Sexta-feira, dia 15 de fevereiro, seguinte ao julgamento parcial do TSE sobre a cassação do diploma de Luiz Henrique, o governador recolheu-se com a família, sem qualquer declaração à imprensa ou contato com os jornalistas. Comunicou na véspera aos assessores que silenciaria sobre os dois votos favoráveis à punição política.
Autorizado e incentivado pelo editor chefe do DC, Cláudio Thomas, procurei uma entrevista exclusiva com o governador para tratar do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. O contato foi possível por volta das 20h, através do presidente estadual do PMDB, Eduardo Pinho Moreira, que se encontrava com Luiz Henrique. Falei com o governador do interesse do jornal pela entrevista e procurei marcar um encontro. Ele concordou e agendou um novo contato para o meio-dia do sábado, 16 de fevereiro.
O secretário de Comunicação, Derly Anunciação, entrou no circuito para informar que o governador preferia evitar a entrevista e enviar-me um texto, contendo suas apreciações sobre o julgamento. O depoimento foi enviado no início da tarde de sábado. Domingo redigi a matéria e remeti à redação do DC, onde os colegas editores trabalharam a matéria, que deu manchete na edição desta segunda-feira. O ex-governador Esperidião Amin, referido na manifestação de Luiz Henrique sem ser citado, preferiu não se pronunciar antes de conhecer o teor do depoimento.
A íntegra do que escreveu Luiz Henrique, intitulada %22Ao Povo Catarinense%22, tem 11 itens, mas pula do 8 para o 10. Publicada na edição de hoje do DC, é a seguinte:
1) O meu mandato está sendo questionado por meu Governo ter exercido uma obrigação imposta pela Constituição. Fui líder do PMDB na Câmara Federal, durante a Assembléia Nacional Constituinte, e sei bem que o espírito da lei é o seguinte: o governo tem o dever de dar publicidade ao que está fazendo com o dinheiro público, e, disso,o cidadão tem o direito de ser informado. Anúncios institucionais, coberturas de inaugurações de obras, elogios que recebi em jornais, por ter feito milhares de obras, muitas delas esperadas há mais de cinqüenta anos, estão sendo interpretadas como tendo influenciado a minha vitória. Por amor de Deus, aqui em Santa Catarina (onde as eleições tem sido apertadas), eu ganhei por quinhentos e vinte e oito mil votos no primeiro turno! E, mesmo enfrentando a avalanche de uma segunda onda Lula, e contra o surpreendente apoio do PT ao meu adversário, no segundo turno, ganhei por uma diferença de 186 mil!
2) Eu estou confiante numa reversão dessa decisão parcial, porque os fatos que o meu adversário alega contra mim, já foram repudiados pelo Tribunal Regional Eleitoral e pelo Tribunal de Justiça. Estando próximos e conhecendo bem os fatos, ambos me absolveram.
3) O trágico, nesse caso, é que fui o único governador, que renunciou ao mandato, para disputar a reeleição. O curioso é que, de abril a Dezembro de 2006 (ano da eleição), quem Governou foi o Dr. Eduardo Pinho Moreira. Nenhuma ação judicial foi movida contra ele, contestando gastos ou impropriedade na publicidade do Governo.
4) O trágico, também, é que, se numa hipótese, eu for afastado do Governo, o Vice-Governador, Leonel Pavan, que era Senador e não teve nenhuma participação no meu primeiro Governo, terá o mesmo destino, embora sem ser citado para defender-se.
5) Eu confio no alto discernimento e na experiência dos quatro Ministros que ainda vão votar. Eles haverão de levar em consideração, seja a decisão dos Tribunais locais, que me absolveram, seja o fato de eu não ter praticado nenhum ato de governo, no período eleitoral. Certamente exaltarão o gesto de quem, podendo continuar no governo, dele se afastou para disputar a eleição limpamente e em condições de igualdade com seus adversários.
6) Se a decisão me for contrária, não se salvará nenhum Prefeito que for candidato, neste ano, à reeleição. Seus adversários ficarão à espreita. Derrotados, bastar-lhes-á compilar as publicidades feitas na imprensa (mesmo nos anos anteriores à eleição) e os elogios que receberem, a qualquer tempo, nos jornais, rádios e TVs, por inauguração de obras, para tirar-lhes os mandatos.
7) Mais do que os nossos mandatos, o que está em jogo é a própria democracia e a liberdade de imprensa.
Este é o meu décimo primeiro mandato. Nunca recebi qualquer contestação às minhas vitórias, obtidas sempre limpamente e por diferenças expressivas. Quando fui candidato à reeleição à Prefeitura, em 2000, pedi licença e entreguei o Governo ao Vereador Arinor Vogelsanger, Presidente da Câmara de Vereadores. Não renunciei, naquela época, porque meu Vice, José Henrique Carneiro de Loyola, havia renunciado, para exercer o mandato de Senador.
10) Meu adversário sabe das dificuldades que tem em me tirar o mandato. Mas, não está interessado nisso. Quer é me desgastar perante a opinião pública. E acabar com o meu pequeno patrimônio. (já tive que fazer dois empréstimos, um no Besc, outro no Banco do Brasil. E dona Ivete está vendendo o seu carro, para podermos pagar os advogados). Mas não tem problema, pra provar a nossa inocência, estamos dispostos a vender todo o pouco que possuímos!
11) O que o meu adversário quer é me tornar inelegível, para não ter que me enfrentar, novamente, numa próxima eleição.
Postado por Moacir Pereira

Quanta bobagem se lê nestes comentários. Não faz jus à precisão do jornalismo praticado pelo autor do blog.
Essa é realmente muito boa!! Será que ele vai se inscrever no Bolsa Família? A hipocrisia e a cara de pau de certos governantes parecem ser as únicas coisas que nos dão a noção do infinito.
Piada! Vou iniciar uma campanha financeira para ajudar. Gastou tudo na campanha milionária?
Aliou-se ao PFL e PSDB e reclama do apoio do PT ao Amin?
A piada do ano!
As assessorias de Luiz Henrique vêm falhando nesse episódio. Tanto os assessores da área de comunicação como da jurídica, se atentos, não deixariam passar um texto desses.
Começou com a declaração dos partidos, depois o Eduardo Moreira e, agora, o próprio LHS. Quanto mais falam, mais brechas abrem. A história da renúncia é piada. O Pavan perder o cargo no Senado, idem. E sobre empréstimos, então, muito tocante. São as letras do desespero.
Concordo com o Cedenir. LHC não pode reclamar do PT, afinal o Partido dos Trabalhadores já possui tradição para ser moeda de troca e deixou sua histórica militância (até então socialista) perdida. Nada justifica o apoio do PT ao PP, não se deve fazer politica com o fígado e sim com racionalidade e ideologia. Que pena que isto acabou no PT...Nesta briga pelo governo, quem perde é o povo catarinense que, além de tudo, tem que ouvir e ler uma série de hipocrisias!
Meu amigo Cedenir Simon, parceiro de lutas, de Movimento Comunitário e outras ações. Creio que a saída mais inteligente é ficar calado. Não precisa fazer nenhuma campanha financeira, basta emprestar um dos cartões. Não critique a aliança com o PSDB e o DEM. Lembras do partido que deu sustentação a ditadura, que prendeu nosso Presidente? então? Meu irmão tem hora que temos que ficar calados. Ver, Ouvir e Calar. Um forte abraço.
Coitado! Quanta injustiça! Devia fazer uma "vaquinha" junto aos seus eleitores para ajudá-lo a pagar os honorários advocatícios.