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Posts do dia 11 janeiro 2009

Turismo Predatório (3)

11 de janeiro de 2009 3

    Do hoteleiro Renato Sehn, empresário de visão e defensor do turismo sustentável, idealizador e proprietário da premiada Pousada da Ilha do Papagaio, sobre "Turismo Predatório: "Caro  Moacir Pereira:

    Mais uma vez lhe parabenizo pelo conteúdo bombástico da tua matéria deste domingo. Realmente tuas colocações trazem as palavras que como cidadãos comuns, não dotados da intuição e da perspicácia jornalística que te são fartas, nosso pensamento. Nós daqui da Palhoça não estamos em situação melhor do que a descrita em sua coluna. Infelizmente nossos governantes estão de férias em plenas férias. Grande abraço-Renato Sehn"

Postado por Moacir Pereira

Turismo Predatório(2)

11 de janeiro de 2009 4

     Do professor e engenheiro Hamilton Savi, ex-Pró-Reitor da Ufsc e durante anos um dos especialistas mais recrutados pelo Ministério da Educação e Cultura, com larga experiência internacional, sobre "Turismo Predatório", via e-mail:

   "Caro Moacir: Parabéns pelo quadro pintado da Florianópolis atual em seu artigo do jornal de domingo, onde você expõe essa busca pouco inteligente por turistas para a nossa ilha. É com muito pesar que concordo plenamente com a sua visão de futuro sobre as praias de Santa Catarina, em particular em relação à ilha. É um turismo ineficiente, que certamente trará conseqüências maléficas para a chamada "qualidade de vida na ilha", tornando-a insustentável durante os períodos de alta temporada. É incrível o incentivo óbvio e pouco verdadeiro que se faz de nossa ilha por todas as autoridades  em troca de alguns trocados trazidos por turistas mochileiros ou por pessoas abastadas, sem hábitos de uma convivência sadia com os moradores da ilha. Abraços, Hamilton Savi"

 

Postado por Moacir Pereira

Turismo Predatório

11 de janeiro de 2009 13

              O balanço dos dez primeiros dias da temporada de praias em Santa Catarina é uma tragédia.  Multiplicaram-se os protestos contra falta de educação de visitantes, ausência de fiscalização, inexistência de planejamento, omissão do poder público, silêncio criminoso de instituições e passividade inexplicável da cidadania.  E não se está falando apenas da Ilha de Santa Catarina, onde os problemas crescem de forma assustadora.  Situações inaceitáveis que irritam a tudo e a todos ocorrem nas praias do litoral norte e nos balneários do sul, com as exceções de praxe. 

             O trânsito é o pior de todos, o mais comum, o que tira o sério todo mundo em praticamente todas as cidades.  Carro demais, é verdade! Mas competência de menos, também.  Fica a sensação que nossas autoridades são “surpreendidas”  pela demanda.  Não se vê uma única medida para aliviar os calvários da Capital, repetidos em Porto Belo, Rincão, Balneário Camboriú, Mar Grosso, Arroio do Silva, Piçarras.  É uma inércia irritante.

             Segurança pública? Parece que a Polícia também tirou férias. Em Florianópolis, com uma agravante. Se o contribuinte com direitos violados chama a Policia Militar, é remetido para Guarda Municipal. Esta, até parece que foi extinta.  Só aparece para multar.

             Abusos

             Se você e sua família lutaram anos para comprar uma casa ou um apartamento na praia, pensando, claro, em sossego, curtição com os amigos, conscientizem-se. O sonho virou pesadelo.  Os estrangeiros chegam no pedaço, sentem-se donos da rua, estacionam na frente de sua garagem e promovem baladas até altas horas da madrugada.  Lei do silêncio? Tente apelar ao bispo. Reclamação, nem pensar! Você corre o risco de levar um tiro no peito.

             Bares e restaurantes proliferam nesta época do ano. Na verdade, botecos improvisados, sem alvará, que escancaram bate-estacas até a madrugada. Gente que só sabe fritar um ovo, ergue um barraco, coloca uma pia velha, enterra a ponta da mangueira na areia. Pronto: virou empresário. Acha-se o novo gourmet do pedaço.  Prefeitura, vigilância sanitária?  Esquece... E não ouse invocar sua condição de contribuinte.  No país da impunidade, quem trabalha e pega imposto só tem valor no dia da eleição.   

              E o setor empresarial? Há investidores sérios e honestos que lutam, sim senhor, pelo turismo sustentável e querem turismo de qualidade.  Mas há também segmentos que só sabem explorar os turistas. Uma lista que se inicia com alguns supermercadistas descarados nos reajustes abusivos, passa pelas novas tabelas de preços de bares e restaurantes e se completa com um sistema bancário defasado, defeituoso e anárquico.

              Acapulco, na costa mexicana do Pacífico,  a Saint-Tropez do século XX, paraíso das celebridades internacionais, cresceu demais. Recebia milhares de turistas estrangeiros.  Hotéis, bares, restaurantes, pousadas, quiosques, casas noturnas multiplicaram-se, sem controle, como formigas.  O famoso balneário perdeu as belezas, a tranqüilidade e todo o seu encanto.  Os americanos construíram Cancun, no lado atlântico da costa mexicana.  Para lá e para outros recantos se dirigiram os endinheirados.  Acapulco perdera o charme e com ele os milhares de visitantes que geravam emprego e renda.

             Se Santa Catarina não der um basta neste turismo predatório, está condenada a virar uma nova Acapulco. A continuar neste ritmo, muito cedo, e para lamento de quem investiu ou precisa de emprego, muita gente está e vai ficar contra os turistas e contra o turismo.  (DC, edição impressa, 11-1-09) 

Postado por Moacir Pereira