Comentário sobre os 30 anos da TV Catarinense, primeira semente do grupo RBS em Santa Catarina, publicado na edição impressa do DC:
Líder em audiência em todas as capitais brasileiras na década de 70, a Rede Globo tinha um calcanhar de Aquiles. Perdia apenas em Florianópolis para a maior concorrente, a Rede Tupi, dos Diários Associados.
Eram basicamente duas as causas desta singular situação. De um lado, a programação da Globo transmitida em Santa Catarina pela TV Coligadas, de Blumenau, desde 1969, mas com sinal deficiente na Capital. As imagens captadas em Florianópolis eram de má qualidade. Reeditavam os irritantes chuviscos que marcaram os sinais da TV Piratini, de Porto Alegre, trazidos nos anos 60 por retransmissores em vários pontos do litoral sul. De outro lado, a programação da TV Cultura, operando desde 1970, apesar da inexperiência do comerciante Darci Lopes, seu presidente, mantinha-se em primeiro lugar pelos fortes laços com a comunidade. Tudo o que ocorria na região entrava na grade da emissora. Além da Cultura e da Coligadas os catarinenses tinham também, naquele 1º de maio de 1979, as imagens da recém inaugurada TV Eldorado, com sede em Criciúma e programação da Rede Bandeirantes.
Com mais de 20 anos de vitoriosa experiência no Rio Grande do Sul, o empresário Maurício Sirotsky Sobrinho pavimentou os caminhos que levariam a RBS à conquista da sonhada concessão catarinense. A Rede Globo prometeu o contrato de Santa Catarina, expirado o prazo da Coligadas, na expectativa de sair de uma incômoda vice-liderança na audiência. E a palavra do governador Antônio Carlos Konder Reis de que não interferiria partidariamente no processo federal, o que permitiria a chamada definição pelo critério profissional e empresarial.
O início das operações foi um acontecimento na vida da cidade. Na área profissional, pela qualidade da imagem da Globo e pelas inovações nos telejornais. No lugar dos filmes negativos mudos, que não permitiam declarações ou registros sonoros, reportagens com câmeras portáveis sonoras. E avanços tecnológicos até nos comerciais.
Vínculos
Pesquisas, análises mercadológicas, estudos sociológicos, contatos incontáveis, reuniões com as lideranças, mesas redondas com as entidades, um minucioso planejamento de programação e a aquisição antecipada da melhor tecnologia marcaram todo o período entre a outorga e a estréia.
O anúncio de lançamento da TV Catarinense, canal 12, trazia o desenho de um coração cortado por uma seta: “Santa Catarina, meu amor”.
Carismático, determinado, exigente, mas comunicativo, Maurício Sirotsky Sobrinho trouxe com sua presença frequente um receituário inovador. Em todas as falas, a valorização da verdade e da informação ética, a relação com a comunidade e os compromissos com o público. O entusiasmo pelo projeto catarinense se agigantava, no contato pessoal, pelo estilo simples de dialogar com seus colaboradores, injetando na equipe que se formava valores como companheirismo, amizade, sentido de equipe e espírito de família.
Sete meses depois, o Jornal do Almoço, o carro-chefe gaúcho que se tornou o cabeça de rede e líder em audiência desde a estreia em Santa Catarina. Com ele e os noticiários, a corajosa cobertura da “Novembrada”, a heróica transmissão das “Diretas Já”, sob a censura das emergências, a “Cadeia da Solidariedade”, o mais profundo trabalho jornalístico de prestação de serviços já realizado na televisão brasileira.
Trinta anos. Agora, com mais amor e muita paixão pelo melhor, mais belo e mais diversificado dos Estados brasileiros.
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Postado por Moacir Pereira