro de 2011 0

Mãe e madrasta. Pai e padrasto. Filho(a)s e enteado(a)s. As famílias brasileiras construídas a partir de um segundo relacionamento/casamento já estão presentes em 60% dos lares brasileiros, segundo o IBGE. Já a Universidade de Ohio já divulgou uma pesquisa que uma em cada quatro crianças no mundo é enteada de alguém.
Mas como ser uma "boadrasta" e um bom padrasto e tentar vencer as dificuldades que muitas vezes surgem nessa relação? Os conselhos mais óbvios, mas que precisam ser lembrados sempre, são aqueles mais básicos: NUNCA fale mal da mãe ou do pai da criança e NÃO tente ser a mãe ou o pai do seu enteado, até porque ele já tem. Convidamos o psicólogo Cleuber Roggia para responder a questionamentos, dando dicas para madrastas e padrastos que estão preocupados em fazer da relação com os enteados a mais feliz possível. Confira:

Fabiana Sparremberger - Dar bronca e estabelecer regras são departamento do pai e da mãe, e o padrasto e a madrasta não devem se meter?
Cleuber Roggia - As coisas devem ser bem claras entre o casal, desta forma, um não desautoriza o outro na questão de cobranças. Ambos devem cobrar, mas ambos, e orientar da mesma forma.

Fabiana - A madrasta e o padrasto devem tentar ser os melhores amigos do enteado?
Roggia - Ser a melhor amiga ou não, pode não ajudar. É importante buscar conhecer o enteado e respeitar o seu cotidiano, claro, sem deixar que as coisas desandem para algo sem controle. É importante ter consciência de que o intruso nessa relação é você (madrasta/padrasto).

Fabiana - E o que fazer se o enteado demonstra não aceitar a madrasta ou o padrasto?
Roggia - É preciso entender, conversar, aceitar a diferença, aceitar que você é um intruso. Enfim, a busca pelo diálogo, respeitando o tempo da criança, sem deixar também de buscar o seu espaço. Isso é muito importante.

Fabiana - E se a contrariedade for além, e o enteado agredir (com palavras ou até fisicamente) a madrasta ou o padrasto?
Roggia - Se a relação parte para a agressão, nesse caso é buscar o companheiro e conversar a respeito. Outra dica é buscar ajuda de um psicólogo para tentar entender o que está acontecendo: se o problema é com você (madrasta ou padrasto), se é com a criança, se é com o pai ou a mãe, ou, então, com todos.

Fabiana - Colocar fotos do enteado pela casa e destinar um espaço para ele ajuda nos casos em que o relacionamento entre enteado e madrasta/padrasto está recém começando?
Roggia - Certamente que o enteado já ocupa um espaço emocional e certamente irá ocupar um espaço físico. Isso é importante que seja dentro do bom senso, nem mais e nem menos, mas que fique implícito que há espaço pata todos e, a partir daí, há respeito, entendimento, diálogo.

Fabiana - Se o enteado disser: "a comida da minha mãe é bem melhor do que a sua ou o "meu pai nunca gritou comigo", como madrasta e padrasto devem responder?
Roggia - Não discutir, não atacar. Buscar entender, buscar diálogo a respeito. Emocionalmente entrou alguém no meio da relação dos pais que é você, e isso não é fácil de se entender de uma hora para outra. E sobre gritos, não gritar porque ninguém é surdo e quem grita é porque não escuta e nem é escutado.

Fabiana - Madrasta ou padrasto devem se afastar para que o enteado possa ter momentos só com o pai ou a mãe, sem que a criança se sinta pressionada?
Roggia - Pressionar, forçar a relação, criar demandas desnecessárias nunca é bom. Também não é bom se afastar muito. Todos têm lugar nessa relação, mas é importante que cada um busque o seu, inclusive você, que é o intruso.

Fabiana - E o que fazer se o enteado diz que gosta mais de você do que da mãe ou o do pai e se se recusa a voltar para casa da mãe ou do pai?
Roggia - Questionar o porquê, tentar o entender o motivo disso. Conversar com o(a) companheiro(a) a respeito. Em toda relação, há limites, mas o mais difícil é saber até onde eles vão. Conhecendo, é meio caminho andado. Em qualquer tipo de relação, situação, em qualquer coisa, tudo o que é demais ou de menos pode prejudicar. Se você come demais, pode ter uma indigestão; se come de menos, pode passar fome e alimentar-se mal. Muito limite em casa traz problemas futuros e pouco limite, também.

*Em tempo, além de mãe, também sou madrasta (Fabiana Sparremberger)

Coluna Em Nome do Filho, publicada no Diário de Santa Maria nesta segunda-feira. Na foto acima, o filme Lado a Lado, em que mãe e madrasta vivem uma relação complicada

Maior amor do mundo...

15 de agosto de 2010 1

O texto abaixo foi escrito por um pai de primeira viagem. Ele e a mulher estão grávidos e na expectativa por saber o sexo da criança. Nas palavras abaixo, toda a sensibilidade de um futuro paizão.

*  Mesmo que o bebê que chegará em fevereiro ou março ainda seja tão pequeninho, quase invisível, posso conversar com ele em meus pensamentos, basta fechar os olhos e reencontrá-lo nos meus sonhos. Aposto que será uma menina. Os sonhos que me "perseguiram" a vida toda me mostraram isso em detalhes.

Sempre via uma garotinha de sorriso largo - em alguns momentos faltando alguns dentinhos -, nunca se cansando de tanto pentear os cabelos na frente do espelho e fazendo comidinhas imaginárias em pequenos fogões de brinquedo. Ela gostava de levar a tiracolo sua boneca preferida, de cabelos desgrenhados e com batom, e adorava escrever em seus cadernos com sua letrinha redondinha. Nos meus sonhos, algumas vezes era eu quem a arrumava. As roupinhas até podiam não combinar muito, mas eram originais, bem coloridas, estilosas até.

Também lia historinhas nas quais a fada azul sempre fazia tudo ter um final feliz. Algumas vezes, era assim que ela dormia, com a cabecinha nos meus braços e nas nuvens. Vestida de prenda, com duas tranças e o rosto cheio de pintas pretas, enxergava ela fazendo folia em festinhas de São João, ganhando brindes na pescaria e torcendo para o cavalinho vencer, sempre impulsionado pelo número 4.

Ela dizia que dava sorte justamente por ser o meu número da sorte. Pulava corda, brincava de amarelinha e ficava hipnotizada com desenhos na TV: amava a Pantera Cor-de-Rosa.

"É sapeca", me contava.

Agora, se meus sonhos não estiverem certos - minha insônia às vezes atrapalha -, é só substituir casinhas, bonecas, fogões e geladeiras de brinquedo, histórias de faz-de-conta e cabelos muitas vezes penteados por outros tipos de brincadeiras. Como chutes sem pontaria na bola de couro número 5, as aventuras do insuperável Pica-pau e da turma do Chaves para quase chorar de tanto gargalhar, castelos de areia para esmoronar, pés de abacate e laranja para subir e ver a rua do alto, joelhos para esfolar, carrinho- de-lomba para construir e, claro, uma linda camisa vermelha que já vem com todas as estrelas que um grande clube sonha em ter. Não há maior amor no mundo do que um filho, muitos sempre me disseram isso e eu sempre percebi isso quando vejo amigos com seus pequenos. Agora eu e a Eli sabemos disso.

* Daniel Correa - jornalista, trabalho no Jornal Pioneiro, em Caxias do Sul.

Para os pais - antes tarde do que nunca

11 de agosto de 2010 1

Os olhinhos do pequeno brilham quando ele vê o pai.

Com a mão gordinha, ele massageia sua barba e com a palma da mão

faz carinho mesmo sem saber o que isso significa.

Só sabe que ali é certo, é grande, é parecido com ele.

Mal sabe o filho que o seu pai será o seu grande ídolo, seu inspirador,

o símbolo de toda as suas realizações ou frustrações.

Para o bem ou para o mal

Tudo vai ser um pouco culpa do pai.

Mas pai que é pai sabe disso e não reclama.

Não tem medo que está por vir.

Não tem jeito.

Para ser pai, tem quer macho.

Até.

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