Quando o cineasta Fábio Barreto começou a rodar o filme "Lula, o filho do Brasil", criou-se uma grande polêmica. Os adversários dizendo que a produção tinha caráter eleitoreiro. Cogitou-se até de bolsa-cinema para levar milhares de trabalhadores aos cinemas de todo o país.
O filme foi um fracasso de bilheteria. Ficou apenas algumas semanas em cartaz. Em Florianópolis, com plateias decepcionantes. Sessões até com minguados 3 a 5 espectadores. Não faltaram pareceres definitivos do tipo "não vi e não gostei". Decorridos quatro meses, vende pouco até em cópias piratas.
Independente de seu caráter laudatório e da eliminação de fatos negativos que marcaram a biografia presidencial, o filme tem qualidade e merece ser visto. O argumento é criativo, a fotografia tem qualidade, a atuação dos atores irretocável, a começar por Glória Pires interpretando a mãe, dona Bilu, belas tomadas da época e fatos históricos pouco conhecidos da maioria dos brasileiros.
Mesmo para os que acompanham a vida pública brasileira nos últimos 50 anos, a história ali narrada tem ritmo, faz contrapontos interessantes sobre o biografado. E, sobretudo, destaca pelo menos três fatos relevantes na vida do presidente:
1. O papel decisivo da mãe Bilu na educação escolar e na vida profissional e sindical. É a mãe, sempre que mostra o caminho e que dá apoio.
2. A importância do Senai na formação técnica e conquista de uma profissão.
3. O apoio recebido de dona Marisa quando iniciava a trajetória no sindicato. Não fora o incentivo até obsessivo da mãe pelos estudos, o treinamento técnico dado pelo Senai, Lula não teria sido nem líder sindical, nem presidente da República. Espiritualidade
O filme "Chico Xavier", ao contrário de Lula, continua um sucesso de bilheteria, desde seu lançamento. Em apenas dez dias bateu recorde de público, levando mais de 1,3 milhão de espectadores aos cinemas de todo o Brasil. Desbancou o líder "Se eu fosse você", com 586 mil ingressos vendidos, menos da metade. E o interesse continua, com casas quase sempre lotadas nos cines de Florianópolis.
Daniel Filho, diretor e produtor, investiu R$ 12 milhões. Nas duas primeiras semanas já contabilizava 13 milhões de reais nas 340 cópias distribuídas. O argumento baseia-se na participação de Chico Xavier do mais famoso médium brasileiro no programa "Pinga Fogo", da Rede Tupi, há exatos 39 anos. Tinha 60 minutos de duração e ficou no ar mais de três horas. Foi um show de comunicação, completando-se com a primeira psicografia transmitida em rede nacional.
O recurso de flasbacks dá ritmo. As cenas históricas das pequenas vilas mineiras tem cenários impecáveis. Nelson Xavier destaca-se com uma interpretação exuberante, facilitada pela semelhança física. E, sobretudo, o valor transcendental da presença da mãe, carinhosa, compreensiva, amiga, incentivadora, desde os primeiros anos. Se há pontos comuns entre os dois filmes é esta força excepcional, presente sempre na vida dos grandes homens, dos artistas e das celebridades.
Os dois filmes mostram como dois homens humildes chegaram a notoriedade mundial. E como enfrentaram terríveis adversidades. Menos melodramático, o filme Chico Xavier sobressai-se pela extraordinária história de sua vida exemplar, única. Nasceu e viveu 92 anos levando paz e dedicado a uma única causa: ensinando, mostrando, praticando e disseminando a prática do bem. Imperdível!