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Saiu no DC

21 de janeiro de 2011 0

Reproduzo aqui a matéria do repórter Pedro Santos que saiu hoje no DC sobre a proposta de mudança para a comunidade Frei Damião. A palestra de ontem do arquiteto colombiano Gustavo Restrepo foi articulada pelo presidente da Cidade Pedra Branca, Valério Gomes, e arquitetos André Schmitt, da AsBEA-SC, urbanista Silvia Lenzi, arquiteta Andrea Triana e engenheiro Olavo Kucher Arantes. Estiveram presentes representantes da comunidade, da prefeitura de Palhoça, polícia militar, arquitetos, prefeitura de Florianópolis, Caixa Econômica Federal, universidades entre outras pessoas.

Resta agora saber quando e de que forma as parcerias serão feitas para viabilizar esta mudança urgente na comunidade mais pobre do estado. Uma coisa é certa: como reafirmou Restrepo a vontade política é fundamental nesse processo.

  

21 de janeiro de 2011 |

COMUNIDADE FREI DAMIÃO

Projeto propõe mudanças

Arquiteto colombiano cria esboço para alternativa de revitalização, que pode transformar o local

O arquiteto colombiano Gustavo Restrepo esteve ontem em Palhoça para mostrar o esboço de uma ideia que, se der certo, promete mudar a estrutura da comunidade Frei Damião, uma das mais pobres do Estado.

Ele conheceu o local na segunda-feira e propôs áreas seguras para reciclagem, parques infantis, quadras de esportes e calçadas para pedestres. Tudo a partir do apoio e de reivindicações dos moradores.

O projeto se baseia na revitalização de áreas carentes em Medellín, na Colômbia. Nos anos 90, ela era considerada uma das mais violentas do mundo, com índice de 381 homicídios por 100 mil habitantes.

– A violência chegou a um ponto crítico. Todos estávamos cansados, esgotados. Era preciso fazer algo urgente – explica Restrepo.

Com medidas simples e eficientes de reorganização, a partir da participação de quem mora nas comunidades, áreas de alagamento viraram parques e ruas deram espaço a calçadas para pedestres.

– Trata-se de trazer dignidade à vida para os moradores – avalia.

No ano passado, Restrepo esteve no Brasil em um simpósio internacional. Foi quando recebeu o convite do presidente da Cidade Pedra Branca para atuar na comunidade Frei Damião.

Mas tudo ainda não passa de esboço. O arquiteto esteve na comunidade para pensar possíveis alternativas. Seguindo a crença de que quem vive bem não tende a entrar para o narcotráfico, ele acredita na capacidade empreendedora dos moradores:

– Eles têm qualificação para empreender atividades e projetos.

Rogério Estivalete, morador de Frei Damião e responsável por uma cooperativa que recicla óleo de cozinha, está entusiasmado com a ideia:

– Vendo as fotos de Medellín percebi que é possível mudar. Mas na Colômbia, durante o projeto, não teve aumento de impostos. Não sei se isso seria possível no Brasil, onde o dinheiro é muito mal gerenciado.



“Acima de tudo, dignidade de vida”

ENTREVISTA – Gustavo Restrepo, arquiteto

O arquiteto colombiano, Gustavo Restrepo, é referência internacional na recuperação de áreas degradadas. Com o trabalho em Medellín, auxiliou a transformar uma das cidades mais violentas do mundo em exemplo de inclusão social. Agora, uma parceria entre ele e entidades públicas e privadas catarinenses estuda a possibilidade de atuar na comunidade Frei Damião, em Palhoça.

Diário Catarinense – Em Medellín, nos anos 90, a taxa de homicídios era de 381 mortes por 100 mil habitantes. Em 2007, esse número caiu para 27 por 100 mil pessoas. A cidade foi salva pela revitalização das favelas?

Gustavo Restrepo – Não é bem assim. Foram oito anos de atividades sociais contra 50 de violência. A proporção é enorme, mas estamos trabalhando. Uma série de projetos sociais estão sendo produzidos dentro e fora das favelas. Isso só foi possível com a participação dos moradores.

DC – Esse projeto pode ser aplicado aqui no Brasil?

Restrepo – Com certeza. As coisas daqui e da América Latina são muito parecidas. Inclusive, para inserir esse projeto em Medellín, nós estudamos muito outros projetos em favelas brasileiras. É perfeitamente possível fazer isso neste país. As pessoas do mundo todo têm direito a ter uma vida melhor. E essa é nossa responsabilidade social.

DC – O senhor deve ter acompanhado os problemas em decorrência de construções localizadas em áreas de risco, como no Rio de Janeiro. Muitas delas se encontram em locais carentes. Intervenções nessas comunidades levam isso em consideração?

Restrepo – Sim. Em Medellín temos exatamente o mesmo problema e há ações de prevenção em áreas de risco e realocação das pessoas. A primeira preocupação é com a melhoria de vida, que beneficia toda a população da cidade. Precisamos de espaços de encontro, inserindo a cidade no dia a dia da própria população. Acima de tudo, dignidade ajuda a nos respeitarmos.

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