O ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, empresário Dilvo Tirloni, envia contribuição ao debate sobre o transporte marítimo em Florianópolis e micro-região. Confira o texto:
“Prezado Moacir
“Desejo contribuir com o debate sobre a mobilidade urbana de nossa cidade, assunto de tua coluna de hoje (7/3). Tenho convicções cristalizadas sobre o assunto e não creio que precisemos recorrer a especialistas de outras regiões para resolver os nossos problemas. Sempre que se mencionam “salvadores” da mobilidade urbana vindos de fora, além de menosprezar os técnicos locais, frequentemente, os projetos apresentados são de qualidade duvidosa. Não conheço nenhum que tenha prosperado. Se o Governo do Estado quiser contribuir para resolver alguns projetos de interesse da região dou abaixo o modelo institucional a ser seguido:
1. Implantação da Região Metropolitana
Urge a implantação da Região Metropolitana da Grande Florianópolis criada pela lei complementar estadual número 162 de 06 de janeiro de 1998. Esta lei, de forma equivocada, foi seccionada por LHS para criar as SDRs, mas em 2010, a lei foi restabelecida. Há dentro desta lei o Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, formado pelos municípios conurbados, notadamente, Biguaçu, Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e São José. Este Conselho poderá ter personalidade Jurídica própria, mas, opcionalmente, poderá, se for desejável, se utilizar do “Consórcio Público” criado pela lei federal 11.107/05. O Consórcio Público tem personalidade jurídica e como tal se quiser, poderá estabelecer parcerias público-privadas (lei federal 11.079/2004) para desenvolver os projetos do seu interesse. Além do mais o Governo Federal privilegia com financiamentos específicos e a fundo perdido projetos para Regiões Metropolitanas.
2. Transporte Urbano
Não há como resolver o transporte urbano de Florianópolis sem pensar em um projeto metropolitano. Dentro da Ilha e no Continente cabem algumas intervenções pontuais como os alargamentos das SCs, alargamentos de algumas ruas nos bairros, duplicação da BR282 (via expressa), os acessos próximos do aeroporto. Pode-se falar na quarta ponte, mas os recursos serão enormes.
Fora do município mas com largo impacto em toda a região metropolitana o governo deveria mobilizar as forças políticas para implantar o Contorno da Região Metropolitana de Florianópolis trecho que se inicia no município de Tijucas (Rio Inferninho) até o município de Palhoças (posto Fiscal), ou seja entre o KM 175 e Km 222, numa extensão de 47 km. O traçado do leito seria por “fora” da Região. O atual trecho da BR101 seria transformado em Avenida Metropolitana.
3. Transporte Marítimo
A implantação do transporte marítimo é a melhor solução, investimentos baixos e financiados pela iniciativa privada. Inexplicável a omissão de nossas autoridades quanto ao transporte marítimo. As “avenidas estão prontas” bastam apenas os equipamentos e os terminais. O ZEEC (Zoneamento Econômico Ecológico Costeiro) deveria informar os espaços para construção dos terminais marítimos da Região Metropolitana. Um Sistema integrado de “Ferry boat” com pelo menos duas linhas Centro-Norte-Centro contornando as cidades citadas e Centro-Sul-Centro. O Sistema se integraria aos terminais rodoviários dos municípios conurbados ou seja, haveria um bilhete único. Palhoça esta determinada a implantá-lo, sucede que há necessidade da intervenção do DETER para transformar a boa idéia local em “metropolitana”.
A solução passa por equipamentos do tipo FERRY BOAT embarcação para transporte de passageiros e automóveis. Este equipamento pode transportar 200,300,500 passageiros e até 100 veículos. O veículo precisa apenas de meio metro de água para atracar ou navegar. Segundo os especialistas ele se aplicaria de forma excepcional para nossa região. Sua fabricação é catarinense cujo empreendimento náutico esta localizado em Navegantes.
O mais surpreendente é que o custo dos investimentos poderão ser suportados pela iniciativa privada. Basta apenas que haja licitação dos serviços. A empresa TWB de Navegantes, fabricante e uma das maiores transportadoras de passageiros do Brasil esta aguardando a licitação. Abraços, Administrador Dilvo Vicente Tirolini, Consultor de Gestão Pública.”