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Saúde na UTI

31 de julho de 2010 3

A Associação e a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos dos Serviços de Saúde de Santa Catarina promoveram um debate com os candidatos ao governo. Apenas a deputada Angela Amin compareceu. Raimundo Colombo cumprir roteiro político no sul, e Ideli Salvatti cancelou presença na véspera. Os nanicos também não foram. O debate virou entrevista. Uma ausência inexplicável, sabendo-se que “saúde” é – disparado – o maior problema da população catarinense. É, mas não parece.

O economista Francisco Graziano, coordenador do plano de governo de Serra, lá esteve. Recebeu o mesmo documento entregue à candidata do PP. Passa a conhecer, portanto, o diagnóstico da dramática situação da rede médico-hospitalar catarinense.

Começando pelo fim. Santa Catarina tem a pior remuneração pelo Sistema Único de Saúde. Os hospitais recebem R$ 144,00, contra R$154.44 para o Paraná e R$ 188,97 ao Rio Grande do Sul.

Outra triste revelação a mostrar insensibilidade da classe política: a questão tributária. No Brasil, os hospitais são responsáveis por 33% de toda a receita nacional. Nos Estados Unidos, o índice é de 12%, no Japão de 13%, na Índia de 17% e no México de 16%. Quer dizer: aqui não há incentivo fiscal para a saúde do povo.

A rigor, os hospitais tem apenas uma isenção. É federal, desobrigados do recolhimento patronal do INSS. Incentivo fiscal estadual? Nada! Isenção do ICMS sobre água e energia, por exemplo? Zero! Participação nos recursos do Fundosocial? Nem cogitado!

O documento, que será entregue aos candidatos ausentes, revela, em síntese: os médicos não tem interesse em contratos com o SUS pela baixa remuneração. É grave a falta de leitos de UTI e há hospitais que instalaram estas unidades, mas não como fazê-las funcionar. Um leito de UTI custa R$ 843,36 a diária. O SUS paga apenas R$ 410,92.

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Comentários (3)

  • TRANSPARILDO SILVA diz: 31 de julho de 2010

    Meu caro colunista, precisamos verificar o que está inserido no “custo” diário de uma UTI. Será que estão incluídos os custos com os altos salários dos proprietários, diretores e “beneméritos”? Não se vê médico pobre com um certo tempo de carreira (vide Beira-Mar e adjacências). E o início de todos eles (regra geral) é o SUS. Quase sempre se vê que a diretoria de um hospital beneficiente saiu locupletada (o que infla os “custos”). Quando se sugere que a sociedade banque algo, como isenção de impostos, o mínimo que se exige é TRANSPARÊNCIA. Não se tem ouvido que algum hospital privado ou beneficiente tenha se submetido a processos de verificação de sua organização e métodos de trabalho, de eventuais desperdícios ou de controle de sua administração. O choro é livre, mas a realidade exige averiguações.

  • Pedro diz: 31 de julho de 2010

    Sabemos, caro Colunista, que nem todo o dinheiro do mundo seria suficiente para aplacar a “fome” de determinadas carreiras profissionais. A saúde aí se enquadra. Nunca, em toda a minha vida, vi qualquer deles satisfeitos com suas situações; ao contrário, sempre querem mais, mais e mais. Agora, abrir o peito e ir à luta, muitos poucos. Por isso, inclusive, que os interiores, como um todo, sempre estão à procura desses profissionais que, mais e mais, querem apenas praia, sol e mar. Pois é. A situação não é bem essa: estão apenas se aproveitando da “hora eleitoreira” para, mais uma vez, botarem as garras de fora. Lastimável.

  • Mário Medaglia diz: 1 de agosto de 2010

    Caro Moacir: nem é preciso projetos mirabolantes ou grandes discussões sobre os problemas da Saúde em Santa Catarina. Convidemos candidatos ao governo, câmaras ou senado para uma visitinha a qualquer um dos nossos hospitais. É uma vergonha. As carências no país inteiro estão escancaradas na falta de recursos humanos, de equipamentos, no atendimento precário com corredores lotados de doentes, e na fila de ambulâncias. Manhã destas contei mais de 20 só no Hospital Celso Ramos. As promessas vão pipocar nos discursos e programas eleitorais. Passada a eleição tudo é esquecido e o cenário não muda. Os planos de saúde são outra vergonheira nacional, mas as agências reguladoras não fazem nada pelos usuários que gastam uma fortuna e não têm o devido retorno em serviços contratados. Queria conhecer o estado que nossos governantes apregoam e o país que o Lula diz existir.