O professor Nelson Silveira, que teve a casa inundada pelo último temporal que se abateu em Florianópolis, em função da não-limpeza de rios e canais da região do Santa Mônica, enviou carta ao prefeito Dário Berger e à Procurdora Analúcia Hartmann, do Ministério Público Federal. O texto merece leitura e reflexão:
Pela segunda vez (a primeira, em 1995) estava em viagem de férias com minha família, quando fui desagradavelmente surpreendido com as notícias das enchentes na região em que resido: o Jardim Santa Mônica. Em 1995, quando em viagem pela Flórida, minha casa foi invadida pelas águas, que atingiram, no interior da minha residência, a altura de 40 cm, provocando intensa destruição, com grandes prejuízos que, até hoje, não pude contabilizar. Desta vez, felizmente para minha família (não para muitas outras, cujas casas foram novamente invadidas pelas águas, atingindo níveis de até 30 cm), as águas não chegaram a invadir minha residência, mas, com algumas horas a mais de chuva ou com um nível mais elevado da maré, fatalmente a tragédia de 1995 teria se repetido. E mais uma vez distante, sem possibilidade de voltar a Florianópolis pela falta de vôos e mesmo porque de nada adiantaria voltar, já que não poderia chegar a minha casa, a angústia foi muito maior porque, diferentemente de 1995, de Porto Seguro, onde estávamos, acompanhávamos pela televisão as notícias e as imagens do que estava acontecendo, sem nada podermos fazer. Desde março do ano passado vimos lutando e peregrinando por salas e gabinetes, incluídos aí a Prefeitura Municipal de Florianópolis, Ministério Público Federal, Câmara Municipal de Florianópolis, IPUF, dentre outros, denunciando os riscos que corríamos todos de que novas enchentes viessem a acontecer, tendo em vista o absoluto estado de abandono em que se encontravam os rios e canais que cortam toda a bacia do Itacorubi. Através de documentos, fotos e filmagens, entregues às autoridades, denunciávamos a situação de risco que vivíamos e solicitávamos a adoção de medidas emergenciais e urgentes que pudessem prevenir novas enchentes na nossa região. Infelizmente, apesar de tudo o que mostramos, nada foi feito. As chuvas intensas, que prevíamos poderiam acontecer, novamente se abateram sobre nossa cidade e nossa região e, pela insuficiente vazão dos rios e canais, intensamente assoreados, uma vez mais ocorreram as enchentes, que geraram o caos absoluto em toda a bacia do Itacorubi, trazendo grande preocupação e muitos prejuízos a um grande número de famílias que tem ali as suas residências. Sou um professor universitário aposentado, sem nenhum conhecimento mais profundo na área da biologia, da engenharia ambiental ou outras ciências correlatas. Mas, o bom senso me diz que se quisermos que novas enchentes não venham a acontecer é necessário que urgentemente, e em caráter emergencial, sejam realizadas obras de limpeza, ampliação e aprofundamento do leito dos rios e canais que atravessam a bacia do Itacorubi. Não podemos mais ficar pacientemente esperando pela realização de estudos e projetos, que demandam muito tempo para serem desenvolvidos, e entrar em pânico cada vez que a previsão do tempo indica a possibilidade de chuvas fortes. Apelo, pois, para a sensibilidade e o bom senso de todos aqueles que detêm em suas mãos o poder no sentido de que as obras emergenciais que vem sendo há muito reclamadas sejam imediatamente executadas, reduzindo-se dessa forma o risco de que novas enchentes venham a acontecer, de maneira que as milhares de vidas humanas que habitam toda a grande bacia do Itacorubi não contabilizem prejuízos ainda maiores do que aqueles que já tiveram. Na esperança e, até mesmo, na certeza de que meus reclamos e ponderações, que creio, representam os de toda a comunidade em que estou inserido, haverão de ser entendidos, e que as obras que há tanto reclamamos serão imediatamente executadas, valho-me da oportunidade para reiterar meus protestos de apreço e consideração.
Atenciosamente,
Nelson Luiz da Silveira
Postado por Moacir Pereira
