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A Novembrada, hoje

30 de novembro de 2009 Comentários desativados

Da coluna na página 3 da edição impressa do DC desta segunda-feira:

No dia 29 de novembro de 1979 fiz o seguinte comentário no Jornal do Almoço da TV-Catarinense, Canal 12, primeira emissora da RBS em Santa Catarina:

A verdade é que a Usina Siderurgica Sul Catarinense (Sidersul) dificilmente será anunciada na visita que o presidente Figueiredo faz amanhã a Florianópolis.

O clima é de pessimismo aqui em Santa Catarina, a começar pelos meios políticos e no governo do Estado, a partir do próprio governador Jorge Bornhausen.

O presidente Figueiredo jogou uma ducha de água fria nas esperanças do povo catarinense em torno do anúncio e do comprometimento do governo federal de instalação da Sidersul no atual governo.

Ontem, houve uma audiência do presidente, concedida a bancada catarinense na Câmara e no Senado, presentes parlamentares da Arena e do MDB.

Até mesmo o senador Jaison Barreto, que não estava disposto a comparecer a audiência, decidiu levantar a bandeira de Santa Catarina em torno da Sidersul.

Durante a vista que o presidente vai fazer amanhã a Florianópolis, ele deverá reiterar a informação que deu aos deputados e aos senadores.

O governo não dispõe dos recursos financeiros e vai apenas iniciar a implantação da Sidersul, a unidade de medição direta e a usina de gaseificação, a cargo da Petrobrás.

Não se comprometerá com a conclusão da Sidersul na atual período administrativo, o que representava a grande reivindicação de todos os catarinense.

Este anúncio, afinal, não resolve os problemas de Santa Catarina. Ontem, ainda foram feitas as ultimas tentativas.

Alem da audiência no Palácio do Planalto,o Secretário de Imprensa da presidência da Republica, jornalista Marco Antonio Kramer, que esteve em Florianópolis, recebeu muitas informações sobre as expectativas em torno do anúncio da implantação da Sidersul.

Ele expediu um telex ao Palácio do Planalto, contando o que estava acontecendo no Estado, e manteve dois contatos telefônicos com o próprio presidente Figueiredo.

A visita presidencial a rigor tem dois cenários totalmente diferentes. Um, o oficial, com comemorações, faixas, bandeiras, fogos de artifício, balões para homenagear o presidente.

O outro cenário, captado em setores políticos e da população, demonstra um certo descontentamento com as ultimas ocorrências em Florianópolis e no resto do país.

São, basicamente quatro as causas: as declarações do próprio presidente de que não esta muito preocupado com a impopularidade de medidas do governo.

Isto provocou uma certa irritação aqui em Florianópolis. Segundo, a homenagem a Floriano Peixoto, considerada totalmente descabida. Terceira, o aumento pesado da gasolina, no inicio da semana.

E a quarta, a dura resposta que receberam ontem em Brasilia os deputados e senadores da Arena e do MDB, em relação a grande reivindicação de todos os catarinenses. O programa presidencial já sofreu árias alterações.

O tempo de permanência inclusive foi reduzido de nove para seis horas em Florianópolis. Cogita-se até da possibilidade do cancelamento da visita ao Senadinho, ao em face de alguns movimentos e manifestações estudantis durante a passagem do presidente pelo calçadão da Felipe Schmidt.

O que gera inconformismo no governo do Estado concentra-se no fato de que na semana passada o presidente Figueiredo esteve em Fortaleza e lá aprovou a implantação de uma usina siderúrgica que, embora moderna, diferente das pretensões de Santa Catarina, vai utilizar matéria prima importada.

E nós catarinenses temos o carvão aqui ao nosso lado. A medida gera polêmica porque sem a garantia da implantação da Sidersul no governo Figueiredo, o programa de visita perdeu sentido.

Trinta anos se passaram. O descaso continua. Nada mudou.

Ouça o comentário de Moacir Pereira em 1979

Confira mais informações sobre a Novembrada no site especial

Postado por Moacir Pereira

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