Jornalista Wilson Libório de Medeiros envia e-mail resgatando a fantástica histórica do "robô da Fainco", mencionada na coluna impressa do DC. O texto é longo, mas vai na integra até por seu relato inédito de quem "flagrou" a enganação tecnológica. Leia:
Caro Moacir: Saúde, Paz e Fraternidade. Li com atenção, como faço todos os dias, a tua coluna no "DC", edição do dia cinco recém passado e notei uma impropriedade na citação do "robô da Fainco", que não foi flagrado pela Polícia Civil, ao tossir.
Sabendo do zelo do amigo pela busca da verdade, e zelando por ela, presto-lhe os esclarecimentos que seguem: Deu-se o acontecido na "II FAINCO", realizada no prédio ainda não inaugurado da atual Assembléia Legislativa do Estado, posteriormente denominado de "Palácio Barriga Verde".
Era manhã de um sábado de setembro - parece-me que 1970 -, penúltimo dia da Feira e o robô era um de seus sucessos. Levantou-se a terior e suspeita de fraude pelo fato de um "raidinho" de pilha, de pouca qualidade e sujeito a interferências eletrônicas, ter sofrido quaisquer alterações nas proximidades do robô, quando em atividade.
Como eu, na qualidade de assessor de imprensa, integrava o grupo promotor da Feira - Formandos do Curso de Engenharia Elétrica da UFSC daquele ano -, tomei a iniciativa de fazer uma "contabilidade" do entre-e-sai dos operadores do robô na cabine de controle do dito.
Notei, então, que na cabine vazia, pelo entre-e-sai, deveria ter uma pessoa, se não a havia era porque a pessoa faltante deveria estar dentro do robô. Foi a operação repetida por diversos dias, nos períodos da manhã, tarde e noite, com a mesma constatação: a cabine está vazia quando, pela movimentação dos "técnicos", deveria haver um deles no interior da cabine.
Com a mesma constatação, só poderia estar dentro do robô. Era sempre o mesmo "técnico" que faltava na cabine. Na sexta-feira, com esta constatação, como na época eu era o responsável do noticiário policial de "O ESTADO", levei o fato ao conhecimento do então Major Sidney Carlos Pacheco, que era Delegado Titular da Delegacia Especializada de Furtos, Roubos e Defraudações - era esta denominação na época.
Acertamos, então, o que faríamos no sábado, no início da apresentação do robô. Pacheco designou para comandar a operação o então agente policial Nagel, auxiliado por mais dois policiais, que era do quadro daquela Delegacia.
Dirigimo-nos à "FAINCO" no próprio carro - então um fusquinha -. Lá chegando, o robô já estava em atividade e o Nagel, passando por baixo do cordão de isolamento, bateu forte na Lataria, dizendo: "Acabou a palhaçada".
O "robô" que abraçava um menino, então, deixou cair os braços, enquanto o Nagel abria o capacete. Tudo isso foi fotografado por mim, para o jornal "O ESTADO", sendo o filme e fotos, posteriormente, requisitados pelo Major Pacheco, para integrar o inquérito policial.
Lembro-lhe que, na época, o hoje Governador Luiz Henrique da Siveira, era escrivão policial da Delegacia de Furtos, Roubos e Defraudações.
Lembro-lhe que o tal "robô" já fazia sucesso em TVs de São Paulo e Rio de Janeiro e havia feito uma apresentação no Palácio Bandeirantes, do Governo de São Paulo, quando era governador Carvalho Pinto, que contratara o "robô" como atração da festa de aniversário de um de seus netos, fatos que comprovam que os nossos estudantes agiram de boa fé ao contratá-lo.
Todo este relato, que faço a bem da verdade e credibilidade de tua coluna, pode ser comprovada pelas autoridades citadas, pelo Professor Hamilton Savi - hoje aposentado da UFSC e na era Coordenador do Grupo Promotor da FAINCO - e pelos próprios então formandos.
Com forte abraço e votos de um 2010 pleno realizações, subscrevo-me mui atenciosamente. Wilson Libório de Medeiros, Jornalista Aposentado.
Postado por Moacir Pereira