Os dados da primeira pesquisa sobre as eleições para o governo do Estado, publicados na edição impressa deste domingo do DC, mereceu a análise Eleição Embolada, na coluna da página 3. Confira:
A primeira conclusão revelada pela pesquisa Mapa: os cinco candidatos possíveis ao governo de Santa Catarina, em teoria, têm chances de vitória. A segunda, relacionada com esta projeção: mantido o atual cenário, com cinco postulantes, a escolha ficará para o segundo turno. E a principal: esta diluição das preferências, sem favoritismo, está identificada com a “geografia das urnas” desenhada nas eleições municipais de 2008.
Em princípio, PMDB, PT e PP registraram os melhores resultados e conquistaram as principais prefeituras. Mas o DEM e o PSDB também passaram a administrar municípios importantes. De alguma forma, este cenário mantém na corrida governamental, pelos dados da primeira prévia.
Entre os 25 maiores colégios eleitorais do Estado, o PMDB elegeu sete prefeitos. Com a vitória de Dário Berger, ficou com Florianópolis, o segundo município, em termos de votos. Eduardo Moreira, o presidente do partido, está em quarto lugar numa faixa média de 12% a 16,7%. Pela estrutura partidária tem, em tese, espaço para crescer. Já o PT conquistou as 5 das 25 principais prefeituras. Levou Joinville, o maior colégio eleitoral. A petista Ideli Salvatti desponta em segundo lugar, oscilando entre 13,7% e21,9%. Está firme no páreo.
O DEM elegeu 4 prefeitos das 25 maiores cidades, entre elas Blumenau, o terceiro colégio eleitoral do Estado. Raimundo Colombo, o presidente do partido, está colado em Ideli Salvatti, variando entre 12,5% e 20,4%. É outro forte candidato. E, liderança absoluta em todas as consultas e em todos os cenários, a deputada Angela Amin, do PP. Está com posição robustecida pela atuação e também pela estrutura progressista, que elegeu 5 prefeitos e detém o controle de Itajaí, o sexto colégio eleitoral.
Imprevisível
Finalmente, Leonel Pavan, do PSDB, aparece em quinto lugar. Os tucanos elegeram 3 prefeitos, e comandam Criciúma, o quinto em eleitores. A candidatura de Pavan é uma incógnita. Abatido pela Operação Transparência, caiu para a quinta colocação, com 11,8%. Tem outro fator adverso. É o mais rejeitado, com19,6%. Está começando debaixo de duplo tiroteio, provocado pelo tumultuado pacote salarial e pelas indecisões na formação do colegiado. Vai ter que compor com os antigos aliados na Assembleia, sob pena de viver período mais tumultuado, como já sinalizaram os Democratas, maiores parceiros do PSDB na eleição presidencial.
A liderança permanente de Angela Amin constitui um fenômeno político. Há meses que seu nome desponta com folga nas prévias. Mesmo sem que a ex-prefeita tenha assumido publicamente a candidatura. Com uma ação parlamentar discreta, fora da vitrina e sem se preocupar em divulgar seus trabalhos pela imprensa, mantém-se em situação privilegiada.
Os diferentes cenários da pesquisa indicam alguns movimentos interessantes do eleitorado. Angela Amin cresce e se fortalece quando Ideli Salvatti e Raimundo Colombo estão fora da disputa. Sinal de que os votos das mulheres e dos liberais a beneficiam. Já a senadora Ideli Salvatti adquire seu melhor percentual também quando Angela Amin está fora da disputa.
Com o senador Raimundo Colombo repete-se o fenômeno da candidata progressista. Quando Angela Amin não aparece, Colombo vai para 20,4%, sua melhor performance. Já Eduardo Moreira obtém seu melhor índice com a saída de Raimundo Colombo.
Conclusão: cruzamentos, alianças e traições podem decidir a eleição.