Mais frustração e decepção com o julgamento da Lei da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal. Depois de onze horas de discussões intermináveis, palavreado bonito, expressões técnicas que o povo não entende e vários desencontros, os ministros decidiram suspender o julgamento. Houve empate. Cinco decidiram pela aplicação do ficha limpa nas eleições deste ano e cinco contra. A decisão fica para a próxima semana. Se houver, porque há a possibilidade de não haver decisão nenhuma. Ministros querem que o julgamento seja retomado só depois da nomeação do décimo primeiro ministro. A cadeira ficou vaga com a aposentadoria do ministro Eros Grau. Quer dizer, mais indefinição. Fato que cria um suspense desnecessário sobre os candidatos enquadrados na legislação.
Aqui em Santa Catarina,por exemplo, fica pendente o deputado João Pizollatti, com recurso no TSE. Se a Lei da Ficha Limpa for aplicada por decisão do STF ele está fora. O PP será prejudicado pois fará dois e não três deputados federais, previsão de seus líderes. Havendo aplicação da Lei depois das eleições,a situação será pior ainda. Ele não deverá ser diplomado, mas os votos a ele atribuídos somam na legenda. Pode eleger outro candidato pelo cálculo da proporcionalidade. E aí?
É uma triste realidade. Câmara e Senado enrolaram na apreciação do projeto de emenda popular com respaldo de dois milhões de assinaturas. A matéria só foi a votação por pressão política de várias instituições.
O texto final foi aprovado com várias dúvidas. Alterações aconteceram durante as discussões.
O Congresso legisla mal, o Judiciário atrasa nos julgamentos e os candidatos de ficha suja ficam livres para voar nestas eleições.