Todos os colegas assesssores, os parlamentares, os líderes regionais e as autoridaes ouvidas até agora transmitem um cenário desolador sobre esta nova tragédia que se abate sobre Santa Catarina, especialmente, Blumenau.
Os depoimentos das famílias que perderam suas casas e até entes queridos é de emocionar. A divulgação dos balanços revela aumento a cada hora do número de mortes. Já são mais de 50.
Estatísticas nestas horas dizem muito pouco. Relatos frios sobre o ocorrido, acrescentam nada. O que comove mesmo e merece a reflexão de todos é o depoimento das vítimas.
Páre e pense. A casa é, depois da saúde, o bem mais precioso que possuimos. É ali que convivemos com nossos familiares. É dentro dela que fica, mais do que o patrimônio material, de alguma forma recuperável, a história de vida das pessoas, das famílias. Os livros autografados, os álbuns fotográficos, as lembranças de viagem, os quadros nas paredes, as heranças de valor afetivo, até a pintura na parede, executada pelo proprietário ou contratada a profissionais, tem algo a ver com a vida das pessoas.
Para as famílias de baixa renda, fica uma sensação de profundo vazio. Anos e anos de trabalho, sacrifício para poupar e, no Natal, na festa de aniversário, homenagear a esposa ou um dos filhos. Cada fogão, por mais simples que seja, uma modesta geladeira, um eletrônico, tudo pode ser substituído se vier a solidariedade ou alguma ajuda pública. Mas a reconstrução não terá a mesma história, ainda que seja positiva.
Esta é a dor de quem perdeu tudo ou parte do que possuía. A casa continua sendo aquele ambiente sagrado que ninguém toca. Por isso, a sensação de ferimento, o abalo emocional que se sofre com o roubo de algum bem precioso, seja ele material ou não.
Por tudo isso, instituições públicas e privadas, religiosas ou não, entidades profissionais e simples cidadãos, a começar pelos vizinhos que sobreviveram incólumes, tem o dever de reservar alguns momentos para a indispensável solidariedade. Ela pode se dar com alguma doação sincera que ajude os flagelados. Mas será marcante, definitiva no ânimo dos desabrigados, se vier com uma palavra de conforto, com o gesto humano e sincero da solidariedade.
Postado por Moacir Pereira