Adivinha.
Não posso mais encontrar meu filho depois do expediente sem que antes ele dê um mosh na minha bolsa.
_ Pezenti, mamãe.
O irônico é que ele não pergunta: "mãe, trouxe presente?". Não, é pior, ele exige, fica de mutuca esperando eu me aproximar para voar em cima de mim. Para a minha sorte, o "presente" pode ser qualquer coisa, de uma bala a um suco de maçã, passando por um Kinder Ovo na melhor das hipóteses, que eu levo estrategicamente na bolsa quando meu bolso permite. E ai de mim se não tiver "pezenti".
Mas às vezes não tem, não. Ele chora um pouco, mas logo esquece, como toda criança. E quando tem, é muito massa. Porque o presente que ele pede não é um preseeeentee propriamente, mas a delícia que é o sabor de ser surpreendido, de descobrir o que será que tem naquela bolsa cheia de cacarecos da mãe dele. De saber que eu lembrei dele quando estávamos longe e se ele escolher a mão certa, pode brotar dali uma coisa deliciosa, uma supresa.
...
Se não estou acostumando ele mal?
Não, imagina.
Se estou aliviando a minha culpa de ficar longe dele?
O que é isso?

















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