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Web-documentário Missão Haiti

17 de outubro de 2012 0

A última reportagem da série Missão Haiti foi publicada na versão impressa de “A Notícia” nesta terça-feira. Mas também preparamos um web-documentário para que vocês conheçam um pouco mais sobre o país onde estão nossas tropas. A edição contou com a grande ajuda do repórter Lucas Balduino. Espero que gostem…

Clique aqui e veja o vídeo também no canal de A Notícia do You Tube.

Situação deve piorar

16 de outubro de 2012 0

As condições dos acampamentos de desabrigados no Haiti estão se deteriorando. O alerta é do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em relatório apresentado no último dia 3. Um dos motivos é a escassez de recursos humanitários – a ajuda estrangeira tem diminuído com o passar do tempo.

Até junho deste ano, 390 mil haitianos ainda viviam em 575 campos de deslocados. São espaços como os dois acampamentos de Jean-Marie Vincent e o do Petionville Club, erguido sobre um antigo campo de golfe invadido pelos desabrigados. Sem condições de higiene, os ocupantes estão expostos a infecções e ao cólera.

Segundo dados do governo local informados à ONU, a epidemia do cólera já causou 7.440 mortes no Haiti. De outubro de 2010 até o último dia 15 de julho, 580.947 haitianos foram infectados. Houve 35 mil novos casos só entre janeiro e agosto.

Por falta de recursos, cerca de 80 mil pessoas também podem deixar de ganhar ajuda nos campos de deslocados nos próximos meses.

Soldados joinvilenses presenciam cenas de precariedade estrutural e miséria

16 de outubro de 2012 0

Se a primeira impressão é a que fica, no Haiti esta máxima é ainda mais verdadeira. Quem desembarca no Aeroporto Internacional de Porto Príncipe e circula pelas principais ruas da capital não consegue deixar de se chocar com as cenas da precariedade estrutural e da miséria por todo o país.

Perguntados sobre o que foi mais marcante durante a missão em solo haitiano, os fuzileiros joinvilenses encontrados por “AN” não mencionaram dificuldades estratégicas, nem episódios de embate militar. O que mais os surpreendeu foi o abismo social entre uma realidade como a de Joinville em comparação com o que veem no Haiti. Quando se deslocam da base no Campo Charlie, onde fica o batalhão, até as instalações na área portuária, que está dentro do perímetro de patrulhamento deles, nossos fuzileiros passam por uma região ainda cicatrizada pelo terremoto de janeiro de 2010.

Há prédios em ruínas, edificações em reconstrução e outras que ficaram comprometidas e oferecem risco à população. A estimativa é de que 30% dos escombros produzidos no tremor ainda não tenham sido removidos – e há mortos sob eles.

Praticamente toda a vida social de Porto Príncipe ocorre nas ruas. Não é só uma característica cultural, mas uma necessidade. Isto porque apenas cerca de 10% das casas têm energia elétrica. À noite, as pessoas fazem fogueiras para ter iluminação.

O vaivém nas ruas também é impulsionado pelo comércio informal. Só 30% dos haitianos têm atividade remunerada. Em espaços públicos superlotados, como o Mercado Venezuela, também chamado de “cozinha do inferno”, a venda de comida e mercadorias ocorre sem a mínima atenção sanitária.

“Trabalhamos numa área que tem a maior pobreza, na cozinha do inferno. Foi o que mais me marcou. Por mais que a gente faça isso todos os dias, não dá para se acostumar ou deixar de pensar”, reflete o cabo joinvilense Henrique Arent, 23 anos.

Bom ambiente entre as crianças

15 de outubro de 2012 0

A cena de crianças próximas a militares armados pode impressionar, mas é comum no Haiti. Principalmente se os homens fardados forem brasileiros. É a criançada que costuma fazer a primeira aproximação quando as tropas circulam por Porto Príncipe.

Os joinvilenses na missão já observaram que, se há crianças por perto, é sinal de que o ambiente está tranquilo. Quando elas estão retraídas, desconfiadas, é porque o clima está tenso. Nos últimos anos, a primeira opção tem sido mais frequente.

“Foge do nosso profissionalismo, mas é nosso caráter humano mostrar o carisma do povo brasileiro”, diz o soldado joinvilense Willian Roberto Tobler, de 23 anos. Algumas ações das tropas brasileiras também são planejadas para garantir a aproximação das comunidades.

Uma delas é o Projeto Quarteirão Limpo, que incentiva famílias a manter limpas as áreas de uso comum. Também é colocado em prática o Projeto Luz e Segurança, que leva postes alimentados por energia solar a regiões de maior violência em Porto Príncipe.

Efeitos positivos

15 de outubro de 2012 0

O inglês quase fluente do artesão Emile Pierre, 61 anos, já basta para fazer dele uma exceção no Haiti. Na verdade, Pierre se considera uma exceção da exceção. Ele mesmo explica: ao contrário de uma fatia privilegiada da população haitiana, como a que vive no rico bairro de Petionville, Pierre mora na periferia de Porto Príncipe. Tem sete filhos e trabalha no limite para criá-los. Mas também comemora vitórias pessoais incomuns à maioria da população. Uma delas é a carreira acadêmica da filha Jure, que deixou o Haiti para estudar numa universidade do país vizinho, a República Dominicana. No Haiti, quase metade da população é analfabeta.

É Pierre quem manda dinheiro para garantir os estudos de Jure longe de casa. Tudo isso só foi possível, afirma o artesão, depois que a ONU permitiu a entrada de comerciantes haitianos numa feira organizada no campo que reúne os batalhões dos países em missão.

As feiras ocorrem todos os sábados, com cerca de 500 vendedores cadastrados. Os clientes, claro, são os militares. “Falta muito trabalho no Haiti. Só aqui consegui ter uma renda de verdade”, garante. Pelas contas dos organizadores, cada dia de vendas movimenta até US$ 17 mil na feira.

Pierre também tinha outras preocupações além de emprego antes da chegada das tropas ao Haiti. “As pessoas não saíam nas ruas. Havia bandidos armados. Falam que as tropas invadiram nosso país, mas como isso pode ser verdade se só agora temos mais liberdade?”, questiona.

O novo idioma, Emile Pierre aprendeu fazendo curso e estudando em casa. Só que a principal sala de aula acabou sendo a própria feira. Foi lá que ele aperfeiçoou o inglês e ainda aprendeu frases-chave de outras línguas para melhorar as vendas. Entre elas está, em bom português: “Vamos negociar”.

Hora livre, diversão e fé

15 de outubro de 2012 0

As horas livres podem ser preenchidas no salão de festa, na churrasqueira, na quadra de esporte, na academia. Também há uma sala com telefones que permitem ligações internacionais. Os mais religiosos, como o cabo Jaison Miranda, ainda têm uma capela para participar de cultos – ele toca na banda evangélica.

Sexta-feira é dia de cinema, com filmes projetados numa sala do batalhão. Nos domingos, há quem pegue carona num comboio que segue até uma praia privativa de Porto Príncipe. O espaço é anexo a um hotel, que garante lanche e acomodações aos hóspedes.

O temporário virou definitivo

15 de outubro de 2012 0

Os militares não têm moleza no Campo Charlie, como chamam o espaço que reúne os três batalhões brasileiros em Porto Príncipe. Mas ninguém passa necessidades. As acomodações têm ar-condicionado, TV, pontos de internet e ainda podem ser equipadas com vídeogames e outros aparelhos eletrônicos.

Os joinvilenses dividem os quartos entre 12 pessoas. São seis beliches em cada alojamento. Eles dormem em grandes barracas porque o Brabatt 2, onde estão instalados, foi planejado para ser um abrigo temporário de tropas após o terremoto que devastou o país em 2010, vitimando pelo menos 250 mil pessoas, mas acabou se tornando permanente.

Só que as acomodações não devem em nada aos quartos do Brabatt 1, que são montados em contêineres adaptados e têm estrutura parecida.

Conheça a rotina dos militares joinvilenses no Haiti

15 de outubro de 2012 2

O som das cornetas ecoa nos alojamentos brasileiros em Porto Príncipe. São 6 horas da manhã. O sol ainda nasce na capital do Haiti. Para os militares em missão, já é hora de levantar. Musculação e corrida na pista dão o pontapé inicial no dia das tropas joinvilenses. Elas são divididas em quatro pelotões de aproximadamente 30 fuzileiros. Além dos joinvilenses, há mais cerca de 20 militares de Tubarão integrados à companhia. O principal trabalho desses atiradores é patrulhar a área portuária da capital haitiana. Cada equipe passa pelo menos dois dias da semana na região do porto.

A segurança no perímetro é garantida em rondas motorizadas e a pé. Não há registros de grandes incidentes ou confrontos recentes naquela área. A principal preocupação tem sido o arremesso de pedras e garrafas contra as tropas em patrulha. Dizem que ocorrem dois ou três casos desses por semana, mas são exceções.

“A gente passa pelo haitiano e ele fala com a gente, confia na gente. Como ele confia, é um retorno do nosso trabalho. Em Joinville, não temos esse retorno tão rápido”, conta o capitão Ricardo Pereira Barreto, 32 anos, comandante do grupo joinvilense.

Enquanto um pelotão cuida dos arredores do porto, outros dois continuam na base principal para missões secundárias, como escolta de comboios e autoridades. Depois dos exercícios no batalhão, são liberados para ir ao café e tomar banho.

Há dias em que dá tempo de falar com a família pela internet antes do almoço. Mas após a refeição cada militar precisa estar à disposição do comando. Não é à toa que deixam capacetes e coletes preparados no quarto. Nunca se sabe quando vai surgir uma tarefa.

O normal é que os pelotões estejam sempre juntos, ganhando entrosamento. Nas épocas em que três grupos trabalham, um está sempre de leaving. É o período de 15 dias para descansar.

Correio Joinville-Haiti: mensagens para a nossa tropa

14 de outubro de 2012 1

Lembram que eu mostrei quatro membros da nossa tropa visivelmente emocionados lá no Haiti? Os sorrisos e as lágrimas não foram à toa. Depois de tanto tempo longe de casa, eles assistiram mensagens que o jornal “A Notícia” gravou com familiares deles em Joinville. Os vídeos, claro, foram produzidos antes do meu embarque para Porto Príncipe. Além de assistir, eles também deixaram seus recados de volta. É só clicar no player abaixo para conferir…

Série de reportagens sobre Missão de Paz no Haiti começa domingo

12 de outubro de 2012 0

O papel dos militares joinvilenses na Missão de Paz da ONU no Haiti ganhará espaço nas páginas de “A Notícia” a partir deste domingo. O repórter Roelton Maciel acompanhou a rotina das tropas brasileiras por uma semana, a convite do Ministério da Defesa, e teve acesso a ações de caráter estratégico e humanitário da missão.

Os fuzileiros do 62º BI abriram as portas dos alojamentos onde estão instalados na capital Porto Príncipe. Eles contam as dificuldades de atuar em um país tão castigado pela miséria, além de falarem sobre como enfrentam a saudade por estarem tanto tempo distantes de casa.

Na segunda e terça-feira, as reportagens vão mostrar um retrato atual do país, após quase três anos do terremoto que matou cerca de 200 mil pessoas. Por meio de relatos de militares e haitianos que conversaram com a reportagem, “AN” ainda mostrará quais são as perspectivas de futuro do Haiti.