O procurador federal Georgino Melo e Silva volta a contemplar esta blog com comentários atualizados. Remete, via e-mail, depoimento sobre a homenagem ao ex-ministro Renato Archer, maranhense como ele. É longo, mas merece transcrição:
O Governo de Santa Catarina, atravésda FAPESC, presta uma grande homenagem à memória do maranhense RENATO ARCHER, com a inauguração, do Centreventos. Tive a honra e o privilégio de conhecer pessoalmente o saudoso homenageado. Renato Bayma Archer da Silva foi um estadista verdadeiro, pois seguiu a trajetória e a linhagem de uma elite culta que conjugou o progresso com os interesses nacionais.
Brasileiro da mesma estirpe de Ruy Barbosa, José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Cláudio Manoel da Costa, Barão do Rio Branco, Santiago Dantas, Getúlio Vargas, Nereu Ramos,Jorge Lacerda, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro, etc. Era um homem de fino trato, culto, elegante, dotado de prodigiosa memória, tinha o domínio da palavra fácil e o ritmo envolvente da narrativa.
Eleito Deputado Federal pelo Maranhão na década de 50, o jovem Renato Archer integrou-se à Ala Moça do PSD, ao lado de Ulysses Guimarães e Juscelino Kubitschek, iniciando-se na grande seara política nacional numa área estratégica e polêmica. Ao lado de antigo Professor Almirante Álvaro Alberto, defendeu a política nuclear brasileira desencadeada pelo governo do Presidente Vargas.
A sua corajosa defesa de nossa soberania o colocou em choque com poderosos interesses internacionais, mas Archer nunca deixou de acreditar que o Brasil precisava dotar uma política firme e soberana no pertinente à energia nuclear. Mesmo sendo um apaixonado pelo tema, sempre o expunha com objetividade, equilíbrio e ponderação.
Outra fase marcante da rica trajetória de Renato Archer é sua atuação como articulador da Frente Ampla (1965-1968), que conseguiu a proeza de unir personalidades como Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda,num movimento político que pregava o retorno do País ao Estado Democrático de Direito. A sua grande capacidade de articulação, o seu prestígio pessoal e o seu ardoroso empenho deu um grande relevo ao Ministério da Ciência e Tecnologia , num governo contraditório e de muitas vertentes e tendências, como era o Governo do Presidente José Sarney. Enfrentou o intransigente Antônio Carlos Magalhães, então todo podero Ministro das Comunicações apoiado pelos grandes caciques da imprensa brasileira.
Renato Archer, em nenhum momento, deixou de defender a política nacional de informática, aprovada pelo Congresso Nacional, que tinha como ponto culminante a formação de recursos humanos, com grande benefício para o país. Foi também Renato Archer que percebeu, com bastante antecedência, o papel estratégico e a grande importância da China no cenário internacional abrindo caminho, apesar de poderosas resistências, para a assinatura do acordo de cooperação espacial (Satélite Sino-Brasileiro de Observação Terrestre), o ponto mais alto das atividades espaciais brasileiras na atualidade.
O seu último cargo público foi a presidência da Embratel. A sua gestão deu novo dinamismo à empresa. Envidou todos os esforços para evitar a sua privatização, uma vez que ao Estado Brasileiro era conveniente ter uma empresa forte e independente no setor das comunicações. Renato Archer foi um brasileiro exemplar, um político com a larga e a estratégica visão de um verdadeiro estadista. O Estado de Santa Catarina resgata a memória de um grande brasileiro.
Um forte abraço,
Georgino Melo e Silva.
Postado por Moacir Pereira