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Posts de maio 2007

O Rap dos anos 90 aqui no sul

28 de maio de 2007 2

O Hip Hop nos anos 90 era tido como o maior fenômeno de massa dos últimos tempos, a grande promessa. O Brasil teve também sua época de ouro e o início desta década marcou o nascimento da segunda geração do Rap gaúcho. Os grandes Festivais Black ainda aconteciam e a cada evento se descobria um novo grupo de Rap.

Eu faço parte dessa escola e entrei no Rap de cabeça em 93, quando fundei o Da Guedes junto com o Baze e o Dj Dee Ley, e nunca mais saí. Lembro que vários grupos começaram a se formar e a grande meta era se apresentar em algum festival, a fim de ter seu trabalho reconhecido, além de ser uma oportunidade do pessoal trocar idéia.

Existia também uma cena Underground forte na capital e grupos como TWP, Funkintein, GrooBrother entre outros tinham como ponto de encontro a Avenida Oswaldo Aranha. O rapper Piá, auxiliado pelo MC Noise D, iniciavam um programa exclusivo de Rap em uma FM da capital, fato inédito até então. Eles tem um grande conhecimento a nível global e sempre nos apresentavam novidades.

Falando dos festivais teve um que me marcou muito: o Festival %22Gás Rap Total%22, realizado na Uzina do Gasômetro em Porto Alegre. Neste Festival tivemos a oportunidade de nos conhecermos melhor e entendermos o tamanho da movimentação que estávamos fazendo. Tive o prazer de conhecer grupos como: Dependentes, Manos do Rap, Revolução RS, Diretrizes básicas, Justiça Eterna, Manifesto público entre outros amigos.

O Festival foi apenas o estopim para aquecer a cena local e foi lançada uma coletânea do evento, destacando os melhores grupos. Era o primeiro registro oficial desta geração e marcou uma época de muita esperança no futuro do Rap.

A partir daí os próprios grupos começaram a produzir suas festas e eventos, enriquecendo ainda mais o Hip Hop gaúcho. Existiam eventos nas comunidades, como o inesquecível Festival na Vila Jardim e festas lotadas como as realizadas no Garagem Hermética e bar Ocidente, ambos da cena Underground de Porto.

Os grupos foram amadurecendo e o contato mais direto com a capital do Rap, São Paulo, nos trouxe mais informações e incentivo. Os grupos começaram a fechar parcerias e uma delas pode ser destacada até hoje. É o caso do Da Guedes, que foi o primeiro grupo de Rap do sul a assinar com uma grande gravadora nacional.

De la pra cá muita coisa aconteceu, o início do ano 2000, na minha opinião foi o Bumm do Rap em todo o país. Infelizmente parece que a cena não consegiu se auto sustentar e vários grupos acabaram depois que colocaram seu trabalho pra rua sem sucesso. Mas o que será que faltou? Boa pergunta!

Na seqüência falo mais sobre o Rap no RS, iniciativas que deram certo e estão aí até hoje.

Ate breve,
Obrigado pela audiência.

Tu encontra mais informações sobre o Rap gaúcho e as músicas tocadas no MIX TAPE acessando: www.adversus.com.br

Postado por NITRO DI

Bom senso

22 de maio de 2007 2

Toca-disco e arte./Luis Flávio ``Trampo``

O que aconteceu com o Rap nacional, no meu ponto de vista, é que muita gente teve oportunidade sim,  muitos conseguiram gravar seu disco, fazer seu clip, mas quantos tiveram um grande êxito e projeção nacional. A virada de 99 para 2000 marcou uma época em que estávamos em alta, vários grupos novos, gravadoras grandes investindo. Enchemos de informação e trabalhos vindos de todos os lados. O Rap era, e ainda é, a esperança de um futuro melhor para jovens como eu, periféricos. Aparecia um possível mercado, cheio de oportunidades. Mas quantos conseguiram ficar e trabalhar somente com o Hip Hop até hoje?

Eu consigo ver o que o outro lado questiona, o Debate da Mtv mostrou isso. Será realmente queremos trabalhar com entretenimento ou apenas reivindicar nossos direitos? Para mim a real é que a medida certa desses dois fatores pode ser o caminho, mas ele vem junto com o bom senso.

Estamos passando por um período de reflexão, porém muito trabalho. Sei que existem muitos grupos e artistas espalhados por esse Brasil produzindo, ativos. Alguns em TV, outros em rádio, uns trabalhando em projetos de inclusão, outros fazendo eventos. Tem os que só fazem volume também!

Agora vamos ter de provar que fazemos jus as novas oportunidades, mesmo que seja criadas por nos mesmos. Sempre fizemos por nós mesmos, tivemos que aprender como se auto-produzir e divulgar na prática, por isso não podemos parar de buscar conhecimento. Além disso, teremos de ser  ainda mais profissionais, mais capacitados.  Aqui não é como os EUA, onde o Rap é como o samba no Brasil, tem muito dinheiro envolvido e retorno ao investidor garantido. O que fazer então?

Será que talvez falte um pouco mais de ousadia, digamos assim? Pode ser que o Hip Hop apareça mais e nosso talento seja colocando em evidencia, levando junto nossa postura e atitude.

Nossa realidade aqui no Brasil é extremamente longe da que vemos nos vídeo clips dos gringo. Uns não entenderam, investiram apenas no visual esquecendo do principal: a arte, a musica, a idéia que quer passar e a qualidade de som.

Não podemos mais errar mais, não se trará de ser um intelectual, mas tem que saber se expressar para não ser mal entendido. Aqui sei que só tem espaço pra quem é profissional e tem senso crítico, onde mais uma vez o bom senso deve prevalecer.

Se quiser fazer som direcionado, somente para periferia, por exemplo, deve considerar alguns aspectos.  Presta a atenção se o pessoal pra quem tu faz teu som te da atenção devida, e se realmente te compreendem. Admiro o trabalho de grupos que assumiram a postura mais radical e formaram seu público.

Devemos nos se questionar sempre. Se quiserem atingir outros públicos, e eles estão em toda parte, inclusive na periferia, deve assumir o risco e entender realmente aonde quer chegar. Tem que analisar o que funciona e o que espanta o público que tu quer atingir. O programa Mix Tape pode ser um exemplo...

Bom, que estas novas oportunidades venham então. Na minha visão, o Rap nacional só amadureceu com todos estes anos e só o tempo que ajuda neste processo, a peneira rola mostrando quem é quem nesse vai e vem.

Continuem na sintonia, obrigado e vida longa ao Hip Hop nacional. Falo de Djs, Mc´s, B.boys e Grafiteiros.

Postado por NITRO DI

Rap nacional, herói ou vilão?

17 de maio de 2007 1

Antes de ontem assiti ao programa Debates Mtv e o tema era:

Rap nacional, herói ou vilão?

O um dos motivos que levaram ao debate foi o show que os Racionais Mc´s fizeram num evento de graça na Praça da Sé, centro de São Paulo. Aproveitando a deixa a grande questão, além de esclarecer o incidente, era sobre o futuro do Rap nacional. Afinal, por que, aos olhos da sociedade em geral, o Rap e a Cultura Hip Hop não deram certo no Brasil?

A mesa, com mediação do Cazé Peçanha, era composta assim: de um lado, acusando o rap como vilão: um crítico de música, um coronel da polícia Militar e um jornalista jovem. Do lado dos heróis: o Mc Max B.O, conhecido por seu poder de improvisação com microfone; o Mc do grupo DMN, Markão, respeitado por ser um  militante do Hip Hop; e o mano Gil, representante do principal site de Hip Hop da América latina do Bocada Forte. (em nossos links).

O início foi sobre a ligação do show do Racionais, realizado às 3 horas da manhã, e a ocorrência: o quebra-quebra e confronto com a polícia. Na visão do Hip Hop, e minha também, o ocorrido não tem nada a ver com a mensagem ou atitude de algum grupo que tenha passado pelo palco. Até porque, o vandalismo já acontecia muito antes do inicio do shows e pelo que sabemos o integrantes do Racionais pediram para acalmarem os ânimos a multidão, mas o clima não era seguro. A proposta do evento era de 24 horas de Cultura, levando banda e artista de outros estilos como Nação Zumbi entre outros era boa, mas segundo Markão, o centro de SP está em obras e tinha muita pedra, madeira e outros detritos criando o cenário perfeito para confusão.

Do outro lado o Coronel, que admite que seus filhos ouvem Rap, e que tem soldados na corporação que rimam, defendeu a policia como defendemos o Hip Hop, falando sobre a conduta deles nestes casos. Rolou um breve entendimento, mas o jornalista e o crítico de musica contestavam por que o Rap nacional insistiu numa tecla que não foi bem entendida pela grande massa. Além disso, eles questionam sobre a postura de não participar de programas de TV e etc....

Todo mundo que faz parte da cultura Hip Hop reagiu com firmeza quando foi dito na mesa: “O Hip Hop tá parado no Brasil?!...” Logo pra nós, que vivemos e trabalhamos com a Cultura todo o dia!

O mano Gil pode contribuir com dados recolhidos ao longo de 8 anos de site Bocada falando sobre a relação com a América Latina e Europa, Markão falou sobre êxitos na periferia com trabalhos ligados ao Hip hop; Max, além de relatar suas inúmeras apresentações em Club’s classe A de São Paulo, pode falar trabalho em Diadema, que serve como modelo levando cultura e educação a jovens da periferia.

O fato é que nunca paramos e o Rap que faz parte do Hip Hop teve sim seu Bum no final dos anos 90, tudo levava a crer que iria dominar e conquistar o país, infelizmente desde a morte do nosso mano Sabotage que o Rap não tem um ícone junto ao Racionais e outros grupos de expressão no país, vamos passar e necessitamos de uma renovação e vocês vão acompanha-la no Programa MIX TAPE. Eu sigo acreditando muito no Rap e vivendo a Cultura Hip Hop.

Na próxima postagem vou falar um pouco sobre o meu ponto de vista nessa história toda. A final, o Rap nacional vai ou não vai convencer o país?

Deixe sua opinião nos comentários,
Obrigado!

Postado por NITRO DI

Esses gringos...

13 de maio de 2007 6

P. Diddy, Jay -Z e Busta/Divulgação
Toda a vez que faço uma pré seleão de musicas para o MIX TAPE, me deparo com os mesmos artistas norte americanos, rappers que tem muita coisa registrada e estouraram inúmeros Hits nas pistas. É o caso de Busta Rhymes, Snoop Dog, Dre, R Kely, Ja rule, Jay z, Nas, P Diddy, 50 cent, The Game… Putz, eu mexo e remexo meus arquivos de musicas e nunca consigo fugir deles.

Mesmo sabendo que o Lado Sul é o que esta em alta hoje em dia, rolo em doses pequenas no programa.  E apesar de rolar o lado Underground, como Jurassic, Mos Deff, De la Soul, Dilated Pepoles entre outros, e pouca coisa da Europa, sempre caio em NY ou Los Angeles, East Coast e West Coast. Basta prestar a atenção no programa, com diferentes sons e participações diversas, não adianta, eles estão sempre lá, não tem como fugir.

Os gringos realmente fazem musicas muito boas, geralmente as idéias que passam seria melhor nem traduzir, e o que importa é a musica, ela que é universal! A maioria conhece um pouco do que escuta no rádio e vê na TV, o resto somos nós que temos o prazer de apresentar no programa.

Buscamos um publico que sabemos ser fiel e conhecedor do Hip Hop mundial, porém queremos conhecer outros e cativa-los, esse também é nosso compromisso. E trata-se de um público que não é muito acostumado a curtir Hip Hop, que e às vezes considera informações distorcidas sobre real propósito de nossa Cultura. Mas em fim, sabemos que ele quer conhecer coisas novas, inclusive nacionais e precisamos chegar até eles também. Deveríamos agradecer aos gringos então?

Talvez sim. Além de garantirem o emprego de vários dj´s pelo mundo, sabemos que é entre eles que existe uma a brecha, e este é o grande segredo.

No meu caso sou um MC, convivo com Djs, e mantenho contato com outros de lugares diferentes. Por experiência sei o que segura e o que não segura uma pista e também sei o que faz o ouvinte pensar, o que faze lê dançar e o que faz ele trocar de estação.

Feliz dia das Mães, agradeçam a elas por colocarem artistas no mundo!

Postado por NITRO DI

Continuando em SP

04 de maio de 2007 1

Capa do Cd do Záfrica Brasil/Divulgação
Continuando em São Paulo, podemos destacar outros grupos que lançaram recentemente seus trabalhos e ecoam pelo Brasil e o mundo. É o caso do grupo Záfrica Brasil. Seu último álbum produzido com o pessoal do Instituto foi bem aceito pela crítica lá de cima. Também não é pra menos, no álbum “Tem cor Age” os caras reforçma suas origens e colocam a cultura Afro-brasileira de forma muito original junto com batidas mais eletrônicas, tudo de muito bom gosto. A musica “Falei’, tocada no programa, faz parte da trilha sonora do filme e minissérie da Globo “Antônia”. E mais, o disco do Záfrica será lançado em breve na França em parceria com o selo Livin’Astro, do respeitado pessoal do grupo Assassin. (Confira o site http://www.livinastro5000.com )

O lado mais pesado de SP também sobrevive, ele teve seu auge nos anos 90 e se segura até hoje com um público fiel e de idéias fortes, claro que um pouco mais radicais né. É o caso do grupo Facção Central, ícone desse estilo de som, um Rap que descreve a vida do favelado sem maquiagem e pudor, a realidade que choca, e talvez por isso faça refletir.

Outros nomes como: DBS, Crioulo Doido, S.N.J, Pentágono, o trabalho solo do Sombra (ex Snj), além do grupo chamado Simples, do DJ Will, filho do DJ Kl Jay e atual dj do D2. Eles refletem parte dessa nova era do Rap nacional.

Bom, com certeza vamos manter vocês informados através do MIX TAPE e como a gente vai caminhando no presente, mas olha para o passado, depois vamos voltar aos anos 90 no Brasil, OK!?

Deixa tua mensagem, crítica ou sugestão...

Valeu, abraço a todos.

Postado por NITRO DI

E o Rap de São Paulo de hoje...

01 de maio de 2007 1

Grupo paulista Relatos da Invasão/Divulgação


Tenho ouvido bastante coisa vinda do berço do Rap nacional nos últimos tempos e posso destacar alguns trabalhos que já passaram pela mão e sempre estão presentes em nosso espaço do MIX TAPE.

Vou comentar sobre dois produtores, dois grandes dj´s, que sabem o que estão fazendo e tem envolvimento direto ou indireto nos principais nomes do Rap nacional da atualidade.

De um lado Dj Cia, da família RZO, que produziu e colocou pra rua os grupos Função RHK, um dos grandes nomes do Rap nacional do ano passado e U Time, uma grande aposta em parceria com o selo do Racionais, Cosa Nostra. Lembrando que Dj Cia e seu selo Beatloko Brasil, já fecharam parcerias mais ousadas ainda, como a produção dele com artistas de grandes potências do Rap mundial como a RoccaFella do rapper Jay-Z.

De outro lado chegaram coisas bem legais que tem o envolvimento do grande Dj KL Jay, do Racionais Mc´s. Através de seu selo, chamado Equilíbrio Discos, ele já colocou pra rua muita coisa boa pra rua ao longo do tempo, e dessa investida que surgem mais revelações para a cena nacional atual, que necessita de renovação. Esse ano o selo já colocou pra rua dois projetos bem interessantes. O grupo CA.GE.BE, que usa musica brega do nordeste entre seus samples, e sua mais recente aposta, que certamente é a grande revelação do Rap de São Paulo, o grupo Relatos da Invasão, tocado no último domingo no Mix Tape.

É isso, tem muita coisa boa em processo de gravação, existem inúmeros produtoras, outras vertentes do Rap nacional, umas mais pesadas outras nem tanto, mas o fato é que sempre tem coisa nova na rua. São varias incubadoras espalhadas pelo território nacional. Fiquem atentos pois o Rap não para e Hip Hop está vivo.

Confira alguns dos lançamentos nacionais no site www.adversus.com.br

Postado por NITRO DI