
Sou o caçula de três irmãos, e o único que é pai. Minha filha Mariana, hoje com 13 anos, nasceu em 1997. Por ter sido criado em uma casa com quatro homens e só uma mulher (minha mãe), sempre achei falta de uma maior presença feminina em casa. Até meu cão era macho. As mulheres são mais sensíveis, mais ternas, mais carinhosas. Por isso, meu sonho era ter uma filha. E a vida me abençoou. Hoje, sou minoria em casa - e nosso cãozinho é uma fêmea.
Sempre fui um pai um pouco ausente, em função da minha profissão de jornalista. Passei muitos domingos e feriados longe da Mariana, trabalhando. Por dois anos, devido ao trabalho da minha esposa, ela e nossa filha foram morar em Bagé. Foram dois anos e meio de separação, e milhares de quilômetros de estrada.
Deixei de estar com a Mariana em dois aniversários. Nesses 13 anos, não tenho a menor dúvida que foi a Adriana quem segurou as pontas. Na divisão das tarefas da criação da Mariana, 90% cabe a ela. É mãe que a leva no médico, na escola, toma a lição, faz a comida e pensa na roupa.
Aproveito este espaço aberto pelo blog _ que não é só para as mães, pois traz dicas sobre a criação dos filhos que servem ao casal _ para lembrar dois momentos marcantes.
Com certeza, o nascimento da Mariana foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Lembro daquele 29 de dezembro de 1997, uma noite chuvosa de verão em que ela nasceu. Vê-la pela primeira vez foi algo indescritível. E olha que, criado entre homens, sempre ouvi que "homem não chora". Mas foi impossível conter a emoção naquela noite tão estranha, em que fui para casa dormir, já de madrugada, deixando no hospital minha mulher e minha filha. Até hoje lembro dos raios e trovões a minha volta enquanto dirigia. As ruas alagadas em Rio Grande, onde morava, obrigavam-me a procurar um caminho seguro.
O outro momento foi o primeiro aninho da Mariana. Festa marcada havia meses, e surgiu uma reportagem que me obrigou a viajar na véspera da festa. E não era uma viagem qualquer, mas de um transporte não muito ágil: navio. Minha missão era cobrir uma viagem do Artict Sunrise, o navio da ONG Greenpeace. A embarcação verde faria o trajeto de Rio Grande a Porto Alegre, pela Lagoa dos Patos. Previsão: 14 horas.
Saímos por volta de 5h da manhã de uma sexta-feira, e deveríamos chegar à noite no porto da Capital. No outro dia, eu pegaria um ônibus de volta a Rio Grande. O que poderia dar errado? Só se o navio estragasse. E foi mais ou menos o que ocorreu. No meio da lagoa, uma corda que apareceu não sei de onde se enrostou na hélice no navio. Paramos ali, longe de tudo e de todos. A tripulação informou que, se não conseguíssemos chegar no farol de Itapuã até o fim da tarde, não poderíamos atracar na Capital. Teríamos de aguardar o dia seguinte. Meu coração disparou. Comecei a temer não chegar na festa a tempo. Imagine, o primeiro ano da primeira filha, e eu lá, impotente, no meio da imensa Lagoa dos Patos. Felizmente, após cerca de uma hora, conseguiram soltar a corda. Seguimos viagem, atracamos à noite e, na tarde seguinte, eu já estava em Rio Grande, pronto para a festa.
Torço para que o destino continue conspirando a meu favor. Afinal, minha missão de pai certamente me reserva muitas emoções.
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Pais, o convite é para vocês. A nova seção que inauguramos nesta terça-feira, aqui no blog, aguarda depoimentos e fotos de vocês com seus filhotes. Podem mandar para os nossos e-mails, que estão bem à direita da tela.
Encorajem-se que vocês, com certeza, têm ricas histórias e vivências para compartilhar.
E sejam muito bem-vindos...
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