"Concursos são o exercício da reflexão do arquiteto urbanista", Hector Vigliecca
21 de maio de 2013 0O arquiteto Hector Vigliecca esteve em Florianópolis para a abertura das comemorações dos 15 anos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina). Ele lançou o livro “Hipóteses do Real” depois do sucesso do lançamento em São Paulo. O primeiro livro do arquiteto reúne a experiência em concursos de arquitetura – são 84 ao longo de 40 anos de carreira, sendo 46 premiados. Tudo aconteceu na Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina.
Vigliecca é autor, em Florianópolis, dos projetos de requalificação do Largo do Mercado e da Praça dos Três Poderes. A arquiteta Fernanda Menezes, professora da Unisul e braço do arquiteto no estado, fez uma entrevista a pedido do Missão Casa.
O arquiteto uruguaio radicado no Brasil desde 1974 é autor do Arena Castelão, em Fortaleza, primeiro dos 12 estádios brasileiros que estão sendo construídos ou reformados para a Copa de 2014, inaugurado em dezembro de 2012. Destaque também para o Parque Novo Santo Amaro V, em São Paulo. Vigliecca é premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria “Urbanidade”, em 2012, dispõe de uma série de prêmios, como Destaque na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (1993 e 2003) e “Homenagem a arquitetos e urbanistas latino-americanos que muito contribuíram para a construção da cidade de São Paulo” (2011), concedida pela Câmara Municipal de São Paulo. Foi indicado ao "Mies van der Rohe Awards for Latin American Architecture” (1998). Lecionou na UDELAR na década de 1970 e nas Faculdades de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Paulista (UNIP) e da Universidade Mackenzie, a partir de 1992. Hoje ministra palestras e atua como professor convidado.
Confira os principais trechos da entrevista.
Qual a importância dos concursos públicos de arquitetura?
Os concursos são uma tradição antiga, que vem do Renascimento. Na história, tanto Antiga como recente, os concursos quase sempre são o “estado da arte”, um retrato do pensamento de determinado momento histórico. Por isso, o concurso é fundamental para o exercício da reflexão do arquiteto urbanista, independentemente se o projeto é ou não construído. Contudo, é importante que os concursos sejam construídos e, para isso, precisam acompanhar a passagem do tempo com modalidades novas de concorrência que correspondam às condições atuais.
De todo modo, o concurso é uma porta pela qual os jovens arquitetos podem aparecer de forma pura, em que o resultado é fruto direto de seu trabalho; é a chance da aparição de talentos.
Os concursos garantem qualidade de projetos arquitetônicos?
Antes de tudo, precisamos ter claro ao que nos referimos com “qualidade”. Muitas vezes se confunde qualidade construtiva com qualidade de projeto, que não são a mesma coisa.
Em tese, o objetivo do concurso é ter o melhor projeto; só que, assim como acontece com qualquer outra atividade humana, também o concurso está submetido a falhas. O sucesso de um concurso é consequência de inúmeras condições, em que a confluência da qualidade tanto do júri quanto dos participantes é fundamental.
Qual a situação dos concursos realizados pelo seu escritório em Florianópolis - requalificação do Largo do Mercado e da Praça dos Três Poderes?
Os projetos premiados foram todos remunerados. No caso do Largo do Mercado, o projeto básico foi feito e também remunerado. A realização do projeto público depende de recursos que ele nem sempre possui. Durante todo esse tempo, tem-se procurado recursos de fontes privadas e de outras esferas do Estado para a realização do projeto.
O investimento do seu escritório de arquitetura em concursos públicos demonstra uma preocupação com a temática pública?
Com certeza. A única maneira de acessar a questão urbana que nos interessa e para a qual nós fomos formados é pelo concurso público. Nosso escritório é inteiramente voltado às questões públicas e de grande escala.
























